Sérgio Adriano H (Joinville, 1975), nome artístico de Sérgio Adriano Dias Luiz, é um artista visual, fotógrafo, performer e pesquisador afrodiaspórico brasileiro. Sua produção abrange fotografia, fotoperformance, vídeo, instalação, escultura, livros-objeto e intervenções urbanas, articulando memória, identidade racial, racismo, decolonialidade, linguagem e processos de apagamento histórico.

Com trajetória profissional iniciada em 2001, reúne mais de 220 participações em exposições nacionais e internacionais e mais de quarenta premiações. Suas obras integram pelo menos vinte acervos públicos, entre eles os do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, Museu de Arte do Rio, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Museu de Arte Moderna da Bahia, Museu de Arte de Santa Catarina e Sesc – Departamento Nacional. Em 2025, celebrou 25 anos de carreira com CORpo MANIFESTO, exposição individual apresentada no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro e de São Paulo, reunindo mais de cem obras de diferentes períodos de sua produção.

Biografia

Nascido em Joinville, em Santa Catarina, graduou-se em Artes Visuais pela Universidade da Região de Joinville em 2005 e concluiu mestrado em Filosofia pela Faculdade de São Bento de São Paulo em 2016. Vive e trabalha entre Joinville, Florianópolis e São Paulo.

Em 2014, foi incluído no livro Construtores das Artes Visuais: Cinco Séculos de Artes em Santa Catarina, que o relacionou entre trinta artistas influentes na produção artística do estado.

Carreira e obra

A pesquisa artística de Sérgio Adriano H utiliza o corpo negro, palavras, livros, enciclopédias, dicionários e objetos cotidianos para discutir a construção social da verdade, a violência racial, a invisibilidade e a memória. O artista emprega as expressões “verdade apresentada” e “verdade fabricada” para examinar como discursos de poder constroem silenciamentos e apagam presenças negras.

Sua prática também investiga como imagens e representações preservadas e reiteradas socialmente participam da construção da memória e da percepção do passado. Por meio de fotografias, fotoperformances, pinturas, esculturas, performances e intervenções em livros e arquivos históricos, o artista desloca representações consolidadas, evidencia presenças negras historicamente invisibilizadas e tensiona o imaginário histórico brasileiro. O catálogo da exposição CORpo MANIFESTO situa o racismo sistêmico no centro de suas pesquisas, caracteriza o projeto como construído a partir de narrativas decoloniais e relaciona a série desCOLONIZAR CORpos à urgência de descolonizar as narrativas históricas. Essa abordagem confronta discursos coloniais e examina as relações entre imagem, palavra, poder e produção do conhecimento.

Ao comentar a série Palavra Tomada, a artista e curadora Rosana Paulino destacou o uso da palavra como elemento técnico, conceitual e político da produção de Sérgio Adriano H, relacionando-o à investigação da invisibilidade social da população negra. Em entrevista publicada pela revista acadêmica Arte: Lugar: Cidade, sua prática foi situada no campo da estética decolonial e da arte pública, articulando corpo político, memória, espaço urbano e representatividade negra.

Em capítulo publicado na França no livro Pédagogie de l’expérience esthétique et de l’expérimentation en art, Taiza Mara Rauen Moraes e Nadja de Carvalho Lamas analisam os projetos Minuto de Silêncio e Palavras Tomadas como uma poética de resistência voltada às estruturas raciais, ao racismo ambiental e ao silenciamento cultural, situando a experiência estética em perspectiva decolonial.

Em estudo publicado na revista acadêmica Art&Sensorium, Orlando Afonso Camutue Gunlanda e Andréa Vieira Zanella analisam a intervenção Ruptura do Invisível como uma experiência coletiva que problematiza o racismo no espaço urbano e tensiona os regimes que sustentam desigualdades étnico-raciais. A série, desenvolvida por meio de fotoperformances e intervenções urbanas, circulou por instituições e espaços públicos de Santa Catarina e foi apresentada no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, no Rio de Janeiro.

Em 2016 e 2017, participou de Diálogos Ausentes, programa do Itaú Cultural dedicado à presença negra na arte contemporânea brasileira. Em 2020, integrou PretAtitude – Emergências, Insurgências e Afirmações na Arte Afro-Brasileira Contemporânea, no Sesc São José do Rio Preto.

