Os uquedaítas ou Banu Uqueda () eram uma linhagem dos alafitas, uma das duas principais divisões dos taquifitas de Taife. Descendiam de Uqueda ibne Guiara ibne Aufe ibne Caci, sendo Caci o ancestral epônimo dos taquifitas, conhecido pelo epíteto Taquife. Entre seus membros estiveram importantes notáveis de Taife durante o período de transição entre a Jailia e o Islã, além de poetas, comandantes e figuras políticas dos primeiros tempos islâmicos. Uma das principais famílias uquedaítas descendia de Anre ibne Omeir e incluía , Maçude e Habibe, que figuravam entre os chefes dos taquifitas no período de Maomé. De seus descendentes procederam , comandante nas primeiras conquistas muçulmanas, , poeta e guerreiro, e Almoquetar Atacafi, uma das principais figuras políticas de Cufa durante a Segunda Fitna. Outra linhagem produziu , destacado poeta árabe do final da Jailia.

História

Os uquedaítas eram uma linhagem dos alafitas, uma das duas principais divisões dos taquifitas de Taife. Descendiam de Uqueda ibne Guiara ibne Aufe ibne Caci, sendo Caci o ancestral epônimo dos taquifitas, conhecido pelo epíteto Taquife. Entre seus membros figuraram alguns dos principais notáveis taquifitas no período de transição entre a Jailia e o Islã, além de poetas, comandantes e governadores atuantes durante as primeiras conquistas muçulmanas e os conflitos políticos do . Uma das principais linhagens uquedaítas descendia de Aufe ibne Uqueda através de Omeir ibne Aufe e seu filho Anre ibne Omeir. Três filhos deste último, , Maçude ibne Anre e Habibe ibne Anre, figuravam entre os chefes e notáveis dos taquifitas quando Maomé se dirigiu a Taife durante o período mecano de sua pregação. Maomé procurou obter deles apoio para sua missão, mas os três rejeitaram sua proposta. Abede Ialil permaneceu uma figura proeminente entre os taquifitas e, depois da morte de Urua ibne Maçude e da crescente pressão exercida sobre Taife, foi escolhido para negociar com Maomé. Temendo receber de seus compatriotas o mesmo tratamento dispensado a Urua, recusou-se a partir sozinho, levando consigo outros cinco representantes, dois dos alafitas e três dos malequitas. Ibne Sade igualmente o identifica como chefe da delegação taquifita e registra que seu filho , descrito como um notável, abraçou o islão juntamente com a delegação.

A linhagem de Maçude ibne Anre adquiriu particular proeminência durante as primeiras décadas do Islã. Seu filho foi escolhido pelo califa Omar para comandar forças muçulmanas enviadas contra os sassânidas no Iraque. Em 13 A.H., conduziu o exército que enfrentou os persas na Batalha da Ponte, na qual morreu; segundo uma das tradições, foi esmagado por um elefante. Depois de sua morte, o estandarte foi tomado por seu irmão , que também foi morto, sendo sucedido por , filho de Abu Ubaide, que igualmente morreu no combate. Outro irmão de Abu Ubaide, , é contado entre os companheiros de Maomé e posteriormente exerceu funções administrativas no Iraque. Durante o califado de Ali , foi colocado à frente de Almadaim. Seu sobrinho Almoquetar Atacafi, filho de Abu Ubaide, permaneceu junto dele na cidade e posteriormente se tornou uma das principais figuras políticas de Cufa durante a Segunda Fitna. A família de Abu Ubaide também estabeleceu vínculos matrimoniais com os descendentes de Omar: sua filha casou-se com Abedalá ibne Omar ibne Alcatabe. Almoquetar deixou descendência, entre a qual Ibne Hasme menciona e , este último casado com Ume Salama binte Ubaide Alá ibne Omar ibne Alcatabe.

À mesma família pertencia , filho de Cudama ibne Maçude e, portanto, primo de Almoquetar. Estabelecido em Cufa, aparece entre os partidários de seu primo durante os conflitos que acompanharam a ascensão deste na cidade. Em 66 A.H. (685–686), quando Abedalá ibne Azobair procurou enviar Omar ibne Abederramão ibne Alharite para assumir o governo de Cufa, Almoquetar despachou Zaida à frente de quinhentos cavaleiros, levando dinheiro e instruções para persuadir o governador designado a regressar. Diante da força apresentada por Zaida, Omar aceitou a quantia oferecida e retirou-se para Baçorá. Outra linha descendente de Anre ibne Omeir procedia de seu filho Habibe. A ela pertencia , cuja genealogia é transmitida como Abu Mijane ibne Habibe ibne Anre ibne Omeir ibne Aufe ibne Uqueda ibne Guiara. As fontes divergem quanto a seu nome próprio, transmitido como Anre, Maleque, Abedalá ou simplesmente pela cúnia Abu Mijane. Era poeta e cavaleiro e é contado entre os companheiros de Maomé, tendo abraçado o islão quando os taquifitas se converteram em 9 A.H. Tornou-se particularmente conhecido por sua participação nas conquistas muçulmanas durante o califado de Omar e pelas tradições que o associam à Batalha de Cadésia. Ibne Hasme registra igualmente sua reputação como poeta e sua participação em Cadésia.

Outra importante linhagem uquedaíta produziu o poeta , uma das figuras literárias mais conhecidas dos taquifitas no final da Jailia. Sua ascendência passava por Rebia ibne Aufe ibne Uqueda ibne Guiara. Omaia viveu durante o surgimento do Islã e tornou-se conhecido por sua poesia de temática religiosa e pela familiaridade que as tradições lhe atribuem com concepções monoteístas anteriores à pregação de Maomé. Entre seus filhos estavam Rebia, Uabe, Anre e Alcácime; Rebia exerceu funções administrativas durante o período islâmico, enquanto também se destacou como poeta. Os uquedaítas permaneceram particularmente associados ao Iraque depois das primeiras conquistas. Os descendentes de Maçude ibne Anre produziram comandantes e administradores ligados a Cufa e Almadaim, enquanto Abu Mijane participou das campanhas contra os sassânidas e Almoquetar estabeleceu em Cufa o centro de seu movimento político. A continuidade da linhagem é documentada ainda em gerações posteriores: descendentes de Sade ibne Maçude permaneceram estabelecidos em Cufa, entre eles o historiador , cuja genealogia remontava a Sade através de e que posteriormente se estabeleceu em Ispaã.

Bibliografia

Categoria:Uquedaítas