Grêmio Recreativo Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis (ou simplesmente Beija-Flor) é uma escola de samba brasileira do município de Nilópolis, que participa do carnaval da cidade do Rio de Janeiro. A quadra da escola está localizada na Rua Pracinha Wallace Paes Leme, número 1025, no Centro de Nilópolis, na Baixada Fluminense. Foi fundada em 25 de dezembro de 1948 como Bloco Associação Carnavalesca Beija-Flor. Entre seus fundadores estão Milton de Oliveira (Negão da Cuíca), Edson Vieira Rodrigues (Edinho do Ferro Velho), Valentim Lemos, Helles Ferreira da Silva, Hamilton Floriano, José Fernandes da Silva, os irmãos Mário Silva e Walter da Silva e Dona Eulália, que foi quem sugeriu o nome Beija-Flor, inspirado no Rancho Beija-Flor, onde ela desfilava quando mais nova. A escola tem como cores o azul e o branco; e como símbolo, a ave beija-flor. A Portela é a escola madrinha da Beija-Flor, que tem como apelidos "A Deusa da Passarela" e "Maravilhosa e Soberana".
A Beija-Flor ocupa o posto de terceira maior vencedora do carnaval do Rio de Janeiro, ficando atrás apenas de Portela e Mangueira. Possui quinze títulos de campeã, conquistados nos anos de 1976, 1977, 1978, 1980, 1983, 1998, 2003, 2004, 2005, 2007, 2008, 2011, 2015, 2018 e 2025, sendo a escola que mais venceu na "era sambódromo". A escola ainda foi vice-campeã em outras quatorze oportunidades (1979, 1981, 1985, 1986, 1989, 1990, 1999, 2000, 2001, 2002, 2009, 2013, 2022 e 2026). Começou desfilando como bloco até que, em 1954, se transformou em escola de samba. Nesse mesmo ano, venceu a segunda divisão do carnaval. Nos anos seguintes, oscilou entre as três divisões da folia carioca.
A história da escola mudou completamente com a chegada do carnavalesco Joãosinho Trinta para o carnaval de 1976. Com o apoio financeiro do bicheiro Anísio Abraão David, o carnavalesco inaugurou uma nova fase na estética do carnaval, com alegorias grandes e fantasias luxuosas, conquistando três títulos consecutivos nos seus três primeiros anos na escola. Com Joãosinho, a Beija-Flor ainda conquistou outros dois títulos e realizou desfiles icônicos que não foram campeões, como "O Mundo É Uma Bola" (1986), no qual desfilou debaixo de um forte temporal que inundou o sambódromo; e "Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia" (1989), comumente listado por especialistas como um dos melhores desfiles da história do carnaval. Em 1998, o diretor de carnaval Laíla criou uma Comissão de Carnaval, que teve diversas formações diferentes ao longo dos anos, conquistando nove campeonatos para a escola. Além de Anísio, Joãosinho e Laíla, a escola teve outras personalidades marcantes em sua história, como o compositor Cabana; o cantor Neguinho da Beija-Flor (intérprete oficial da escola por mais de quarenta anos ininterruptos); e o casal de mestre-sala e porta-bandeira Claudinho e Selminha Sorriso.
Entre os clássicos sambas da escola estão: "Sonhar com Rei Dá Leão" (1976); "A Criação do Mundo na Tradição Nagô" (1978); "A Saga de Agotime" (2001); "Áfricas - Do Berço Real à Corte Brasiliana" (2007); e "Monstro É Aquele Que Não Sabe Amar — os Filhos Abandonados da Pátria Que Os Pariu" (2018). Ao longo dos anos, a Beija-Flor coleciona prêmios e homenagens. A escola é uma das maiores vencedoras do Estandarte de Ouro, considerado o "óscar do carnaval", além de possuir diversas outras premiações. Em 2022, a Beija-Flor foi declarada como patrimônio cultural de natureza imaterial do Estado do Rio de Janeiro.
