miniatura|Uma tempestade de poeira encobre casas no Texas, em 1935. miniatura|Distribuição global da deposição de poeira nos oceanos miniatura|Mapa da poeira em 2017 miniatura|Após três anos de uso sem limpeza, o dissipador deste laptop ficou obstruído por poeira, impedindo seu funcionamento. miniatura|Poeira doméstica sobre um dedo Poeira é constituída por partículas finas de matéria sólida. Na Terra, geralmente consiste em partículas presentes na atmosfera provenientes de diversas fontes, como o solo levantado pelo vento, em um processo eólico, as erupções vulcânicas e a poluição.

A poeira doméstica contém células mortas da pele. A poeira de residências, escritórios e outros ambientes construídos também contém pólen, cabelos humanos, pelos de animais, fibras têxteis, fibras de papel, minerais provenientes do solo externo e muitos outros materiais presentes no ambiente local.

Composição e tamanho das partículas A composição da poeira depende dos materiais que lhe dão origem. Partículas inorgânicas podem ser liberadas pelo desgaste de rochas e metais. As orgânicas podem provir de plantas e animais, como ocorre no manuseio de grãos. Em química atmosférica, o termo costuma abranger partículas sólidas secas com diâmetros entre 1 e 100 micrômetros, produzidas por processos naturais ou por atividades como moagem, perfuração e demolição.

O diâmetro aerodinâmico permite comparar partículas de formas e densidades diferentes. Ele corresponde ao diâmetro de uma esfera de densidade de 1 g/cm³ que sedimenta no ar à mesma velocidade que a partícula examinada. Na avaliação da exposição ocupacional, distinguem-se frações conforme a região do aparelho respiratório que as partículas podem alcançar.

+ Frações de partículas na avaliação da exposição ocupacional Fração Região alcançada Inalável Entra pelo nariz ou pela boca. Torácica Penetra além da laringe, nas vias respiratórias do tórax. Respirável Chega à região pulmonar de troca gasosa, que abrange os alvéolos.

Essas frações são definidas por curvas de coleta, não por limites absolutos de tamanho. Nas convenções de amostragem apresentadas pelo NIOSH, a eficiência de coleta de 50% corresponde a 10 micrômetros para a fração torácica e a 4 micrômetros para a respirável. No monitoramento ambiental, as categorias PM10 e PM2,5 abrangem partículas com diâmetros aerodinâmicos geralmente iguais ou inferiores a 10 e 2,5 micrômetros, respectivamente. O material particulado atmosférico pode conter partículas sólidas e gotículas líquidas, não se restringindo à poeira.

Nos ambientes domésticos, a composição também varia com os hábitos de limpeza e com a entrada de materiais do exterior. Fibras de microplásticos podem fazer parte dessa poeira e se depositar sobre alimentos expostos durante as refeições.

Poeira atmosférica miniatura|Apresentação sobre a poeira proveniente de outras regiões que chega à atmosfera da América do Norte miniatura|Grande tempestade de poeira sobre a Líbia A poeira levantada e transportada pelo vento é chamada de poeira eólica. Em regiões secas, ventos fortes podem mobilizar sedimentos finos, entre eles partículas do tamanho do silte. Entre essas regiões estão áreas em que o pastoreio, a aração, o uso de veículos e outros comportamentos humanos desestabilizaram ainda mais a superfície terrestre, embora nem todas as áreas de origem tenham sido fortemente afetadas por impactos antropogênicos. Em 2005, a área estimada das terras secas era de 5,2 bilhões de hectares, cerca de um terço das terras emersas. A estimativa para as regiões hiperáridas, presentes em desertos como o Saara, era de 900 milhões de hectares. Essas extensões não correspondem integralmente a fontes ativas de poeira. A emissão depende da disponibilidade de sedimentos, da umidade e da cobertura vegetal, entre outras condições locais.

Na erosão eólica, grãos de areia em saltação atingem o solo e liberam partículas mais finas. Essa ação, semelhante ao jateamento abrasivo, permite que parte do material seja carregada pelo ar e transportada pela troposfera. As partículas suspensas no ar formam um aerossol e podem produzir forçamento radiativo local. A poeira do Saara, em particular, pode ser transportada e depositada até o Caribe e a bacia do rio Amazonas, além de afetar a temperatura do ar, resfriar a superfície oceânica e alterar os volumes de precipitação.

Transporte, deposição e efeitos ambientais A poeira deixa a atmosfera por deposição seca, quando as partículas atingem superfícies por sedimentação, turbulência ou impacto, e por deposição úmida, quando são removidas pela precipitação. Em geral, partículas maiores sedimentam mais depressa, enquanto as menores podem ser transportadas por distâncias maiores.

As partículas espalham e absorvem radiação solar e interagem com a radiação infravermelha emitida pela Terra. O efeito de aquecimento ou resfriamento depende de sua composição, tamanho e altitude, além das propriedades da superfície abaixo delas. Grãos minerais também podem iniciar a formação de gelo em nuvens com água super-resfriada. O feldspato é particularmente ativo nesse processo. Quando se deposita sobre a neve, a poeira pode reduzir o albedo, aumentar a absorção de energia solar e acelerar o derretimento.

A deposição de poeira fornece nutrientes a ecossistemas terrestres e aquáticos. O ferro transportado pelos ventos pode favorecer o crescimento do fitoplâncton em águas oceânicas pobres nesse elemento. Na Amazônia, a poeira do Saara fornece fósforo e ajuda a repor parte das perdas desse nutriente pela chuva e pelo escoamento. Medições do satélite CALIPSO entre 2007 e 2013 permitiram estimar um transporte médio de cerca de 22 mil toneladas de fósforo por ano até a bacia amazônica.

