"What It Feels Like for a Girl" é uma música gravada pela cantora estadunidense Madonna para seu oitavo álbum de estúdio, Music (2000). Foi lançado como o terceiro e último single do álbum em 17 de abril de 2001, pela Maverick Records. Madonna e Guy Sigsworth escreveram e produziram a música com David Torn como co-escritor e Mark "Spike" Stent como co-produtor. "What It Feels Like For a Girl" é uma música eletrônica de ritmo intermediário e synth-pop. Liricamente, transmite o duplo padrão da sociedade em relação às mulheres, abordando mitos prejudiciais sobre a inferioridade feminina. Para enfatizar a mensagem, a música começa com uma amostra de palavras da atriz Charlotte Gainsbourg no filme britânico de 1993, The Cement Garden. Uma versão em espanhol da faixa, "Lo Que Siente la Mujer", foi traduzida por Alberto Ferreras e incluída na edição latino-americana da música.
A música recebeu revisões positivas da maioria dos críticos de música, que a declararam como um destaque do álbum, enquanto também a consideravam um dos empreendimentos musicais mais maduros da carreira de Madonna. Comercialmente, "What It Feels Like for a Girl" alcançou o top 10 das paradas na Austrália, Canadá, Dinamarca, Escócia, Espanha, Finlândia, Romênia e Reino Unido. Nos Estados Unidos, alcançou o número 23 na Billboard Hot 100 e o número 1 na parada Dance Club Songs.
Um videoclipe que acompanha a música foi dirigido pelo então marido de Madonna, Guy Ritchie, e estreou em 22 de março de 2001. Apresenta a cantora como uma mulher imprudente em uma onda de crimes. O vídeo foi criticado por representar violência e abuso, o que fez com que a MTV só o exibisse antes das 21h. O single também foi lançado em DVD e se tornou a maior venda semanal de um lançamento em DVD nos Estados Unidos. Madonna apresentou a faixa nos shows promocionais do Music em novembro de 2000 e em sua Drowned World Tour 2001, em que uma versão remixada foi usada como interlúdio em vídeo e também em espanhol. A música foi regravada pelos atores da série de televisão Glee, durante o episódio "O Poder de Madonna", e foi incluído no EP que o acompanha.
Antecedentes e desenvolvimento Após o sucesso crítico e comercial de seu sétimo álbum de estúdio, Ray of Light (1998), Madonna pretendia embarcar em uma turnê em setembro de 1999, mas devido ao atraso de seu filme, The Next Best Thing (2000), a digressão foi adiada. Ela lançou singles avulsos como "Beautiful Stranger" (1999) e um cover de "American Pie", de Don McLean (2000). A cantora também ficou grávida de seu filho Rocco, de seu relacionamento com o diretor Guy Ritchie. Querendo se distrair do frenesi da mídia, Madonna se concentrou no desenvolvimento de seu oitavo álbum de estúdio, Music.
Em abril de 2000, foi anunciado que o músico francês Mirwais Ahmadzaï estava criando uma mistura de músicas de dance e pop com uma sensação de música disco para o álbum. Mais tarde, também foi anunciado que ela alistou Guy Sigsworth para trabalhar com ela no álbum. A cantora seguiu o trabalho de Sigsworth, admirou seu amor pela tecnologia discreta na música e entrou em contato com ele para adicionar uma sensação de ambiente ao seu disco. Madonna tocou para ele as ásperas faixas demo desenvolvidas para a Music, incluindo as músicas criadas com Ahmadzaï. A ideia de "What It Feels Like for a Girl" veio a Madonna quando ela estava no meio da gravidez e estava tentando impedir que a mídia descobrisse. Sigsworth enviou a ela uma faixa de acompanhamento demo contendo uma amostra do filme britânico de 1993, The Cement Garden, dirigido por Andrew Birkin, em que a voz da atriz Charlotte Gainsbourg fala baixinho: "As meninas podem usar jeans e cortar o cabelo, usa camisas e botas. Porque não há problema em ser um garoto. Mas para um garoto parecer uma garota é degradante. Porque você acha que ser uma garota é degradante. Mas secretamente você adoraria saber como é .. Você não? Como é uma garota".
Madonna ouviu a frase proferida por Gainsbourg e começou a escrever a música e a melodia, resultando em "What It Feels Like for a Girl", uma faixa descrita por ela como uma queixa sobre a política dos sexos. Ela estava passando por um tumulto emocional, já que ela e Ritchie viviam em diferentes continentes. Devido à gravidez, ela decidiu se mudar para a Inglaterra para ficar perto dele. "Sendo a garota, fiz o primeiro compromisso. É aquela coisa extra que [as mulheres] têm. Eu não acho que somos melhores que os homens, mas acredito que há um cromossomo extra flexível", disse em entrevista a Ingrid Sischy do Interview. Madonna refletiu sobre como sua geração de mulheres havia sido incentivada a ser independente, ser educada e assumir qualquer oportunidade que a vida lhes fosse oferecida. Mas ela havia percebido que ser uma mulher inteligente e talentosa pode parecer uma ameaça aos homens, tornando-os uma vítima. Madonna questionou: "Por que alguém não me contou? Por que alguém não me avisou? E é disso que se trata essa música—engolir a pílula amarga ... Foi uma combinação disso e também me sentir incrivelmente vulnerável que inspirou a música".
