A Sardenha (; ; ) é uma ilha do mar Mediterrâneo ocidental e uma região autónoma da Itália insular, com uma área de e capital em Cagliari. Em 2017 tinha de habitantes ().

Situada a oeste da península Itálica, sul da Córsega e a norte da Tunísia, entre o mar Tirreno, que banha a costa oriental, e o mar da Sardenha na costa ocidental, a Sardenha é a segunda maior ilha do Mediterrâneo. O estatuto especial de autonomia especial, semelhante ao do Vêneto, instituído em 1948, está consagrado na constituição italiana e garante, além da autonomia administrativa das instituições locais, a proteção das particularidades linguísticas e culturais.

Geografia A Sardenha situa-se no centro do Mediterrâneo ocidental, a meio caminho entre as penínsulas Itálica e Ibérica, a sul da Córsega e do estreito de Bonifacio, a norte do canal da Sardenha e da Tunísia, a oeste da Itália continental e mar Tirreno, a leste das ilhas Baleares (Espanha) e do mar da Sardenha.

Com mais de de superfície e uma extensa linha costeira (), durante muito tempo foi considerada a maior ilha do Mediterrâneo, quando na realidade é a segunda em área, atrás da Sicília. A maior parte da costa é alta e rochosa, com troços longos e relativamente direitos, com muitos cabos imponentes, algumas baías largas e profundas, existindo numerosas ilhotas e ilhas menores.

O território é predominantemente constituído por montanhas e colinas com altitudes geralmente entre os 300 e os . O maior maciço montanhoso, o Gennargentu, encontra-se na parte centro-oriental da ilha e tem o seu ponto mais alto, a Punta La Marmora (). Outras montanhas importantes são o monte Limbara (), no nordeste, o monte Rasu (), no maciço de Marghine e Goceano (norte), o monte Albo (), no maciço de Sette Fratelli (sudeste), e no sudoeste, o monte Linas () e os montes Sulcis.

As áreas montanhosas e planaltos estão separados por extensos vales aluviais e planícies, sendo as mais importantes as de Nurra, a noroeste, e de Campidano, a mais extensa, no sudoeste, entre Oristano e Cagliari.

Os principais rios são o Tirso, com 151 km, o Flumendosa, com 127 km, e o Coghinas, com 115 km. Existem pelo menos 54 barragens que são usadas para irrigação agrícola e produção de eletricidade. As mais importantes são a de Omodeo e de Coghinas. O único lago natural de água doce é o de Baratz, no noroeste, perto de Alghero. Existem várias lagoas de água salgada pouco profundas ao longo da linha costeira.

As ilhas mais importantes são: Asinara, San Pietro, Sant'Antioco e as do arquipélago de Maddalena.

Geologia A geologia sarda é muito interessante, já que as rochas que aí se encontram são das mais antigas da Europa e as mais antigas de Itália. Essa antiguidade explica a não existência de grandes altitudes na ilha, devido à prolongada erosão. A base rochosa da Sardenha meridional data do Pré-Cambriano, mais precisamente à era Paleoproterozoica do éon Proterozoico, facto que está na origem do grande número de explorações mineiras nessa região. No nordeste da ilha encontram-se rochas sedimentares do mesmo período, que demonstram que essa zona esteve submersa. Esses sedimentos permitiram a criação de rochas carboníferas que atualmente são exploradas nas minas de carvão. Também se encontram rochas mais recentes, do éon Fanerozoico, como as rochas vulcânicas presentes em grande quantidade na região ocidental e meridional da ilha.

As formações montanhosas são constituídas principalmente por granito, xisto, basalto (chamado localmente jars ou gollei), arenito e calcário dolomita (chamado localmente toneri).

No passado, tanto a Sardenha como a Córsega estavam ligadas ao continente europeu (placa euroasiática), fazendo parte da cadeia pirenaico-provençal. Por efeito da deriva continental, ambas as ilhas se separaram do continente no período oligocénico, há cerca de 30 milhões de anos.

