Relógios antimagnéticos, também chamados de relógios não magnéticos, são relógios capazes de funcionar com pequenos desvios de marcha quando expostos a um campo magnético de determinada intensidade. A Organização Internacional de Normalização estabeleceu os requisitos e os métodos de ensaio para esses relógios na norma ISO 764.

Norma ISO 764 A norma internacional ISO 764 estabelece que um relógio resistente ao magnetismo deve suportar um campo magnético contínuo e homogêneo de 4.800 A/m, produzido por corrente contínua, sem parar. Nos relógios mecânicos com diâmetro de encaixe do mecanismo superior a 20 mm ou área de encaixe superior a 314 mm², a diferença entre a marcha anterior e a posterior ao ensaio não pode ultrapassar ±30 segundos por dia. Para mecanismos menores, o limite é de ±45 segundos por dia. O anexo A da edição de 2020 trata dos relógios com resistência magnética ampliada, destinados a campos de pelo menos 16.000 A/m.

Na Alemanha, a norma DIN 8309 do Deutsches Institut für Normung, o Instituto Alemão de Normalização, estabelecia requisitos para relógios antimagnéticos. Em setembro de 2026, foi substituída pela DIN ISO 764, que adota a ISO 764:2020.

A resistência magnética pode ser obtida de duas maneiras.

Fabricar as peças móveis com ligas pouco sensíveis ao magnetismo. Entre os materiais empregados estão o Glucydur, uma liga à base de cobre, berílio e ferro, usada em balanços, e o Nivarox, uma liga à base de ferro e níquel, com cromo, titânio e berílio, usada em molas espirais. A escolha depende das propriedades de cada liga. Na década de 1960, já se usavam balanços de Glucydur com espirais de Nivarox em mecanismos suíços. Âncoras, rodas de escape e outras peças do mecanismo também podem ser feitas de metais ou ligas não magnéticos. Essa resistência tem limites, e uma espiral de Nivarox ainda pode se magnetizar sob condições desfavoráveis. Acomodar todo o mecanismo em uma caixa interna de material com alta permeabilidade magnética, como o ferro doce. Essa proteção conduz o fluxo magnético ao redor do mecanismo e reduz a exposição das peças internas ao campo externo.

O desenvolvimento das ligas usadas na relojoaria também passou pelo Invar, à base de ferro e níquel, e pelo Elinvar, à base de ferro, níquel e cromo. Suas propriedades térmicas permitiram reduzir os erros provocados por mudanças de temperatura. O Invar tem baixa dilatação térmica, enquanto a elasticidade do Elinvar varia pouco com a temperatura.

História Os relojoeiros da Vacheron Constantin começaram a experimentar maneiras de proteger relógios contra o magnetismo em 1846. As primeiras tentativas empregavam materiais especiais em peças como o balanço e a mola espiral. O paládio estava entre os metais experimentados no século XIX para produzir molas insensíveis ao campo magnético, mas as molas obtidas eram delicadas para o uso prolongado e difíceis de fabricar em quantidade.

Em 1896, Charles Édouard Guillaume desenvolveu o Invar. Depois, desenvolveu o Elinvar, empregado em molas espirais para compensar os efeitos das mudanças de temperatura. Seus trabalhos com ligas de níquel lhe renderam o Prêmio Nobel de Física de 1920.

Em 1915, a Vacheron Constantin produziu seu primeiro relógio de bolso antimagnético.

Em 1930, a Tissot lançou o Antimagnetique, apresentado como o primeiro relógio de pulso antimagnético.

Uso Relógios antimagnéticos foram desenvolvidos para pessoas que trabalham perto de campos magnéticos intensos, como engenheiros e técnicos. A proteção permite usá-los em ambientes nos quais esses campos podem prejudicar a precisão dos relógios mecânicos ou fazê-los parar.

Os relógios de mergulho que atendem à ISO 6425 também precisam resistir ao magnetismo. A norma exige ainda resistência à água, legibilidade no escuro, resistência a choques e resistência das fixações da pulseira.

Desenvolvimento pelos fabricantes miniatura|Versão do Rolex Milgauss lançada em 2007

Fabricantes de relógios passaram a empregar ligas e outros materiais resistentes ao magnetismo para melhorar o funcionamento dos mecanismos.

IWC Em 1989, a IWC lançou o Ingenieur de referência 3508, com resistência a campos magnéticos de 500.000 A/m.

Omega A Omega anunciou seu mecanismo antimagnético em 17 de janeiro de 2013, instalado em um protótipo do Seamaster Aqua Terra. O mecanismo empregava materiais não ferrosos selecionados, dispensando uma caixa interna de proteção. Nos testes apresentados pela fabricante, o protótipo foi exposto a 1,5 tesla, equivalentes a 15.000 gauss, e continuou em funcionamento. Após a exposição, manteve a precisão medida antes do ensaio.

Rolex O Rolex Milgauss, um cronômetro certificado com proteção antimagnética, foi lançado em 1956 na referência 6541, para profissionais expostos a campos magnéticos intensos. Sua resistência nominal é de 1.000 gauss, aproximadamente equivalentes a 80.000 A/m no ar. Em 2007, após quase duas décadas fora de produção, o Milgauss voltou ao catálogo com a referência 116400.

Sinn

Alguns relógios de mergulho da Sinn, fabricados para uso profissional como temporizadores de missão, chamados de Einsatzzeitmesser em alemão, têm proteção contra campos magnéticos de até 1.000 gauss, aproximadamente equivalentes a 80.000 A/m no ar. A proteção consiste em uma caixa interna fechada de material magneticamente macio, formada pelo mostrador, pelo anel de fixação do mecanismo e pelo fundo da caixa.

Requisitos METAS N001 O Instituto Federal de Metrologia da Suíça, ou METAS, estabeleceu os requisitos METAS N001 para a certificação de mecanismos e relógios mecânicos resistentes a campos magnéticos de 1,5 tesla, equivalentes a 15.000 gauss. Os ensaios exigem que o mecanismo e o relógio não parem durante a exposição. A alteração da marcha diária após o ensaio magnético não pode ultrapassar 5 segundos. Há também limites para a marcha média diária, de 0 a +5 segundos na categoria 1a, de 0 a +6 segundos na categoria 1b e de 0 a +7 segundos na categoria 2, definidas pelo tamanho do mecanismo.

Ver também Magnetismo, fenômeno físico que pode alterar o funcionamento dos relógios COSC, organização suíça que certifica a precisão de mecanismos de relógios História dos dispositivos de medição do tempo, desenvolvimento dos instrumentos usados para medir o tempo

Categoria:Relógios