A Dakota do Norte ou Dacota do Norte (em inglês: North Dakota () é um dos 50 Estados dos Estados Unidos, localizado na região centro-oeste do país. O centro geográfico da América do Norte está localizado em Dakota do Norte, na cidade de Rugby. A maior parte de Dakota do Norte está localizada na região das Grandes Planícies norte-americanas. Por causa disto, caracteriza-se pelo seu terreno pouco acidentado, relativamente plano. Fazendas cobrem mais de 90% do estado. A agricultura e a extração de petróleo são as principais fontes de renda do estado. Outra fonte de renda importante é o turismo.

A região que compõe atualmente o estado foi a última região dos Estados Unidos continental a ser explorada e assentada pelos norte-americanos. Em 1858, o governo norte-americano criaria o Território de Dakota - um território que incluía o que forma atualmente os estados de Dakota do Norte e Dakota do Sul, até então parte do Território de Minnesota. O Território de Dakota seria escassamente povoado até o século XIX, quando as primeiras ferrovias passando pela região foram construídas ao longo da região, incentivando assim a prática da agricultura. Inicialmente, alguns poucos latifundiários dominavam a economia das Dakotas. Porém, o sucesso destes latifúndios e as ferrovias atraíram milhares de pessoas à região. Em 2 de novembro de 1889, o território de Dakota foi dividido nos atuais Dakota do Norte e Dakota do Sul e elevados à categoria de estados.

Dakota do Norte sofreu bastante nas décadas de 1920 e 1930, por causa de grandes períodos de estiagem, de pragas e da Grande Depressão. A população atingiu seu máximo nos primeiros anos da década de 1930, e desde então tem passado por períodos de declínio e aumento populacional, embora nunca mais tivesse atingido os números da década de 1930.

O estado tem resistido a grande recessão do início do século XXI com um boom de recursos naturais, particularmente na extração de petróleo, que se encontra abaixo da parte noroeste do estado. O desenvolvimento tem impulsionado forte emprego, crescimento populacional e baixo desemprego.

História Até 1889 Quando os primeiros exploradores europeus chegaram à região que constitui atualmente o estado de Dakota do Norte, seis tribos nativos norte-americanas lá viviam. Estas tribos eram os mandan, hidatsa e os arikara, que viviam ao longo do rio Missouri, tribos sedentárias que viviam primariamente da agricultura e da caça; os plain ojibwa, nômades que viviam da caça no noroeste do estado, e faziam parte da família nativo norte-americana dos chippewa; os yankton (tribo parte do grupo nativo norte-americano dos sioux), ao longo dos rios Yankton e Sheyenne, primariamente da caça; e os lakota, também parte do grupo nativo norte-americano dos sioux, que viviam primariamente da caça no sudeoeste.

O primeiro explorador europeu na região que atualmente constitui o estado de Dakota do Norte foi Pierre Gaultier de Varennes, um franco-canadense, em 1738. Porém, a região já fora anteriormente reivindicada pelos franceses em 1682, por René-Robert Cavelier, que reivindicara toda a bacia hidrográfica do Mississipi-Missouri, bacia que inclui o sudoeste do atual Dakota do Norte. Posteriormente, os franceses também reivindicaram uma vasta região ao sul da baía de Hudson, região que incluía muito do norte do atual Dakota do Norte. Em 1713, o território reivindicado pelos franceses foi cedido aos ingleses. Porém, o sudoeste do estado continuou sob controle francês, e parte da colônia francesa de Nova França. Após o franco-canadense Varennes ter explorado a região em 1738, poucos colonos de ascendência européia retornariam à região, primariamente apenas comerciantes interessados na caça e no comércio de peles.

Em 1763, como parte do Tratado de Paris, a França cedeu todos os seus territórios a oeste do rio Mississípi para a Espanha, a metade ocidental do território conhecido como Luisiana. Assim sendo, muito da atual Dakota do Norte passou a controle espanhol. Em 1800, os espanhóis cederam estes territórios para a França. Esta vendeu toda a Luisiana para os Estados Unidos em 1803. O presidente norte-americano Thomas Jefferson deu a Meriwether Lewis e William Clark a missão de explorar a região da Luisiana. Lewis e Clark explorariam a atual Dakota do Norte em outubro de 1804. Na região central eles construiriam Fort Mandan, às margens do rio Missouri, não longe da atual cidade de Stanton. Lewis e Clark ficaram em Fort Mandan até abril de 1805, quando continuaram sua viagem rumo à costa oeste norte-americana. Eles retornariam mais uma vez em 1806, na viagem de volta.

Porém, muito da atual Dakota do Norte ainda continuava sob controle britânico, parte de uma região controlada pela Companhia da Baía de Hudson. Tensões entre os norte-americanos e os britânicos surgiram, com ambos reivindicando territórios controlados pelo outro. Em 1812, algumas famílias de ascendência escocesa e irlandesa instalaram-se no norte da atual Dakota do Norte, onde atualmente localiza-se Pembina. Em 1818, os norte-americanos e os britânicos realizaram um tratado onde todos os territórios ao sul do paralelo 49, dos Grandes Lagos até as Montanhas Rochosas, passariam a ser controladas pelos Estados Unidos. Assim sendo, o restante da atual Dakota do Norte passou a controle norte-americano. No mesmo ano, parte dos colonos escoceses e irlandeses de Pembina abandonaram o assentamento. Em 1823, o restante também abandonaria Pembina, quando um estudo comprovou que ela estava de fato em território norte-americano. Dakota do Norte não seria povoada por norte-americanos ascendentes de europeus por cerca de quatro décadas, até meados da década de 1860. thumb|left|150px|Touro Sentado Em 1861, o governo norte-americano criou o Território de Dakota. Este território incorporava o que atualmente forma os atuais estados de Dakota do Norte o Dakota do Sul, bem como partes de Montana e de Wyoming. Em 1862, os lakota mataram centenas de norte-americanos brancos no atual Minnesota. Parte dos lakota fugiram em direção ao atual Dakota do Norte, sendo perseguidos por tropas norte-americanas. Diversas batalhas foram realizados no estado, e que continuariam até o início da década de 1870, quando, derrotados, foram confinados em reservas indígenas, através de tratados de paz realizados. Porém, diversas revoltas indígenas ocorreriam em Dakota do Norte, por causa da violação dos tratados de paz por parte dos norte-americanos brancos, causaram diversas revoltas, até 1881, quando a última destas revoltas ocorreu, liderada por Sitting Bull, que rendeu-se no mesmo ano.

