O Partido Republicano Liberal foi um partido político estadunidense organizado em maio de 1872 para se opor à reeleição do presidente Ulysses S. Grant e de seus apoiadores Republicanos Radicais na eleição presidencial de 1872. O movimento republicano liberal ganhou força inicialmente no Missouri e reuniu republicanos dissidentes que se opunham às políticas de Grant e à orientação da administração em relação à Reconstrução. Os republicanos liberais denunciavam a corrupção e os escândalos associados à administração Grant e defendiam uma reforma abrangente do serviço público. A plataforma adotada pela convenção de 1872 classificava o serviço público como um instrumento de favoritismo partidário e exigia uma reforma profunda, baseada em honestidade, capacidade e fidelidade no acesso aos cargos públicos. O partido se opunha às políticas de Reconstrução de Grant e defendia o fim da intervenção federal excessivamente centralizada, a restauração do autogoverno local no Sul e uma política de anistia mais ampla. O movimento foi derrotado de forma esmagadora nas eleições de 1872 e deixou de exercer um papel nacional relevante depois delas.
O Partido Republicano havia se tornado o partido dominante após a Guerra Civil, mantendo a maioria no Congresso durante o período que antecedeu as eleições de 1872. Entretanto, parte dos republicanos estava insatisfeita com a liderança do presidente Grant e com a direção da política de Reconstrução. O movimento republicano liberal defendia uma conciliação com o Sul e o afastamento de algumas das políticas associadas à Reconstrução Radical.
Líderes liberais proeminentes, como Carl Schurz e Lyman Trumbull, haviam participado da oposição à escravidão e das primeiras etapas da Reconstrução. Os republicanos liberais consideravam que a preservação da união e a emancipação já haviam sido asseguradas por meio das emendas constitucionais adotadas durante e após a Guerra Civil e passaram a defender uma política mais conciliatória, com maior autonomia local no Sul.
A convenção republicana liberal de 1872, realizada em Cincinnati em 1º de maio, indicou uma chapa composta por Horace Greeley, editor de longa data do New-York Tribune, e pelo governador do Missouri Benjamin Gratz Brown. Buscando derrotar Grant, o Partido Democrata decidiu apoiar a chapa republicana liberal e adotou a plataforma do partido na convenção nacional realizada em Baltimore.
Entretanto, Grant saiu vitorioso na eleição, beneficiando-se da força organizacional do Partido Republicano. Horace Greeley recebeu cerca de 44% do voto popular, enquanto Grant obteve aproximadamente 56%. Greeley recebeu 2.834.761 votos populares, contra 3.598.235 de Grant. Grant recebeu 286 dos 352 votos do Colégio Eleitoral. Greeley morreu em 29 de novembro de 1872, depois da eleição e antes da votação do Colégio Eleitoral, fazendo com que os votos eleitorais originalmente destinados a ele fossem posteriormente distribuídos entre outros candidatos.
O Partido Republicano Liberal deixou de existir como força política nacional depois da eleição, embora alguns de seus líderes continuassem a atuar no Congresso. No 42.º Congresso, por exemplo, o Senado registrava um senador pertencente ao Partido Republicano Liberal, Carl Schurz. Seus antigos membros acabaram se dispersando entre os partidos Democrata e Republicano. História do partido miniaturadaimagem|Interior do salão da convenção durante o anúncio de Horace Greeley como candidato do partido à presidência em 1872
Formação Originalmente, os republicanos liberais defendiam um retorno ao republicanismo clássico tradicional, estavam preocupados com a corrupção e com a crescente concentração de poder no governo federal e desejavam reformar o Partido Republicano. À medida que os republicanos liberais começaram a se organizar como partido político, o movimento passou, alguns anos depois, a ser dominado por outros grupos contrários a Grant e à Reconstrução. O partido teve origem no Missouri em 1870, sob a liderança de Carl Schurz, e posteriormente se espalhou por todo o país. O movimento contou com forte apoio de poderosos editores de jornais republicanos, como Murat Halstead, do Cincinnati Commercial, Horace White, do Chicago Tribune, Henry Watterson, do Louisville Courier-Journal, Samuel Bowles, do Springfield Republican, e, especialmente, Whitelaw Reid e Horace Greeley, do New-York Tribune. Muitos líderes republicanos liberais haviam sido democratas ou membros do Partido Solo Livre antes de ingressarem no Partido Republicano após sua criação na década de 1850.
Os republicanos liberais consideravam que a administração Grant e o próprio presidente eram profundamente corruptos. Mais importante, acreditavam que os objetivos da Reconstrução já haviam sido alcançados. Esses objetivos consistiam, em primeiro lugar, na destruição da escravidão e, em segundo, na eliminação do nacionalismo confederado. Uma vez alcançados esses objetivos, segundo os princípios do republicanismo, as tropas militares federais deveriam ser retiradas do Sul, onde, segundo eles, sustentavam regimes republicanos supostamente corruptos. Muitos dos fundadores originais do Partido Republicano e líderes da Guerra Civil aderiram ao movimento, incluindo seu candidato Horace Greeley, Charles Sumner de Massachusetts, Lyman Trumbull de Illinois, Cassius Marcellus Clay de Kentucky e Charles Francis Adams de Massachusetts. A plataforma do partido exigia "a remoção imediata e absoluta de todas as incapacidades impostas por causa da rebelião" e o autogoverno local dos estados sulistas. Também considerava "uma reforma completa do serviço público como uma das necessidades mais prementes do momento". Muitos republicanos liberais também defendiam uma redução das tarifas, por acreditarem que setores industriais poderosos haviam obtido injustamente a proteção de determinados produtos.