Gravação e composição A faixa demo de Sigsworth foi o segundo de dois esboços apresentados a Madonna, e ela escolheu o que apresentou a amostra do The Cement Garden. Estava quase terminado, mas ainda era polido, para que a cantora pudesse continuar escrevendo sobre ele. Ele gravou a faixa no Sarm West Studios, em vez de seu próprio estúdio, porque ele não queria "se prejudicar" trabalhando com Madonna. A música terminou rapidamente e em quatro dias eles conseguiram criar a versão final. Desde o primeiro dia, Madonna e Sigsworth decidiram manter todos os ruídos musicais da demo. Então o produtor teve que encontrar uma maneira de reposicionar os vocais de Madonna nos segmentos, utilizando o Pro Tools em um equipamento conhecido como SSL 9000 Jconsole. Madonna insistiu que Sigsworth lhe desse um som já pronto, em vez de trabalhar na música por duas a três horas. Dessa forma, eles saberiam se poderiam ser mantidos ou rejeitados e economizariam tempo na produção. Durante a gravação, Sigsworth notou que os versos estavam fora de sincronia com a música e queria adicionar uma compasso extra, o que os ajudaria a ser coerentes. No entanto, Madonna o descartou, e ele teve que cortar a música individual para colocá-la em seu computador para acompanhar seus vocais. Sigsworth achou que a música parecia mais "fluida e mágica" e elogiou Madonna por não ter escolhido a solução. "What It Feels Like for a Girl" é uma semi—balada—eletrônica de synth-pop. Madonna e Sigsworth foram listadas como compositores e produtores na faixa com produção adicional de Mark "Spike" Stent. O guitarrista americano David Torn foi creditado como compositor adicional depois que Madonna descobriu que Sigsworth havia amostrado o álbum de Torn, de 1987, Cloud About Mercury. Stent mixou a canção no Olympic Studios de Londres. Tim Young, masterizou a faixa no Metropolis Studio em Westminster, Londres.
De acordo com as partituras publicadas pelo Musicnotes.com, a música é definida em tempo comum, com um ritmo de 104 batidas por minuto. É composto na clave de E♭ major, com os vocais de Madonna variando da oitava inferior de Sol3 até a nota mais alta de Si4. A música tem uma sequência de D♭maj9–E♭/F-A♭ durante os versos eF9sus4–A♭-D♭maj9-E♭ durante o coro como sua progressão de acordes. A faixa começa com o monólogo de Gainsbourg, que é seguido por sons de bateria, uma seção de ritmo apoiada por cordas e a sequência de acordes que destaca a melodia. Madonna canta sobre uma linha de sintetizador no primeiro verso, "Lábios macios e sedosos como doces, bebê / jeans azuis justos, pele que aparece em remendos", em um tom suave e feminino, que é impulsionado por uma "batida fria" e lambidas de baixo filtradas. A produção ambiente tem vários sons flutuando dentro e fora da faixa, reverberação e vocais longos sendo puxados para trás.
Quando o pré-refrão termina, a bateria é retirada e adicionada imediatamente, o refrão começa, lavado pelas teclas e almofadas das marés, e Madonna faz a pergunta: "Você sabe o que é uma garota?". Phil Dellio, do The Village Voice, notou a presença do sintetizador "tipo teia de aranha" em segundo plano, enquanto o autor Rikky Rooksby destacou o baixo equalizado no centro da produção. Outro recurso característico de Sigsworth é o som de um CD player "pulando" durante a música. Uma versão em espanhol da faixa, intitulada "Lo Que Siente la Mujer", foi traduzido por Alberto Ferreras e incluído como o lado B do CD maxi single dos EUA, bem como no disco bônus da edição Special Music Tour de 2001 e como faixa bônus nas edições espanhola e latino-americana. Stan Hawkins, autor de Critical Musicological Reflections, sentiu que, ao mudar "menina" para "mulher" na versão espanhola, Madonna "atualizou" sua natureza. Liricamente, "What It Feels Like For a Girl" condena o chauvinismo masculino, abordando mitos prejudiciais sobre a inferioridade feminina e o papel feminino na sociedade, com a cantora convidando os homens a se imaginarem mulheres.
Lançamento e remixes "What It Feels Like for a Girl" foi inicialmente planejado para ser o segundo single do álbum, mas "Don't Tell Me" foi escolhido. A música foi finalmente lançada como o terceiro single do álbum em 17 de abril de 2001. Após o lançamento, vários remixes foram encomendados, criados por Above & Beyond, Victor Calderone, Richard "Humpty" Vission, Paul Oakenfold e Tracy Young. O "Velvet Masta Mix", criado por Richard Vission, deu à música uma introdução de baixo pesado e um groove mais engraçado. Vission lembrou que Madonna havia recusado seu primeiro mix e pediu que ele o refizesse novamente. O "Dark Side Mix" de Calderone era mais suave, confiando mais em percussões, enquanto o mix de Tracy Young incluía instrumentação de harpa. Jose F. Promis, do AllMusic, elogiou em particular a versão Oakenfold por "transformar a música em um massacre intenso em clubes de arena". O remix Above & Beyond, que foi usado para o videoclipe, apresenta batidas fortes e rítmicas e removeu os versos de Madonna, deixando apenas o refrão e repetindo a amostra de Charlotte Gainsbourg várias vezes no meio.
A dupla de produção Thunderpuss foi contratada para fazer um remix oficial de "What It Feels Like for a Girl". No entanto, quando eles estavam quase terminando, um remix não oficial, creditado como "The Thunderpuss Mix", vazou na internet. Durante uma entrevista ao About.com, Barry Harris, do grupo, lembrou que eles estavam trabalhando no remix e estavam esperando que fosse aprovado quando receberam uma ligação da Warner Bros. Records, informando que o remix estava circulando na Internet. Ambos Chris Coxe Harris tentou descobrir o problema e concluiu que alguém havia renomeado o original com o nome do grupo e o lançado. Thunderpuss ainda tentou convencer os executivos da gravadora, mas falhou e o remix foi cancelado.
Análise da crítica