A Divina ComédiaDali, A Divina Comédia - Livreto promocional da Exposição - Academia Mineira de Letras - 18 de julho a 17 de agosto de 2014 (, originalmente Comedìa e, mais tarde, denominada Divina ComédiaNa Idade Média, as obras não possuíam um "título" propriamente dito e eram frequentemente referidas pelo seu "incipit" nos manuscritos. Um dos mais comuns para esta obra era "Incipit Comoedia Dantis Alagherii, Florentini natione, non moribus" ("Aqui começa a comédia de Dante Alighieri, florentino de nascimento, mas não de costumes"). Dante quis designar o seu poema como uma "Comédia" porque contém uma progressão "do mal para o bem": a obra começa num contexto marcado pela negatividade e com linguagem e conteúdo "inferiores" (o Inferno) e termina com linguagem e conteúdo "elevados" e com a resolução do drama inicial do autor (no Paraíso). por Giovanni Boccaccio)A primeira edição que adicionou o novo título foi a publicação do humanista veneziano Lodovicco Dolce. V. Terpening, Ronnie H., Lodovico Dolce, Renaissance Man of Letters. Toronto, Buffalo, London: University of Toronto Press, 1997, p. 166. . Originalmente publicado em 1555 por Gabriele Giolito de Ferrari. é um poema alegórico-didático, e escatológico, de viés épico e teológico da literatura italiana e mundial, sobre os fundamentos da fé cristã, escrito por Dante Alighieri no século XIV e dividido em três partes: o Inferno, o Purgatório e o Paraíso. É escrito em tercetos entrelaçados de hendecassílabos (mais tarde chamados de tercetos de Dante por excelência) na língua vulgar florentina.Dante surge num triplo papel de personagem, narrador e autor. Faz considerações éticas, históricas, políticas e religiosas sobre as visões que descreve e os acontecimentos que relata. Isto confere à Comédia um valor "didáctico" e "moral".

O título original, com o qual o mesmo autor designa o seu poema, foi Comedia (provavelmente pronunciada com acento tónico na i) e assim é intitulada também a editio princeps de 1472. O adjetivo "Divina" foi-lhe atribuído por Boccaccio no Trattatello in laude di Dante, escrito entre 1357 e 1362 e impresso em 1477. Mas é na prestigiada edição giolitina, sob a curadoria de Ludovico Dolce e impressa por Gabriele Giolito de' Ferrari em 1555, que a Commedia de Dante é pela primeira vez intitulada como desde então foi sempre conhecida, ou seja, "A Divina Comédia".

Composta, segundo os críticos, entre 1304/07 e 1321, anos do seu exílio na Lunigiana, Casentino, Verona e Romagna,sobre a discutida cronologia da composição ver: E. Cecchi, N. Sapegno, Storia della Letteratura italiana, vol. II, Il Trecento, Garzanti, Milano, 1965, p. 69 a Commedia é a obra-prima de Dante e é universalmente tida como uma das maiores obras da literatura de todos os tempos, assim como um dos mais importantes testemunhos da civilização medieval, sendo por isso conhecida e estudada em todo o mundo.v. Harold Bloom, Il canone occidentale, Bompiani, Milano, 1996; Erich Auerbach, Studi su Dante, Feltrinelli, Milano 1964; ecc. É incluída por exemplo entre os Grandi Libri del Mondo Occidentale e em 2002 foi inserida na lista de I 100 libri migliori di sempre secondo Norwegian Book Club.

O poema está dividido em três partes, denominadas "cânticos" (Inferno, Purgatório e Paraíso), cada uma delas composta por 33 cantos (exceto o Inferno, que contém um canto proemial adicional) formados por um número variável de versos, entre 115 e 160, estruturados em tercetos. O poeta narra uma viagem imaginária, ou seja, um Itinerarium mentis in Deum, através dos três reinos ultramundanos que o conduzirá até à visão da Trindade. A sua representação imaginária e alegórica do além cristão é um culminar da visão medieval do mundo desenvolvida na Igreja Católica. Foi notado que os três cânticos terminam com a palavra "estrelas" (Inferno: "Foi quando saímos e voltámos a ver as estrelas"; Purgatório: "Puro e disposto a subir às estrelas"; Paraíso: "O amor que move o Sol e as outras estrelas").Segundo o teólogo franciscano Bonaventura da Bagnoregio na sua obra mais famosa O Itinerário da Mente para Deus (1259) a "viagem" espiritual em direção a Deus é fruto de uma iluminação divina, que provém da "razão suprema" do Deus em si. Para chegar a Deus, portanto, o homem deve passar por três graus, que, todavia, devem ser precedidos pela oração intensa e humilde.

