Iáia ibne Surur (; m. 1836 ou 1838/9) foi um xarife dos zaídidas (Du Zaíde) e emir de Meca de 1813 a 1827. Filho do emir Surur ibne Muçaíde, foi colocado no governo por Maomé Ali Paxá após a deposição de seu tio Galibe ibne Muçaíde, no contexto da restauração da autoridade otomano-egípcia sobre o Hejaz. Seu governo caracterizou-se pela crescente intervenção egípcia na administração da região e pela redução da autonomia tradicional dos emires de Meca. Em 1827, após uma crise relacionada à morte do xarife , foi deposto por Maomé Ali e posteriormente estabeleceu-se no Egito.

Vida

Iáia era filho do emir Surur ibne Muçaíde e pertencia aos zaídidas (Du Zaíde), ramo dos catádidas da linhagem haçânida da dinastia haxemita, descendente do clã dos haxemitas. Chegou ao poder no contexto da reconquista do Hejaz pelas forças egípcias de Maomé Ali Paxá. Depois da recuperação de Meca aos sauditas, Maomé Ali decidiu afastar do governo o tio de Iáia, Galibe ibne Muçaíde, cuja posição e influência regional eram consideradas incompatíveis com a consolidação da autoridade egípcia. Galibe foi preso e deposto no fim de Dulcada de 1228 A.H. (novembro de 1813), e Maomé Ali colocou Iáia em seu lugar. A nomeação foi posteriormente confirmada pelo governo otomano; o firmã imperial e a veste de investidura foram expedidos de Constantinopla em Rabi Alaual de 1229 A.H. (fevereiro–março de 1814).

O governo de Iáia desenvolveu-se sob condições diferentes das de seus predecessores. Embora permanecesse formalmente à frente do Emirado de Meca, a reconquista do Hejaz permitiu a Maomé Ali estabelecer uma presença administrativa e militar egípcia permanente na região e reduzir a autonomia tradicional dos xarifes. Iáia permaneceu dependente do apoio de Maomé Ali, que intervinha diretamente nos assuntos políticos e administrativos do Hejaz e procurava impedir que o emir recuperasse o grau de independência exercido anteriormente por Galibe. Durante esse período, as forças egípcias prosseguiram suas campanhas contra o Primeiro Estado Saudita, que culminaram na tomada de Diria em 1233 A.H. (1818), enquanto Meca permaneceu sob a administração xarifiana de Iáia associada à presença egípcia no Hejaz. As relações entre Iáia e Maomé Ali deterioraram-se gradualmente nos anos seguintes. O paxá procurou ampliar sua intervenção nos assuntos do emirado e controlar diretamente as receitas e a administração regional, enquanto Iáia tentou preservar as prerrogativas tradicionalmente exercidas pelos emires de Meca. A coexistência entre a autoridade xarifiana e os representantes egípcios produziu sucessivas disputas sobre competências administrativas, tributação e influência política, e Maomé Ali passou a considerar a substituição do emir.

A crise que precipitou a queda de Iáia ocorreu em 1242 A.H. (1827) e envolveu o xarife . Xambar foi morto em Meca, e sua morte foi atribuída à responsabilidade de Iáia, fornecendo a Maomé Ali a ocasião para afastá-lo do governo. Em Dulcada de 1242 A.H. (maio–junho de 1827), Maomé Ali depôs Iáia após aproximadamente quatorze anos de governo. O emirado passou então brevemente a Abede Almotalibe ibne Galibe, filho do antigo emir Galibe, embora Maomé Ali posteriormente obtivesse da corte otomana a nomeação de Maomé ibne Abede Almuine, inaugurando a ascensão dos Du Aune ao governo de Meca. Após sua deposição, Iáia deixou o Hejaz e estabeleceu-se com sua família no Egito. As fontes divergem sobre o ano de sua morte. Uzunçarşılı situa-a em 1254 A.H. (1838–1839), enquanto al-Ziriklī registra 1252 A.H. (1836); este último afirma igualmente que Iáia se dirigiu ao Egito em 1243 A.H. (1827–1828) e ali morreu.

Bibliografia

Categoria:Árabes do século XVIII Categoria:Árabes do século XIX Categoria:Xarifes de Meca Categoria:Árabes do Império Otomano Categoria:Zaídidas