Em 2025, realizou CORpo MANIFESTO no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro e de São Paulo. Com curadoria de Juliana Crispe e Claudinei Roberto da Silva, a mostra reuniu mais de cem obras produzidas ao longo de 25 anos e abordou racismo estrutural, memória, decolonialidade e identidade negra. O projeto foi apresentado e patrocinado pelo Banco do Brasil.

Em ensaio publicado pelo Le Monde Diplomatique Brasil, Fedra Rodríguez caracterizou a produção do artista como uma “contrafísica do racismo epistêmico”, destacando o emprego de fotografias, instalações, performances, livros, enciclopédias e objetos cotidianos no confronto com o apagamento colonial e as hierarquias do conhecimento.

Curadoria, palestras e atividades educativas

Além da produção artística, Sérgio Adriano H atua em curadoria e formação em artes visuais. Em 2025, dividiu com Juliana Crispe a curadoria de Presenças Insurgentes: Corpos, Territórios e Memórias, mostra realizada no Instituto Internacional Juarez Machado, em Joinville, com artistas como Renata Felinto, Priscila Rezende, Peter de Brito, daSilva e Antônio Pulquério, além de obras de acervos.

Atua também como palestrante e ministrante de cursos e oficinas nas áreas de fotografia, fotoperformance e planejamento de carreira em artes visuais. Entre as atividades de formação estão o workshop Fotoperformance: imagem filosófica do corpo, realizado no Museu de Arte de Blumenau em 2018, e oficinas de fotografia associadas a exposições e ações educativas. Em 2025, ministrou a oficina Planejamento de Carreira em Artes Visuais, integrante do Ciclo de Oficinas da Fundação Cultural Badesc. Em 2026, apresentou as palestras Planejamento de Carreira para Artistas, na programação de CORpo MANIFESTO, no CCBB São Paulo, e Processo de Construção do Planejamento de Carreira, no 16.º Salão dos Novos de Joinville.

Sérgio Adriano H atua ainda como jurado e parecerista em editais e processos seletivos de artes visuais. Em 2024, integrou a comissão julgadora do edital de exposições da Fundação Cultural Badesc, ao lado de Daiana Schvartz e Sandra Makowiecky. Em 2026, compôs, com Juliana Crispe e Maria Amélia Bulhões, a comissão de seleção do 16.º Salão dos Novos de Joinville, que recebeu 353 trabalhos de 23 estados brasileiros.

Exposições individuais

2026 — VERdades hISTÓricas, Museu da República – Palácio do Catete, Rio de Janeiro; curadoria de Isabel Portella. 2025–2026 — CORpo MANIFESTO, Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro e São Paulo. 2025–2026 — O Brasil Pitoresco de Sérgio Adriano H: Passado – Presente, Museu de Arte de Santa Catarina, Florianópolis; curadoria de Juliana Crispe. 2025 — Prefácio, Museu de Arte de Santa Catarina, Florianópolis. 2024 — AparaDOR, Galeria Sesc Niterói, Niterói. 2023 — desCOLONIZAR CORpos, Institut national d'histoire de l'art, Paris. 2023 — desCOLONIZAR CORpos, Caixa Cultural, Brasília. 2023 — performance desCOLONIZAR CORpos, Paço das Artes, São Paulo. 2023 — performance desCOLONIZAR CORpos, Museu de Artes Visuais da Unicamp, Campinas. 2023 — Ser Negro, Galeria Jandira Lorenz da Udesc, Florianópolis. 2022 — Ressoar, Galeria Municipal de Arte Pedro Paulo Vecchietti, Florianópolis. 2021 — Não Consigo Respirar, Museu Fábrica de Arte Marcos Amaro, Itu. 2021 — Minuto de Silêncio, Centro Cultural da Diversidade, São Paulo. 2020 — E Essa Tal Liberdade, Aonde É que Anda, Aonde É que Vai?, Galeria Choque Cultural, São Paulo. 2019 — Índice, 14.ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba – Polo Santa Catarina, Fundação Cultural Badesc, Florianópolis. 2019 — Palavra Tomada, Galerias Sesc de Joinville, Lages e Itajaí. 2019 — Ruptura do Invisível, Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica, Rio de Janeiro. 2019 — Tu Mata Eu, Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos, Rio de Janeiro. 2019 — Grito em Silêncio, Instituto Meyer Filho, Florianópolis, como resultado do Prêmio Aliança Francesa de Arte Contemporânea de 2018. 2017 — A Dúvida da Verdade, intervenção urbana apresentada em espaços públicos e instituições de Curitiba durante a Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba. 2016 — Projeto Visível do Invisível, escadaria da Fundação Cultural Badesc, Florianópolis. 2008 — Tudo, Cidadela Cultural Antarctica, Museu de Arte Contemporânea Luiz Henrique Schwanke, Joinville.