A obra obteve um sucesso extraordinário de imediato e contribuiu de maneira determinante para o processo de consolidação do dialeto toscano como língua italiana. O texto, do qual não se possui o autógrafo, foi de facto copiado desde os primeiríssimos anos da sua difusão e até ao advento da imprensa num vasto número de manuscritos. Paralelamente, difundiu-se a prática da glossa e do comentário ao texto (calculam-se cerca de sessenta comentários e entre e páginas),Gaetano Manca, I commenti di Jacopo Alighieri, Jacopo della Lana e Boccaccio alla 'Divina Commedia' di Dante e il Dartmouth Dante Project. Comunicazione tenuta alla 19ª Conferenza annuale dell'American Association of Italian Studies, Eugene, Oregon, 15-17 de abril de 1999, p. 2. dando origem a uma tradição de leituras e de estudos dantescos jamais interrompida: fala-se assim de "comentário secular". A vastidão dos testemunhos manuscritos da Commedia implicou uma objetiva dificuldade na definição do texto: na segunda metade do século XX, a edição de referência foi a realizada por Giorgio Petrocchi para a Societá Dantesca Italiana.La Commedia secondo l'antica vulgata, a cura di Giorgio Petrocchi, 4 vol., Milão, A. Mondadori, 1966-67. Mais recentemente, duas diferentes edições críticas foram curadas por Antonio LanzaLa Commedìa, Nuovo testo critico secondo i più antichi manoscritti fiorentini a cura di Antonio Lanza, Anzio, De Rubeis, 1995. e Federico SanguinetiDantis Alagherii Comedia, Edizione critica per cura di Federico Sanguineti, Firenze, Edizioni del Galluzzo, 2001.. A partir de 2018, uma nova edição crítica baseada no códice Laurenziano Pluteo XL 12, definido "o mais antigo códice de segura florentinidade", foi curada por Federico Sanguineti e Eloisia Mandola.

A Comédia, embora prosseguindo muitos dos modos característicos da literatura e do estilo medievais (inspiração religiosa, propósito didascálico e moral, linguagem e estilo baseados na perceção visual e imediata das coisas), é profundamente inovadora pois, como foi notado em particular nos estudos de Erich Auerbach, tende a uma representação ampla e dramática da realidade, expressa também com o uso de neologismos criados por Dante como "insusarsi" (Elevar-se à esfera superior de Deus), "inluiarsi" (Entrar n'Ele, no sentido de "Unir-se à essência de Cristo") e "inleiarsi" (Entrar n'Ela, no sentido de "Unir-se à essência de Beatriz").

Contexto e sentido

Escrito originalmente em italiano vulgar baseado no dialeto toscano da época e bastante semelhante ao italiano atual (e não em latim, como fazia-se comum à época), trata-se de um poema articulado por trilogias, entre elas as formadas por Razão, Humano e Fé, Onça, Leão e Loba, Pai, Filho e Espírito Santo. Como sugerido pelo próprio nome, a história tem um final feliz: na época em que Dante escreveu o poema os textos eram separados entre Comédia, obras dotadas de finais felizes, e Tragédias, com finais contrastantes aos das Comédias, segundo o Sentido Aristotélico das Palavras.

Não há registro da data exata em que foi escrita, mas as opiniões mais reconhecidas asseguram que o Inferno pode ter sido composto entre 1304 e 1307-1308, o Purgatório de 1307-1308 a 1313-1314 e, por último, o Paraíso, de 1313-1314 a 1321 (esta última data coincide com a morte de Dante Fordham University, Vol. XL, Dec. 1921, p. 76).

