Maria Letizia Ramolino (em francês: Marie-Laetitia Ramolino; Ajaccio, 24 de agosto de 1749/1750 – Roma, 2 de fevereiro de 1836), conhecida como Madame Mère ("Senhora Mãe"), foi uma aristocrata corsa, mãe do imperador Napoleão e matriarca da dinastia Bonaparte, que reinou na França e boa parte da Europa durante o início do século XIX.

Biografia miniatura|esquerda|170px|Brasão de armas da família Ramolino. Maria Letizia Ramolino nasceu em 24 de agosto de 1750, na cidade de Ajaccio, na Córsega, território que à época integrava a República de Gênova. Era filha única de Giovanni Girolamo Ramolino, oficial militar e engenheiro civil responsável pelo comando da guarnição local, e de Maria Angela Pietrasanta. A família Ramolino pertencia à pequena nobreza de origem lombarda e havia se estabelecido na Córsega cerca de dois séculos e meio antes do nascimento de Letizia.

Sua educação ocorreu no ambiente doméstico, seguindo um programa voltado essencialmente para a formação e administração das atividades do lar. Letizia ficou órfã de pai aos seis anos de idade. Em 1757, sua mãe contraiu novo matrimônio com Fritz Fesch, um oficial da marinha genovesa de origem suíça. Dessa união nasceram mais dois filhos, entre eles Joseph Fesch, que posteriormente se tornaria cardeal.

Casamento miniatura|260px|Carlo Buonaparte e Letizia Ramolino. Em 2 de junho de 1764, aos quatorze anos, ela se casou com Carlo Maria Buonaparte, um estudante de direito de dezoito anos, também de Ajaccio. Vindo de uma família nobre toscana que também havia emigrado para a Córsega, Buonaparte deixou seus estudos em Pisa para se casar com Letizia, que trouxe como dote 31 acres de terra, um moinho e uma padaria, o que garantia uma renda de 10.000 francos por ano. O casamento gerou treze filhos, oito dos quais sobreviveram.

Após o casamento com Buonaparte, Letizia passou a acompanhar o envolvimento político do marido com o movimento independentista corso liderado por Pasquale Paoli. Quando a Córsega foi cedida à França em 1768 e Paoli iniciou a resistência contra o novo domínio, o casal apoiou o líder e chegou a acompanhá-lo nas montanhas, mesmo com Letizia grávida do futuro Napoleão. Após a derrota do movimento, a família adaptou-se ao novo regime francês e estabeleceu relações com o governador Charles René de Marbeuf, o que favoreceu a carreira política de Buonaparte e garantiu bolsas de estudo para seus filhos, entre eles José e Napoleão.

Nos anos seguintes, Buonaparte obteve reconhecimento de nobreza e acumulou diversos cargos administrativos e políticos na Córsega sob a autoridade francesa. Apesar do prestígio alcançado, enfrentou dificuldades financeiras e problemas de saúde. Em 1782 viajou a Montpellier para tratar uma doença grave, provavelmente câncer no estômago, e faleceu em 24 de fevereiro de 1785, aos 38 anos. Letizia ficou viúva aos 35 anos, responsável pela criação de seus oito filhos, dos quais seis ainda dependiam diretamente dela.

Viuvez miniatura|esquerda|220px|Letizia junto a um busto de seu filho Napoleão, c. 1800-1804. Após a morte do marido, os filhos de Letizia, José e Napoleão, começaram a se destacar na vida política e militar. Napoleão, em particular, destacou-se como oficial do exército e, graças ao seu salário como tenente, passou a contribuir para o sustento econômico de sua mãe e de seus irmãos. Durante a Revolução Francesa, a família Buonaparte foi forçada a deixar Córsega. Em 31 de maio de 1793, Letizia e suas filhas seguiram para Toulon, enquanto suas propriedades em Ajaccio eram saqueadas e incendiadas. Em meio ao clima de perseguição à nobreza durante o Reino do Terror, Napoleão providenciou passaportes falsos para sua mãe e irmãs, registrando-as como 'costureiras' para garantir sua segurança. Pouco tempo depois, com a ocupação de Toulon pelos britânicos, a família transferiu-se para Marselha.

Após o sucesso político de Napoleão, consolidado com o Golpe de 18 de Brumário, Letizia mudou-se para Paris. Como mãe do novo Primeiro Cônsul, passou a receber uma renda anual de 25 mil francos, embora permanecesse conhecida por seu estilo de vida sóbrio e discreto. Apesar do orgulho pelo filho, Letizia desaprovou seu casamento, celebrado em 9 de março de 1796, com Josefina de Beauharnais, viúva que ela desprezava e cuja união considerou ofensiva por não ter sido consultada previamente.

Madame Mère miniatura|200px|Busto de Madame Mère, por Antonio Canova. Em 18 de maio de 1804, Napoleão proclamou-se Imperador dos Franceses. Pouco depois, seu tio, Joseph Fesch, sugeriu que fosse concedido um título imperial à mãe do imperador. Assim, Letizia passou a ser oficialmente denominada "Madame Letizia, Mãe de Sua Majestade Imperial da França", título geralmente abreviado para Madame Mère ("Senhora Mãe"). Orgulhosa, mas cautelosa diante da ascensão do filho, ela costumava responder aos elogios sobre o sucesso de Napoleão com a frase francesa Pourvu que ça dure! ("Enquanto durar!").

miniatura|esquerda|250px|Madame Mère no camarote imperial durante a coroação de Napoleão. Detalhe de A Coroação de Napoleão, de Jacques-Louis David: embora não tenha comparecido à cerimônia, Napoleão exigiu que sua mãe fosse representada na pintura. Napoleão foi formalmente coroado em 2 de dezembro de 1804. Letizia, entretanto, não compareceu à cerimônia em protesto contra a decisão do filho de coroar sua esposa, Josefina de Beauharnais, como imperatriz — atitude que ela jamais perdoou. Apesar de sua ausência, Letizia foi representada na célebre pintura A Coroação de Napoleão, de Jacques-Louis David.

