A cultura do Paraná é o conjunto de manifestações artístico-culturais desenvolvidas pelo povo paranaense. É possível observar a cultura local no artesanato, nos costumes, nos hábitos, na culinária, na religiosidade, no folclore, ou seja, nas diferentes maneiras de expressão dos paranaenses..

No começo do período colonial, os hábitos e as lendas dos indígenas redimensionaram a cultura da Europa, principalmente de Portugal e da Espanha. O povo paranaense recebeu, como legado dos indígenas, vários hábitos, como o costume de ingerir plantas herbáceas, erva mate, pinhão, mel, milho, mandioca e tabaco. Depois, os tropeiros colaboraram com o hábito de consumir o chimarrão, o café e o feijão-de-tropeiro. Os africanos trouxeram como legado a feijoada, a cachaça, suas danças e ritos.

Posteriormente, durante o período imperial, os imigrantes europeus, que se estabeleceram, especialmente no sul e leste do Paraná, deixaram manifestações próprias, que se mesclaram à preexistente cultura popular estadual. Tradições estrangeiras como, por exemplo, polonesas, alemãs, ucranianas, libanesas e japonesas, adicionaram-se às manifestações de procedência indígena, africana, lusitana e castelhana, diversificando ainda mais a cultura do Paraná.

Dessa forma, o Paraná constitui uma imensa formação cultural que recebeu influência de grupos que vieram de seus países ou Estados por diversos motivos. Toda essa miscigenação diz respeito à cultura paranaense, representada e manifestada na arquitetura, na literatura, na música e em demais artes cênicas e visuais.

Composição étnica e paranaenses ilustres

thumb|200px|Índios caiouás em 1860, no Paraná. Aos indígenas, o paranaense deve o nome de seu estado e de muitas de suas cidades.|esquerda Em sua composição étnica, a cultura do Paraná soma uma abundância de etnias como portugueses, espanhóis, italianos, alemães, neerlandeses, eslavos, poloneses, ucranianos, árabes, coreanos, japoneses, indígenas e africanos, além dos próprios gaúchos, catarinenses, paulistas, mineiros e nordestinos, que colaboraram para o fortalecimento da identidade do povo paranaense.

Conforme os estudos de Alessandro Batistella, a invenção da tradição paranaense começou a ser moldada desde 1853, quando ocorreu a emancipação política do estado. O principal movimento que buscou construir uma identidade paranaense foi o Paranismo, o qual buscou uma "formulação de uma auto-imagem do estado do Paraná, em contraposição às outras regiões do Brasil". Esta imagem, por sua vez, foi construída em cima da emigração europeia e o do indígena idealizado (não o real). Assim sendo, intelectuais como Romário Martins, darão pouco ou quase nada de espaço para o papel africano na constituição do Estado. Todavia, as pesquisas acadêmica tem ao longo dos anos demonstrado que a população negra foi fundamental na construção do Paraná, trazendo contribuições científicas, filosóficas e culturais para o Estado.

Entre os principais paranaenses ilustres em diversas áreas pode-se destacar: David Carneiro, um dos mais renomados historiadores brasileiros; os escritores Dalton Trevisan, Laurentino Gomes; Helena Kolody e Paulo Leminski; os cientistas César Lattes, Metry Bacila, João José Bigarella, Riad Salamuni e Newton Freire-Maia, este último mineiro radicado em Curitiba; os médicos Moysés Paciornik, Erasto Gaertner, César Pernetta e Atlândido Borba Côrtes; os professores e educadores Anízio Alves da Silva, inventor do supletivo (atualmente conhecido como Educação de Jovens e Adultos), Sebastião Paraná e Júlia Wanderley; os filósofos Mario Sergio Cortella, Oswaldo Giacóia e Roberto Romano; os jornalistas Fábio Campana, Teresa Urban e Aramis Millarch; os políticos e ex-governadores Roberto Requião de Mello e Silva, Moysés Lupion e Jaime Lerner, também arquiteto e urbanista; os desportistas Vanderlei Cordeiro de Lima, maratonista; Gilberto Amauri Godoy Filho, voleibolista; Natália Falavigna, taekwondista; os futebolistas Deivid Willian da Silva e Dirceu José Guimarães; os cantores Michel Teló, medianeirense; as duplas Nhô Belarmino e Nhá Gabriela; Chitãozinho e Xororó, astorguenses; e Jads e Jadson, catanduvenses; as atrizes Sônia Braga, maringaense; Lala Schneider, iratiense; Grazi Massafera, jacarezinhense; Maria Fernanda Cândido, londrinense; os atores Tony Ramos, araponguense; Ary Fontoura; e Mário Schoemberger, curitibanos, dentre vários outros.

Movimento paranista e a busca da identidade cultural

A emancipação política do Paraná em 1853 criou a Província do Paraná. Naquela época as cidades paranaenses resumiam-se entre o litoral, região de Curitiba e Campos Gerais. A região era essencialmente rural, com práticas agrícolas e pecuárias como pilares da economia local. Poucas eram conhecidas as representações culturais genuinamente paranaenses, até porque se tratava de um território recém-formado e pouco povoado. Até então a maior parte das representações populares do estado eram de elementos biológicos como, por exemplo, as araucárias e o pinhão, a formação biogeográfica como os campos gerais, além dos planaltos, arenitos, rios e grandes quedas de águas como as Cataratas. Os mitos e as histórias contadas pelo povo se baseavam em personagens como o colono, o tropeiro e o índio. thumb|esquerda|200px|Chegada do Conselheiro Zacarias em Curitiba, do pintor curitibano Artur José Nísio (óleo sobre tela, 1953). Após o surgimento da República, em 1889, existiu um movimento no país em busca de uma linguagem que definisse o que era ser brasileiro. No Paraná, o que contribuiu para alimentar essa busca foi o ciclo econômico provocado pela erva-mate nas décadas anteriores e a promessa de um terreno fértil em busca da modernização do estado. Esse cenário foi determinante para se criar um contexto que ajudasse a identificar os elementos da cultura paranaense. Em 1900 foi fundado o Instituto Histórico e Geográfico do Paraná. Essa iniciativa não se dissociava das políticas nacionais e nacionalistas, inserindo-se no projeto de forjar uma história regional aglutinando todas as etnias presentes no estado.

