Amade ibne Galibe (; m. 1701/2) foi um xarife e emir de Meca de 1688 a 1690. Membro dos catádidas e do ramo dos baracátidas (Du Baracate), disputou o emirado com Saíde ibne Sade após a morte de Amade ibne Zaíde. Apoiado pelas autoridades otomanas do Egito e de Gidá, entrou em Meca em 1688 e teve posteriormente sua investidura confirmada por ordem do sultão otomano. Em 1690, uma revolta de diferentes grupos xarifais levou à proclamação de Mucine II ibne Huceine, e Amade perdeu o emirado e retirou-se para o Iêmem. Ali recebeu o governo de e e exerceu autoridade sobre outras áreas do . Após romper com o imame iemenita, regressou ao Hejaz em 1694 e voltou a participar das disputas entre os xarifes de Meca, sem recuperar o emirado. Posteriormente dirigiu-se aos territórios do Império Otomano, onde morreu, segundo al-Ziriklī, em 1113 A.H. (1701–1702).

Vida

Amade ibne Galibe era um xarife e pertencia aos baracátidas (Du Baracate), ramo dos catádidas da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Em 1099 A.H. (1688), encontrava-se em Iambo quando morreu Amade ibne Zaíde, emir de Meca. Após a morte deste, os principais militares, xarifes e notáveis de Meca escolheram seu sobrinho Saíde ibne Sade para sucedê-lo. Amade, entretanto, reivindicou o Emirado de Meca e obteve o apoio do governador otomano do Egito, que escreveu ao governador de Gidá determinando que fosse reconhecido como emir. Saíde recusou-se a entregar o governo sem uma ordem do sultão otomano.

Forças procedentes de Gidá avançaram em apoio a Amade. Durante a disputa, o sanjaco-bei Maomé Bei acampou em Bara, na estrada de Gidá, e Saíde enviou-lhe uma mensagem exigindo que apresentasse uma ordem do sultão que legitimasse a investidura de Amade ou regressasse. Diante da continuação do avanço, Saíde colocou Meca em estado de defesa e enviou uma força que interceptou os homens procedentes de Bara e os obrigou a recuar. Amade continuou, porém, a receber apoio das autoridades de Gidá e, no final de Ramadã, suas forças avançaram novamente em direção a Meca. Saíde, vendo diminuir o número de seus partidários, deixou a cidade e retirou-se para Taife. Amade entrou em Meca em 2 de Xaual de 1099 A.H. (1688). No mês seguinte, chegou uma ordem sultânica confirmando sua investidura, que foi lida publicamente no Hatim, e a cidade foi ornamentada durante três dias para celebrar a confirmação.

Durante seu governo, Amade determinou que comerciantes e pessoas abastadas entregassem o zacate à sede do emirado, que se encarregaria de sua distribuição. Sua posição deteriorou-se, contudo, em 1101 A.H. (1690). Os Du Zaíde romperam com ele, deixaram Meca e dirigiram-se a Iambo, onde proclamaram Mucine II ibne Huceine emir. Outros grupos da família xarifal também se rebelaram. Membros dos Du Abedalá ocuparam Alcunfuda, interrompendo a estrada do Iêmem, enquanto outros opositores se concentraram nas proximidades de Meca. Mucine foi reconhecido em Gidá, e forças favoráveis a ele aproximaram-se da capital. Amade preparou a defesa da cidade, distribuindo seus homens e peças de artilharia pelos acessos de Meca, mas não conseguiu conservar o poder. Em Rajabe de 1101 A.H. (1690), Mucine assumiu o emirado e Amade deixou o Hejaz em direção ao Iêmem.

No Iêmem, Amade procurou o auxílio do imame , que o recebeu e lhe concedeu o governo de , no . Amade entrou em Abu Aris em Safar de 1102 A.H. (1690) e recebeu também o controle de . Posteriormente, sua autoridade foi ampliada sobre outras áreas da região. Reconstruiu a fortaleza de Jizã, que se encontrava arruinada, e envolveu-se em conflitos com governantes e grupos locais, conseguindo prevalecer em vários deles. As relações entre Amade e o imame deterioraram-se posteriormente. O imame decidiu destituí-lo, mas Amade resistiu à ordem e permaneceu por algum tempo em seus domínios. Por fim, um representante do imame foi enviado para exigir sua partida e providenciou os meios necessários para sua viagem. Em Rajabe de 1105 A.H. (1694), Amade deixou a região e regressou ao Hejaz. Ainda participou das disputas entre os xarifes de Meca, mas não recuperou o emirado. Em 1106 A.H. (1694–1695), dirigiu-se aos territórios do Império Otomano, onde morreu. Al-Ziriklī registra 1113 A.H. (1701–1702) como o ano de sua morte.

Bibliografia

Categoria:Naturais de Meca Categoria:Árabes do Império Otomano Categoria:Árabes do século XVII Categoria:Árabes do século XVIII Categoria:Baracátidas Categoria:Xarifes de Meca