Movimento Democrático Brasileiro (MDB) é um partido político brasileiro de centro criado em 1980 para dar continuidade ao partido de mesmo nome que existia como oposição legal durante a ditadura militar (1964–1985). É o partido com maior tempo em atividade da História da República, pois iniciou suas atividades em 1966, com o bipartidarismo, e deu sequência em 1980, a partir do multipartidarismo. Em 2025, o MDB lançou um novo programa partidário, reforçando sua posição ideológica de centro.

Na sua refundação em 1980, foi obrigado a se rebatizar como Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) devido à legislação que determinava o uso da expressão "Partido" no início de todas as legendas da época. Em 2017, o partido excluiu o "P" e voltou a ser MDB, mesmo nome durante a ditadura. Em sua página oficial, o MDB define-se como partido de centro. Entretanto, é considerado por grande parte dos cientistas políticos como um partido "guarda-chuva", pois seus dirigentes permitem alianças à direita e à esquerda.

Quando surgiu em 1980, chegou a ser definido como partido de "centro-esquerda" por Maria Kinzo, primeira acadêmica a publicar um trabalho robusto sobre a história da sigla em 1988. Isso se deu conta, em especial por seu programa econômico chamado de Esperança e Mudança. A partir da Assembleia Nacional Constituinte de 1988, o partido passou por transformações que geraram divisões e dissidências, como o PSDB. Durante o governo Sarney, o MDB foi decisivo na criação do SUS e do IBAMA, mas fracassou na apresentação de planos econômicos, como o Plano Cruzado, de caráter intervencionista na economia. Entre os anos 1990 e 2000, o MDB passou por divisões internas entre alas com diferentes posicionamentos, expressos por suas lideranças majoritariamente estaduais. Em 2016, as alas se uniram em torno do governo Michel Temer, então presidente nacional do MDB, que adotou políticas de cunho liberal na economia, como as propostas do Teto de Gastos e da Reforma Trabalhista, ambas muito criticadas pela esquerda.

Em janeiro de 2026, o partido possuía 2.027.655 filiados, sendo o maior do país. Atualmente também é o partido com mais prefeitos e vereadores. Além de ter sido o partido dos ex-presidentes da república Tancredo Neves, José Sarney e Michel Temer, ao longo da história, o MDB deu apoio aos ex-presidentes Itamar Franco (que ficou sem partido durante a presidência de 1992-1994), Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT). Durante o mandato de Jair Bolsonaro o MDB se recusou a indicar cargos no governo, mas apresentou alinhamento de 90% com a agenda do governo nas votações da Câmara (até junho de 2022), especialmente na área econômica como a Reforma da Previdência que se iniciaram durante o governo Temer. Entretanto, o MDB não conseguiu aprovar a PEC 45 da Reforma Tributária, apresentada em 2019 pelo deputado Baleia Rossi (MDB-SP), e que se tornou uma bandeira do partido nos últimos anos - esta só acabou aprovada em 2023.

História Em 1979, o governo militar liderado pelo general João Figueiredo apresentou um projeto de reforma partidária para fragilizar a oposição comandada pelo então MDB. O principal objetivo da proposta era retomar o pluripartidarismo, a fim de dividir o MDB e dar outro nome à Arena, sigla do governo que estava com a imagem desgastada e acabou sendo refundada como PDS. A iniciativa permitiu a criação de outros partidos de oposição ao regime militar (entre estes, o PT e o PDT), mas não autorizou a retomada de siglas vinculadas ao comunismo, como o PCdoB. Sob protestos de emedebistas, o projeto acabou aprovado pelo Congresso. O MDB, então, teve de ser refundado com o uso do "P" na frente de MDB, em 15 de janeiro de 1980, porque a nova lei determinou o uso da letra (inciso III, § 1º "Do nome constará obrigatoriamente a palavra partido com os qualificativos"). O registro foi deferido em 30 de junho de 1981. O MDB funcionou como PMDB até 2017, quando retomou seu nome de origem. esquerda|miniaturadaimagem|236x236px|Ulysses Guimarães, Magalhães Teixeira e Orestes Quércia. Há controvérsia acadêmica sobre se o PMDB seria o MDB com outro nome, ou se seria apenas um partido sucessor político desse. O fato é que a Lei dos partidos políticos de 1979 extinguiu MDB e ARENA, . Por isso, o site do TSE aponta a fundação do PMDB como 1981, e não 1966. Lideranças do partido, entretanto, contam a história do partido a partir dos anos 1960. Em 2016, a sigla comemorou 50 anos de existência. Desde 2023, o partido tem divulgado que irá celebrar 60 anos de fundação, numa referência ao partido original criado em 24 de março de 1966. Isso também aconteceu em outras oportunidades. Extinta a ARENA, os governistas criam o PDS. Como amálgama do antigo quadro bipartidário, Tancredo Neves funda o PP e lideranças sindicais paulistas constituem o PT, liderados por Luiz Inácio Lula da Silva. Por fim, a disputa pelo legado de Getúlio Vargas resulta na recriação do PTB liderado por Ivete Vargas (sua sobrinha-neta) e pela fundação do PDT por Leonel Brizola, petebista histórico. O antigo MDB perdia então o monopólio das oposições.

Temeroso quanto a um novo avanço da oposição o governo adia as eleições municipais de 1980 por meio de uma emenda constitucional do deputado Anísio de Souza e posteriormente implementa um pacote eleitoral que proíbe as coligações, institui a sublegenda e o voto vinculado nas eleições gerais de 1982, medidas que inviabilizaram o Partido Popular de Tancredo Neves e levaram suas lideranças a optarem pela incorporação ao PMDB com os dissidentes seguindo rumo ao PDS.