Oriente Médio As tempestades de poeira ocorrem nas regiões áridas e semiáridas do Oriente Médio. A ocorrência e a intensidade dependem dos ventos, da umidade do solo e do uso da terra. A desertificação pode ampliar as áreas suscetíveis à erosão. Os efeitos da mudança do clima sobre as emissões dependem das alterações locais de precipitação, circulação atmosférica e cobertura vegetal.

Irã Na primavera, os sistemas que transportam poeira entre o Iraque e o Irã podem se deslocar de oeste para leste ou no sentido contrário, apresentando elevada intensidade, concentração e extensão até meados do verão. A baixa umidade, a aridez, a pouca precipitação e as secas recorrentes favorecem sua ocorrência. A diminuição das chuvas em áreas como o Iraque e a Síria favorece a emissão de poeira nesses países, que, assim como a Jordânia, estão entre as fontes externas de poeira que chega ao Irã.

Além das fontes externas, há áreas no próprio país em que surgiram novos focos de poeira ou se ampliaram focos preexistentes. Entre elas estão partes do sul de Teerã e do sul da província de Alborze, anteriormente ocupadas por planícies, leitos de rios, lagos e reservatórios sazonais, e a zona úmida de Gavkhouni, na província de Ispaão, que secaram e se tornaram propensas à emissão de poeira. Outros focos incluem a província de Cume, o lago Namak e seus arredores, além do lago Úrmia. Neste último, a redução da área alagada expôs partes do leito anteriormente submersas à ação de ventos fortes e à erosão eólica.

As tempestades de poeira representam um problema ambiental, econômico e de saúde pública no Irã, tanto por suas fontes internas quanto pelo transporte transfronteiriço de partículas. O monitoramento, a previsão e os sistemas de alerta são instrumentos empregados para reduzir seus impactos. Na província de Cuzistão, no sudoeste do país, tempestades de poeira frequentes prejudicam a qualidade do ar e causam impactos à saúde e à economia.

A persistência da seca tem causado escassez de água ou o ressecamento de zonas úmidas e lagos, como o lago Hamun e o lago Úrmia, transformando-os em fontes de poeira.

Segundo dados de estudos de 2018 apresentados por Vahid Jafarian, dirigente do órgão iraniano responsável por florestas, pastagens e manejo de bacias hidrográficas, 30 milhões de hectares no país eram afetados pela erosão eólica. Desse total, cerca de 14 milhões de hectares eram considerados áreas críticas, nas quais o processo causava danos a terras agrícolas, estradas, ferrovias, indústrias e outras infraestruturas.

Estradas A poeira levantada por veículos que circulam em estradas é uma importante fonte de poluição atmosférica prejudicial à saúde. Ela faz parte dos detritos rodoviários e consiste em depósitos provenientes dos gases de exaustão de veículos e indústrias, partículas do desgaste de pneus e freios, poeira do pavimento ou de buracos nas vias e poeira de locais de construção. A poeira das estradas contribui significativamente para a geração e a liberação de material particulado na atmosfera. Seu controle é um desafio importante em áreas urbanas e em outros locais com tráfego intenso sobre vias não pavimentadas, como minas e aterros sanitários.

As emissões dos motores, especialmente daqueles movidos a diesel, podem ser uma fonte importante de partículas finas em canteiros de obras. As atividades de construção e demolição também podem produzir grandes quantidades de resíduos de construção. A poeira e as partículas podem se tornar fugitivas e ficar suspensas no ar com a movimentação de veículos dentro e fora dos locais de obra, sobretudo em condições secas e com vento.

A poeira das estradas pode ser reduzida por métodos mecânicos, como o uso de varredeiras e de veículos equipados com aspiradores, pela pulverização de óleo vegetal ou pela aspersão de água. Também pode ser empregado cloreto de cálcio. Os avanços na engenharia automotiva reduziram as emissões de partículas pelo escapamento. Com essa redução, aumentou a participação relativa das partículas provenientes do desgaste de pneus e freios, do pavimento e da ressuspensão da poeira das vias.

Poeira de carvão A poeira de carvão pode causar doenças respiratórias, entre elas a pneumoconiose dos trabalhadores do carvão, também conhecida como doença do pulmão negro. Essa forma de pneumoconiose afeta mineiros de carvão. A exposição à poeira das minas também pode provocar doença pulmonar obstrutiva crônica e redução da função pulmonar. Quando há sílica cristalina na poeira, existe ainda o risco de silicose. A prevenção depende da redução da exposição às partículas respiráveis.

A exposição à poeira de carvão é objeto de normas de segurança e saúde ocupacional relativas à qualidade do ar nos locais de trabalho. Entre as medidas de controle estão a ventilação, a aspersão de água, a coleta de poeira e o monitoramento das concentrações a que os trabalhadores estão expostos.

Quando dispersa no ar em condições favoráveis à combustão e na presença de uma fonte de ignição, a poeira de carvão pode provocar uma explosão de poeira. O confinamento em minas subterrâneas agrava suas consequências. A prevenção inclui o controle de fontes de ignição, da concentração de metano e do acúmulo de poeira combustível, além da aplicação de poeira de rocha incombustível, como a de calcário, para dificultar a propagação das explosões.

Outras poeiras e efeitos sobre a saúde miniatura|Poeira liberada durante a perfuração de um poço A exposição ocupacional à poeira ocorre na mineração, na construção e em atividades industriais que cortam, trituram ou manuseiam materiais sólidos. Nem todas as partículas inaladas chegam aos pulmões. O nariz retém parte delas, e o muco das vias respiratórias captura outras, que são transportadas pelos cílios em direção à garganta. Nos alvéolos, macrófagos podem englobar as partículas que ultrapassaram essas barreiras. A retenção de poeira depende do tamanho e da composição das partículas, entre outros fatores.