A seleção brasileira de voleibol masculino é a seleção nacional de voleibol adulta profissional brasileira, organizada e gerenciada pela Confederação Brasileira de Voleibol (CBV). Sua estreia em competições internacionais foi no Campeonato Sul-Americano de 1951, antes mesmo da fundação da CBV. Seus resultados esportivos começaram a aparecer de forma consistente na década de 1980, que configurou o voleibol brasileiro como força mundial. Conquistou a medalha de ouro olímpica três vezes, nos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992, nas Olimpíadas de Atenas em 2004 e nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. No início do século XXI, a seleção tornou-se hegemônica, ganhando 16 de 20 torneios disputados e indo ao pódio mais 4 vezes.
Nos Jogos Pan-Americanos, o Brasil é penta-campeão, tendo conquistado cinco medalhas de ouro (1963, 1983, 2007, 2011 e 2023),
De 2002 a 2006, a seleção completou quatro anos de domínio absoluto no voleibol, com dois títulos Mundiais e um Olímpico. Façanha só conseguida pela antiga URSS e pelos EUA.folha.uol.com.br/ Revolução e lenda em quadra
Em julho de 2010 a seleção brasileira conquistou o eneacampeonato da Liga Mundial da FIVB (1993, 2001, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2009 e 2010), tornando-se a seleção nacional mais bem-sucedida da história do campeonato. Ainda em 2010, a seleção conquistou o tricampeonato mundial de forma consecutiva. Atualmente ocupa o terceiro lugar geral do ranking da FIVB.
História
Início esquerda|thumb|250px|Campeonato Mundial de 2006, no Japão. Os brasileiros comemoram após vitória contra a Sérvia e Montenegro. O primeiro resultado relevante da Seleção foi a conquista do Campeonato Sul-Americano de 1951, antes mesmo da fundação da Confederação Brasileira de Voleibol. A equipe era formada pelos seguintes jogadoresJornal dos Sports (Ano 1951\Edição 00705): Henrique Otávio, Betinho, Álvaro Benício, Hélio Silva, Octávio, Lúcio Figueiredo, Hélcio Macedo, Jorge de Almeida, Maurício Macedo, Geowaldo Bentes (Tite), Paulo Augusto, John O'Shea, técnico: Paulo Azeredo.
Até a década de 1980, porém, o voleibol ainda era um esporte de pouca valorização no Brasil, além de carregar a conotação de que se tratava de um esporte “para meninas”, enquanto o futebol seria a prática “dos meninos”, já que os gestos praticados na modalidade, diziam, eram muito "afeminados". Assim, até o final da década de 1970, a seleção obteve resultados a âmbitos mundiais que variavam entre os décimo quinto e quinto lugares.
A década de 1980 e a Geração de prata A partir da década de oitenta, com a chamada Geração de prata, o voleibol brasileiro começou a obter resultados importantes, como o título nos Jogos Pan-Americanos de 1983 e a medalha de prata nas Olimpíadas de Los Angeles em 1984. Esses resultados, aliados a investimentos de marketing e formação de base, melhoraram sensivelmente o nível do voleibol nacional. Entre os eventos promocionais, uma partida entre o Brasil e a URSS, então a melhor seleção do mundo, no Maracanã, pode ser considerada um evento histórico do voleibol nacional. Estes resultados só foram possíveis graças a uma revolução tática, através da introdução de bolas atacadas atrás da linha dos três, que eram realizadas de modo sistemático e executadas com maior velocidade do que as realizadas esporadicamente por algumas equipes do mundo mais consistentes.
A Década de 1990 e o primeiro ouro olímpico Esta revolução tática trazida pela Seleção resultaram no ouro nas Olimpíadas de Barcelona, em 1992. José Roberto Guimarães adotou um estilo de jogo com apenas um central de ofício em quadra, Paulão. Marcelo Negrão, o oposto, em duas passagens bloqueava no meio da rede. O time era tão versátil no ataque que Negrão atacava com a mesma facilidade bolas de primeiro tempo e as bolas de fundo, altas. Adotando este estilo de jogo, o Brasil começou a ter equipes fortes e também a exportar jogadores para todo o mundo.