Em 1863, o Ato Homestead passou a valer no território de Dakota. Ainda em 1863, partes do Território de Dakota foram cedidas para Montana e Wyoming, restando o território formado atualmente por Dakota do Norte e por Dakota do Sul. O Ato Homestead fornecia lotes de terra a nenhum custo para famílias que estivessem dispostas a assentar a região, em um esforço para povoar a região, ainda não povoada por norte-americanos de ascendência europeia - Dakota do Norte seria a última região em todo os Estados Unidos continental a ser povoada pelos descendentes de europeus. O assentamento da região por parte destes norte-americanos foi lenta. Diversas tribos nativos norte-americanas, tais como os lakota e os métis, que se haviam instalado na região por volta da década de 1820, opuseram-se ao povoamento branco da região que, isolada do resto do país por causa da falta de meio de transportes, e o medo de ataques indígenas, fizeram com que poucas pessoas decidissem instalar-se na região por duas décadas.

Foi somente em 1875 que a região de Dakota do Norte passaria a ser assentada por norte-americanos em grande escala, graças à instalação de gigantescos latifúndios e da inauguração da primeira ferrovia na região, conectando Dakota do Norte com o resto do país. Os latifúndios cultivavam primariamente trigo, e eram controlados por apenas algumas ricas famílias. Estes latifúndios precisavam de mão-de-obra, assim, estimulando o povoamento da região. Estes latifúndios estavam em sua maior parte ao longo do rio Red, e possuíam entre mil a 27 mil hectares de área. Estes latifúndios, através do uso de mão-de-obra barata, do uso de métodos modernos de cultivo e das ferrovias, eram altamente lucrativas. Porém, estes latifúndios gradualmente fragmentariam-se em fazendas menores, após uma recessão na indústria agropecuária norte-americana, que causou uma queda súbita dos preços do trigo.

Graças à mineração do ouro e da agropecuária, a população de todo o Território de Dakota - incluindo a região da atual Dakota do Sul - passou a crescer rapidamente. Porém, as ferrovias que haviam propiciado a ascensão das indústrias do trigo e da mineração, bem como o povoamento da região, passaram a causar tensões de cunho divisório entre a região norte e sul do Território de Dakota. Estas ferrovias - que eram transcontinentais, conectando a costa leste norte-americana com a costa oeste - cruzavam o Território de Dakota em um sentido leste-oeste. Não existiam ferrovias conectando o norte do território com o sul, e o transporte entre ambas as regiões era difícil. O rápido crescimento populacional do Território de Dakota passou a fazer com que o governo do território e seus habitantes passassem a pressionar o governo a fazer com que o território fosse elevado à categoria de estado. Porém, por causa das tensões divisórias, rapidamente os habitantes do norte e do sul do Território de Dakota passassem a exigir que cada região tivesse seu próprio governo.

Em fevereiro de 1889, o congresso norte-americano dividiu o Território de Dakota em dois. Ambos os territórios adquiriram então suas atuais fronteiras políticas. A rivalidade entre ambas as Dakotas era tanta que, após a aprovação do congresso em permitir que ambos os territórios fossem elevados à categoria de estado, elas passaram a exigir que fossem elevados à categoria de estado primeiramente. A rivalidade fez com que o presidente Benjamin Harrison - após a ratificação da constituição norte-americana por ambas as Dakotas - ordenasse ao secretário de Estado James Blaine que misturasse os documentos e o impedisse de ver qual o documento que elevava oficialmente um dos territórios à categoria de estado. Isto foi feito para que ninguém soubesse quem fora elevado primeiramente à categoria de estado. Assim sendo, em 2 de novembro de 1889, Dakota do Norte tornou-se o 39° estado norte-americano, juntamente com o Dakota do Sul.

1889 - Tempos atuais A população de Dakota do Norte continuou a crescer rapidamente até a década de 1920. Em 1890, o estado tinha 190 983 habitantes, número que aumentou para 577 056 em 1910. Este crescimento foi motivado pela prosperidade da indústria agropecuária da região, bem como pela indústria ferroviária. A população de Dakota do Norte - em sua maior parte rural - dependia, por sua vez, de estabelecimentos bancários, para o financiamento de equipamentos e instalações agropecuárias, bem como da indústria ferroviária para o transporte para outras regiões do país dos produtos cultivados no estado. As relações entre fazendeiros e bancários e ferroviários nunca foram boas. Em 1915, a Nonpartisan League foi fundada. Esta organização política suportava a causa dos fazendeiros, apoiando o controle estatal de estabelecimentos indispensáveis à indústria agropecuária - tais como elevadores de grãos e silos, todos cobrados por comerciantes privados - e estabelecimentos bancários que fornecessem empréstimos com baixas ou nenhuma taxa de juro. thumb|right|250px|Elevador de grãos em New Leipzig.