Maleque ibne Aufe (; m. depois de 20 A.H./641), também conhecido como Maleque ibne Aufe Anáceri, foi um chefe, comandante militar, companheiro de Maomé e poeta árabe dos naceritas, ramo dos hauazinitas. Tornou-se um dos principais chefes hauazinitas nos primeiros anos do Islã e alcançou particular notoriedade por comandar a coalizão formada pelos hauazinitas e taquifitas contra Maomé na Batalha de Hunaine, em 8 A.H. (630). Após a Conquista de Meca, Maleque reuniu diferentes grupos tribais em e assumiu o comando das forças que enfrentaram os muçulmanos em Hunaine. Embora tenham obtido vantagem inicial, os hauazinitas foram derrotados e Maleque retirou-se para Taife.
Posteriormente, deixou a cidade, converteu-se ao Islã e recebeu de Maomé a restituição de sua família e de seus bens, além de cem camelos. Foi então nomeado dos naceritas e de outros grupos hauazinitas e participou das ações contra os taquifitas que ainda resistiam em Taife. Maleque conservou sua posição durante o califado de Abu Becre e posteriormente participou das conquistas muçulmanas, incluindo a Batalha de Cadésia e a conquista da Síria. Estabeleceu-se em Damasco, onde viveu seus últimos anos e morreu depois de 20 A.H. (641). Além de sua atuação como chefe tribal e comandante militar, foi conhecido como poeta, e parte dos versos que lhe foram atribuídos foi preservada pela tradição literária árabe.
Vida
Maleque ibne Aufe pertencia aos naceritas, ramo dos hauazinitas pertencente aos caicitas. Sua genealogia é registrada como Maleque ibne Aufe ibne Nácer ibne Moáuia ibne Becre ibne Hauazine Anáceri. As fontes não fornecem informações seguras sobre sua vida antes da Batalha de Hunaine. Uma tradição afirma que teria participado ainda jovem de uma das Guerras Sacrílegas, nas quais estiveram envolvidos os hauazinitas, mas essa notícia é considerada cronologicamente incompatível com os relatos segundo os quais Maleque tinha cerca de trinta anos em Hunaine, em 8 A.H. (630). Após a Conquista de Meca, quando se difundiu a notícia de que Maomé marchava à frente de um grande exército, Maleque interpretou a movimentação como uma ameaça aos hauazinitas e começou a reunir as tribos que poderiam enfrentar os muçulmanos. Os hauazinitas concentraram-se em , e Maleque, apesar de sua relativa juventude, assumiu o comando da coalizão. Participaram da mobilização diferentes grupos hauazinitas, entre eles naceritas e juxamitas, além dos taquifitas. Ao receber informações sobre a concentração dessas forças, Maomé enviou Abedalá ibne Abi Hadrade para averiguar suas intenções e confirmar se preparavam uma campanha contra os muçulmanos.
Maleque determinou que os combatentes levassem consigo suas mulheres, filhos, camelos, rebanhos e demais propriedades, procurando desse modo impedir que abandonassem o campo de batalha. A decisão foi contestada por Duraide ibne Acima, dos juxamitas, que, apesar de sua idade avançada, acompanhava o exército devido à sua longa experiência militar. Ao perceber a presença das famílias e propriedades, Duraide aconselhou Maleque a mantê-las em segurança e enfrentar o inimigo apenas com os combatentes, suas armas e montarias. Maleque recusou-se a alterar seus planos e manteve a mobilização tal como a havia organizado. Na subsequente Batalha de Hunaine, travada em 8 A.H. (630), Maleque dispôs suas forças de modo a surpreender o exército muçulmano. Os hauazinitas conseguiram inicialmente provocar desordem entre seus adversários, mas os muçulmanos reorganizaram-se e reverteram a situação, impondo uma derrota à coalizão. Após o combate, os hauazinitas dispersaram-se: parte retirou-se para Autas, outra seguiu para Nacla, enquanto a maior parte, comandada por Maleque, refugiou-se em Taife. Duraide morreu durante ou logo após os combates.
Maomé prosseguiu para Taife, que foi submetida a cerco, mas retirou-se sem conquistá-la e dirigiu-se a , onde estavam reunidos os prisioneiros e espólios capturados em Hunaine. Uma delegação dos hauazinitas apresentou-se posteriormente a ele, anunciou a conversão da tribo e solicitou a restituição dos prisioneiros e dos bens. Maleque ainda permanecia entre os taquifitas em Taife. Maomé mandou informar-lhe que, caso aceitasse o Islã e se apresentasse a ele, sua família e seus bens lhe seriam restituídos e receberia ainda cem camelos. Maleque deixou Taife secretamente, encontrou-se com Maomé e converteu-se. Recebeu então o que lhe havia sido prometido e foi incluído entre os , pessoas cuja aproximação ao Islã era favorecida mediante concessões e presentes. Após sua conversão, Maleque foi nomeado de seu povo e de grupos hauazinitas vizinhos. Nessa condição, passou a atuar em favor dos muçulmanos contra os taquifitas, que ainda resistiam em Taife. Estabeleceu-se com seus homens nas proximidades da cidade e realizou incursões contra os taquifitas, dificultando sua circulação e suas atividades econômicas. A pressão exercida por Maleque e pelos hauazinitas contribuiu para agravar o isolamento de Taife antes da posterior submissão dos taquifitas. Maleque também auxiliou , nomeado por Maomé para dirigir os taquifitas, na administração da situada nos arredores de Taife.
Maleque conservou sua posição depois da morte de Maomé e continuou como amil de sua tribo durante o califado de Abu Becre . Posteriormente participou das conquistas muçulmanas, estando presente na Batalha de Cadésia e na conquista da Síria. Depois dessas campanhas, estabeleceu-se em Damasco, onde passou os últimos anos de sua vida. Segundo Ibne Açaquir, a residência que Maleque possuía na cidade havia sido anteriormente uma igreja. Durante o califado de , cristãos reivindicaram o imóvel e este foi retirado dos descendentes de Maleque, mas, no reinado de , a propriedade foi restituída à família. Em Damasco, Maleque também participou de atividades de caráter religioso e intelectual. É contado entre os companheiros de Maomé, e as fontes preservaram tradições relacionadas à sua convivência com os primeiros muçulmanos e aos acontecimentos dos quais participou. Sua morte teria ocorrido em Damasco depois de 20 A.H. (641), não sendo conhecida a data exata.
Poesia
Maleque era também poeta e sua produção esteve estreitamente relacionada aos acontecimentos militares e tribais de sua vida. As fontes preservaram versos atribuídos a ele relativos, entre outros temas, aos confrontos envolvendo os hauazinitas e à sua atuação nos primeiros anos do Islã. A transmissão de sua poesia, contudo, apresenta problemas de atribuição. Ibne Hixame já observava que alguns versos transmitidos sob o nome de Maleque não lhe pertenciam, indicando que poemas de diferentes autores acabaram incorporados à tradição relativa ao nacerita.
Bibliografia
Categoria:Naceritas Categoria:Poetas árabes do século VI Categoria:Poetas árabes do século VII Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Generais do Califado Ortodoxo