Em 19 de dezembro de 1804, Letizia retornou a Paris e passou a residir no Hôtel de Brienne, adquirido por seu filho Luciano. Napoleão celebrou seu retorno concedendo-lhe uma renda anual de meio milhão de francos e o Castelo de Pont-sur-Seine, onde ela frequentemente se hospedou entre 1805 e 1813. Apesar dessas honrarias, Letizia manteve certa distância da corte imperial e evitava a companhia de Josefina, de quem Napoleão acabaria se divorciando em 1810 por não lhe dar um herdeiro.

Vida posterior miniatura|Letizia em seu leito de morte. Após a queda de Napoleão em 1814, Letizia, juntamente com sua filha Paulina, seguiu-o para o exílio na ilha de Elba, Itália, bem como para Paris durante seu retorno efêmero ao poder, conhecido como Governo dos Cem Dias, ao final do qual Napoleão foi novamente exilado, desta vez para a remota ilha de Santa Helena, no Atlântico.

Letizia viu seu filho pela última vez em 29 de junho de 1815, no Castelo de Malmaison, pouco antes de sua partida para Santa Helena. Após a derrota de Napoleão, Letizia retornou a Roma, onde viveu com José no Palazzo Rinuccini, renomeado Palazzo Bonaparte (e hoje Palazzo Misciatelli) sob a proteção do Papa Pio VII. Ela se retirou quase completamente da vida pública e aceitou receber pouquíssimas pessoas, incluindo seu meio-irmão, que foi seu único companheiro constante, e, ocasionalmente, a pintora Anna Barbara Bansi. Graças à venda de joias e ao senso econômico que norteou seus investimentos, ela pôde continuar a viver confortavelmente até sua morte.

Maria Letizia Ramolino morreu em 2 de fevereiro de 1836, aos 85 anos, sozinha e quase cega, depois de ter sobrevivido ao marido por cinquenta anos e a Napoleão por quinze. Inicialmente sepultado em Roma, em 1851 seu corpo foi transferido para a recém-construída Capela Imperial de Ajaccio, onde, em 1951, o corpo de seu marido Carlo também foi transferido.

Brasão O brasão de armas de Letizia apresenta uma águia, com a cabeça voltada para a direita, em um campo azul, pousada sobre raios dourados. Abaixo da águia está a letra "L", representando sua inicial. O escudo é circundado por um manto imperial vermelho semeado de abelhas e encimado pela coroa imperial. centro|216x216pxBrasão de Letizia

Descendência RetratoNomeNascimentoMorteNotasNapoleão17 de agosto de 1765Natimorto.13 de janeiro de 17671 de janeiro de 1768Morreu na infância.semmoldura|117x117pxJosé7 de janeiro de 176828 de julho de 1844Rei de Nápoles e Rei da Espanha e das Índias. Casou-se com Júlia Clary, com descendência.semmoldura|119x119pxNapoleão15 de agosto de 17695 de maio de 1821Imperador dos Franceses e Rei da Itália. Casou-se pela primeira vez com Josefina Tascher de La Pagerie, sem descendência. Casou-se pela segunda vez com Maria Luísa da Áustria, com descendência.Maria Ana1770Natimorta.Maria Ana14 de julho de 1771Morreu na infância.Natimorto1773semmoldura|113x113pxLuciano21 de março de 177529 de junho de 1840Príncipe de Canino e Musignano. Casou-se pela primeira vez com Cristina Boyer, com descendência. Casou-se pela segunda vez com Alexandrina de Bleschamp, com descendência.semmoldura|114x114pxElisa3 de janeiro de 17777 de agosto de 1820Princesa de Lucca e Piombino e Grã-Duquesa da Toscana. Casou-se com Félix Baciocchi, com descendência.semmoldura|109x109pxLuís2 de setembro de 177825 de julho de 1846Rei da Holanda. Casou-se com Hortênsia de Beauharnais, com descendência.semmoldura|108x108pxPaulina20 de outubro de 17809 de junho de 1825Princesa de Guastalla e Princesa de Sulmona e Rossano. Casou-se pela primeira vez com Charles Leclerc, com descendência. Casou-se pela segunda vez com Camillo Borghese, 6.º Príncipe de Sulmona, sem descendência.semmoldura|113x113pxCarolina25 de março de 178218 de maio de 1839Rainha de Nápoles e Grã-Duquesa de Berg e Cleves. Casou-se pela primeira vez com Joaquim Murat, com descendência. Casou-se pela segunda vez com Francesco MacDonald, sem descendência.semmoldura|128x128pxJerónimo24 de junho de 1860Rei da Vestfália. Casou-se pela primeira vez com Elizabeth Patterson, com descendência. Casou-se pela segunda vez com Catarina de Württemberg, com descendência. Casou-se pela terceira vez com Giustina Pecori-Suárez, sem descendência.

Bibliografia

Ligações externas

Categoria:Nascidos em 1750 Categoria:Naturais de Ajaccio Categoria:História da França Categoria:Casa de Bonaparte