Os Arconte, no singular (Grego ἄρχων, pl. ἄρχοντες, "alto oficial", "chefe", "magistrado"), seria qualquer um dos seres que foram criados juntamente com o mundo material por uma divindade subordinada chamada o Demiurgo (Criador). Algumas correntes de gnósticos eram dualistas religiosas, que consideraram que a matéria é substancialmente má e o espírito é bom e que a salvação é alcançada através da libertação da matéria e elevação do espírito. Porque alguns gnósticos do segundo e terceiro séculos - geralmente originados dentro do cristianismo - consideravam o mundo material como definitivamente mau ou como o produto de erro, os arcontes eram vistos como forças maléficas.Archon - Encyclopædia Britannica
O termo aparece como uma designação para seres sobrenaturais nos escritos judeus, cristão, no neoplatonismo e no gnosticismo. Os arcontes podem ser tanto bons ou maus, mas frequentemente o termo designa seres que são hostis ou malévolos.
Entre os Arcônticos, Ofitas, Setianos e nos escritos da biblioteca de Nag Hammadi, os arcontes são definidos como governantes, cada um relacionado a um dos sete planetas ; eles impedem que as almas deixem o reino material. A conotação política de seu nome reflete a rejeição da matéria que é definida como falha, que impede os seres humanos a chance de verdadeira salvação. No maniqueísmo, os arcontes são os governantes de um reino dentro do 'Reino das Trevas', que juntos compõem a Realidade dos Governantes das Trevas. Os Arcontes são descritos como hermafroditas, com seus rostos parecidos com animais.
Conceito Uma característica do conceito gnóstico do universo é o papel desempenhado pelos sete arcontes que são criadores do mundo, conhecidos como Hebdomad (ἑβδομάς). Esses Sete são, na maioria dos sistemas, poderes semi-hostis, e são considerados os membros mais baixos entre as emanações da Divindade e vem ao mundo com poderes realmente diabólicos. Existem de fato certas exceções; Basilides ensinou a existência de um "grande arconte" chamado Abraxas que presidiu 365 arcontes.
Evidentemente a partir de obras como o Apócrifo de João, os Diagramas Ofitas, A Origem do Mundo e Pistis Sophia, os arcontes desempenham um papel importante na cosmologia gnóstica. Os arcontes são os governantes demoníacos do mundo material, cada um associado a uma esfera celestial diferente. Como governantes do mundo material, eles são chamados ἄρχοντες ( archontes, "principados" ou "governantes"). Os gnósticos acreditavam que acima das estrelas fixas, acima das esferas dos sete planetas, além das esferas dos arcontes malignos (Hebdomad), havia as regiões super celestiais que uma alma deve alcançar pela gnose para escapar do domínio dos arcontes. Este lugar é pensado como a morada de Sophia (Sabedoria) e Barbelo, também chamada de Ogdóade.
Gnosticismo
Ofitas Os Ofitas, uma corrente gnóstica, reconheciam a existência dos sete arcontes, que governam diferentes aspectos do universo material. De acordo com Orígenes, em Contra Celsum (vi. 31), esses arcontes são descritos da seguinte forma:
Yaldabaoth (também conhecido como Saklas e Samael) Planeta: Saturno Nome feminino: Pronoia (Previsão) / Sambathas (Semana) Profetas: Moisés, Josué, Amós, Habacuque Origem do nome: Derivado do hebraico yaldabahut, significando "Filho do Caos". Yaldabaoth é o Demiurgo, o criador do mundo material e o governante principal dos arcontes. Ele é descrito como tendo "cara de leão" (leontoeides), refletindo sua natureza dominante. Iao Planeta: Júpiter Nome feminino: Senhorio Profetas: Samuel, Natã, Jonas, Miquéias Origem do nome: O nome Iao pode ser relacionado a Yahu (YHWH), o nome de Deus no Antigo Testamento, mas também é associado ao grito mágico iao, presente nos Mistérios. Sabaoth Planeta: Marte Nome feminino: Divindade Profetas: Elias, Joel, Zacarias Origem do nome: A expressão "Yahweh Sabaoth" no Antigo Testamento, traduzida como "Jeová dos Exércitos", é vista como um nome próprio para Deus. Sabaoth é associado a