Sexta-Feira 13 - Parte 3 () é um filme norte-americano de terror de 1982, do subgênero slasher, dirigido por Steve Miner. Estrelado por Dana Kimmell, Paul Kratka e Richard Brooker, é o terceiro longa-metragem da franquia Friday the 13th e a sequência de Friday the 13th Part 2 (1981). Marcou a primeira aparição de Jason Voorhees com o visual que se tornaria padrão no decorrer da cinessérie, usando uma máscara de hóquei no gelo que desde então se tornou a principal marca do personagem e da franquia, bem como um ícone do cinema norte-americano e dos filmes de terror em geral.
Ambientado logo após os eventos do segundo filme, o enredo gira em torno de uma adolescente que viaja com seus amigos até uma casa de verão nas proximidades do acampamento de Crystal Lake, onde Jason se refugiou e posteriormente ressurge para mais uma matança. A intenção inicial dos produtores era que esse filme encerrasse a franquia como uma trilogia e os primeiros esboços da trama concentravam-se na personagem Ginny, sobrevivente da segunda parte, retornando para enfrentar o vilão em um confronto final. No entanto, esse conceito foi abandonado quando Amy Steel recusou-se a repetir seu papel.
As filmagens ocorreram em locações situadas em Santa Clarita, na Califórnia, e a produção contou com um orçamento de 2,2 milhões de dólares. Friday the 13th Part III foi lançado nos cinemas originalmente em 3D (e um ano antes de Tubarão III, também com a tecnologia), sendo o único filme da série a ser lançado nesse formato e o primeiro da Paramount Pictures produzido com essa tecnologia desde 1954. Estreou nos Estados Unidos em 13 de agosto de 1982, arrecadando 36,7 milhões de dólares nas bilheterias de seu país de origem. Foi o primeiro filme a retirar E.T. the Extra-Terrestrial do primeiro lugar nas bilheterias e se tornou o segundo filme de terror mais lucrativo de 1982, atrás de Poltergeist. Tem o terceiro maior público da franquia Friday the 13th, com aproximadamente 11 762 400 ingressos vendidos. Contudo, a crítica especializada o recebeu negativamente. Sua sequência, Friday the 13th: The Final Chapter, foi lançada em 1984.
Enredo Após os eventos do filme anterior, Jason esconde-se numa loja de beira de estrada e mata o casal proprietário do estabelecimento. No dia seguinte, Chris chega a Crystal Lake acompanhada de amigos: a grávida Debbie e seu namorado Andy, o nerd Shelly e seu interesse romântico Vera, além do casal de hippies Chuck e Chili. O grupo dirige-se à casa de verão de Chris, Higgins Haven, à beira do lago. No caminho, um sem-teto os adverte a voltar. Chegando à casa, Chris encontra seu namorado Rick.
Em uma loja de conveniência, Shelly e Vera enfrentam os motoqueiros Fox, Loco e Ali. O trio os segue até Higgins Haven e tenta incendiar o celeiro da propriedade. No entanto, Jason, que estava escondido no celeiro, usa um forcado para matar Fox e Loco e deixa Ali inconsciente golpeando-o com uma chave inglesa. À noite, Chris e Rick dão uma volta na floresta e ela explica que retornou à Crystal Lake para enfrentar seus medos, revelando que foi atacada anos antes por um homem deformado.
Shelly põe uma máscara de hóquei no gelo e prega uma peça em Vera. Ele entra no celeiro, onde Jason o mata. Usando a máscara de Shelly, o assassino acerta um arpão no olho de Vera e, com um facão, divide Andy ao meio enquanto este andava de ponta cabeça. Debbie, numa rede de descanso, é esfaqueada no peito. Falta luz na casa e Chuck desce ao porão, onde Jason o empurra na caixa de fusíveis, eletrocutando-o. Chili é empalada com um atiçador de fogo em brasa.
