D. Pedro de Almeida foi um fidalgo, militar e administrador colonial português do século XVII, governador da Capitania de Pernambuco entre 1674 e 1678. Irmão de D. Luís de Almeida, 1.º Conde de Avintes, desenvolveu uma carreira militar no reino e no ultramar antes de assumir o governo pernambucano. Durante a sua administração intensificaram-se as campanhas contra os mocambos de Palmares, incluindo as expedições de Fernão Carrilho, e tiveram início entendimentos que antecederam as negociações de paz de 1678, prosseguidas pelo seu sucessor.
Carreira militar D. Pedro de Almeida acumulou experiência militar em diferentes espaços da Monarquia Portuguesa: participou da armada do Conde da Torre, enviada em socorro do Brasil em 1638, combateu os holandeses em Pernambuco e os espanhóis no Alentejo durante a Guerra da Restauração, e integrou uma armada destinada à Índia Portuguesa em 1646. Ao longo da carreira exerceu os postos de capitão, capitão de mar e guerra, mestre de campo e almirante da Armada.
Em recompensa pelos seus serviços recebeu o hábito da Ordem de Cristo e a comenda de São João de Trancoso. Antes de ser escolhido para Pernambuco, procurou obter outros governos no ultramar: segundo a investigação de Laura Peraza Mendes, candidatou-se por três vezes ao governo de Angola e duas ao da Capitania do Rio de Janeiro, antes de manifestar interesse pelo governo pernambucano em 1670.
Governo de Pernambuco Foi escolhido pelo príncipe regente D. Pedro para suceder a Fernão de Sousa Coutinho. Após a morte deste, em janeiro de 1674, o governo foi exercido durante cerca de vinte dias por uma junta formada pelo juiz ordinário e pelos dois mestres de campo da guarnição de Olinda, enquanto se aguardava a chegada do novo governador. Almeida tomou posse em fevereiro de 1674.
A sua nomeação fora feita directamente por decreto régio, sem o concurso e a consulta prévia que habitualmente precediam a escolha dos governadores. O Conselho Ultramarino protestou contra o procedimento, embora reconhecesse que Almeida possuía as qualificações necessárias para o cargo, e deu seguimento à nomeação.
Ainda antes de partir para Pernambuco, Almeida procurou obter informações sobre a situação das fortificações e do abastecimento de munições na capitania, apresentando à Coroa propostas relativas à defesa. Já no governo, envolveu-se em disputas de jurisdição com figuras das elites locais, entre as quais João Fernandes Vieira. Em 1675, a Câmara de Olinda enviou à Coroa uma representação contra o governador e pediu a sua substituição por Fernandes Vieira; o pedido recebeu o apoio de outras câmaras da região e parecer favorável do Conselho Ultramarino, mas o príncipe regente manteve Almeida no cargo.
Guerra contra Palmares A guerra contra os mocambos de Palmares, iniciada muito antes da sua administração, constituiu uma das principais questões militares do governo de D. Pedro de Almeida. Em abril de 1674, poucos meses depois de tomar posse, escreveu ao príncipe regente propondo o emprego de aldeias e tropas indígenas, juntamente com soldados brancos, numa linha de operações entre Porto Calvo, Alagoas e o território palmarino; a proposta não foi acolhida pelo Conselho Ultramarino.
Em 1676, oficiais das câmaras de Alagoas do Sul, Porto Calvo e Penedo do Rio São Francisco reuniram-se para preparar uma nova expedição, escolhendo Fernão Carrilho para a comandar. Meses depois, Almeida nomeou-o formalmente capitão-mor da conquista de Palmares. A documentação camarária levou a historiografia a considerar que a iniciativa da escolha de Carrilho poderá ter partido das autoridades locais e ter sido posteriormente confirmada pelo governador, apesar de Almeida, ao escrever à Coroa em 1678, se apresentar como responsável pela nomeação.
As operações de Carrilho atingiram diversos mocambos e resultaram na captura de numerosos palmarinos, incluindo parentes de Ganga Zumba. Em carta de 4 de fevereiro de 1678, Almeida comunicou ao príncipe regente os resultados da campanha, numa altura em que o seu governo se aproximava do fim. Nos últimos meses da sua administração começaram também entendimentos com os palmarinos acerca de uma possível paz. As fontes não permitem estabelecer com segurança de que parte surgiu a iniciativa: a historiografia considera hipóteses que incluem Ganga Zumba e os seus representantes, Fernão Carrilho e o próprio governador.
Almeida deixou o governo em abril de 1678, sendo sucedido por Aires de Sousa de Castro. A negociação prosseguiu durante a nova administração: documentação de junho daquele ano referia os termos de paz conseguidos pelo antigo governador e continuados por Aires de Sousa de Castro, sob cujo governo uma embaixada palmarina chegou ao Recife e foram negociadas as condições do acordo.
Uma das principais fontes narrativas para essas campanhas é a Relação das guerras feitas aos Palmares de Pernambuco no tempo do governador D. Pedro de Almeida de 1675 a 1678, composta em 1678. A narrativa apresenta de forma favorável a actuação de Almeida e atribui ao governador diversas iniciativas relacionadas com as campanhas, razão pela qual a historiografia contemporânea a confronta com a correspondência administrativa e com a documentação das câmaras locais. A obra foi publicada pela primeira vez no século XIX. A edição de Silvia Hunold Lara e Phablo Roberto Marchis Fachin cotejou as duas versões manuscritas seiscentistas conservadas na Biblioteca Pública de Évora e no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, permitindo corrigir erros e lacunas da edição oitocentista.
Família D. Pedro de Almeida pertencia à mesma casa familiar do 1.º Conde de Avintes, D. Luís de Almeida, de quem era irmão. Casou com D. Luísa de Portugal. A filha e herdeira do casal, D. Maria Teresa de Portugal, casou em 1674 com D. João de Lencastre, posteriormente governador e capitão-general de Angola e governador-geral do Brasil.
Outra filha, D. Cecília Madalena de Portugal, casou com Roque da Costa Barreto, que viria a exercer o governo-geral do Brasil, estabelecendo-se assim uma segunda ligação da família a governadores do império português.
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