O Mocambo do Rio Marituba foi um mocambo associado às redes de fugitivos ligadas à história dos Palmares, documentado no início do século XVIII junto ao Rio Marituba. Marc A. Hertzman reúne referências ao assentamento entre aproximadamente 1704 e 1737, situando-o entre os mocambos formados ou mantidos nas margens da região depois da morte de Zumbi.

Uma certidão de 1737 preservada no Arquivo Histórico Ultramarino registra um ataque colonial ao mocambo situado sobre o rio Marituba. Durante a operação, foi capturado um homem descrito na documentação como "mulato" e "cabo dos negros".

Contexto

A destruição da Cerca do Barriga, em 1694, e a morte de Zumbi, em 1695, não encerraram a formação de mocambos nos sertões de Pernambuco e Alagoas. Nas décadas seguintes, fugitivos continuaram a formar comunidades e redes em diferentes pontos da região.

Hertzman observa que era frequentemente impossível distinguir os fugitivos recém-chegados daqueles ligados aos antigos assentamentos palmarinos. Em 1714, por exemplo, autoridades coloniais registravam pessoas que fugiam e se juntavam a outras que já viviam em mocambos, dos quais realizavam ataques a propriedades e viajantes. Nesse contexto, o historiador distingue os mocambos comandados por Camuanga, João Martins e Mouza de outros assentamentos situados nas margens móveis dessas redes. Entre estes últimos inclui Mata Quiri, documentada da década de 1670 a 1713, e Rio Marituba, documentado entre 1704 e 1737.

Ataque de 1737

Uma certidão datada de 4 de novembro de 1737, emitida pelo alferes Luís Mendes da Silva e preservada no Arquivo Histórico Ultramarino, registra a participação de Manuel Cubas Frazão nas campanhas contra os mocambos da região. Segundo o resumo documental do Documenta Palmares, houve um ataque a um mocambo localizado sobre o rio Marituba. Nessa ação foi capturado um homem identificado na ficha como Cabelo Não Tem, descrito pela fonte como "mulato" e "cabo dos negros". A mesma certidão registra posteriormente a procura por outro mocambo, situado num local denominado Funil, e a formação de um arraial a partir do qual novas expedições capturaram vinte pessoas.

A ficha apresenta ainda uma certidão de veracidade datada de 27 de novembro de 1737.

Relação com o Mocambo do Funil

A lista de nomes de locais do projeto Documenta Palmares, publicada em 2021, registra Mocambo do Funil como uma variante do nome Mocambo do Rio Marituba. Entretanto, a ficha 2664 da própria base, fundada na certidão de 1737, distingue expressamente o mocambo situado sobre o rio Marituba de outro mocambo localizado no Funil.

Cronologia

Hertzman apresenta para o Rio Marituba um intervalo documental de aproximadamente 1704 a 1737. O limite final corresponde à campanha documentada em 1737, quando o mocambo situado sobre o rio Marituba foi atacado.

Localização

O documento de 1737 situa o mocambo sobre o rio Marituba, no atual território de Alagoas.

Nome

O projeto Documenta Palmares, da Universidade Estadual de Campinas, adota Mocambo do Rio Marituba como forma normalizada e registra Mocambo do rio Maraituba como variante documental.

A lista normalizada inclui ainda Mocambo do Funil como variante, mas a ficha documental de 1737 distingue o Funil como outro mocambo.

Bibliografia

Categoria:Quilombo dos Palmares