Monterrei () é a capital e a maior cidade do estado mexicano de Nuevo León, no nordeste do país. Com uma população estimada em 1,1 milhão de habitantes (dados de 2010) residindo em seu núcleo urbano, figura como a nona cidade mais populosa do país. A Região Metropolitana de Monterrei, a terceira maior do México, que engloba diversas cidades periféricas, abriga um total de pouco mais de 4 milhões de habitantes, espalhados por uma área de km2.

Fundada no século XVI por Diego de Montemayor, sempre teve um papel de relativa importância no país e, hoje, figura como o segundo maior centro industrial do México, depois da capital, a Cidade do México. Esse fato influência de forma significativa para a cidade ser considerada a segunda mais rica do país, superada mais uma vez apenas pela capital mexicana.

Além do alto desenvolvimento econômico, a cidade ainda é reconhecida por relativamente alto nível de qualidade de vida oferecido à seus moradores, em comparação com à média nacional — sendo uma das cidades mexicanas com maior PIB per capita.

Assim como várias outras cidades perto da fronteira mexicana com os Estados Unidos, Monterrei apresenta um alto nível de "americanização". Nos anos seguintes à Guerra da Independência do México, a cidade vivenciou uma significativa expansão populacional e econômica, figurando como um dos maiores centros urbano industriais da América Latina desde então.

História Fundação Nascido na Ilha Terceira, o capitão Alberto do Canto foi comissionado por Martín López de Ibarra para fundar a Villa de Santiago del Saltillo em 1577 e, neste mesmo ano, descobriu o vale da Extremadura, estabelecendo um lugar chamado "Villa de Santa Lucia", onde hoje se encontra Monterrey. Por razões não muito conhecidas, dom Alberto abandonou o assentamento, permanecendo o local despovoado até 1582. Em 31 de maio de 1579, Lucio de Carvajal y de la Cueva, um português de família de cristãos-novos que se encontrava na Nova Espanha desde 1567, negociou com Felipe II uma capitulação (ou contrato) em que lhe foi concedida a pacificação e povoação de um vasto território no nordeste do atual México, que foi chamado "Novo Reino de León" (vide mapa ao lado). Em 1582, Carvajal, após fundar as povoações de "León" (hoje Cerralvo) e "Villa de Cueva", funda no lugar da antiga Santa Lucía a "Villa de San Luis Rey de Francia". Conflitos entre índios e conquistadores e perseguições políticas e religiosas contra Carvajal (que resultaram em sua prisão), fizeram com que a região novamente tornasse despovoada.

Diego de Montemayor, que havia sido nomeado tenente e lugar-tenente por Carvajal para a região da "Villa de San Luis Rey de Francia" (atual Monterrey), volta à área depois de oito anos de ausência e funda a "Ciudad Metropolitana de Nuestra Señora de Monterrey" no lugar das antigas "Santa Lucía" e "Villa de San Luis Rey de Francia". O local da fundação foi o mesmo que dom Alberto del Canto havia selecionado no primeiro assentamento, lugar de uma nascente denominada de "Santa Lucía", localizada na atual rua "Juan Ignacio Ramón", entre as ruas "Garibaldi" e "Cuauhtémoc". A cidade teve, como primeiro alcaide (prefeito), o fundador dom Diego de Montemayor. Monterrey, desde sua fundação, foi a capital do "Novo Reino de León" e sede do município. As primeiras atividades econômicas foram o cultivo da terra, a criação de gado e a mineração, estas se destinavam ao consumo doméstico.

Período colonial Os poucos primeiros povoadores, cerca de 34, somadas as crianças, passaram muitas dificuldades. Suas casas eram de adobes e tudo o que foi construído pouco a pouco foi vindo abaixo com as chuvas e inundações de 1611 e com a morte de Montemayor. Após as inundações de 1611, o povo começa novamente a construir a cidade, desta vez em um local um pouco mais alto (Plaza Zaragoza). A localidade já possuía um convento desde 1602, depois das inundações de 1611, ele foi trocado de lugar e, em 1626, já possuía cemitério, pia e sinos. O trabalho da igreja na região foi decisivo para a "pacificação" dos nativos que se encontravam nos arredores.