Fundação O Bloco Associação Carnavalesca Beija-Flor (mais tarde escola de samba) foi fundado em 25 de dezembro de 1948 por um grupo de amigos formado por Milton de Oliveira (Negão da Cuíca), Edson Vieira Rodrigues (Edinho do Ferro Velho), Valentim Lemos, Helles Ferreira da Silva, Hamilton Floriano, José Fernandes da Silva e os irmãos Mário Silva e Walter da Silva. O grupo comemorava o Natal na esquina da Avenida Mirandela com a Rua João Pessoa, no Centro de Nilópolis, quando tiveram a ideia de criar um bloco carnavalesco para suprir a extinção dos blocos Irineu Perna-de-Pau e dos Teixeiras. A reunião oficial do Bloco ocorreu no Grêmio Teatral de Nilópolis. Negão da Cuíca foi eleito presidente e Edinho do Ferro Velho foi eleito secretário do Bloco. Durante a reunião, também foram escolhidos nome, cores, símbolo e madrinha da agremiação. Nome Após horas de reunião, os integrantes do bloco não chegavam a um consenso sobre o nome da nova agremiação. "Flor do Abacate" teria sido uma das sugestões. Após muita indecisão, Dona Eulália, mãe de Negão da Cuíca (o presidente do bloco) sugeriu o nome Beija-Flor. O nome foi inspirado no Rancho Beija-Flor, que existia na cidade de Valença, na região serrana do Rio e que Dona Eulália desfilava quando mais nova. Dona Eulália foi admitida como fundadora do Bloco por ter escolhido seu nome, sendo a única mulher entre os fundadores.
Cores, símbolo e apadrinhamento esquerda|miniaturadaimagem|280x280px|O beija-flor, símbolo da escola, no carro abre-alas do desfile do carnaval de 2007. Há duas versões para a escolha das cores azul e branco. Uma versão sustenta que seria em homenagem à Nilópolis, que desde 1947, com sua emancipação, passou a adotar as duas cores em sua bandeira. A outra versão aponta para uma inspiração na bandeira de Israel. A escola madrinha da Beija-Flor é a Portela. Por sua vez, a Beija-Flor é madrinha da Mocidade Independente de Padre Miguel, Leão de Nova Iguaçu, Arame de Ricardo, e Delírio da Zona Oeste. É comum o beija-flor, símbolo da agremiação, vir representado em alegorias dos desfiles da escola, principalmente no carro abre-alas. A Beija-Flor é conhecida como "A Deusa da Passarela" e "Maravilhosa e Soberana". Também é comum utilizar o gentílico da cidade de Nilópolis (nilopolitana) para se referir à escola e seus torcedores. Algumas composições da agremiação fazem referência a esses apelidos, como os sambas de 2007 ("Então dobre o Run / Pra Ciata de Oxum imortal / Soberana do meu carnaval, na princesa nilopolitana"); de 2014 ("A Deusa do samba na Passarela / A marca do carnaval... É ela"); de 2015 ("Oh minha deusa soberana / Resgata sua alma africana"); e de 2016 ("Sou Beija-Flor, na alegria ou na dor / A deusa da passarela, é ela! / Primeira na história do Marquês / Que na Sapucaí é soberana / De fato nilopolitana").
Bandeira
A bandeira, ou pavilhão, possui em dezesseis raios de cores intercaladas (oito azuis e oito brancos) partindo de uma circunferência central de cor branca em direção às extremidades da bandeira. Dentro a circunferência central está a logomarca da escola; a inscrição "G.R.E.S. Beija-Flor de Nilópolis"; e as estrelas azuis que representam a quantidade de títulos de campeã da agremiação. Abaixo da circunferência central, na parte inferior da bandeira, está inscrito o ano de utilização da mesma. Ao longo dos anos o tom de azul da bandeira da escola foi escurecido progressivamente. Até o desfile de 1995 foi usado o tom azul turquesa. O tom de azul foi sendo escurecido até que, em 2010, foi adotada a tonalidade azul anil. Anualmente, a bandeira pode sofrer pequenas variações a cada ano, como, por exemplo, a disposição dos raios.
