Isabel Cristina da Silva Guerreiro (nascida em 1971 ou 1972) é uma engenheira informática e gestora bancária portuguesa. Desde 1 de março de 2026, é presidente da comissão executiva (chief executive officer, CEO) do Santander Portugal. Ao assumir o cargo, tornou-se a primeira mulher a liderar um dos grandes bancos portugueses.

Depois de iniciar a carreira profissional na Novabase, Guerreiro ingressou no Santander Totta em abril de 2005. Ao longo das duas décadas seguintes exerceu funções nas áreas de banca de retalho, estratégia, canais de distribuição e transformação digital. Passou a integrar a comissão executiva do banco em 2019 e, no ano seguinte, foi nomeada responsável pela área digital do Grupo Santander na Europa. Em julho de 2025 foi nomeada vice-presidente da comissão executiva, antes de suceder a Pedro Castro e Almeida na liderança do banco em 2026.

Formação e início de carreira

Guerreiro licenciou-se em Engenharia Informática e de Computadores pelo Instituto Superior Técnico (IST) em 1994. Entre 1992 e 1994 exerceu funções docentes de informática no próprio instituto.

Em 1995 entrou para a empresa portuguesa de tecnologias de informação Novabase, onde permaneceu até 2003. Começou como programadora e analista de sistemas, passando posteriormente pela gestão de projectos, chegando a senior manager e a exercer o cargo de directora de unidade.

Em 2004 concluiu um MBA no INSEAD. Complementou a formação com o programa Strategic Finance in Banking, da Wharton School, e com formação executiva em Design Thinking na Universidade Stanford e em estratégia digital e social na Harvard Business School.

Carreira no Santander

Banca de retalho e transformação digital

Guerreiro ingressou no Banco Santander Totta em abril de 2005. Entre 2005 e 2006 foi subdirectora na área de negócio de retalho e, entre 2006 e 2008, exerceu funções na banca de retalho. De 2009 a 2013 foi responsável pela dinamização da rede de balcões e, entre 2013 e 2014, pela estratégia de banca grossista.

Entre 2014 e 2018 exerceu funções de direcção na transformação digital do banco, com responsabilidade pela gestão operacional dos canais tradicionais e digitais. Em 2018 era responsável pela Direcção de Multicanalidade. Numa entrevista à Executive Digest, apresentou a transformação digital como um processo que abrangia tanto os serviços prestados aos clientes como a organização interna e o funcionamento da rede física.

No final de 2018 foi escolhida para integrar a nova comissão executiva do Santander Totta, juntamente com outros quadros provenientes da estrutura interna do banco. Depois da aprovação das nomeações pelo Banco Central Europeu, iniciou funções como administradora executiva em janeiro de 2019, ficando responsável pelas áreas de inovação, transformação digital e experiência do cliente.

Funções internacionais

A 23 de setembro de 2019, Guerreiro foi nomeada membro do conselho de supervisão do Santander Bank Polska. Em abril de 2024 foi reconduzida para um novo mandato, com efeitos a partir de 1 de julho desse ano. Deixou o conselho em janeiro de 2026, juntamente com outros representantes do Grupo Santander, no âmbito da transferência de uma participação de cerca de 49% no banco polaco para o Erste Group.

Em setembro de 2020, o Grupo Santander nomeou-a responsável pela área digital das suas operações europeias, no âmbito do modelo organizacional denominado One Europe. Passou assim a dirigir a agenda digital dos bancos do grupo na Europa, procurando coordenar as diferentes operações e evitar a duplicação de investimentos entre os vários mercados. Manteve simultaneamente o lugar na comissão executiva do Santander Portugal e no conselho de supervisão do banco polaco.

Numa entrevista publicada em 2021, afirmou que o Santander contava então com cerca de 16 milhões de clientes digitais na Europa e que, em Portugal, aproximadamente 60% das vendas eram efectuadas através de canais digitais.

Posteriormente voltou a concentrar as suas funções no negócio de retalho e transformação do Santander em Portugal. Em março de 2025, o Instituto Superior Técnico identificava-a como responsável pelas áreas de retalho e transformação e como membro do conselho de administração do banco.

Vice-presidência

A 29 de julho de 2025, o conselho de administração do Santander Totta nomeou Guerreiro vice-presidente da comissão executiva. No final daquele ano, os seus pelouros abrangiam as redes de particulares e negócios das regiões Norte, Sul e Ilhas, a rede remota e digital, estratégia e experiência do cliente, desempenho digital, analítica, meios de pagamento e diversas áreas de produtos e crédito de retalho.

Em outubro de 2025, perante a perspectiva da saída de Pedro Castro e Almeida para assumir novas funções no Grupo Santander, o banco activou formalmente o plano de sucessão para a presidência da comissão executiva. A imprensa económica apontou Guerreiro como sucessora, dedicando-lhe vários perfis biográficos durante o processo.

Presidência executiva do Santander Portugal

A 30 de janeiro de 2026, o Grupo Santander anunciou que Guerreiro sucederia a Pedro Castro e Almeida como presidente executiva do Santander Portugal a partir de 1 de março. Castro e Almeida foi nomeado chief risk officer do Grupo Santander.

O conselho de administração reuniu-se a 24 de fevereiro de 2026 e designou formalmente Isabel Cristina da Silva Guerreiro presidente da comissão executiva e CEO do banco. Guerreiro iniciou funções a 1 de março. A presidência do conselho de administração, órgão distinto da comissão executiva, permaneceu a cargo de José Carlos Brito Sítima.

A ascensão de Guerreiro constituiu a primeira vez que uma mulher assumiu a liderança executiva de um dos grandes bancos portugueses.

Vida pessoal

Guerreiro é casada e tem duas filhas gémeas, Rita e Marta. Casou-se e teve as filhas durante o período em que trabalhava na Novabase. Quando exercia funções de directora de unidade na empresa, candidatou-se ao MBA do INSEAD e, depois de admitida, pediu uma licença sem vencimento para frequentar o curso, regressando posteriormente a Portugal.

Segundo um perfil publicado pelo ECO em 2026, Guerreiro procura conciliar a actividade profissional com a vida familiar e mantém uma relação próxima com as filhas. Uma colega citada pela publicação afirmou que Guerreiro recorre por vezes às filhas para conhecer a percepção de pessoas mais jovens sobre temas relacionados com a banca.

Entre os seus interesses encontram-se a leitura, os podcasts e as viagens, sobretudo destinadas ao contacto com a natureza e com culturas diferentes, frequentando diariamente o ginásio.

Reconhecimento

Em maio de 2026, a revista Executiva colocou Guerreiro na 20.ª posição do seu ranking das «50 Mulheres Mais Influentes de Portugal», relativo à edição do estudo referente a 2025.

Em setembro de 2026, a edição portuguesa da Forbes colocou-a na terceira posição da categoria «Banca, Finanças e Investimentos» do seu ranking anual das mulheres mais poderosas nos negócios em Portugal.

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