The Emperor Jones é uma adaptação cinematográfica americana de 1933, anterior ao Código Hays, da peça homônima de Eugene O'Neill, de 1920. Dirigida por Dudley Murphy, com roteiro do dramaturgo DuBose Heyward.

Paul Robeson interpreta o papel principal (Imperador Jones), que já havia desempenhado nos palcos, tanto nos EUA quanto no Reino Unido. O filme tem também Dudley Digges interpretando um homem branco, Frank H. Wilson, Fredi Washington e Ruby Elzy no elenco.

O filme foi financiado com dinheiro dos produtores Gifford A. Cochran e John Krimsky, mais conhecidos por terem levado o filme alemão Mädchen in Uniform (1932) ao público americano. Foi o único filme produzido pelos dois porque Cochran deixou de ser produtor após uma versão americana fracassada de A Ópera dos Três Vinténs naquele mesmo ano. As filmagens ocorreram nos estúdios em Astoria, e a cena da praia foi gravada em Jones Beach, Long Beach, Nova York.

A United Artists não renovou os direitos autorais do filme e este encontra-se em domínio público. Uma versão remasterizada (com comentários e extras) foi lançada em DVD pela Criterion Collection em 2006.

Trama Em uma reunião de oração batista, o pregador lidera uma oração por Brutus Jones, que acaba de ser contratado como carregador da Pullman. Jones exibe orgulhosamente seu uniforme para sua namorada Dolly antes de se juntar à congregação para um momento espiritual. Mas Jones é rapidamente corrompido pelos encantos da cidade grande, envolvendo-se com mulheres de vida fácil e jogadores. Uma animada partida de dados leva a uma briga na qual ele, sem querer, esfaqueia Jeff, o homem que o havia apresentado à vida boêmia e de quem ele havia conquistado o coração da bela Undine.

Jones é preso e acaba conseguindo escapar após agredir um guarda branco que estava espancando outro prisioneiro. Em seu caminho de volta para casa, ele recebe a ajuda de sua namorada Dolly antes de aceitar um emprego abastecendo um navio a vapor com carvão rumo ao Caribe. Certo dia, ele avista uma ilha remota, salta do navio e nada até lá.

A ilha está sob o domínio brutal de um déspota negro que recebe mercadorias de Smithers, o comerciante colonial que é a única pessoa branca na ilha. Jones ascende ao posto de sócio de Smithers e torna-se o "Imperador". Ele destrona seu antecessor com um truque que lhe permite sobreviver a uma saraivada de balas, criando o mito de que só pode ser morto por uma bala de prata (daí decorre um dos apelidos que a peça e filme receberam: Silver Bullet, ou Bala de Prata). O governo de Jones na ilha determina o aumento de impostos sobre os nativos pobres e o confisco da receita.

Jones, perseguido por nativos em revolta, foge pela selva e se desintegra psicologicamente aos poucos.

Elenco

Paul Robeson - Brutus Jones Dudley Digges - Smithers Frank H. Wilson - Jeff Fredi Washington - Undine Ruby Elzy - Dolly George Haymid Stamper - Lem Jackie "Moms" Mabley - Marcella Blueboy O'Connor - Tesoureiro Brandon Evans - Carrington Rex Ingram - Arauto da Corte Harold Nicholas - dançarino em um clube. Billie Holiday - cena extra no clube noturno.

Fotos do elenco

Produção Como a peça original de Eugene O’Neill se passava no Haiti, o filme The Emperor Jones foi planejado para ser filmado na ilha do caribe, mas restrições orçamentárias obrigaram a filmagem nos estúdios de Astoria. Para substituir as filmagens no Haiti, o diretor de arte Herman Rosse criou um cenário elaborado com espelhos, cortinas, colunas, cenários pintados e folhagem densa que foi muito mais eficaz em transmitir a natureza misteriosa e agourenta do reino de Jones.

Os produtores, o diretor e o roteirista tiveram que apresentar o roteiro a Eugene O'Neill antes que as filmagens pudessem começar. Eles estavam apreensivos porque haviam adicionado material criando novas cenas a partir dos monólogos do palco, mas O'Neill deu sua bênção ao roteiro.Susan Delson, Dudley Murphy, Hollywood Wild Card (2005), Kindle edition, p. 1835.

As cenas que retratam as alucinações foram removidas, prejudicando a ressonância dramática do filme e fazendo uma grave injustiça à peça de Eugene O'Neill, como escreveu o biógrafo de Murphy em 2005.Delson, Dudley Murphy (2005), Kindle edition, p. 2003.

Recepção e repercussão Quando foi lançado, o filme foi considerado um fracasso de bilheteria. Porém, em 1999, The Emperor Jones foi considerado "culturalmente, historicamente ou esteticamente significativo" pela Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos e selecionado para preservação no Registro Nacional de Filmes. Posteriormente, a Biblioteca do Congresso restaurou o filme em 2002, utilizando imagens de arquivo.

Com este filme, Paul Robeson, que interpreta o Imperador Jones, se tornou o primeiro protagonista afro-americano em filmes de grande sucesso.

No Brasil Em 1945, a história de Eugene O’Neill sobre o Imperador Jones foi escolhida para ser o espetáculo de estreia do Teatro Experimental do Negro (TEN). Foi dirigido por Abdias do Nascimento (1914-2011) a partir de uma tradução de Ricardo Werneck de Aguiar que foi chamada de O Imperador Jones. O papel do Imperador Jones foi interpretado por Aguinaldo Camargo (1918-1952) e José da Silva interpretou o Feiticeiro do Congo. A peça marca a primeira produção teatral com artistas negros a se apresentar no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1945. O autor da peça, Eugene O’Neill, cedeu gratuitamente ao TEN os direitos para encenar sua peça. Em 1953, uma nova encenação de O Imperador Jones trouxe a atriz Léa Garcia no o papel da Velha Nativa.

Ligações externas

The Emperor Jones está disponível para visualização e download no Internet Archive Master of Disguise: Paul Robeson and The Emperor Jones ensaio de Hilton Als publicado em Criterion Collection

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