Álvaro José da Silva Ferreira (22 de Fevereiro de 1970) é um engenheiro informático e gestor português. Desde 22 de Maio de 2024 é CEO da Celfocus, exercendo igualmente funções de administrador-delegado da Novabase, grupo empresarial no qual integra o conselho de administração desde 2000.
A sua carreira tem estado ligada à criação e gestão de empresas de tecnologias da informação desde o início da década de 1990. Na Novabase exerceu, entre outras, funções nas áreas de infra-estruturas, energia e internacionalização, tendo participado na gestão das operações africanas do grupo e, posteriormente, na reorganização estratégica que separou os negócios Next-Gen e Value Portfolio.
Formação
Ferreira licenciou-se em Engenharia Informática pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa em 1993, concluindo na mesma universidade um MBA em 1997.
Frequentou posteriormente formação executiva na Harvard Business School, incluindo os programas Private Equity and Venture Capital e Mergers and Acquisitions: Strategy, Execution, and Post-Merger Management.
Carreira
Deltafor e NBO
Em 1993, no ano em que concluiu a licenciatura, Ferreira cofundou a Deltafor — Formação e Consultoria Informática. Exerceu funções de administrador executivo da empresa até 1997.
Em 1998 passou a administrador executivo da NBO — Recursos em Tecnologias de Informação, actividade que viria posteriormente a integrar o grupo Novabase e a desenvolver-se sob a marca Novabase NeoTalent. Permaneceu ligado à empresa até 2008.
Uma apresentação da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações refere-o posteriormente como membro fundador da Associação Portugal Outsourcing, indicando que integrava o grupo Novabase desde 1998.
Novabase
Ferreira passou a integrar o conselho de administração da Novabase em 2000.
Ao longo dos anos seguintes desempenhou diversas funções no grupo. Foi administrador de várias participadas e exerceu responsabilidades na área de infra-estruturas e serviços geridos.
A 30 de Abril de 2009, integrou a comissão executiva criada quando Luís Paulo Salvado sucedeu a Rogério Carapuça na liderança executiva da Novabase. A comissão era composta por Salvado, João Nuno Bento, Álvaro Ferreira, Nuno Fórneas e Francisco Antunes.
Ferreira assumiu também responsabilidades na internacionalização do grupo. Coordenou a área de Infrastructures & Managed Services e a operação da Novabase em Angola, assumindo posteriormente responsabilidades pelos mercados africanos e pelo pelouro de Energy & Utilities. No âmbito dessa actividade, presidiu aos conselhos de administração da NBASIT, em Angola, e da NBMSIT, em Moçambique.
Numa conferência da APDC dedicada à internacionalização das empresas portuguesas, Ferreira afirmou que a expansão internacional da Novabase resultara da necessidade de crescimento num contexto de estagnação do mercado interno, defendendo a utilização de parcerias locais e a qualificação dos recursos humanos como factores relevantes para o processo.
Value Portfolio e estratégia Next-Gen
Em 2019, a Novabase reorganizou as actividades em dois segmentos, denominados Next-Gen e Value Portfolio. Ferreira passou a exercer o cargo de Chief Operating Officer do Value Portfolio, em conjunto com María Gil, enquanto Paulo Trigo ficou responsável pelo segmento Next-Gen.
O Value Portfolio concentrava negócios mais tradicionais do grupo e tinha, no plano estratégico apresentado nesse ano, a função de gerar recursos para financiar o crescimento das actividades Next-Gen.
Após a eleição dos órgãos sociais para o mandato de 2021–2023, a gestão corrente da Novabase passou novamente a estar concentrada em Luís Paulo Salvado e Álvaro Ferreira como administradores-delegados. Em 2023, Ferreira representou publicamente a Novabase na venda da actividade de recrutamento e disponibilização de profissionais de tecnologias da informação desenvolvida através da NeoTalent ao grupo Conclusion. A operação integrou o processo de concentração dos recursos da Novabase no negócio Next-Gen.
No mandato de 2024–2026, Ferreira manteve o cargo de administrador-delegado, com poderes sobre a gestão corrente da sociedade em conjunto com Salvado.
Celfocus
Ferreira acompanhou a criação da Celfocus em 2000, quando a empresa surgiu como uma parceria entre a Novabase e a então Telecel. Segundo um perfil publicado pela TelcoTitans em 2025, a equipa inicial era composta por cerca de cinco pessoas, tendo Ferreira acompanhado a evolução da empresa inicialmente a partir das suas funções na Novabase.
Posteriormente passou a exercer funções operacionais na própria Celfocus. Em Fevereiro de 2023 era identificado como chief operating officer (COO) da empresa.
A 22 de Maio de 2024 foi nomeado CEO da Celfocus. O relatório de governo societário da Novabase refere expressamente a nomeação naquela data ao explicar a alteração da sua remuneração enquanto administrador do grupo. Na qualidade de CEO, passou a dirigir uma empresa que concentra a maior parte do negócio operacional da Novabase e cuja actividade abrange telecomunicações, serviços financeiros, dados e analítica, automação cognitiva e transformação digital.
Em 2025, numa entrevista à TelcoTitans por ocasião dos 25 anos da Celfocus, Ferreira defendeu uma adopção gradual da inteligência artificial e da automatização pelas empresas de telecomunicações, baseada em casos de utilização concretos e na integração dessas tecnologias com dados e processos operacionais.
Actividade pública sobre tecnologia
Ferreira tem intervindo publicamente sobre transformação digital, inteligência artificial, automatização e evolução das profissões tecnológicas.
Em Março de 2026 foi o convidado do programa Conversas com CEO, do Jornal de Negócios, numa entrevista dedicada à transformação das empresas de tecnologias da informação perante a expansão da inteligência artificial. Na entrevista, afirmou que o desenvolvimento da inteligência artificial não significaria o desaparecimento das empresas de tecnologias da informação, mas alteraria significativamente o trabalho realizado pelos engenheiros informáticos. Antecipou uma redução do peso da programação tradicional e um crescimento de funções ligadas à arquitectura de sistemas, dados, supervisão e resolução de problemas. Ferreira descreveu-se nessa ocasião como um “engenheiro de almas”, numa referência à importância que atribui à gestão de pessoas e organizações dentro das empresas tecnológicas.
Em entrevistas anteriores e posteriores tem igualmente destacado o papel da qualidade e organização dos dados na utilização empresarial da inteligência artificial, bem como a necessidade de conjugação entre automatização tecnológica e conhecimento humano.
Participação accionista na Novabase
Ferreira integra o núcleo accionista de referência da Novabase através da sociedade HNB — S.G.P.S., S.A.. É, juntamente com Luís Paulo Salvado e José Afonso Oom Ferreira de Sousa, accionista controlador e administrador daquela sociedade.
Em 31 de Dezembro de 2025, a HNB detinha 18 318 655 acções da Novabase, correspondentes a 47,68% do capital social e dos direitos de voto. A participação não corresponde a uma detenção individual de Ferreira: o controlo da HNB é exercido conjuntamente por Ferreira, Salvado e José Afonso de Sousa, ao abrigo de um acordo parassocial relativo à totalidade do capital da sociedade.
Ferreira mantinha ainda directamente uma acção da Novabase no final de 2025.
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