Júpiter no sistema gnóstico. Astaphanos (ou Astaphaios) Planeta: Vênus Nome feminino: Sofia (Sabedoria) Profetas: Esdras, Sofonias Origem do nome: Astraphaios é claramente o planeta Vênus, relacionado à figura feminina de Sofia, representando sabedoria. A lenda de Astaphe, usada em feitiçarias mágicas, também associa o nome à deusa. Adonios Planeta: O Sol Nome feminino: Realeza Profetas: Isaías, Ezequiel, Jeremias, Daniel Origem do nome: Derivado do termo hebraico Adonai (Senhor), usado para se referir a Deus. Na mitologia síria, Adonis, representando o sol de inverno, também é associado a essa divindade. No sistema Mandaean, Adonios representa o Sol. Elaios (ou Ailoaios, ou Ailoein) Planeta: Mercúrio Nome feminino: Ciúme Profetas: Tobias, Ageu Origem do nome: Derivado de Elohim, um dos nomes de Deus no Antigo Testamento. Elaios simboliza a comunicação e a troca, associadas a Mercúrio, o mensageiro dos deuses. Horaios Planeta: A Lua Nome feminino: Riqueza Profetas: Micaías, Naum Origem do nome: Possivelmente derivado de Jaroá (luz) ou de Hórus. Horaios representa as forças cíclicas e mutáveis, como a Lua, e sua relação com a abundância material e espiritual.
Sobre a origem do mundo O texto de Nag Hammadi Sobre a Origem do Mundo faz parte das escrituras gnósticas e oferece uma narrativa mitológica sobre a origem do universo, destacando a ideia de que o mundo material foi criado de forma imperfecta por entidades inferiores. No caso dos Sete Poderes dos Céus do Caos, essas figuras representam forças cósmicas que têm uma influência sobre o mundo e a humanidade, geralmente com uma conotação negativa ou distorcida. Cada uma dessas entidades pode ser entendida em relação a aspectos da psique humana ou a elementos do caos primordial.Os Sete Poderes dos Céus do Caos são:
Yaldabaoth (Premeditação): Considerado o criador do mundo material, Yaldabaoth é visto como uma figura arrogante e ignorante, que cria o mundo a partir de sua própria vontade, sem compreender o mundo divino. A "premeditação" refere-se à sua intenção egoísta de criar um planeta, sem considerar a verdadeira harmonia espiritual. Iao (Maestria): Iao pode ser interpretado como uma força ligada ao domínio ou controle. Em alguns textos gnósticos, Iao é associado a um poder que tenta governar sobre os outros, sendo uma representação do desejo de controle absoluto sobre a criação e os seres humanos. Sabaoth (Divindade): Sabaoth, muitas vezes visto como um ser divino superior, é considerado como uma força que pode ser tanto benigna quanto desafiadora. Ele reflete a divindade em uma forma em que ainda há interação com o caos, sendo uma presença ambígua que tenta equilibrar o mundo criado por Yaldabaoth. Adonios (Realeza): A realeza simboliza o poder e a autoridade temporal. Adonios representa a governança do mundo material e a estrutura hierárquica que surge do domínio sobre o físico. Pode ser visto como um reflexo de uma ordem social ou de uma estrutura de poder em um nível terrestre. Elaios (Inveja): A inveja é uma emoção humana que gera desejo insaciável e desarmonia. Elaios simboliza a força destrutiva e egoísta que nasce da comparação e do desejo por aquilo que pertence aos outros, refletindo os aspectos negativos do desejo humano. Horaios (Riqueza): Horaios, associado à riqueza, representa o desejo humano de acumular bens materiais. Ele simboliza a busca incessante por recursos e poder material, um reflexo de uma sociedade onde a riqueza se torna o principal objetivo e medida de sucesso. Astaphanos (Sophia): Astaphanos é uma figura complexa que, no contexto gnóstico, é frequentemente associada à sabedoria divina (Sophia). No entanto, em alguns relatos, Sophia é vista como tendo caído, o que implica que sua sabedoria, originalmente pura, foi corrompida no processo de criação do mundo. Astaphanos pode representar o poder da sabedoria e do conhecimento, mas também os perigos da sabedoria que não é plenamente compreendida ou aplicada corretamente.