Os republicanos liberais argumentavam que o objetivo de garantir direitos civis e políticos aos afro-americanos havia sido alcançado. Assim, sustentavam que era chegada a hora da "anistia", o que significava restaurar aos ex-confederados o direito de votar e ocupar cargos públicos. Uma motivação fundamental para muitos republicanos liberais era a defesa dos direitos dos estados e o temor de um governo federal excessivamente forte. Muitos republicanos liberais haviam ingressado no Partido Republicano na década de 1850 em oposição à expansão da escravidão para os territórios; com a escravidão já abolida e a Guerra Civil encerrada, questões como o poder federal voltaram ao centro do debate político. Muitos dos republicanos liberais, incluindo Trumbull, haviam se oposto ao Impeachment de Andrew Johnson e demonstravam preocupação com uma ruptura do tradicional equilíbrio constitucional de poderes. Segundo o historiador Eric Foner, os quatro senadores republicanos restantes que haviam votado pela absolvição do presidente Johnson ingressaram no Partido Republicano Liberal em 1872.
Convenção de 1872 Liderado por Schurz, pelo juiz Stanley Matthews e pelo editor William Grosvenor, o Partido Republicano Liberal organizou uma convenção nacional em Cincinnati em maio de 1872. No Missouri, democratas e republicanos liberais haviam conseguido derrotar o governador republicano em exercício, e os republicanos liberais esperavam indicar um candidato presidencial que pudesse igualmente conquistar o apoio dos democratas. Embora Schurz tenha fundado o partido, ele não podia concorrer à presidência por ter nascido na Alemanha e, em vez disso, tornou-se presidente da convenção. Os participantes da convenção tinham diferentes motivações, mas todos estavam unidos pela oposição a Grant. Muitos delegados eram atraídos pelo apoio do partido à reforma do serviço público e ao fim da Reconstrução. Outros, como Reuben Fenton, esperavam recuperar o controle das organizações partidárias estaduais. No Missouri, os republicanos liberais haviam se consolidado como um partido importante, mas os demais estados careciam de uma organização partidária estruturada, e suas delegações pouco mais eram do que comissões formadas por iniciativa própria.
Na véspera da convenção, o juiz da Suprema Corte David Davis, o senador Lyman Trumbull de Illinois e o ex-deputado Charles Francis Adams de Massachusetts estavam entre os principais candidatos à indicação presidencial. Schurz favorecia Adams, mas não estava disposto a apoiar publicamente um candidato, pois desejava preservar uma aparência de imparcialidade. Davis entrou na semana da convenção talvez com o apoio mais forte, mas sua candidatura foi prejudicada pela cobertura desfavorável de jornais alinhados ao movimento republicano liberal. O editor de jornais Horace Greeley, de Nova York, conquistou o apoio de muitos dos antigos apoiadores de Davis, apesar das preocupações de alguns delegados com sua falta de apoio à redução das tarifas.
Na primeira votação da convenção, Adams e Greeley surgiram como os dois concorrentes mais fortes à indicação. A maioria dos delegados votou em Adams ou Greeley nas votações seguintes, embora Trumbull mantivesse apoio significativo. Na sexta e última votação, Greeley conquistou votos suficientes para garantir a indicação presidencial. Após a indicação presidencial, a convenção escolheu o governador do Missouri Benjamin Gratz Brown como candidato do partido à vice-presidência. Brown havia apoiado a indicação de Greeley como forma de ampliar seu poder dentro do partido estadual às custas de Schurz, e recebeu o apoio da maioria dos delegados favoráveis a Greeley na votação para vice-presidente. Campanha de 1872
Antes da convenção republicana liberal, líderes democratas haviam dado aos republicanos liberais garantias de que indicariam a chapa republicana liberal. Os democratas acreditavam que não poderiam vencer a eleição de 1872 sem o apoio dos republicanos contrários a Grant e esperavam obter vantagens de patronagem caso um presidente republicano liberal fosse eleito. Entretanto, os líderes democratas ficaram consternados com a indicação de Greeley. Muitos democratas sulistas estavam ansiosos para eleger qualquer candidato que pudesse pôr fim às políticas de Reconstrução de Grant, mas os frequentes ataques de Greeley ao Partido Democrata haviam lhe granjeado a hostilidade de muitos democratas, sobretudo no Nordeste. Apesar dessas reservas, a maioria dos democratas decidiu que Greeley era preferível a Grant e representava sua única oportunidade de derrotar o presidente republicano. Embora várias convenções estaduais tenham sido palco de debates consideráveis, todas as convenções democratas estaduais, exceto a de Delaware, acabaram apoiando Greeley. Por ampla maioria, a Convenção Nacional Democrata de 1872, realizada em julho, decidiu apoiar a chapa republicana liberal e aceitar a plataforma do partido sem modificações. Após a convenção, um grupo de democratas dissidentes liderado por Blanton Duncan indicou Charles O'Conor e John Quincy Adams II pela chapa do Partido Democrata Straight-Out, mas ambos recusaram a indicação e nenhum dos dois fez campanha ativamente.
O Partido Republicano Liberal fundiu-se com o Partido Democrata em todos os estados, exceto Louisiana e Texas. Nos estados onde os republicanos eram mais fortes, os republicanos liberais apresentaram a maioria dos candidatos da chapa conjunta para os cargos de menor escalão; nos estados onde os democratas eram mais fortes, os democratas apresentaram a maioria dos candidatos. Em muitos estados, como Ohio, cada partido indicou metade dos candidatos de uma chapa conjunta. Mesmo líderes democratas inicialmente relutantes, como Thomas F. Bayard, acabaram apoiando Greeley.