O míssil antinavio Penguin, designado AGM-119 pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, é um míssil guiado antinavio norueguês de curto a médio alcance com guiamento terminal passivo por infravermelho (IR), projetado para emprego naval.
Visão geral O Penguin foi desenvolvido originalmente por meio de uma cooperação técnica entre o Instituto Norueguês de Pesquisa em Defesa (NDRE; em norueguês: FFI) e a Kongsberg VåpenfabrikkA Kongsberg Defence & Aerospace (KDA) integrou anteriormente a Kongsberg Våpenfabrikk (KV) (1814–1986) e a Norsk Forsvarsteknologi (NFT) (1987–1994), fazendo parte atualmente da Kongsberg Gruppen (KOG). a partir do início da década de 1960, contando com financiamento compartilhado dos Estados Unidos e da Alemanha Ocidental. Instalações de teste da Marinha dos Estados Unidos e suporte técnico foram disponibilizados para viabilizar o projeto.Bill Gunston, Illustrated Encyclopaedia of Rockets and Missiles, Salamander Books, 1979 Foi o primeiro míssil antinavio no âmbito da OTAN dotado de um autodiretor infravermelho em substituição ao clássico sistema de radar ativo. Ambos os componentes de hardware e software passaram por sucessivas atualizações desde a introdução em produção seriada em 1972.
A instalação original sobre navios empregava casulos lançadores selados montados diretamente no convés com peso de 500 kg e portas de abertura instantânea. Essas estruturas foram concebidas com reduzida intrusão estrutural, facilitando sua adaptação em embarcações de pequeno porte já operacionais. Os primeiros navios a recebê-los foram as lanchas de patrulha e torpedeiras das classes Snøgg e Storm, da Marinha Real Norueguesa. A integração aerotransportada inaugural ocorreu nos caças F-104G da Força Aérea Real Norueguesa, nos quais os mísseis eram afixados nos pontos duros sob as asas por meio de trilhos padrão do Bullpup.
O sistema de controle de tiro era processado por um computador Kongsberg SM-3, capaz de designar alvos para os mísseis a partir de dados de radar ativo ou de medidas de apoio à guerra eletrônica (ESM) passivas.Jane's Weapon Systems, 1970 - 71
O Penguin pode ser lançado em disparos individuais ou em salvas com impacto simultâneo sincronizado. Após o disparo, a unidade lançadora pode manobrar e se retirar livremente (capacidade dispare-e-esqueça), visto que o armamento é conduzido por navegação inercial até alcançar a área terminal de busca autônoma. Impulsionado por um propulsor de combustível sólido, as variantes mais recentes do míssil conseguem executar manobras evasivas aleatórias de zigue-zague ao se aproximar do alvo, colidindo próximo à linha d'água. Ele realiza uma manobra terminal combinada de mergulho e guinada. A ogiva de 120 kg (baseada originalmente na do míssil AGM-12 Bullpup, produzida sob licença pela Kongsberg) penetra a blindagem e detona no interior do navio por meio de uma espoleta de ação retardada. Ao ser lançado de grandes altitudes, o modelo MK3 atua inicialmente como uma bomba planadora, acionando o motor foguete apenas para estender o alcance ou para acelerar até a velocidade máxima antes da colisão, garantindo maior capacidade de penetração.
thumb|Míssil Penguin MK3 em exibição na Coleção de Aeronaves das Forças Armadas Norueguesas. thumb|Um míssil Penguin MK2 mod 6 da Marinha Norueguesa acondicionado em seu casulo lançador.
Em suas diversas configurações, o Penguin pode ser empregado a partir de diferentes plataformas: Embarcações de superfície: lanchas de ataque rápido e navios de escolta de maior porte; Caças de combate: certificado para o F-16 Fighting Falcon; Helicópteros navais (homologado para as seguintes aeronaves): Bell 412 SP Kaman SH-2 Seasprite / Kaman SH-2G Super Seasprite Sikorsky SH-60 Seahawk / MH-60 Seahawk Super Lynx
O sucessor operacional do Penguin desenvolvido pela KDA é o Naval Strike Missile (NSM), ofertado a partir de 2007. O NSM incorpora imageador infravermelho de alta resolução, navegação por GPS, motor turbojato sustentador (proporcionando alcance ampliado para mais de 185 km) e capacidade computacional expressivamente superior com processamento digital de sinais.
Unidades do míssil Penguin foram doadas às Forças Armadas da Ucrânia em maio de 2022.
Operadores A Kongsberg Defence & Aerospace (KDA) informou em novembro de 2022 que o modelo Penguin Mk 2 mod 7 continuava operacional no Brasil, Grécia, Nova Zelândia, Espanha e Turquia, tendo sido desativado pela Marinha dos Estados Unidos.
Atuais thumb|Disparo de um míssil Penguin a partir de um helicóptero S-70B Seahawk da Marinha do Brasil em 2024. : Adquirido para equipar os helicópteros S-70B Seahawk da Marinha do Brasil sob um contrato inicial avaliado em 33 milhões de euros. : Em serviço na Marinha Helênica (desde 1980). : Em serviço na Marinha Real da Nova Zelândia, adquirido para a frota de helicópteros Super Seasprite com mísseis Penguin Mk 2 Mod 7 e simuladores operacionais. : Em serviço na Armada Espanhola (desde 2003). : Em serviço na Marinha da Turquia (desde 1972). : Em serviço nas Forças Armadas da Ucrânia desde 2022, transferido por meio de auxílio militar internacional em resposta à invasão russa de 2022.
Antigos : Operado pela Marinha Real Norueguesa (desde 1972) e pela Força Aérea Real Norueguesa (desde 1989). : Operado pela Marinha da Suécia a partir de 1980 sob a designação Robot 12, sendo estocado após sua retirada de serviço ativo em 2005. : Operado pela Marinha dos Estados Unidos sob a designação militar AGM-119 (desde 1994).
Ver também Naval Strike Missile Exocet Harpoon (míssil)
Referências
Ligações externas
Artigo técnico sobre o desenvolvimento do míssil no Instituto Norueguês de Pesquisa em Defesa (FFI) Categoria:Mísseis guiados dos Estados Unidos Categoria:Equipamentos militares de 1970-1979