O estresse biótico define-se como o conjunto de perturbações fisiológicas e metabólicas induzidas num organismo vivo — predominantemente nas plantas — pela ação direta de outros seres vivos, distinguindo-se do estresse abiótico por depender exclusivamente de interações biológicas nocivas. Este fenómeno ecológico e agronómico é desencadeado por uma vasta gama de agentes agressores que operam a diferentes níveis, incluindo micro-organismos patogénicos (como fungos responsáveis pelo míldio e oídio, bactérias e vírus), insetos fitófagos (como pulgões e lagartas), nematodes que colonizam o sistema radicular e plantas infestantes que competem diretamente por recursos vitais como luz, água e nutrientes. Face a estas ameaças, as plantas desenvolveram sistemas defensivos altamente sofisticados que englobam tanto barreiras estruturais constituintes (como a espessura da cutícula cerosa e a rigidez da parede celular) quanto mecanismos bioquímicos desencadeados após o reconhecimento de padrões moleculares associados a patógenos. Esta resposta química envolve a síntese de fitoalexinas, a produção de proteínas de defesa e a ativação da resposta de hipersensibilidade, um processo de morte celular programada que isola o foco de infeção. O impacto global do estresse biótico é severo, sendo responsável pela destruição anual de uma fração significativa das culturas agrícolas mundiais, o que acarreta perdas económicas massivas e ameaça diretamente a segurança alimentar global, impulsionando a investigação científica contemporânea no desenvolvimento de estratégias de mitigação sustentáveis que combinam o melhoramento genético (através de cruzamentos tradicionais ou de edição genómica por CRISPR), o microbioma do solo com recurso a bioestimulantes e a gestão integrada de pragas (GIP) para reduzir a dependência de pesticidas sintéticos.

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