Eleições de 1982 Em 15 de novembro de 1982, o partido elegeu nove governadores: Franco Montoro em São Paulo e Tancredo Neves em Minas Gerais e triunfou nos três estados da Região Norte onde houve eleições (Gilberto Mestrinho no Amazonas, Jader Barbalho no Pará e Nabor Júnior no Acre), além de vencer com Gerson Camata no Espírito Santo, José Richa no Paraná, Iris Rezende em Goiás e Wilson Martins em Mato Grosso do Sul. Apurados os votos, ficou estabelecida a polarização entre o PDS e o PMDB, embora o PDT tenha conquistado o governo do Rio de Janeiro com Leonel Brizola. esquerda|miniaturadaimagem|Pedro Ivo Campos e Ulysses Guimarães. Mesmo entrevado pelos casuísmos do voto vinculado (sistema no qual o eleitor era obrigado a votar apenas em candidatos de um mesmo partido) e das sublegendas (no caso das disputas para o Senado Federal e para as prefeituras, os partidos podiam apresentar mais de um candidato), o PMDB elegeu nove senadores, duzentos deputados federais, quatrocentos e quatro deputados estaduais e mil trezentos e setenta e sete prefeitos. miniaturadaimagem|262x262px|Tancredo Neves e Ulysses Guimarães durante a passeata das Diretas Já. Ao longo da década de 1980 o PMDB colheu os frutos de sua pregação oposicionista durante os anos de governo militar em razão de seu desempenho nas eleições de 1982 enquanto nas hostes do governo os debates acerca da sucessão presidencial expunham fissuras à medida que tanto nomes civis quanto militares eram aventados como alternativas à continuidade do regime. Ausente o consenso no PDS, o presidente João Figueiredo abdicou de coordenar a escolha de seu sucessor e nisso o vácuo político foi ocupado pela oposição, tendo o PMDB à frente.

Diretas Já Em 31 de março de 1983 foi realizado no município pernambucano de Abreu e Lima o primeiro comício a favor do restabelecimento das eleições diretas para Presidente da República,Folha Online: Comício pelas Diretas-Já na Praça da Sé completa 25 anos no domingo, Consultado em 16 de março de 2010. evento basilar do movimento Diretas Já, cujo elemento aglutinador foi a emenda Dante de Oliveira, assim denominada em homenagem ao autor da preposição.

Logo vieram os comícios em São Paulo e Olinda ao final do ano e durante os quatro primeiros meses de 1984 uma série de passeatas, manifestações e comícios eclodiram pelo país em apoio a causa liderados por Ulysses Guimarães, denominado como o "Senhor Diretas", Franco Montoro e Tancredo Neves. Todavia, uma manobra regimental do governo derrubou a emenda em votação realizada na Câmara dos Deputados em 25 de abril de 1984.

Tancredo Neves e o Colégio Eleitoral Ao frustrarem as eleições diretas, as forças governistas acabaram propiciando o surgimento de Tancredo Neves como alternativa à sucessão de João Figueiredo. A essa altura alguns presidenciáveis do PDS refluíram em suas pretensões e a derrota de Mário Andreazza frente a Paulo Maluf na convenção havida em agosto de 1984 sacramentou o apoio dos dissidentes do PDS a Tancredo Neves através da indicação do senador José Sarney como vice-presidente na chapa que venceu Maluf por 480 votos a 180 no Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985, havendo 26 abstenções. miniaturadaimagem|243x243px|O presidente-eleito, Tancredo Neves, comemora o resultado da eleição junto a seu vice, José Sarney.|esquerda A morte de Tancredo frustra os anseios da nação quanto ao cumprimento de suas promessas de campanha, mas a postura ínclita de Ulysses Guimarães e as multidões presentes às exéquias do líder morto produzem o ambiente necessário para uma transição pacífica. Nesse ínterim o vice-presidente José Sarney assume o governo e põe em marcha as metas da Nova República. Coube a José Sarney fazer o juramento no Congresso Nacional: "prometo manter, defender e cumprir a Constituição. Observar as leis, promover o bem geral e sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil".

Era pós-Ulysses Nas eleições de 1990, desgaste do governo José Sarney afetou o PMDB. O partido viu cair o número de governadores de vinte e dois em 1986 para apenas sete (Amazonas, Pará, Tocantins, Paraíba, São Paulo, Paraná e Goiás) após quatro anos embora as unidades federativas com direito a eleger seus governadores tenham subido de vinte e três em 1986 para vinte e sete em 1990 (graças ao direito adquirido pelo Distrito Federal, a criação do estado de Tocantins e a elevação dos territórios federais de Amapá e Roraima ao patamar de estados). No Congresso Nacional, o recuo peemedebista também foi significativo, pois se ao renovar dois terços do Senado Federal em 1986, o partido obteve mais de 75% das vagas, na troca de um terço das cadeiras em 1990, esse percentual caiu para 25% embora Amapá e Roraima tivessem seis vagas a preencher. Na Câmara dos Deputados o aumento de vagas de 487 para 503 marcou o refluxo do PMDB de 260 para 108 cadeiras, embora conservando a maior bancada. Outras perdas foram a saída de Miguel Arraes rumo ao Partido Socialista Brasileiro e as de outros ex-governadores como Amazonino Mendes e Epitácio Cafeteira para o Partido Democrata Cristão.