Contrariamente à Itália continental e à Sicília, a Sardenha não é propensa a sismos. thumb|x345px|Mapa físico thumb|x345px|Mapa político thumb|240px|Mapa altimétrico

Clima O clima é mediterrânico, com temperaturas geralmente suaves, até mesmo no inverno, com primaveras e outonos quentes, verões que podem ser muito quentes, chegando mesmo aos 45 graus Celsius, o que é propício à ocorrência dos incêndios frequentes. Em contrapartida, as temperaturas mais baixas nunca são inferiores a 0 grau Celsius. O vento dominante é o mistral, que sopra de noroeste durante praticamente todo o ano, principalmente no inverno e primavera, por vezes com bastante intensidade, o que faz as delícias dos amantes da vela. Sendo geralmente frio e seco, tem um efeito refrescante.

A temperatura média anual na costa é de 18 graus Celsius, variando entre os 14 graus Celsius e os 20 graus Celsius na generalidade da ilha. Ao contrário da vizinha Córsega, a chuva é escassa (entre 400 e 500 milímetros anuais, repartidos por uma média de 40 dias de chuva) e as secas são frequentes. A média anual de dias de sol é de aproximadamente 300, concentrando-se a chuva predominantemente no outono e inverno, com chuvas intensas na primavera.

No centro da ilha o clima tende a ser mais rigoroso, chegando a ocorrer neve no inverno. No sul, a seca pode durar vários meses, à semelhança do norte de África (a Tunísia encontra-se a aproximadamente 200 quilômetros).

Demografia

Com uma densidade populacional e 69 habitantes por quilômetro quadrado, pouco mais do que 30% da média nacional italiana, Sardenha é a quarta região menos povoada de Itália. A distribuição da população era anómala comparada com as outras regiões de Itália junto ao mar, pois ao contrário da tendência geral, as zonas costeiras eram menos densamente povoadas que o interior. As razões históricas para isso incluem os frequentes assaltos de Sarracenos na Idade Média, que tornavam as costas inseguras, a importância económica da pastorícia no interior e a natureza pantanosa das planícies costeiras, as quais só foram secadas no . A situação foi invertida com a expansão do turismo costeiro — hoje todos os principais centros urbanos se encontram junto à costa, enquanto o interior está esparsamente povoado.

Em 2005, a Sardenha era a região italiana com a taxa de fertilidade mais baixa (1,087 filhos por mulher) e a região com a segunda taxa de natalidade mais baixa. Estes fatores, junto com o elevado nível de urbanização da população, contribuem para a preservação de grande parte das áreas naturais. Apesar de tudo a população aumentou nos últimos anos devido à imigração, principalmente da Europa do leste, África, China e América Latina.

A esperança de vida em 2005 era de 81,1 anos (77,7 para os homens e 84,5 para as mulheres). A Sardenha partilha com a ilha japonesa de Okinawa a taxa mais alta do mundo de centenários (pessoas com mais de 100 anos de idade), .

Supercentenários Em outubro de 2004, vários cientistas da Universidade de Montreal foram à Sardenha para aí estudar uma particularidade local recentemente constatada por médicos da ilha: um número importante de homens supercentenários (de idade igual ou superior a 110 anos), algo raro, pois habitualmente são as mulheres que chegam a essas idades tão avançadas e na Sardenha o número de homens supercentenários supera o das mulheres. Segundo os dados verificados por esses estudiosos, não havia registro de quaisquer homens supercentenários no Canadá. O fenómeno também foi objeto de estudo do Groupe d'étude de démographie appliquée (grupo de estudo de demografia aplicada) da Universidade Católica de Lovaina (UCLouvain), da Bélgica, no âmbito do projeto europeu FELICIE Várias explicações são avançadas para o fenómeno, como o ar das montanhas ou o regime alimentar,Deiana et al., 1999 ; Lio et al., 2003 mas também fatores genéticos.

Particularidades genéticas Os sardos não são uma população homogénea do ponto de vista genético e distinguem-se dos outros europeus e populações mediterrânicas por algumas caraterísticas genéticas.

