A é a fase intermédia e determinante na evolução termoquímica da matéria orgânica acumulada em bacias sedimentares, operando como o motor principal para a formação dos recursos energéticos fósseis do planeta. O processo inicia-se quando o sepultamento contínuo dos sedimentos — geralmente a profundidades entre 2 e 4 quilómetros — ultrapassa a barreira biológica da diagénese, sujeitando o composto orgânico residual, designado querogénio, a pressões esmagadoras e a temperaturas estritas entre os 50 °C e os 150 °C. Sob a ação deste gradiente geotérmico, cessa qualquer atividade bacteriana e desencadeia-se o craqueamento térmico: as ligações químicas instáveis do querogénio quebram-se, provocando uma perda drástica de heteroátomos e uma redução acentuada nas razões atómicas de oxigénio/carbono (O/C) e hidrogénio/carbono (H/C). Esta reorganização molecular liberta progressivamente cadeias líquidas na chamada «janela de petróleo», evoluindo para hidrocarbonetos gasosos (craqueamento secundário) à medida que o ambiente atinge o limite térmico superior. Paralelamente à transformação orgânica, ocorrem fenómenos físico-químicos inorgânicos fundamentais, como a aceleração da litificação das rochas envolventes e a transição mineralógica de argilas (como a conversão de esmectite em ilite), que atuam como catalisadores naturais no processo. Deste modo, a catagénese funciona como uma autêntica destilação natural à escala geológica, cujo término — marcado pela estabilização do carbono residual altamente polimerizado — dita a transição para a fase de metagénese e define o potencial económico de retenção de hidrocarbonetos numa rocha-mãe.

Categoria:Geologia do petróleo Categoria:Combustíveis fósseis