Erwinia amylovora é uma espécie de bactéria fitopatogénica pertencente à família Erwiniaceae, amplamente reconhecida como o agente causal do fogo bacteriano (conhecido internacionalmente como fire blight), uma das doenças mais devastadoras e economicamente destrutivas que afetam as plantas da família das rosáceas. Este micro-organismo Gram-negativo ataca com particular severidade fruteiras de pevide comercialmente vitais, como a pereira, a macieira e o marmeleiro, além de diversas espécies ornamentais e silvestres, incluindo o pilriteiro e o cotoneáster, provocando a perda total da produção e, frequentemente, a morte rápida das árvores afetadas. Identificada pela primeira vez na América do Norte no final do século XVIII, a bactéria disseminou-se globalmente e detém atualmente o estatuto de organismo de quarentena sob estrita vigilância fitossanitária em múltiplas regiões do globo, incluindo a União Europeia, onde a sua introdução é fortemente combatida através de medidas de controlo e restrições à circulação de material vegetal. A sintomatologia da infeção é marcante e severa: as flores murcham e escurecem bruscamente, as folhas e os frutos jovens sofrem uma necrose severa que os torna negros, permanecendo contudo agarrados aos ramos, e as extremidades dos rebentos tenros dobram-se de forma caraterística em forma de cajado. O nome vulgar da patologia deriva precisamente deste aspeto calcinado e fuliginoso que a copa das árvores adquire, assemelhando-se ao efeito de um incêndio. A nível epidemiológico, o patógeno sobrevive ao inverno no interior de cancros localizados na casca dos ramos infetados e reativa-se na primavera com a subida das temperaturas. A sua disseminação subsequente ocorre de forma extremamente rápida, impulsionada por insetos polinizadores (como as abelhas) que transportam o agente patogénico diretamente de flor em flor, por fatores meteorológicos como o vento e a chuva batente que dispersam o exsudado bacteriano pegajoso que emana das feridas, ou pela ação humana através da utilização de ferramentas de poda contaminadas. Uma vez que não existem tratamentos químicos curativos ou antibióticos autorizados na maioria dos países para erradicar a bactéria após a infeção sistémica, a estratégia de gestão assenta rigorosamente na prevenção fitossanitária, na aplicação programada de compostos de cobre em períodos específicos, na desinfeção cirúrgica de todos os utensílios de corte e na eliminação e queima imediata de todo o material vegetal infetado para conter focos de contágio.
Categoria:Enterobacteriaceae Categoria:Patógenos e doenças de plantas