Adeildo Vieira (Itabaiana, 16 de agosto de 1962) é um cantor, compositor, violonista, jornalista e produtor cultural brasileiro radicado em João Pessoa. Integrante da geração do Musiclube da Paraíba, lançou os álbuns Diário de Bordo (2000), eleito melhor disco da Paraíba pelo Troféu Imprensa, Há Braços (2009) e África de Mim (2017), e é autor do livro-reportagem Maestro Chiquito: o metalúrgico dos sons (2022).
Biografia Formação e Musiclube Adeildo Vieira mudou-se para João Pessoa em 1977, aos quinze anos, aprovado na seleção para o curso de mecânica da Escola Técnica Federal da Paraíba; cursou depois engenharia mecânica e jornalismo na Universidade Federal da Paraíba, onde concluiu em 2016 o mestrado profissional em Jornalismo. Começou a tocar violão aos dezoito anos, inspirado pelo irmão mais velho e por Luiz Gonzaga, e fez sua primeira apresentação em 1983, no bairro do Jaguaribe, concorrendo no mesmo ano ao festival MPBTEC com a canção "Respostas". Em 1984 ingressou no Musiclube da Paraíba, movimento criado pelos irmãos Pedro Osmar e Paulo Ró, que considera "muito importante para minha formação estética e política", e venceu o prêmio de melhor letra do festival da Escola Técnica Federal com "Mama Society Blues". Envolveu-se nas ações do grupo Jaguaribe Carne nos anos 1980, como o Musiclube e o Fala Bairros, e tocou percussão no LP Jaguaribe Carne Instrumental (1993). Integrou o grupo Mama Jazz, com o músico africano Guilherme Semmedo, Gláucia Lima, Euclides Aguiar e Jorge Negão, e, em 1996, o Grupo Violação, com Milton Dornellas, Marcos Fonseca, Wander Farias e Archidy Filho. Assina o texto de apresentação da Coletânea Musiclube (1997).
Carreira fonográfica Vencedor do Festival da Universidade da Paraíba em 1997, com "Manus Manus", e terceiro colocado no Festival Sesc de 1998, com "Cara de Santo", lançou em 2000 o primeiro álbum, Diário de Bordo, com patrocínio da Fundação Cultural de João Pessoa e direção musical dividida com Paulo Ró; o disco, gravado no SG Studio Digital, reúne quinze canções, entre elas parcerias com Milton Dornellas, Águia Mendes, Chico Lino Filho e o poeta Lúcio Lins, e participações de Pedro Osmar e Totonho, e recebeu o Troféu Imprensa de melhor disco da Paraíba. Em 2004 venceu o festival do CEFET-PB com "Cais" e, em 2008, lançou o DVD Chega Junto.
O segundo álbum, Há Braços (2009), financiado pelo Fundo de Incentivo à Cultura Augusto dos Anjos, tem direção musical de Leo Meira e traz catorze faixas, com parcerias com Ronaldo Monte, Escurinho, Marcos Fonseca, Guilherme Semmedo, Águia Mendes e Lúcio Lins e uma composição de seu filho Rudá Barreto; no mesmo ano venceu o festival da Associação das Rádios Públicas do Brasil (ARPUB), em João Pessoa. Em 2012 viajou pelo Senegal com a Tribo Éthnos, experiência que inspirou o terceiro álbum, África de Mim, com doze canções inéditas, também financiado pelo FIC Augusto dos Anjos e lançado em 14 de maio de 2017 no Theatro Santa Roza; o disco, que "expressa a africanidade que existe dentro dele", tem como destaque "Bapalaye", com o senegalês Joel Basène, e seu show foi registrado em DVD pela TV UFPB no Teatro Paulo Pontes em 2018. Sua música mistura o samba e a canção brasileira com influências do fado, da música africana e do reggae. Seus parceiros mais frequentes incluem Milton Dornellas, com quem assina "Céu de Thor", "Sereno" e "Mamma Jaz", Pedro Osmar, Paulo Ró, Escurinho e, desde 2020, Seu Pereira.
Apresentações e outras atividades Em 2017 foi homenageado pelos 35 anos de carreira no Festival Paraibano de Coros; em 2019 participou do projeto Macacos me Mordam – Ao Vivo!, conduzido por Pedro Osmar; e em 2022 apresentou-se com a Orquestra Sinfônica da UFPB, com arranjos de Helinho Medeiros, Leo Meira e de seus filhos Rudá e Uaná Barreto, que o acompanham na guitarra e nos teclados. Em 1º de junho de 2024 celebrou quarenta anos de carreira com o show O Presente, ao lado do Grupo Alamiré, na abertura do projeto Viva Usina, e em novembro do mesmo ano foi um dos organizadores do show beneficente Eu Canto Música de Amor, em favor de Pedro Osmar. Em setembro de 2026 comemorou 42 anos de carreira com show no Teatro Santa Roza. Como produtor cultural, realizou centenas de shows na Paraíba e no país, excursionou pelo Senegal e pela França com o projeto Berimbaobab e leva "conferências cantadas" a escolas; é servidor do Centro de Comunicação, Turismo e Artes da UFPB.
Em dezembro de 2022 publicou pela Editora A União o livro-reportagem Maestro Chiquito: o metalúrgico dos sons, resultado de sua dissertação de mestrado, orientada por Hildeberto Barbosa Filho, sobre o trompetista e arranjador Francisco Fernandes Filho, o Maestro Chiquito, fundador da big band Metalúrgica Filipéia.
Discografia 2000 – Diário de Bordo (CD) 2008 – Chega Junto (DVD) 2009 – Há Braços (CD) 2017 – África de Mim (CD)
Livros Maestro Chiquito: o metalúrgico dos sons (Editora A União, 2022)
Prêmios 1984 – Melhor letra, festival da Escola Técnica Federal da Paraíba ("Mama Society Blues") 1997 – 1º lugar, Festival da Universidade da Paraíba ("Manus Manus") 2000 – Troféu Imprensa, melhor disco da Paraíba (Diário de Bordo) 2004 – 1º lugar, Festival do CEFET-PB ("Cais") 2009 – Vencedor do Festival ARPUB, João Pessoa
Ligações externas Adeildo Vieira no SoundCloud Adeildo Vieira no Discogs
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