Resumo do Grande Prêmio da Áustria de Fórmula 1 realizado em Österreichring em 15 de agosto de 1971. Oitava etapa do campeonato, foi vencido pelo suíço Jo Siffert, da BRM, com Emerson Fittipaldi em segundo pela Lotus-Ford e Tim Schenken em terceiro pela Brabham-Ford. Esta prova marcou ainda o segundo título de Jackie Stewart e a estreia do futuro tricampeão mundial, Niki Lauda.
Resumo Estreia caseira de Niki Lauda Quando Pedro Rodríguez faleceu, a BRM apressou-se em contratar Vic Elford para representar a equipe no recente Grande Prêmio da Alemanha, todavia o assento do time em Österreichring foi entregue a Peter Gethin, quarto piloto a defender a equipe das três letras, assim como Jo Siffert, Howden Ganley e Helmut Marko. Desfalcada pela saída de Gethin, a McLaren contratou Jackie Oliver, enquanto Mario Andretti desfalcou a Ferrari por conta da segunda edição do Grande Prêmio de Milwaukee de 1971, etapa válida no calendário do United States Auto Club.Houve duas edições do Grande Prêmio de Milwaukee: Al Unser venceu a corrida de 150 milhas pela Parnelli em 6 de junho de 1971, enquanto Bobby Unser venceu a corrida de 200 milhas pela Eagle em 15 de agosto de 1971. Insatisfeita com o desempenho de seus motores, a Matra não veio à Áustria, enquanto a March alugou um carro para o estreante Niki Lauda.
BRM acelera com perfeição Emerson Fittipaldi foi o mais rápido no treino de sexta-feira, com sua Lotus deixando a Tyrrell de Jackie Stewart e a Ferrari de Clay Regazzoni, justamente o trio de equipes que venceram todas as corridas desde o Grande Prêmio dos Países Baixos de 1970. Quarto colocado com a outra Ferrari, o belga Jacky Ickx ainda nutre a esperança de chegar ao título mundial, assim como o sueco Ronnie Peterson, embora sua March tenha ficado no décimo posto, com a BRM de Helmut Marko em décimo segundo num dia onde a McLaren de Jackie Oliver e a March de Henri Pescarolo (inscrita pela Frank Williams Racing Cars), não treinaram por falta de componentes para montar seus carros.
No dia seguinte, o brasileiro melhorou seu tempo, mas terminou em quinto porque o motor V12 da BRM pôs Jo Siffert em primeiro lugar aproveitando os trechos de aceleração plena em Österreichring, compensando os nuances das subidas e descidas do circuito, trazendo consigo os pilotos da Tyrrell, com Jackie Stewart adiante de François Cevert, enquanto Clay Regazzoni igualou a marca de Emerson Fittipaldi, mas o suíço da Ferrari classificou-se à frente por estabelecer seu tempo antes do rival da Lotus. Em relação ao título, os prognósticos estão a favor de Stewart, pois Jacky Ickx ficou em sexto e Ronnie Peterson em décimo primeiro. Note-se que a BRM não obtinha uma pole desde o Grande Prêmio dos Estados Unidos de 1965, sendo a primeira de Siffert desde o Grande Prêmio do México de 1968 e a última na carreira do suíço.
Para os austríacos, que em 1970 assistiram aqui a última corrida de Jochen Rindt, o treino foi marcado pelo décimo sétimo lugar da March de Helmut Marko e o penúltimo lugar da BRM de Niki Lauda, sendo estes os construtores com o maior número de carros inscritos para a corrida, com cinco e quatro bólidos, respectivamente. Felizmente o sábado terminou sem incidentes para os vinte e dois participantes do treino, exceto quando Jackie Oliver saiu da pista devido a uma falha nos freios e bateu sua McLaren na curva Bosch. No domingo, antes da largada, a McLaren alugada pela Ecurie Bonnier teve um vazamento de óleo, impedindo a participação de Jo Bonnier na corrida.
Última vitória de Jo Siffert Beneficiado por largar na pole position, Siffert manteve o primeiro lugar após a largada e trouxe consigo Stewart, Regazzoni, Cevert, Ickx e Schenken, que empurrou Emerson Fittipaldi para fora da zona de pontuação. À medida que os carros se acomodavam, o suíço da BRM impediu o ataque de Stewart, assim como Regazzoni defendeu-se de Cevert e Ickx manteve Schenken atrás de si, enquanto falhas sucessivas no motor e na bateria fizeram Mike Beuttler largar com duas voltas de atraso. Na quarta passagem, Ickx é superado pelo australiano da Brabham e cai de rendimento, permitindo que Fittipaldi subisse para sexto. Quase ao mesmo tempo, a Ferrari de Regazzoni foi superada pela Tyrrell de Cevert, atestando o mau momento da equipe italiana. Entre as voltas quatro e oito, Denny Hulme abandona por quebra no motor da McLaren, Howden Ganley por defeito na ignição da BRM e Clay Regazzoni também por causa do motor, embora tenha superado Cevert na curva Texaco antes de tomar o revide na reta e parar.