Um dos mecanismos de estruturação do governo colonial no Novo Mundo foi a encomienda. Mediante ordens reais se encomendava a algum espanhol o "cuidado" e "cristianização" dos nativos. Houve forte oposição por parte dos nativos que, como era lógico, não tinham interesse em serem subjugados e explorados. Aqueles que conseguiam fugir, eram perseguidos, os líderes castigados e vendidos como escravos. Estes índios capturados se chamavam "piezas". São muitas as referências que existem nos documentos da época de abusos de todo tipo por parte, não só dos espanhóis, mas também dos caciques e outras autoridades indígenas. Os índios eram vendidos, trocados, roubados, explorados nas minas, etc. Por outro lado, os missionários, ainda que fazendo parte desta mesma sociedade colonizadora, defendiam os índios. uma Real cédula de 1672 ordenava acabar com as encomiendas e reunir os indígenas em povoados e congregações (congregas) e ali repartir-lhes terras para o sustento, porém os abusos continuaram sendo mais ou menos os mesmos.

Outro elemento que ajudou na pacificação e no estabelecimento dos povos no "Novo Reino de León" foi a aliança dos espanhóis com os tlaxcaltecas efetuada por Hernán Cortés. Ao longo dos séculos XVII e XVIII foram transferidos centenas de famílias tlaxcaltecas à região do norte do México. Ensinavam aos nativos (chichimecas), quando se relacionavam pacificamente, a agricultura e os trabalhos artesanais. A influência tlaxcalteca tem se mantido presente na cultura de Nuevo León através dos tempos, através do uso, no idioma castelhano, de termos procedentes do náuatle, na forma de construir antigos jacales (tipo de casas de adobe), no artesanato etc. thumb|Antigo palácio episcopal de Monterrei.

Uma vez que os nativos foram "pacificados e cristianizados" e determinados os limites onde estes podiam viver e trabalhar, as autoridades distribuíram grandes concessões de terra a particulares, especialmente capatazes que antes tinham que alugar as terras de pastoreio, mas também juízes da Real Audiência, oficiais reais e escrivães interessados. A fertilidade da terra foi o incentivo, e logo alguns começaram a entrar com seus rebanhos. Em 1690, já existiam 22 fazendas transumantes. O fluxo de pastores e rebanhos procedentes de Huichapan, Lagos de Moreno, Tepetitlán, San Luis Potosí e San José del Río se expandiram por todo o Novo Reino de León, desenvolvendo assim a pecuária em diversos lugares de toda a área. Grandes fazendas apareceram primeiro em Cadereyta e em o que hoje é Apodaca, Pesquería, General Terán, China, General Bravo, no vale do Pilón, Montemorelos, e mais tarde em Mier, Reynosa e Camargo.

Como nas demais regiões da Nova Espanha, no "Nuevo Reino de León" havia uma sociedade diferenciada entre senhores fidalgos, soldados, mineiros, etc. Cada um destes grupos sociais desempenhava seu papel particular. Entre as personalidades de maior posição encontravam-se, por exemplo, os governadores e tenentes, porém, junto com eles, as famílias dos fundadores, cujo poder aumentava se também possuíam grandes recursos — grandes extensões de terra, índios, gado, servos, escravos, etc. — concedidos pela coroa.

Durante o século XVIII, as famílias de Monterrey e os habitantes de "Nuevo León" povoaram o norte fundando vilas em Santander (Tamaulipas), Coahuila e Texas. As obras de povoação da área tiveram seus prós e contras. Por um lado os ataques dos índios diminuíram, porém, junto com eles, o território do estado também foi reduzido ao ser criada a Província do Texas e ao ser ampliado os limites da província de Nuevo Santander. A população de Monterrey também reduziu, de 3 000 habitantes em 1746 para apenas 600 em 1754.

