Tábite ibne Caice ibne Xamás () foi um companheiro de Maomé e membro dos cazerajitas de Medina. Converteu-se ao islã antes da Hégira e tornou-se conhecido por sua habilidade oratória. Era chamado de orador dos ançares (khaṭīb al-anṣār) e também de orador de Maomé (khaṭīb al-nabī), representando os muçulmanos em discursos pronunciados diante de delegações tribais. Tábite esteve entre os escribas de Maomé e participou de diversos acontecimentos do período medinense. Embora não tenha combatido na Batalha de Badre, esteve presente na Batalha de Uude, no Juramento de Riduão e em outras campanhas.

Durante a Expedição de Almuraici, Juairia binte Alharite coube-lhe entre as cativas, antes de obter sua liberdade e se casar com Maomé. Tábite também é associado ao contexto da revelação do versículo 49:2 do Alcorão, pois, devido à sua voz naturalmente forte, temeu que a proibição de elevar a voz acima da de Maomé se aplicasse a ele. Após a morte de Maomé, Tábite participou das Guerras da Apostasia e foi morto na Batalha de Iamama, em 12 A.H. (633), combatendo as forças de Muçailima. Também foi transmissor de hádice, e relatos atribuídos a ele foram incluídos nas principais coleções da tradição islâmica.

Vida

Tábite ibne Caice ibne Xamás, também conhecido pelas cúnias Abu Abederramão e Abu Maomé, era membro dos cazerajitas de Medina. Seu pai, Caice ibne Xamás, morreu antes da Hégira durante um dos conflitos entre os aucitas e cazerajitas. Sua mãe era , mencionada entre as mulheres que prestaram a baia a Maomé. Por meio dela, Tábite era meio-irmão materno de Abedalá ibne Rauá. Tábite converteu-se ao islã antes da Hégira. Quando Maomé chegou a Medina, Tábite esteve entre aqueles que o receberam e perguntou-lhe qual seria a recompensa dos medinenses caso se comprometessem a protegê-lo dos males dos quais protegiam a si próprios e seus filhos, ao que Maomé respondeu que receberiam o paraíso. Conhecido como o orador dos ançares (khaṭīb al-anṣār), Tábite passou também a discursar em nome de Maomé diante de algumas delegações e, por isso, tornou-se conhecido como o orador de Maomé (khaṭīb al-nabī). Maomé estabeleceu ainda um vínculo de fraternidade entre ele e o emigrante .

Tábite foi casado com . Segundo uma tradição, Jamila procurou Maomé e afirmou que não censurava a religiosidade ou o caráter do marido, mas não conseguia permanecer casada com ele. Maomé determinou que ela devolvesse a Tábite o jardim que recebera como mahr e aconselhou-o a divorciar-se dela. Outras tradições identificam a mulher desse episódio como . Quando uma delegação de notáveis tamimitas, entre os quais e , chegou a Medina para solicitar a libertação de parentes que haviam sido capturados, seus integrantes desafiaram os muçulmanos a apresentar seus próprios oradores e poetas. Maomé encarregou Tábite de falar em nome dos muçulmanos e Haçane ibne Tábite de responder aos poetas da delegação. Tábite pronunciou um discurso sobre a grandeza do islã e a dignidade dos muçulmanos, após o qual os tamimitas reconheceram a superioridade dos oradores e poetas de Maomé.

O comportamento da delegação tamimita foi associado à revelação do versículo 49:2 do Alcorão, que proíbe os fiéis de elevarem suas vozes acima da voz de Maomé. Como Tábite possuía uma voz naturalmente forte, temeu que a advertência se aplicasse a ele, considerou-se condenado ao inferno e jurou não voltar à presença de Maomé. Ao perceber sua ausência e ser informado da razão de seu afastamento, Maomé declarou que Tábite não estava destinado ao inferno, mas ao paraíso. Tábite também esteve entre os escribas de Maomé e redigiu uma carta destinada à tribo dos aslamitas sobre o zacate e questões de herança. Não participou da Batalha de Badre, mas esteve presente na Batalha de Uude, no Juramento de Riduão e em outras campanhas. Durante a Expedição de Almuraici, uma das cativas, Juairia binte Alharite, filha do chefe mustaliquita Alharite ibne Abi Dirar, coube a Tábite. Ela acordou com ele o pagamento necessário para obter sua liberdade e posteriormente pediu auxílio a Maomé, que pagou a quantia devida a Tábite e se casou com ela.

Tábite participou da Batalha de Iamama, em 12 A.H. (633), durante as Guerras da Apostasia. Quando parte das tropas muçulmanas começou a dispersar-se, tentou encorajá-las recitando versos. Em seguida, perfumou a roupa que havia vestido como mortalha, entrou em combate e foi morto. Segundo uma tradição, depois de sua morte um soldado muçulmano tomou sua valiosa armadura. No dia seguinte, Tábite teria aparecido em sonho a um de seus companheiros, indicado quem havia tomado a armadura e pedido que o comandante Calide ibne Alualide a recuperasse e a entregasse ao califa Abu Becre, para que fosse vendida e o produto utilizado no pagamento de suas dívidas. Segundo o relato, suas instruções foram cumpridas. Hádices transmitidos por Tábite foram incluídos nas nove principais coleções de hádice. Entre aqueles que transmitiram relatos sob sua autoridade estavam Anas ibne Maleque e seus filhos Maomé, Caice, Ismail, Iáia e Abedalá. Seus filhos Maomé, Iáia e Abedalá morreram posteriormente na Batalha de Harra, em 63 A.H. (683).

Bibliografia

Categoria:Cazerajitas Categoria:Ançares Categoria:Árabes do século VII Categoria:Generais do Califado Ortodoxo Categoria:Pessoas envolvidas nas Guerras da Apostasia Categoria:Juramento de Riduão