Logomarca A atual logomarca da escola, que está em uso desde 30 de julho de 2017, consiste no desenho de um beija-flor azul, com traços simples, beijando uma flor estilizada, com pétalas formadas por cinco corações, que representam os projetos sociais da Beija-Flor:
Coração verde: os projetos ambientais Coração amarelo: o carnaval Coração roxo: projetos de educação Coração laranja: a profissionalização Coração vermelho: esportes
Abaixo do desenho, a inscrição "G.R.E.S. Beija-Flor de Nilópolis" em letras azuis. O logotipo utilizado anteriormente consistia no desenho de um beija-flor beijando uma flor, o nome da escola e as estrelas representando os títulos de campeã da agremiação. Entre 1995 e 2010, o logo da escola tinha o desenho de dois beija-flores beijando duas flores.
Lugar de origem miniaturadaimagem|Centro de Nilópolis, onde se localiza a quadra da Beija-Flor.|260x260px
O município de Nilópolis, na Baixada Fluminense, é o berço da Beija-Flor. A cidade e a escola de samba trilharam caminhos semelhantes, uma vez que parte dos governantes de Nilópolis também administrava a agremiação. Os principais locais de sociabilidade da cidade encontram-se nas imediações da estação de trem: a Avenida Mirandela (onde a Beija-Flor realiza seu tradicional desfile pós-carnaval); e do outro lado, a Praça Paulo de Frontin (antigo palco das manifestações públicas e do carnaval de rua da cidade). Apesar do forte comércio e da presença de indústrias, é a escola de samba a maior expressão do município. Juridicamente "GRES Beija-Flor", a escola passou a ser chamada formalmente de "Beija-Flor de Nilópolis", tamanha identificação. Na cidade, também é comum locais de comércio que levam o nome da escola, sem ligação com a agremiação, apenas em forma de homenagem. No pórtico de entrada da cidade, foi construída uma escultura de um beija-flor, em homenagem à escola. A escultura foi retirada pelo prefeito Alessandro Calazans em seu mandato. Porém, seu sucessor, Farid Abrahão David, ao ser eleito em 2016, anunciou a reconstrução da escultura.
Ligação com o poder público
No início do Século XX, imigrantes judeus, principalmente sírio-libaneses, se fixaram na cidade, dentre eles, os patriarcas das famílias Sessim e Abraão David, que se estabeleceram como comerciantes locais. Na década de 1960, a família iniciou carreira na política. Em 1962, o médico Jorge Sessim David foi eleito deputado estadual pela UDN. Em 1972, Simão Sessim foi eleito prefeito de Nilópolis pela ARENA. Na mesma época, Anísio Abraão David (primo de Simão) e seu irmão, Nelson Abraão David, entraram para o jogo do bicho, controlando as bancas de aposta em Nilópolis. A ascensão da família Abraão-Sessim em Nilópolis, coincide com a ascensão da Beija-Flor. Também em meados da década de 1970, a escola de samba passou a ser controlada pelo clã Abraão David e a contar com o aporte financeiro da família. Nesta mesma época, a Beija-Flor se firmou na elite do carnaval carioca, com desfiles caros e luxuosos. A ligação entre o poder público e a escola de samba foi mantida, ao longo dos anos, com a eleição de membros da família Abraão-Sessim, que comandavam tanto a cidade como a escola de samba.
História
Como bloco O bloco foi campeão municipal logo em 1949, seu primeiro ano de desfile, tendo sido tricampeão até 1953, seu último desfile como bloco.Luiz Anselmo Bezerra. A Família Beija-Flor, pág. 125 Um fato curioso é que nessa época um dos blocos rivais da Beija-Flor era o Bloco do Centenário, que chegou a ser presidido por Aniz Abraão David, o Anísio. Segundo depoimento de integrantes antigos da Beija-Flor, havia uma certa rivalidade entre os dois blocos, chegando até mesmo a Anísio ter, certa vez, desligado a iluminação durante o desfile da Beija-Flor.Luiz Anselmo Bezerra. A Família Beija-Flor, págs. 141 e 142 Por outro lado, seu irmão Nelson, ainda jovem, gostava de frequentar os eventos sociais da Beija-Flor, e mais tarde, lá conheceria sua futura esposa, Marlene Sennas, filha do primeiro presidente da escola.Luiz Anselmo Bezerra. A Família Beija-Flor, págs. 143 e 144
A transformação em escola de samba