Entre as voltas dez e vinte, a vantagem de Siffert em relação aos carros da Tyrrell subiu de três para sete segundos, com Stewart mantendo-se adiante de Cevert mesmo com a máquina do piloto britânico sofrendo com o excesso de vibrações, enquanto a Brabham de Schenken e a Lotus de Fittipaldi vinham a seguir numa perseguição onde o australiano era melhor nas partes rápidas do circuito e o brasileiro descontava nas partes lentas, deixando-os próximos um do outro, com Wisell perdendo o sexto lugar para Hill. Nesse ínterim, John Surtees ficou a pé na volta doze e Niki Lauda arrastou-se nas últimas posições até parar sua March na volta vinte, enquanto Petersom e Ickx estavam fora da zona de pontuação, tornando o bicampeonato mundial de Stewart apenas uma questão de tempo, embora o carro do mesmo estivesse cada vez mais arisco, a ponto de ser ultrapassado por Cevert na volta vinte e três.
Siffert continuou firme na liderança mesmo com as duas máquinas da Tyrrell invertendo posições. Destemido, ele deixou os retardatários par trás antes de assinalar a melhor volta da corrida na vigésima nona passagem. Enquanto isso, Schenken e Fittipaldi duelavam pelo quarto lugar com Hill e Wisell engalfinhados na luta pela sexta posição até os corredores da Lotus superarem seus adversários. Jacky Ickx abandona a corrida após trinta e uma voltas em razão de um defeito no motor e quatro giros mais tarde, Jackie Stewart abandona à altura da curva Texaco quando o semieixo de seu carro quebrou e uma das rodas soltou-se, fazendo-o estacionar na grama, em seu primeiro abandono no ano, mas com Ronnie Peterson em nono com uma March desgastada, conquistar o título mundial era apenas uma questão de formalidade.
Vendo que a diferença entre ele e Siffert aumentou de quinze para vinte e quatro segundos, Cevert diminuiu o ritmo para atenuar o desgaste do equipamento, mas a perda da quinta marcha o fez perder a vice-liderança para Fittipaldi na volta quarenta e dois, quando o francês recolheu-se aos boxes com o motor avariado, ocasionando a ascensão de Henri Pescarolo à zona de pontuação. A desvantagem do brasileiro era de vinte e sete segundos, mas a BRM de Siffert apresentava uma instabilidade traseira alarmante graças a um furo em um dos pneus, e assim Fittipaldi descontava cerca de três segundos por volta. Até o fim da contenda, as posições de Siffert, Fittipaldi, Schenken, Wisell, Hill e Pescarolo mantiveram-se inalteradas, mas Fittipaldi mantinha o arrojo em sua caçada a Siffert: na volta cinquenta, dezessete segundos os separavam, quatorze no giro seguinte e nove segundos na volta cinquenta e dois. Quando eles abriram a penúltima volta, sete segundos os separavam, e na volta final a diferença era de quatro segundos, o bastante para que Jo Siffert marcasse um grand chelem: pole position, melhor volta, liderança de todas as voltas da corrida e vitória, aliás a última de sua carreira.
"Acredito que se a prova tivesse mais uma volta eu seria o vencedor", declarou Emerson Fittipaldi, o segundo colocado. Para Tim Schenken, o terceiro lugar foi marcante por diferentes motivos: marcou o primeiro ano de sua estreia na Fórmula 1, foi o único pódio de sua carreira e o melhor resultado da Brabham sob o comando de Ron Tauranac. Completaram a zona de pontuação, a Lotus de Reine Wisell, a Brabham de Graham Hill (este não pontuava desde o Grande Prêmio da Grã-Bretanha de 1970) e a March de Henri Pescarolo.
Duas vezes Jackie Stewart Para Jackie Stewart, a alegria começou quando Ronnie Peterson cruzou em oitavo lugar, sacramentando o bicampeonato mundial do piloto britânico, primeiro colocado na tabela com 51 pontos, contra 19 do combalido Jacky Ickx e 17 do próprio Ronnie Peterson. Tal como em 1969, Stewart venceu sob a batuta de Ken Tyrrell, dominando o campeonato graças ao seu talento e a excelência do modelo Tyrrell 003, enquanto a falta de confiabilidade dos rivais acabou por enfraquecê-los, vide as quebras sucessivas da Ferrari de Jacky Ickx ou o aprumo tardio da March de Ronnie Peterson. Projetado por Derek Gardner, o Tyrrell 003 estreou no Grande Prêmio da Espanha e possuía um chassi que combinava o redesenho da área frontal, maior distância entre-eixos e um monocoque de alumínio mais estreito, ajustando-se à pilotagem "suave" de Stewart, pois o carro mantinha-se estável em curvas de alta velocidade, inclusive a parte traseira, além de possuir melhor tração nas saídas de curva.
