Os alafitas (, ) eram uma das duas principais divisões dos taquifitas de Taife, contrapondo-se aos malequitas. Descendiam principalmente de Aufe ibne Caci, sendo Caci o ancestral epônimo dos taquifitas, conhecido pelo epíteto Taquife. Dividiam-se principalmente entre os saditas, dos quais procediam os atabitas e muatibitas, e os guiaraítas, que incluíam os abedaluzaítas, os ilajitas e os uquedaítas. Durante a Jailia, os alafitas constituíram uma das principais facções políticas e militares de Taife e mantiveram uma prolongada rivalidade com os malequitas, envolvendo conflitos pela posse de pastagens e uma série de confrontos na região. Essa divisão interna permaneceu reconhecível durante o surgimento do Islã: alafitas e malequitas possuíam chefias próprias na Batalha de Hunaine e foram representados separadamente na delegação enviada a Maomé para negociar a submissão dos taquifitas. Entre as linhagens alafitas figuraram posteriormente personagens como Almuguira ibne Xuba, Alhajaje ibne Iúçufe e Almoquetar Atacafi.
História
Os alafitas eram uma das duas principais divisões dos taquifitas de Taife, contrapondo-se aos malequitas. Descendiam principalmente de Aufe ibne Caci, sendo Caci o ancestral epônimo dos taquifitas, conhecido pelo epíteto Taquife. Entre suas principais linhagens estavam os saditas, descendentes de Sade ibne Aufe, e os guiaraítas, descendentes de Guiara ibne Aufe. Dos saditas procediam os atabitas e muatibitas, enquanto entre os guiaraítas estavam os abedaluzaítas, incluindo os ilajitas, e os uquedaítas. Na Jailia, os alafitas constituíam uma das duas grandes facções políticas dos taquifitas e desempenharam papel importante na consolidação do domínio da tribo sobre Taife. Depois que os taquifitas se fortaleceram, fortificaram a cidade e conseguiram resistir às tentativas dos amiritas de recuperar o controle sobre ela, os alafitas reivindicavam para si participação particularmente importante nesses acontecimentos. Com o crescimento de sua riqueza e cavalaria, reservaram para seus cavalos uma área de pastagem em , pertencente aos naceritas, ramo dos hauazinitas. Estes reagiram sob a chefia de , dos , iniciando um conflito prolongado. Os alafitas eram chefiados por , enquanto os malequitas aproveitaram as hostilidades para se aliarem aos iarbuítas contra seus rivais, sob a chefia de .
O primeiro grande confronto dessa aliança ficou conhecido como . Depois de intenso combate, os alafitas prevaleceram e expulsaram os malequitas e seus aliados para um vale situado além de Taife, enquanto numerosos membros dos grupos adversários foram mortos num desfiladeiro das montanhas da região. A guerra prosseguiu em outros confrontos, entre eles o , nas proximidades de Nacla, e o , nas proximidades de . Com o prolongamento das hostilidades, os malequitas procuraram o auxílio dos daucitas, catamitas e outros grupos, enquanto os alafitas buscaram uma aliança com os ançares de Medina. Maçude ibne Muatibe dirigiu-se a , dos aucitas, mas este recusou a proposta e aconselhou-o a reconciliar-se com seus próprios compatriotas. Apesar disso, forneceu-lhe armas e provisões e entregou-lhe um escravo especializado na construção de fortificações, que construiu para Maçude o primeiro utm de Taife. Segundo Ibne Alatir, depois desses acontecimentos não ocorreu outra guerra de importância entre as duas facções taquifitas.
A memória da rivalidade foi preservada também na poesia atribuída aos próprios alafitas. , cujo nome era Rebia ibne Sufiane e que pertencia aos Banu Aufe ibne Uqueda, dos uquedaítas, compôs versos acerca da guerra nos quais atribuía a eclosão das hostilidades a Maçude e Jundabe, chefes das facções adversárias. A divisão entre alafitas e malequitas continuava reconhecível durante o surgimento do Islã. Na Batalha de Hunaine, em 8 A.H. (630), os taquifitas participaram da coalizão formada por Maleque ibne Aufe Anáceri contra Maomé. As duas facções possuíam chefias próprias: entre os alafitas, a liderança era exercida por , dos muatibitas, enquanto os malequitas eram chefiados por , conhecido como Du Alcimar, e por seu irmão Amare ibne Alharite. Depois da derrota, parte dos taquifitas retirou-se para Taife, enquanto outros seguiram para diferentes regiões. Os guiaraítas, uma das principais ramificações dos alafitas, constituíram o contingente taquifita que tomou o caminho de Nacla.
Depois da morte de Urua ibne Maçude e da crescente pressão exercida sobre Taife, os taquifitas decidiram negociar sua submissão. A iniciativa é associada a , dos ilajitas, que argumentou que a tribo já não possuía condições de resistir às demais tribos árabes que haviam aderido a Maomé. Os taquifitas escolheram então , dos uquedaítas, para chefiar uma delegação a Medina. Temendo sofrer ao regressar o mesmo destino de Urua, Abede Ialil recusou-se a partir sozinho e exigiu que outros representantes o acompanhassem. A composição da delegação refletia a divisão interna dos taquifitas. Além de Abede Ialil, que pertencia aos alafitas, foram escolhidos dois representantes dessa facção, e , ambos muatibitas, e três dos malequitas: , dos içaritas, , dos salimitas, e , dos alharititas. Assim, embora a narrativa descreva os cinco acompanhantes de Abede Ialil como dois alafitas e três malequitas, a delegação completa possuía três representantes provenientes de linhagens alafitas e três malequitas. Depois da conclusão do acordo e da conversão dos taquifitas, as antigas linhagens alafitas continuaram documentadas nas gerações seguintes, produzindo figuras como Almuguira ibne Xuba, Alhajaje ibne Iúçufe, Almoquetar Atacafi e outros comandantes, governadores e tradicionalistas dos primeiros séculos islâmicos.
Bibliografia
Categoria:Alafitas (taquifitas)