De volta do passeio, Chris e Rick encontram a casa em desordem e Rick sai para verificar o terreno. O assassino o agarra, esmaga-lhe o crânio com as próprias mãos e arremessa o corpo pela janela em direção à Chris, que tenta fugir em sua van, mas o veículo quebra. No celeiro, Chris consegue enforcar Jason e o reconhece como o mutante que a atacou anos atrás. Ali revive e tenta atacar Jason, que rapidamente o mata. Chris pega um machado com o qual atinge a cabeça do assassino.
A jovem vagueia até o lago, embarca em uma canoa e adormece. Na manhã seguinte, ela tem uma visão de Jason vindo em sua direção e repentinamente o corpo em decomposição da Sra. Voorhees — com a cabeça recolocada — emerge do lago e a ataca, o que revela-se como um pesadelo. A polícia chega e escolta Chris, profundamente traumatizada, para longe de Higgins Haven. O corpo de Jason é mostrado deitado no celeiro, com o machado ainda cravado na testa.
Elenco Este é o elenco principal do filme, na ordem dos créditos registrados pelo Instituto Americano de Cinema:
Dana Kimmell como Chris Paul Kratka como Rick Tracie Savage como Debbie Jeffrey Rogers como Andy Catherine Parks como Vera Larry Zerner como Shelly
David Katims como Chuck Rachel Howard como Chili Richard Brooker como Jason Voorhees Nick Savage como Ali Gloria Charles como Fox Kevin O'Brien como Loco
Cheri Maugans como Edna Steve Susskind como Harold Perla Walter como Mrs. Sanchez David Wiley como Abel
Betsy Palmer (Pamela Voorhees), Amy Steel (Ginny Fields), John Furey (Paul) e Steve Daskawisz (Jason) aparecem em filmagens de arquivo de Friday the 13th Part 2; o diretor Steve Miner faz uma breve aparição como um apresentador de notícias e a diretora assistente Marilyn Poucher interpreta o cadáver de Pamela na sequência final.
Produção Desenvolvimento thumb|160px|O trabalho com o 3D desenvolvido em Dial M for Murder (1954) foi uma das inspirações iniciais para os efeitos estereoscópicos de Friday the 13th Part III.
Apesar de cobrir os custos de produção, o desempenho de Friday the 13th Part 2 não correspondeu às expectativas financeiras da Paramount Pictures. O filme também causou frustração em muitos fãs, que ficaram desapontados com o enredo pouco inovador e a censura aos efeitos especiais nas cenas de assassinato. Naquele início da década de 1980, o lançamento de filmes no formato 3D estereoscópico estava voltando a ser tendência nos Estados Unidos; películas independentes como Revenge of the Shogun Women (1977), Comin 'At Ya (1981) e Parasite (1982) vinham conseguindo bom retorno de bilheteria por oferecerem a tecnologia tridimensional como principal atrativo. Até então, o auge da popularização do cinema 3D havia sido nos anos 1950 com filmes como House of Wax (1953) e Dial M for Murder (1954). Nesse contexto, foi dado sinal verde para a produção de um terceiro filme na franquia Friday the 13th, dessa vez no formato tridimensional.
Steve Miner voltou à cadeira de diretor, enquanto Frank Mancuso Jr. assumiu a produção. Miner disse ter retornado por acreditar que aquele seria o último filme da franquia, embora estivesse "muito ansioso para dirigir outro". Martin Jay Sadoff, criador de efeitos visuais considerados inovadores em produções como Meteor (1979), foi contratado como supervisor de efeitos 3D. Apesar do entusiasmo da equipe, os grandes estúdios ainda não investiam em pesquisa de desenvolvimento da tecnologia e a maioria dos cinemas locais não dispunha do equipamento e experiência necessários para exibir filmes 3D adequadamente. Uma matéria publicada pela Fangoria dizia que nenhum filme estereoscópico da época "chegava perto de corresponder às qualidades técnicas dos melhores filmes 3D produzidos um quarto de século atrás". Nesse cenário, a Paramount comprometeu muito dinheiro com lentes de projeção e outros dispositivos para exibir de forma satisfatória o novo Friday the 13th.
