Uma bicicleta de pinhão fixo, mudanças fixas ou fixie é uma bicicleta que possui uma transmissão sem mecanismo de roda livre, o que significa que os pedais giram sempre juntamente com a roda traseira. A roda livre foi desenvolvida no início da história do design de bicicletas, mas a bicicleta pinhão fixo permaneceu o modelo padrão para corridas em pista. Mais recentemente, a "fixie" tornou-se uma subcultura internacional, principalmente entre ciclistas urbanos.

A maioria dos cubos de bicicleta incorpora uma roda livre, que permite que os pedais permaneçam parados enquanto a bicicleta está em movimento, possibilitando ao ciclista seguir por inércia, ou seja, deslocar-se sem pedalar aproveitando o impulso. Numa transmissão de pinhão fixo, o pinhão (ou carreto) rosqueado ou aparafusado diretamente ao cubo da roda traseira, de modo que os pedais ficam acoplados diretamente à roda. Durante a aceleração, os pedais e os pedivelas fazem a roda girar; noutras situações, é a roda traseira que pode fazer girar os pedivelas. Esta ligação direta permite ao ciclista aplicar força de travagem com as pernas e o peso do corpo, resistindo à rotação dos pedivelas. Também permite pedalar para trás.

A maioria das bicicletas de pinhão fixo tem apenas uma velocidade . A utilização de um desviador para selecionar mudanças introduziria folga na corrente, o que interferiria na travagem. A seleção de marchas pode, no entanto, ser feita com o uso de um cubo com mudanças internas. Por exemplo, um cubo fixo de três velocidades Sturmey-Archerconstitui uma configuração de pinhão fixo com várias velocidades. A maioria das bicicletas de pinhão fixo tem apenas travão dianteiro, e algumas não têm qualquer travão.

Uma bicicleta de pista, ou bicicleta de pista, é um tipo de bicicleta de marcha fixa otimizada para competições num velódromo ou numa pista ao ar livre. Alguns ciclistas de estrada e de clubes utilizam bicicletas de pinhão fixo para treinar durante os meses de inverno, geralmente usando uma relação de transmissão relativamente baixa, por se considerar que isso ajuda a desenvolver uma boa técnica de pedalada. No Reino Unido, até a década de 1950, era comum os ciclistas usarem bicicletas de pinhão fixo para provas de contrarrelógio. O campeonato britânico de contrarrelógio de 25 milhas de 1959 foi vencido por Alf Engers com um recorde de competição de 55 minutos e 11 segundos, pedalando uma bicicleta de pinhão fixo de 84 polegadas. As bicicletas de pinhão fixo também eram, e continuam a ser, frequentemente utilizadas em provas de subida de montanha realizadas no outono, no final da época. Uma bicicleta de pinhão fixo típica de um ciclista de clube seria uma bicicleta do tipo "de estrada/pista". Na época em que a maioria dos ciclistas tinha apenas uma bicicleta, a mesma bicicleta, quando desmontada e equipada com rodas de corrida, era usada para provas de contrarrelógio e corridas em pista, e quando equipada com para-lamas e uma bolsa, era usada para passeios de clube, cicloturismo e treinos de inverno. Na década de 1960, os câmbios de múltiplas velocidades tornaram-se a norma e o uso de bicicletas de pinhão fixo nas estradas diminuiu nas décadas seguintes. Nos últimos anos, houve um interesse renovado e um aumento na popularidade do ciclismo de pinhão fixo.

Nas zonas urbanas da América do Norte e em áreas semelhantes em outras cidades ocidentais, as bicicletas de pinhão fixo ganharam uma popularidade significativa, acompanhada pelo aparecimento de preferências estéticas regionais bem definidas ao nível dos acabamentos e dos detalhes de design.

Bicicletas de estrada de pinhão fixo são produzidas em grande número por fabricantes de bicicletas estabelecidos. São geralmente relativamente baratas e caracterizam-se por uma geometria de estrada mais descontraída, em oposição à geometria mais agressiva e inclinada das bicicletas de pista.

As bicicletas de pinhão fixo também são usadas no ciclobol, no polo de bicicleta e no ciclismo artístico .

Uma bicicleta de pinhão fixo é particularmente adequada para o apoio na pista (track stand), uma manobra em que a bicicleta pode ser mantida parada, equilibrada na vertical com os pés do ciclista nos pedais.

Vantagens e Desvantagens Uma das principais vantagens atribuídas a uma bicicleta de pinhão fixo é o seu baixo peso. Sem as peças adicionais necessárias para uma transmissão com mudanças— desviadores, manípulos de mudança, cabos, guias de cabos, vários pratos, cubo de roda livre e suportes de fixação soldados ao quadro — uma bicicleta de pinhão fixo pesa menos do que sua equivalente com marchas. A própria corrente está sujeita a menos forças lateraise, por isso, tende a desgastar-se mais lentamente do que num sistema com desviador. Além disso, uma transmissão de pinhão fixo é mecanicamente mais eficiente do que qualquer outra transmissão de bicicleta, com a transferência de potência mais direta do ciclista para as rodas. Assim, para a mesma relação de transmissão, uma bicicleta de pinhão fixo requer menos energia para se deslocar do que uma bicicleta com mudanças.