O poema - talvez o maior do Ocidente - descreve uma viagem onde se sucedem diversos acontecimentos. Educar para Crescer, 26/07/2011 Sua força está na riqueza das inúmeras alegorias, que tornam o relato atemporal. Dante escreveu a "Comédia" - um poema de estrutura épica, com propósitos filosóficos - no seu dialeto local, o florentino, que é uma variedade do toscano. O poeta demonstrou que o florentino (muito próximo do que hoje é conhecido como língua italiana), uma língua vulgar (em oposição ao latim, que se considerava como a língua apropriada para discursos mais sérios), era adequado para o mais elevado tipo de expressão, estabelecendo-o como italiano padrão. De fato, é a matriz do italiano atual. Há quem veja esta obra como a Suma Teológica, de São Tomás de Aquino, em verso.

Grandes pintores de diferentes épocas criaram ilustrações para a Divina Comédia, destacando-se Botticelli, Gustave Doré e Dalí.Charles Allen Dinsmore, The Teachings of Dante, Ayer Publishing, 1970, p. 38, ISBN 0-8369-5521-8. A Divina Comédia é a fonte original mais acessível para a cosmovisão medieval, que dividia o Universo em círculos concêntricos. A obra moderna mais conhecida a respeito dessa cosmovisão é The Discarded Image, de C. S. Lewis, ilustrada por Gustave Doré. Explicações sobre o sentido do simbolismo na obra são complexas e muito debatidas, como é o caso de se saber exatamente o significado da amada Beatriz: seria ela apenas um amor carnal, o estado, a igreja, o amor metafísico ou outro? O próprio Dante confirma esta complexidade afirmando que a obra possui quatro sentidos sobrepostos: literal, moral, alegórico e místico.

Estrutura Cada uma das três partes do poema (Inferno, Purgatório e Paraíso) está dividida em 33 cantos, com mais um a título de introdução, a obra soma 100 cantos, número que significaria a perfeição da perfeição. Além do próprio Dante, três são os personagens principais: Virgílio, guia no inferno e purgatório, Beatriz guia no paraíso terrestre e São Bernardo, guia nas esferas celestes. A obra soma também 14 233 versos em, a partir de então chamados, "tercetos dantescos".

Sinopse thumb|direita|150px|A exploração de Dante do mundo espiritual Afresco de Michelino A Divina Comédia propõe que a Terra está no meio de uma sucessão de círculos concêntricos que formam a Esfera armilar e o meridiano onde é Jerusalém hoje seria o lugar atingido por Lúcifer ao cair das esferas mais superiores e que fez da Terra Santa o Portal do Inferno. Portanto o Inferno, responderia pela depressão do Mar Morto, onde todas as águas convergem, e o Paraíso e o Purgatório seriam os segmentos dos círculos concêntricos que juntos respondem pela nomecânica celeste e os cenários comentados por Dante, num poema envolvendo todos os personagens bíblicos do Antigo ao Novo Testamento, que são costumeiramente encontrados nas entranhas do Inferno.The World of Dante

CANTO I

No começo do poema, o próprio autor, Dante Alighieri, encontra-se perdido numa selva escura hostilizado por uma loba, um leão e uma pantera. Dante passa então a ser guiado por Virgílio, o autor romano da Eneida, para penetrar nos infernos.

CANTO II

Após invocar as musas, Dante é visitado por Beatrice, que o convence a seguir jornada.

Inferno

thumb|esquerda|150px|Dante e Virgílio no Inferno, por Bouguereau, no Museu de Orsay CANTO III

Dante e Virgílio chegam ao vestíbulo do Inferno (que tem nove círculos). Entre o vestíbulo e o 1° Círculo está o rio Aqueronte, no qual se encontra Caronte, o barqueiro que faz a travessia das almas. Dante é muito pesado para fazer a travessia no barco de Caronte, pelo fato de ser vivo, porém Virgílio adverte o mitológico barqueiro de que a travessia do rio através de seu barco é mister devido a uma ordem celeste. É através deste barco que Virgílio e Dante atravessam o rio.

CANTO IV