Acrocinus longimanus (denominado popularmente, em português (BRA)ː arlequim, arlequim-da-mata, arlequim-grande, arlequim-de-caiena, besouro-da-figueiraHOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles; FRANCO, Francisco Manoel de Mello (Op. cit., p.439.).FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda (Op. cit., p.251.). e broca-da-jaqueira;HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles; FRANCO, Francisco Manoel de Mello (Op. cit., p.516.). em castelhanoː escarabajo arlequín (COL; VEN), aserrador arlequín (VEN), arlequín de cayena (ARG); em inglêsː harlequin beetle) é um inseto da ordem Coleoptera e da família Cerambycidae, subfamília Lamiinae; um besouro cujo habitat são as florestas tropicais da região neotropical, desde o sul do México até o Brasil e norte da Argentina, incluindo as ilhas caribenhas de Trindade e Tobago; mas não avistado no Chile e no Uruguai.
A espécie fora descrita em 1758, por Carolus Linnaeus, com a denominação Cerambyx longimanus, em sua obra Systema Naturae (com sua localidade-tipo descrita como America), sendo a única espécie do gênero Acrocinus (táxon monotípico), criado por Johann Karl Wilhelm Illiger em 1806; apresentando dimorfismo sexual aparente, com machos possuindo suas pernas anteriores muito mais desenvolvidas que as das fêmeas, chegando a atingir duas vezes o comprimento de seus corpos e podendo exibir certo grau de curvatura e cerca de 15 centímetros; daí provindo o seu epíteto específico latinoː longimanus. Está relatado que eles usam suas pernas dianteiras em brigas com outros machos para monopolizar locais adequados de acasalamento e para a oviposição das fêmeas, mantendo suas pernas perpendiculares ao corpo e dando cabeçadas e mordidas em seus rivais.
Descrição Machos e fêmeas possuem a mesma coloração vistosa, porém eficiente para se camuflar na casca dos troncos cobertos de líquens e fungos das árvores onde se aninham; sendo besouros grandes, com comprimento de corpo variando de 4,3 a 7,5 ou 7,6 centímetros e dotados de antenas pretas e filiformes, mais longas que o comprimento do corpo, com pequenas manchas alaranjadas nas suas junções; além de protórax com tubérculos longos, em forma de espinhos, um de cada lado, e élitros com fundo preto e padrões simétricos em amarelo-esverdeado a laranja-avermelhado (o que lhes valeu a denominação de "arlequim"), além de serem cobertos por densa pubescência. O comprimento das pernas dianteiras dos machos é duas vezes maior que o comprimento das pernas dianteiras das fêmeas, que não apresentam a grande curvatura dos machos em sua porção superior.
Som Este inseto é capaz de produzir um som audível aos seres humanos, quando manipulado ou importunado.
Biologia Indivíduos adultos de Acrocinus longimanus possuem atividade diurna, mas também são atraídos pela luz artificial noturna. Sobre sua biologia escreveu Gregório Bondar, no texto "Novos pormenores sobre a biologia do arlequim-da-mata" (publicado em Chácaras & Quintais, São Paulo, vol. 34, p. 245-247, 1926), que esta espécie dá preferência por árvores definhadas ou em vias de se extinguir, atingidas pelo fogo, machado, ou recém derrubadas e que, na falta destas, podem aceitar árvores em perfeita saúde, também dando a sua maior preferência por árvores da família Moraceae. Nelas, as fêmeas desovam em média 11 e podendo variar, sua postura, de 8 a 20 ovos brancos e compridos; fazendo incisões horizontais de 2 centímetros, nos troncos, com suas mandíbulas e voando, depois, para outras paragens.
As larvas nascem entre 6 a 8 dias após a postura e se desenvolvem por 1 ou 2 anos até atingir a maturidade, fazendo galerias logo abaixo da casca e que aumentam com seu crescimento até atingir o lenho; possuindo, as larvas, uma forma cilíndrica, levemente ovalada, e medindo até 14 centímetros de comprimento quando desenvolvidas. A serragem decorrente desta atividade é expelida pelos orifícios de abertura, na casca, e se acumula na base dos troncos, até a formação da pupa; sendo que fêmeas as apresentam um pouco menores do que os machos. Antes da metamorfose a entrada da galeria é vedada contra o ataque de predadores. Os adultos são principalmente herbívoros, mas há casos em que se alimentaram de excrementos de animais.
Lista de espécies e gêneros de árvores utilizadas por larvas de A. longimanus
Couma guianensis (sorva ou sorveira) — Apocynaceae Parahancornia fasciculata (amapá-amargoso) — Apocynaceae Caryocar brasiliense (pequizeiro, piqui, piquiá e pequiá) — Caryocaraceae Lonchocarpus spruceanus — Fabaceae Lonchocarpus cultratus (embira-de-sapo) — Fabaceae Enterolobium contortisiliquum (tamboril, timbaúva e outros nomes locais) — Fabaceae Inga (ingá) — Fabaceae Persea — Lauraceae Ceiba speciosa (paineira) — Malvaceae Guazuma ulmifolia (mutamba e diversos outros nomes locais) — Malvaceae Artocarpus altilis (fruta-pão) — Moraceae Artocarpus heterophyllus (jaqueira) — Moraceae Bagassa guianensis — Moraceae Brosimum — Moraceae Castilla elastica (árvore-da-borracha-do-panamá) — Moraceae Chlorophora — Moraceae Ficus (figueira ou gameleira) — Moraceae Maclura pomifera (laranjeira-de-osage e pau-d'arco) — Moraceae Maclura tinctoria — Moraceae Perebea mollis — Moraceae Eucalyptus tereticornis (eucalipto) — Myrtaceae
Forésia Nesta espécie é possível se avistar a forésia na presença de aracnídeos da ordem Pseudoscorpionida (pseudoescorpiões) pertencentes às espécies Cordylochernes scorpioides (a primeira descrita, em 1905), Parachelifer lativittatus e Lustrochernes intermedius, sob os seus élitros e asas; que se alimentam de pequenos ácaros que parasitam o besouro; sendo transportados, sem cair, graças aos fios de seda gerados por glândulas em suas garras.
Uso humano Entre as principais ameaças do homem para esta espécie estão a destruição de seu habitat (desmatamento) e também, devido à sua aparência marcante, a coleta por colecionadores e entomologistas leigos ou estudantes. Apesar de sua aparência apossemática é um inseto sem perigo de manipulação. Na cultura popular do Brasil a espécie já estampou a capa do álbum "O Cair da Tarde", lançado em 1997 pelo cantor de MPB Ney Matogrosso.
Ver também Arlequim-pequeno
Ligações externas Close-up frontal da cabeça de Acrocinus longimanus (Flickr) Close-up lateral da cabeça de Acrocinus longimanus (Flickr) Acrocinus longimanus em seu habitat (Flickr)
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