Em 1906 o poeta Domingos Nascimento viajou ao norte do estado e teria chamado os paulistas que viviam naquela região de "paranistas", já que não eram considerados paranaenses. Fazendo referência a essa expressão, em 1927 surgiu o termo "paranismo" em um manifesto publicado pelo político e historiador Romário Martins, um dos líderes do Movimento Paranista. A denominação foi adquirida pelo movimento que conseguiu traduzir essa sensação de pertencimento a todos que viviam no Paraná, mas não tinham nascido no estado, principalmente em uma época de intensa imigração, onde a região recebia milhares de imigrantes e pessoas que vinham de todo o Brasil. Foi criada também em 1927 a revista Ilustração Paranaense. A revista, dirigida por João Batista Grofft, tinha o papel de divulgar o movimento e o desenvolvimento econômico do estado. A Ilustração Paranaense circulou até 1930, ano em que o movimento começou a perder força.

thumb|200px|Desenhos em formato de pinhões em calçada da rua XV de Novembro em Curitiba, herança do Movimento Paranista. O Movimento Paranista teve um papel importante na construção de uma identidade regional para o Paraná. O movimento teve participação de intelectuais, artistas e literatos que divulgaram as histórias e as tradições paranaenses, com essência indígena e símbolos como o pinheiro, o mate e a paisagem. Entretanto, críticos ao movimento apontavam que histórias e tradições de outros grupos étnicos que habitavam o Paraná não foram reverenciadas ou se quer citadas, como a de negros e de colonos empobrecidos vindos da Europa, e até mesmo a cultura indígena teria sido subestimada. Os paranistas passavam uma ideia que a identidade dos paranaenses era de um "povo branco e europeu". Nesta época os índios foram retratados como “bom selvagem”, de um povo exótico, generoso e valente. Já em relação aos negros africanos, é que eram "poucos numerosos" no Paraná, fato que não era verdade, além do mais, os negros e mestiços tiveram grande importância econômica no estado e contribuição na criação da identidade do Paraná. A camuflagem era parte da herança da sociedade escravocrata brasileira.

Contudo, o movimento teve, principalmente através das artes plásticas, a busca por construir uma identidade regional do Paraná, para criar na população local um sentimento de pertencimento à terra. Os ideais do movimento refletiram em vários aspectos culturais, como na literatura e na arquitetura. Um exemplo de onde se pode se observar a marca paranista é nas calçadas feitas com pedras portuguesas em Curitiba. A técnica de fazer um mosaico também conhecida como petit-pavé, retratou diferentes desenhos em formas geométricas de pinheiros e pinhões. Entre os integrantes do movimento se destacaram Romário Martins, Guido Viaro, João Turin, Theodoro de Bona, Zaco Paraná, Lange de Morretes, João Ghelfi, entre outros, que contribuíram para deixar impressos os símbolos paranistas. Embora o movimento tenha resistido pouco tempo, consequentemente refletiu não só na cultura, mas também na política e na economia do Paraná.

Lendas e misticismo thumb|200px|Monge João Maria, personagem presente no imaginário do povo paranaense. O Paraná possui diversas lendas. Muitas delas remetem ao imaginário indígena no estado. Assim como em todo o Brasil, as lendas e mitos possuem origem na mitologia dos índios nativos, recebendo influências dos europeus e dos africanos. Parte do folclore paranaense teve muitos dos seus elementos registrados e comentados por viajantes no período colonial, entretanto, só começou a receber atenção da comunidade acadêmica e intelectual a partir do século XX. Uma das iniciativas que buscaram resgatar as lendas e os mitos no estado foi do Movimento Paranista.

Os mitos e as lendas são fenômenos da mente, dos dados individuais e coletivos, da trajetória épica, trágica ou cômica, dos seres humanos, e no Paraná não foi diferente. As histórias da tradição oral paranaense permaneceram no imaginário, que ao tentar explicar o inexplicável, estabeleceram uma ligação entre o passado e presente. Muitos contos do Paraná envolvem religião, assombrações, milagres, cemitérios e tesouros escondidos, entre outros temas que surgiram despretensiosamente por meio da fé, do medo, da culpa, do poder e, na maior parte das vezes, de uma imaginação muito fértil.

Algumas das principais lendas são: A lenda das Rosas Loucas; a lenda da Araucária e da Gralha Azul; A lenda da Erva-Mate (lenda Caá-Yaríi); a lenda das Cataratas do Iguaçu; a lenda da Vila Velha; a lenda de Nossa Senhora da Luz; a lenda da Gruta das Encantadas; a lenda da Ana Bege; as lendas e crenças no monge São João Maria. Além das lendas, o Paraná é rico em crenças e misticismo, podendo encontrar as mais diversas crendices populares em algumas regiões do estado. As mais conhecidas são a de Maria Bueno, de Curitiba; a de Corina Portugal, de Ponta Grossa; a da Santa do Paredão, de Jaguariaíva; a de Maria Aparecida Beruski e da Santa Pastorina, de Tibagi.

Culinária

thumb|esquerda|Um barreado em um prato de porcelana.|200px