Devido às grandes distâncias que precisavam percorrer entre Guadalajara, Cidade do México e Monterrey, as autoridades de Nuevo León, desde sua fundação acharam conveniente a instituição de um bispado para o serviço espiritual dos povoadores. O projeto de uma diocese que abrangeria os territórios de Nuevo León, Tamaulipas, Coahuila e Texas, independentes do bispo de Guadalajara, não se concretizou até 1779, quando chegou a Monterrey o primeiro bispo, frei Antonio de Jesús Sacedón.

México independente thumb|esquerda|Batalha de Monterrei, em 1846. thumb|esquerda|Fonte da Praça Zaragoza em 1884. thumb|esquerda|Cervejaria Cuauhtemoc em 1890. thumb|esquerda|Monterrei em 1904.

O estado foi um dos menos afetados pela guerra da independência. No entanto, na região se mantiveram constantes guerrilhas durante a época revolucionária encabeçadas por José Herrera, Pedro Baez Treviño, José María Sada e muitos outros insurgentes. Em 2 de julho de 1813, José Herrera atacou a cidade. Na praça do mercado (Hidalgo) houve fuzilamentos de insurgentes. Em 3 de julho de 1821, Gaspar López, governador de "Nuevo León", proclama a adesão ao Plano de Iguala e jura a Independência em Monterrey. A independência do México foi reconhecida em 27 de setembro de 1821.

Depois de conseguir a independência da Nova Espanha, foi realizada a proposta de Miguel Ramos Arizpe de criar no novo país conselhos provinciais, um dos 6 conselhos foram criados em Monterrey. Dele dependiam as quatro Províncias Internas do Oriente: Nuevo León, Coahuila, Texas e Nuevo Santander (Tamaulipas). O Congresso Geral Constituinte declarou Nuevo León um Estado da Federação Mexicana em 7 de maio de 1824. Porém, a tarefa de organizar o país como independente não ia ser fácil. Logo surgiram partidos federalistas e centralistas. Em 1835, se dissolveu a legislatura e os Estados se converteram em Departamentos. Aqueles eram tempos difíceis para todo o país, se sucediam governos de um e outro partido. A história dos Estados Mexicanos se vê marcada por enfrentamentos, guerras e revoluções pelos próximos 70 anos. Em 1917, é redigida a Constituição que dá forma constituinte ao Estado de Nuevo León e que o rege até hoje.

Depois da independência do país da Coroa Espanhola e a instituição da República Mexicana em 1821, os governos do México e Estados Unidos se enfrentaram em uma guerra, cujo resultado foi a perda de mais da metade do território nacional mexicano. Em 23 de setembro de 1846, o General William J. Worth sitiou a cidade e se iniciou uma batalha entre os dois países desde o "Cerro del Obispado" até a Vila de Guadalupe, conhecida como a Batalha de Monterrey.Cfr. Farias, H. Episódios militares mexicanos; principais campanhas, jornadas, batalhas, combates e atos heróicos que ilustram a história do exército nacional desde a independência atéo triunfo definitivo da República... Primeira Parte Guerra da Independência Publicado por La Vda de C. Bouret, México, 1901. Procedente da Universidade de Michigan Digitalizado em 17 de março de 2006. p. 37 ss. As tropas americanas permaneceram no território mexicano até 1848, quando foi encerrada a Guerra Mexicano-Americana com um tratado em que os Estados Unidos assume os estados da California, Arizona, Novo México e parte do Colorado, além da anexação "voluntária" do Texas.

Depois da luta de México e Estados Unidos, a luta pelo poder continuou não só na região como em todo o país. Com o Plano de Ayutla de 1854, o México se declarou contra o regime absolutista do general Santa Anna, e Nuevo León apoiou firmemente este plano. Os líderes da oposição foram principalmente Santiago Vidaurri e Juan Zuazua que, juntamente com Zaragoza e Escobedo, levaram adiante um movimento contra a ditadura santanista. Vidaurri se apoderou da cidade de Monterrey em 23 de maio de 1855 e ali assinou o Plano de Monterrey, que declarava Nuevo León autônomo. Aderiram a este plano, mais tarde, Ignacio Zaragoza, Juan José de la Garza, José Silvestre Arramberri e Mariano Escobedo.