Cada um desses poderes reflete aspectos do caos e da corrupção que surgem com a criação do mundo material, de uma perspectiva gnóstica. Eles são forças que distorcem ou controlam as energias divinas superiores, mantendo o ser humano preso a um ciclo de ignorância e sofrimento, até que o conhecimento verdadeiro (gnose) seja alcançado.
Pistis Sophia No último livro da Pistis Sophia, o mito da captura dos arcontes rebeldes retrata um cenário onde forças espirituais e cósmicas estão em conflito. Esses arcontes são governantes do mundo material e estão associados às forças do caos, ignorância e aprisionamento espiritual. O texto narra como essas entidades, lideradas por cinco figuras específicas, são subjugadas e colocadas sob controle, marcando o triunfo das forças divinas sobre a rebeldia dos poderes inferiores. Os cinco líderes dos arcontes mencionados no texto são:
Paraplex: É descrita como uma figura feminina que atua como um dos principais líderes entre os arcontes. Seu nome não tem uma referência direta na mitologia clássica, mas é possível que represente aspectos de ilusão ou engano que desviam as almas do caminho espiritual. Hécate: Um nome familiar na mitologia grega, onde Hécate é a deusa da magia, dos caminhos cruzados e do submundo. No contexto da Pistis Sophia, Hécate não é retratada como uma deusa, mas como uma arconte feminina rebelde. Sua conexão com o oculto e o limiar entre mundos pode simbolizar forças que tentam manter as almas presas no mundo material. Ariouth: Também descrita como uma figura feminina, ela é menos conhecida em outros mitos. É frequentemente chamada de "a justiça tirana", indicando uma personificação de uma justiça corrupta ou perversa, que pune sem compaixão ou equilíbrio. Typhon: Um nome de forte associação com a mitologia grega, onde Typhon é um monstro titânico que luta contra os deuses olímpicos. Na Pistis Sophia, ele representa uma força destrutiva e rebelde no cosmos, associada à violência e ao caos. Iachtanabas: Um nome menos familiar, mas interpretado como uma figura masculina associada ao mundo material e ao poder opressor dos arcontes. Seu papel parece simbolizar a arrogância ou a tirania que governa os níveis inferiores da criação.
No gnosticismo, os arcontes são descritos como forças que governam o cosmos material. Eles são considerados os responsáveis por aprisionar as almas humanas no mundo físico, mantendo-as afastadas do reino divino superior. A captura desses cinco líderes representa uma vitória espiritual e cósmica, permitindo a libertação das almas e o retorno à luz divina.
Essas forças são derrotadas e submetidas pela intervenção divina, que pode ser entendida como o poder do Cristo ou dos reinos superiores de luz. Isso simboliza a ideia gnóstica de que o conhecimento espiritual (gnose) é capaz de romper as correntes da ignorância e da opressão impostas pelos arcontes. O número cinco também pode ser significativo, representando os cinco sentidos, que no gnosticismo muitas vezes são associados à armadilha do mundo material. Ao subjugarem esses líderes, o texto sugere que o poder do espírito triunfa sobre as forças materiais e suas armadilhas sensoriais, ajudando a alma a ascender ao reino superior.
Apócrifo de João No Apócrifo de João, um texto central da tradição gnóstica, o Demiurgo Yaldabaoth (também chamado de Sakla, "o tolo", e Samael, "o deus cego") cria as doze autoridades, que governam o mundo material. Essas entidades são responsáveis por manter a ordem do cosmos físico, mas, na visão gnóstica, também desempenham o papel de aprisionar as almas no mundo material.
Aqui está um resumo das Doze Autoridades e suas características principais: Athoth (o Ceifador) Representa a força destrutiva da morte. O "ceifador" remete à colheita das vidas humanas, simbolizando o controle sobre os ciclos de vida e morte. Harmas (o Olho Ciumento)