A população da Sardenha apresenta como característica notável o fato de ser muito próxima às populações europeias do Neolítico, praticamente sem influência indo-europeia (ao contrário, inclusive, das demais populações da Itália).Ancient DNA reveals genetic relationship between today’s Sardinians and Neolithic Europeans, Hudson Alpha Istitute for BiotechnologyKeller at al 2011, NatureMathieson et al 2015, Naturesupp. info (p.16)A Common Genetic Origin for Early Farmers from Mediterranean Cardial and Central European LBK Cultures, Olalde et al 2015, Molecular Biology and EvolutionGamba et al 2014, Genome flux and stasis in a five millennium transect of European prehistory, NatureOmrak et al 2016, Genomic Evidence Establishes Anatolia as the Source of the European Neolithic Gene Pool, Current Biology, Volume 26, Issue 2, p270–275, 25 January 2016supp. info (p.120)

Províncias A Sardenha está dividida nas seguintes províncias: ProvínciaÁrea(km²)populaçãoNome da capitalem italianoNome local da(s) capital(is)populaçãoda capitalObservaçõesCagliariCagliariCastedduSássariSássariSàssari em eTathari em sardoNuoroNùoroNùgoroOristanoOristanoAristanisÓlbia-TempioÓlbiaTerranoacriada em 2005; correspondente à região histórica da GalluraTempio PausaniaTèmpiuOgliastraLanuseiLanusè criada em 2005 Tortolì Tortuelie Carbonia-Iglesias Iglesias Igrèsias criada em 2005; correspondente à região histórica de Sulcis-Iglesiente Carbonia Carbònia ou Crabònia Medio Campidano Sanluri Seddori criada em 2005

Originalmente só existiam as províncias de Cagliari, Nuoro e Sássari. Posteriormente foi constituída a província de Oristano. Finalmente, uma lei regional de 2001 determinou que a partir de passariam a existir oito províncias, sendo instituídas as províncias de Ólbia-Tempio, Ogliastra, Carbonia-Iglesias e Medio Campidano.

Localidades Além das capitais de província mencionadas no quadro acima, as localidades mais importantes da Sardenha são as seguintes (nome local em itálico):

Principais cidades Segundo dados de 2015, as cidades mais populosas eram: Cagliari, com habitantes Sássari com habitantes Quartu Sant'Elena, com habitantes Ólbia, com habitantes Alghero, com habitantes Nùoro, com habitantes Oristano, com habitantes Selargius, com habitantes Carbonia, com habitantes

História

A história da Sardenha é muito antiga, remontando ao Paleolítico Inferior. Foram encontrados vestígios humanos datados de e os sinais de presença humana mais antigos são de há anos. No entanto, supõe-se que o povoamento só ocorreu de forma estável no Neolítico inferior, cerca de .

Cronologia de antes de Cristo

Antes da chegada dos fenícios a partir do , houve três civilizações autóctones que prosperaram na ilha: a de Bonuighinu, que surgiu no , a misteriosa população Shardana, e a mais célebre cultura nurágica, que se desenvolve a partir do , senão antes, da qual os vestígios mais monumentais são os mais de nuragues (chamados localmente nuraghes no norte e nuraxis no sul), torres defensivas em forma de tronco cónico construídas com grandes blocos de pedra talhada e trabalhada, que se encontram espalhados por toda a ilha.

Além dos nuragues, há numerosos monumentos pré-históricos ainda mais antigos, como os domus de janas (tradução: casas de fadas) escavadas em granito, que eram usadas para inumar os mortos, os túmulos de gigantes, de dimensões ciclópicas e muito frequentes no interior da ilha, e monumentos megalíticos, nomeadamente menires.

Segundo alguns estudiosos, a lendária Atlântida poderia ser a Sardenha da época nurágica. O primeiro arqueólogo a defender essa tese foi Paolo Valente Poddighe em 2004.

Os fenícios estabeleceram colónias costeiras a partir do No a ilha seria integrada no império de Cartago. Os cartagineses não se limitaram a ocupar as colónias costeiras fenícias e dominaram toda a ilha.