Em condições de piso escorregadio, alguns ciclistas preferem usar bicicletas de pinhão fixo, por considerarem que a transmissão proporciona uma melhor perceção da aderência do pneu traseiro. No entanto, nestas condições existe também um risco acrescido de perda de controlo, sobretudo tendo em conta o elevado número de ciclistas que circulam sem travões.

Nestes casos, a travagem tem de ser feita inteiramente através da transmissão. Idealmente, o ciclista resiste ao movimento dos pedais, reduzindo a velocidade enquanto a bicicleta continua em movimento. Em alternativa, embora de forma muito menos eficiente, é possível travar interrompendo bruscamente o movimento dos pedais durante a rotação, o que bloqueia a roda traseira e faz a bicicleta derrapar, reduzindo a velocidade através do atrito cinético (ver abaixo).

Descer qualquer inclinação acentuada é mais difícil, uma vez que o ciclista tem de fazer os pedais e os pedivelas rodar a grande velocidade (por vezes a 170 rpm ou mais) ou usar os travões para reduzir a velocidade. Alguns consideram que esta elevada cadência de pedalada, imposta nas descidas, aumenta a flexibilidade e fluidez da pedalada, podendo melhorar o desempenho da pedalada em qualquer tipo de bicicleta. No entanto, esse benefício é considerado pouco significativo quando comparado com as vantagens de utilizar uma roda livre. Selected extract.

Alguns consideram que andar numa bicicleta de pinhão fixo incentiva uma técnica de pedalada mais eficiente, que se poderá traduzir numa maior eficiência e potência quando o ciclista utiliza uma bicicleta equipada com roda livre. Este tipo de bicicleta permite também ao ciclista desenvolver e praticar uma cadência adequada, isto é, um ritmo de pedalada equilibrado, regular e fluido, contribuindo para um melhor desempenho do ciclista e da bicicleta.

Ao andar de bicicleta de pinhão fixo pelas primeiras vezes, um ciclista habituado a uma bicicleta com roda livre pode tentar deixar de pedalar e seguir por inércia, sobretudo ao aproximar-se de curvas ou obstáculos. Como não é possível deslizar sem pedalar, isso pode causar um "solavanco" na perna que fica para trás e até levar à perda de controlo da bicicleta. Fazer curvas a alta velocidade também pode ser difícil numa bicicleta de estrada convertida para pinhão fixo, uma vez que os pedais podem tocar no chão, provocando perda de controlo. As verdadeiras bicicletas de pista têm um eixo pedaleiro mais elevado precisamente para compensar a rotação constante dos pedais e reduzir significativamente este problema..

Talvez a desvantagem mais óbvia seja a ausência de várias mudanças e, consequentemente, da flexibilidade de ajustar a cadência de pedalada e a resistência através da mudança de relação de transmissão. Terrenos montanhosos, acidentados ou irregulares com inclinações acentuadas podem ser particularmente desafiadores, pois o ciclista não consegue adaptar a relação de transmissão às características do terreno.

Pedalar sem travões

Muitos ciclistas que usam bicicletas de pinhão fixo em meio urbano consideram que os travões não são estritamente necessários, e andar sem travões adquiriu um estatudo de culto em alguns meios. Os travões e respetivos cabos são vistos como elementos que acrescentam volume e comprometem a aparência simples e minimalista de uma bicicleta de pinhão fixo. Além disso, podem impedir algumas manobras que exigem que a roda dianteira rode completamente sobre si própria, a menos que a bicicleta esteja equipada com um sistema especial de rotação livre a 360°, conhecido como "detangler", já utilizado em bicicletas BMX .

Outros ciclistas consideram que circular na estrada sem travões é sobretudo uma questão de imagem, mais do que de funcionalidade prática. Andar sem travões pode ser perigoso, é proibido por lei em muitas jurisdições e pode ainda prejudicar uma eventual reclamação ou pedido de indemnização em caso de acidente.

Técnica É possível abrandar ou parar uma bicicleta de pinhão fixo de duas maneiras. A primeira, mais eficiente e menos exigente para o corpo do ciclista, consiste em resistir à rotação dos pedivelas, reduzindo progressivamente a velocidade a cada volta dos pedais. A segunda maneira, menos eficiente mas mais vistosa, consiste em fazer a roda traseira saltar ligeiramente ou derrapar sobre o piso. Para iniciar a manobra, o ciclista desloca ligeiramente o peso para a frente e puxa os pedais para cima, usando pedais de encaixe ou firma-pés com correias. Em seguida, interrompe a rotação dos pedivelas, bloqueando a transmissão e a roda traseira, ao mesmo tempo que aplica o peso do corpo em oposição ao movimento dos pedivelas. Isto faz com que a roda traseira derrape e a bicicleta abrande. A derrapagem pode ser mantida até que a bicicleta pare ou até que o ciclista deseje voltar a pedalar a uma velocidade mais baixa. A técnica requer prática e geralmente é considerada perigosa quando usada em curvas.

Em qualquer bicicleta que tenha travagem apenas na roda traseira a desaceleração máxima é significativamente inferior à de uma bicicleta equipada com travão dianteiro. Quando um veículo trava, o peso é transferido para a roda dianteira e aliviado da traseira, diminuindo a aderência desta última. Deslocar o peso do ciclista para trás aumenta a eficiência da travagem da roda traseira, mas uma roda dianteira equipada com um travão convencional pode fornecer 70% ou mais da força de travagem numa travagem brusca.  Categoria:Hipster Categoria:Tipos de biclicletas Categoria:Ciclismo da Suécia