Stewart foi realista quanto à boa qualidade de sua Tyrrell azul, estendendo os méritos de sua conquista também para os fornecedores de pneus, motores e combustível. "Para vencer, não usei gasolina especial nem motor envenenado. Ganhei porque minha máquina tem um motor melhor, um chassi melhor e melhores pneus. Se é verdade que Stewart é o piloto número um, também é verdade que Ken Tyrrell é o primeiro entre os construtores".
Classificação Treinos classificatórios Pos. N.º Piloto Construtor Tempo Dif. 1 14 Jo Siffert BRM 1:37.44 — 2 11 Jackie Stewart Tyrrell-Ford 1:37.65 + 0.21 3 12 François Cevert Tyrrell-Ford 1:37.86 + 0.42 4 5 Clay Regazzoni Ferrari 1:37.90 + 0.46 5 2 Emerson Fittipaldi Lotus-Ford 1:37.90 + 0.46 6 4 Jacky Ickx Ferrari 1:38.27 + 0.83 7 8 Tim Schenken Brabham-Ford 1:38.64 + 1.20 8 7 Graham Hill Brabham-Ford 1:38.70 + 1.26 9 9 Denny Hulme McLaren-Ford 1:38.80 + 1.36 10 3 Reine Wisell Lotus-Ford 1:38.95 + 1.51 11 17 Ronnie Peterson March-Ford 1:39.01 + 1.57 12 24 Rolf Stommelen Surtees-Ford 1:39.08 + 1.64 13 25 Henri Pescarolo March-Ford 1:39.09 + 1.65 14 15 Howden Ganley BRM 1:39.46 + 2.02 15 19 Nanni Galli March-Alfa Romeo 1:39.54 + 2.10 16 23 Peter Gethin BRM 1:39.67 + 2.23 17 16 Helmut Marko BRM 1:39.80 + 2.36 18 22 John Surtees Surtees-Ford 1:40.37 + 2.93 19 27 Mike Beuttler March-Ford 1:41.46 + 4.02 20 28 Jo Bonnier McLaren-Ford 1:41.66 + 4.22 21 26 Niki Lauda March-Ford 1:43.68 + 6.24 22 10 Jackie Oliver McLaren-Ford 1:44.22 + 6.78Fontes:
Corrida Pos. Nº Piloto Construtor Voltas Tempo/Diferença Grid Pontos 1 14 Jo Siffert BRM 54 1:30:23.91 1 9 2 2 Emerson Fittipaldi Lotus-Ford 54 + 4.12 5 6 3 8 Tim Schenken Brabham-Ford 54 + 19.77 7 4 4 3 Reine Wisell Lotus-Ford 54 + 31.87 10 3 5 7 Graham Hill Brabham-Ford 54 + 48.43 8 2 6 25 Henri Pescarolo March-Ford 54 + 1:24.51 13 1 7 24 Rolf Stommelen Surtees-Ford 54 + 1:37.42 12 8 17 Ronnie Peterson March-Ford 53 + 1 volta 11 9 10 Jackie Oliver McLaren-Ford 53 + 1 volta 22 10 23 Peter Gethin BRM 52 + 2 voltas 16 11 16 Helmut Marko BRM 52 + 2 voltas 17 12 19 Nanni Galli March-Alfa Romeo 51 + 3 voltas 15 NC 27 Mike Beuttler March-Ford 47 Não classificado 19 Ret 12 François Cevert Tyrrell-Ford 42 Motor 3 Ret 11 Jackie Stewart Tyrrell-Ford 35 Semieixo 2 Ret 4 Jacky Ickx Ferrari 31 Motor 6 Ret 26 Niki Lauda March-Ford 20 Handling 21 Ret 22 John Surtees Surtees-Ford 12 Motor 18 Ret 5 Clay Regazzoni Ferrari 8 Motor 4 Ret 15 Howden Ganley BRM 5 Ignição 14 Ret 9 Denny Hulme McLaren-Ford 4 Motor 9 DNS 28 Jo Bonnier McLaren-Ford 0 Vazamento de combustível 20Fontes:Voltas na liderança: Jo Siffert liderou as 54 voltas da prova.
Tabela do campeonato após a corrida
Classificação do mundial de pilotos Pos. Piloto Pontos 1 Jackie Stewart 51 2 Jacky Ickx 19 3 Ronnie Peterson 17 3 4 Emerson Fittipaldi 16 7 5 Jo Siffert 13Fontes:
Classificação do mundial de construtores Pos. Equipe Pontos 1 Tyrrell-Ford 51 2 Ferrari 32 2 3 BRM 21 4 Lotus-Ford 19 2 5 March-Ford 18Fontes: