Abedalá ibne Huceine (; m. ) foi um xarife dos baracátidas (Du Baracate) e emir de Meca por cerca de dois meses em 1770. Adversário dos Du Zaíde, participou de sucessivas tentativas de derrubar Muçaíde ibne Saíde e, após a morte deste, obteve o apoio de Ali Bei Alquibir, governante do Egito, para disputar o emirado com Amade ibne Saíde. Com auxílio de tropas egípcias, tomou Meca em julho de 1770, mas foi derrotado por Amade pouco mais de dois meses depois e deixou o Hejaz. Morreu no ano seguinte, embora as fontes divirjam sobre o local de sua morte.

Vida

Abedalá pertencia aos baracátidas (Du Baracate), ramo dos catádidas da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas, que disputava com os zaídidas (Du Zaíde) o governo de Meca. Seu pai, Huceine, tornou-se epônimo dos Du Huceine, ramo dos Du Baracate ao qual pertenciam seus descendentes. Abedalá destacou-se na oposição ao emir Muçaíde ibne Saíde. Em 1182 A.H. (1768–1769), retirou-se para o Uádi Fátima, onde os Du Baracate reuniram forças com o objetivo de derrubar Muçaíde. Seus partidários tentaram tomar Gidá, mas foram repelidos, e Abedalá retornou ao Uádi Fátima. No ano seguinte, procurou apoio no Egito, então dominado por Ali Bei Alquibir, para substituir Muçaíde. A tentativa de utilizar as forças da caravana egípcia contra o emir não teve resultado e, no fim de 1183 A.H., os Du Baracate reuniram grande número de beduínos em Marre. Muçaíde saiu contra eles em Moarrão de 1184 A.H. (1770), derrotando-os após intenso combate. Abedalá deixou o Hejaz e procurou auxílio no Egito.

No Egito, Abedalá obteve o apoio de Ali Bei Alquibir, que viu na disputa pelo emirado de Meca uma oportunidade de ampliar sua influência sobre o Hejaz. Ali Bei confiou uma expedição militar a , que partiu para o Hejaz acompanhada por Abedalá. As forças egípcias tomaram Iambo e avançaram em direção a Meca. Em 14 de Rabi Alaual de 1184 A.H., alcançaram o Uádi Fátima; quatro dias depois, em 18 de Rabi Alaual (13 de julho de 1770), Abedalá entrou em Meca com as tropas egípcias, após a retirada do emir Amade ibne Saíde. Apresentou um firmã em favor de sua nomeação, posteriormente considerado falso, e foi proclamado emir no mesmo dia.

Maomé Bei Abu Adaabe permaneceu algum tempo em Meca sustentando o novo governo, mas partiu para o Egito em 20 de Jumada Aluala de 1184 A.H., deixando tropas egípcias em Gidá para apoiar Abedalá. Amade, que permanecera no Hejaz, aproveitou a retirada da força principal para reunir xarifes e partidários entre as tribos. Em 21 de Jumada Alarrira, suas forças concentraram-se em Arafate e avançaram sobre Meca em duas colunas. Depois de cerca de quatro horas de combate, as forças de Abedalá e seus aliados egípcios foram derrotadas. Amade entrou na cidade em 23 de Jumada Alarrira de 1184 A.H. (1770) e recuperou o emirado, encerrando o governo de Abedalá após dois meses e 23 dias. Abedalá retirou-se inicialmente para o Uádi Fátima e depois para Gidá. Quando as forças de Amade tomaram também esta cidade, partiu por mar para Iambo e seguiu posteriormente para o Egito. De lá, dirigiu-se aos territórios otomanos. As fontes divergem sobre o local de sua morte: al-Ziriklī registra uma tradição segundo a qual morreu em Gidá e outra segundo a qual morreu em território otomano, situando sua morte em 1185 A.H. (1771).

Bibliografia

Categoria:Naturais de Meca Categoria:Árabes do Império Otomano Categoria:Árabes do século XVIII Categoria:Baracátidas Categoria:Xarifes de Meca