A Georgetown Productions, produtora das duas sequências anteriores da franquia, esteve inicialmente envolvida na pré-produção de Friday the 13th Part III, concordando com a Paramount em rodá-lo com câmeras 3D, tornando-o o primeiro filme da Paramount produzido com essa técnica desde Jivaro (1954). Após examinar os diversos sistemas de filmagem 3D disponíveis na época, Miner concluiu: "Todos são difíceis. Não há 'estado da arte' no que diz respeito ao 3D, pois todos os sistemas são de inventores de quintal que os estão construindo". Após Miner escolher o sistema Marks 3-D Converter, da empresa de fotografia Marks Polarized Corporation, a Paramont alugou duas câmeras 3-Depix da empresa. Embora o sistema tridimensional das câmeras Marks, de prisma de lente única, fosse conhecido por ser particularmente difícil de usar, Miner acreditava que tinha feito a escolha certa. Simultaneamente, o executivo do estúdio, Al Lo Presti, estava pesquisando a tecnologia de câmeras 3D atual na época, com a intenção de desenvolver uma lente 3D que pertenceria e seria usada exclusivamente pela Paramount.
De acordo com uma edição de setembro de 1982 da Forbes, Gale Weaver, proprietário da Sirius II Corp., visitou o set de Friday the 13th Part III supostamente devido às preocupações de Mancuso Jr. de que lentes de projeção defeituosas nos cinemas impediriam que o filme tivesse uma ampla distribuição comercial. Ao longo de duas semanas, Weaver desenvolveu um protótipo de lente que seria adaptável a "quase todos os projetores de cinema". A Paramount subsequentemente concedeu 1 milhão de dólares à Sirius II para a fabricação das lentes, as quais seriam usadas no lugar das câmeras 3-Depix. Posteriormente, a Marks Polarized Corporation entrou com um processo de 25 milhões de dólares contra a Paramount, alegando que o estúdio estava "monopolizando a comercialização de materiais de exibição 3D, bem como fornecendo deduções aos cinemas que optassem por alugar lentes de projeção diretamente da Paramount". A Paramount concordou em creditar a Marks na tela com a declaração: "Filmado utilizando o conversor Marks 3-Depix®", mas foi negado à empresa de câmeras uma liminar que exigiria que a Paramount mudasse sua política de equipamentos.
A produção teve um orçamento estimado em 2 250 000 dólares. Para evitar a atenção de vários sindicatos da indústria cinematográfica, o filme foi inicialmente anunciado sob um título falso, Crystal Japan, derivado da canção homônima de David Bowie. Isso ocorreu porque, assim como os dois primeiros filmes, o terceiro empregaria mão de obra não sindicalizada em todos os níveis de produção; como os longas anteriores haviam rendido altos lucros para a Paramount, a tendência era que a fiscalização sindical tentasse impedir a produção de novos filmes da franquia. Segundo Mancuso Jr., "era muito menos provável que um sindicato tentasse arruinar um filme chamado Crystal Japan do que Friday the 13th Part 3". A estratégia originou uma tradição nas futuras sequências da série que, para despistar os sindicatos, também receberam títulos alternativos retirados de músicas de Bowie; assim, o quinto filme foi provisoriamente intitulado Repetition, o sexto, Aladdin Sane, e o oitavo, Ashes to Ashes.
Roteiro Eu desenvolvi um enredo por um longo tempo, envolvendo a personagem Ginny de Friday the 13th Part 2; imagine que ela estivesse em uma instituição mental, tentando se recuperar, e explorássemos uma abordagem psicológica para a Parte III? Bom, naquele ponto, estávamos de repente em um novo terreno; não sabíamos se atrairíamos os fãs que tínhamos antes nem mesmo se conseguiríamos novos fãs. — Steve Miner, diretor, sobre um dos primeiros conceitos cogitados para o roteiro.