Equipe Base - Jogos Olímpicos de 1992Jogadores SuplentesJorge ÉdsonJanelsonDouglas ChiarottiTalmoPampaAmauri Ribeiro
Embora o Brasil tenha conquistado as Olimpíadas de 1992, em uma final contra os Países Baixos, que foram campeões em 1996 contra a Itália, a década de 1990, seria dominada pela seleção italiana, que ganharia, entre outros, a Liga Mundial (7 vezes): 1990, 1991, 1992, 1994, 1995, 1997, 1999 (embora as Olimpíadas de 1992 tenham sido vencidas pelo Brasil, em uma final contra os Países Baixos, que foram campeões em 1996 contra a Itália).
A Década de 2000 e a dominância Mas os melhores resultados ainda estavam por vir. No início do século XXI, sob o comando do treinador Bernardinho, que introduziu o que alguns consideram a "última revolução tática do vôlei", a seleção tornou-se praticamente invencível. Esta tática consistia na bola de tempo atacada do fundo, pela posição seis. De 2001 a 2006, a seleção disputou 20 títulos, obtendo 16 primeiros lugares, 3 segundos lugares e 1 terceiro lugar. Os primeiros lugares incluíram dois Campeonatos Mundiais, cinco Ligas Mundiais, uma Copa do Mundo, uma Copa dos Campeões e uma Olimpíada.
Equipe Base - 2001 a 2006Jogadores SuplentesLevantadorMaurícioPonteiroGiovaneOpostoAndersonCentralRodrigãoPonteiroDante direita|thumb|200px|Uniforme principal da seleção brasileira nas cores verde e amarelo, até 2007 Entre 2007 e 2016, a seleção ainda conquistou mais uma Olimpíada, um Campeonato Mundial, três títulos da Liga Mundial, uma Copa do Mundo e duas Copa dos Campeões. Nessas campanhas vitoriosas da seleção, um jogador sempre destacou-se dos demais apesar do ótimo grupo do Brasil, Giba. Quase sempre titular em todas as conquistas do Brasil na era Bernardinho, Giba alcançou três vezes o pódio olímpico e conquistou três Campeonatos Mundiais, duas Copas do Mundo, três Copas dos Campeões, oito Ligas Mundiais, um Pan-Americano e oito Sul-Americanos. Ao conquistar o título mundial em 2010, Leandro Vissotto igualou-se a Nalbert e tornou-se o segundo jogador a obter títulos mundiais em todas as categorias: Sub-19, Sub-21 e adulta.
A sequência de resultados positivos é certamente fruto de uma administração de qualidade, que conseguiu transformar o voleibol no segundo esporte no coração dos brasileiros, e que conseguiu ótimos resultados também no vôlei de praia, no qual, segundo a CBV, em 149 torneios internacionais organizados pela Federação Internacional de Voleibol, o Brasil subiu ao pódio 142 vezes (entre 1987 e 2003). Os resultados de 2001 a 2006 são, por muitos, atribuídos à grande qualidade da equipe, mas principalmente à capacidade do técnico Bernardinho de obter resultados. Após o Campeonato Mundial de 2006 a seleção brasileira ocupava o primeiro lugar no ranking da FIVB, com 195 pontos (63 pontos a mais que o segundo colocado, a Itália).Histórico no ranking da Federação Internacional de Voleibol:
5 de dezembro de 2006: 5 de janeiro de 2008: 15 de janeiro de 2010: 2 de outubro de 2011: 5 de dezembro de 2011: 22 de julho de 2013: 21 de julho de 2014: 22 de setembro de 2014: 11 de agosto de 2015: Setembro de 2015: Outubro de 2015: 18 de julho de 2016: Dos onze jogadores no topo do ranking brasileiro (valendo 7 pontos para as equipes), dez atuavam no exterior e um estava sem equipe. Em 5 de janeiro de 2008, a seleção já aparecia com 260 pontos (60.5 pontos a mais que o segundo colocado, a Rússia), a maior pontuação da história do Brasil no ranking da FIVB até aquele momento. Bernardinho assumiu o comando da seleção masculina em 2001 e, em 18 de agosto de 2010, somava 331 partidas, com 299 vitórias e 32 derrotas.