Exposições coletivas

2026 — Eu chorei rios: arte dos povos originários da América, FGV Arte, Rio de Janeiro, com a obra desCOLONIZAR III. 2026 — Outras Paisagens, 16.ª Bienal Internacional de Curitiba – Limiares, Museu de Arte de Santa Catarina, Florianópolis. 2026 — Dos Brasis: Arte e Pensamento Negro, Sesc Franca, Franca. 2025 — Figura e Paisagem – Palavra e Imagem, Pinacoteca do Ceará, em parceria com o Museu de Arte Moderna de São Paulo. 2025 — Adiar o fim do mundo, FGV Arte, Rio de Janeiro. 2025 — Nada como um dia depois de outro, Museu de Arte Contemporânea José Pancetti, Campinas. 2025 — Afro-brasilidade, homenagem a dois Valentins e a um Emanoel, FGV Arte, Rio de Janeiro, com a obra O Presidente da República Zumbi dos Palmares I. 2024–2025 — Arte Imprópria, Museu de Artes Visuais da Unicamp e Biblioteca de Obras Raras Fausto Castilho, Campinas; itinerância no Centro Cultural da USP São Carlos. 2024 — Acervo Aberto, Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, São Paulo. 2024 — Brasília, a arte do Planalto, Museu Nacional da República, Brasília. 2024 — Último Lote, Museu de Arte Contemporânea da Bahia, Salvador. 2024 — Pontos de Vida, Centro Cultural Veras, Florianópolis. 2024 — Outras Paisagens, Museu de Arte Contemporânea de Niterói. 2024 — Aproximações, Museu de Arte de Ribeirão Preto Pedro Manuel-Gismondi, Ribeirão Preto. 2024 — Brasília: A Arte da Democracia, FGV Arte, Rio de Janeiro. 2024–2025 — Dos Brasis: Arte e Pensamento Negro, Sesc Quitandinha, Petrópolis. 2023 — Mãos: 35 anos da Mão Afro-Brasileira, Museu de Arte Moderna de São Paulo. 2023 — Dos Brasis: Arte e Pensamento Negro, Sesc Belenzinho, São Paulo. 2023 — Em visita: Helô Sanvoy e Sérgio Adriano H, Museu de Artes Visuais da Unicamp, Campinas. 2023 — 48.º Salão de Arte de Ribeirão Preto Nacional-Contemporâneo, Museu de Arte de Ribeirão Preto Pedro Manuel-Gismondi, Ribeirão Preto, com obras da série História do Brasil. 2022–2023 — [Inde]pendências e seus transbordamentos no contexto catarinense, Museu Histórico de Santa Catarina, Florianópolis. 2022 — Encruzilhada, Museu de Arte Moderna da Bahia, Salvador. 2022 — Visão do Paraíso, Centro Cultural Brasil–Moçambique, Maputo. 2019 — 14.ª Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba, Museu Oscar Niemeyer, Curitiba. 2018 — 8.ª Bienal Argentina de Fotografia Documental, Tucumán, Argentina. 2018 — Bienal das Artes do Sesc, Brasília. 2018 — Desterro Desaterro – Arte Contemporânea em Santa Catarina, Museu de Arte de Santa Catarina, Florianópolis. 2017 — Antípodas – Diverso e Reverso, Bienal Internacional de Arte Contemporânea de Curitiba.

Prêmios e distinções

2026 — Finalista do Destaque Regional Sul do Prêmio ABCA, na categoria artista contemporâneo. 2024 — Um dos três finalistas do Prêmio Mário Pedrosa, concedido pela Associação Brasileira de Críticos de Arte a artista contemporâneo de destaque nacional. 2024 — IV Prêmio Palmares de Arte – Prêmio Januário Garcia de Fotografia. 2024 — Prêmio Centro Cultural TCU, em Brasília. 2022 — Medalha de Mérito Cultural Cruz e Sousa, maior honraria cultural concedida pelo Estado de Santa Catarina.