A Década de 2010 e 2020: O declínio Após uma sequência de domínio nos anos 2000 e até o ano de 2010, o Brasil passou a enfrentar uma sequência de vices na Liga Mundial entre 2011 e 2014, além dos anos de 2016 e 2017. Em 2015, a equipe ficou de fora das semifinais dentro de casa, correspondendo ao pior desempenho até então desde o começo da dominança no cenário do voleibol em 2002.
No Mundial de 2014, a equipe perdeu a decisão para a Polônia pela primeira vez desde que passou a disputar as finais do torneio em 2002. Com essa derrota, os brasileiros passariam a ter os poloneses como seus maiores algozes em fase final de diversos torneios. Nos Jogos Olímpicos de Verão de 2016, a equipe até chegou a fazer uma fase de grupos bastante abaixo do que se costumava jogar terminando em quarto lugar (mas se classificando para a fase final), diferente de 2012 quando dominou a competição, mas foi superada pela Rússia num jogo controverso de disputa pela medalha de ouro. No entanto, o desfecho de 2016 acabaria sendo positivo para os brasileiros, que conquistariam o tricampeonato olímpico ao vencer a Itália na grande decisão pela segunda vez, repetindo a final de 2004.
Equipe Base - Ouro nos Jogos Olímpicos de 2016Jogadores SuplentesLevantadorWilliamPonteiroDouglasOpostoEvandroCentralÉderPonteiroMaurício Borges Com a saída de Bernardinho em 2017, a seleção passou a ser treinada por Renan Dal Zotto e o time passou a enfrentar uma certa queda de rendimento com a renovação. Em 2018, foi novamente vice-campeã do Campeonato Mundial de Voleibol, perdendo a final para a Polônia pela segunda vez em quatro anos. Na Liga das Nações, o Brasil ficou de fora por duas vezes seguidas da fase final, além de terminar em quarto lugar, perdendo as disputas do bronze para os Estados Unidos (2018) e a Polônia (2019). Com a seca de títulos mundiais que vivia desde 2010, o Brasil acabaria quebrando esse ciclo conquistando a Copa do Mundo de 2019 ao fechar a competição com invencibilidade.
Na Liga das Nações de 2021, a seleção foi treinada pelo auxiliar Carlos Schwanke, já que Dal Zotto estava internado por complicações da COVID-19. Pela competição, o Brasil conquistaria o seu primeiro título ao derrotar a Polônia, sua maior pedra no sapato, de virada na final por 3 a 1, encerrando um jejum de onze anos sem vencer uma Liga. No entanto, nos Jogos Olímpicos de Verão de 2021 (que usaram a marca Tóquio 2020 por questões de patrocínio), os brasileiros enfrentariam aquele que seria o início da maior crise da história da seleção desde o início do auge da geração de prata ao ser eliminados pela Rússia (que disputou como Comitê Olímpico Russo devido as punições pelo uso de doping) na semifinal, chegando a tomar uma virada na parcial do segundo set que estava em 20 a 14 para os brasileiros. Na disputa do bronze, foram superados pela Argentina no tie-break, repetindo o cenário das Olimpíadas de 1988. Na Liga das Nações de 2022, o Brasil fez uma campanha mediana, chegando a perder para a China por 3 a 0 em casa, causando a perda da liderança no ranking da FIVB pela primeira vez em 20 anos. Nas quartas de final, foram superados pelos Estados Unidos, fechando em sexto lugar. Pelo Campeonato Mundial daquele ano, ficaram com a inédita medalha de bronze ao vencer a Eslovênia, além de terem perdido de novo para a Polônia nas semifinais.
O ano de 2023 marcaria o agravamento da crise no voleibol masculino do Brasil. Na VNL, perdeu para a Polônia na casa dos maiores rivais nas quartas. No Campeonato Sul-Americano, a seleção perderia a sua hegemonia estabelecida desde 1951 para a Argentina, causando forte repercussão. Apesar de todos os problemas, a equipe conquistou a vaga para os Jogos Olímpicos de Verão de 2024 no pré-olímpico no Rio de Janeiro, fechando o torneio com apenas uma derrota, para a Alemanha. A vitória sob a Itália na última rodada foi crucial, além de também ser anunciado no final do jogo a demissão de Renan Dal Sotto (por pedido próprio) devido aos maus resultados que acumulava e a volta de Bernardinho.