300px|thumb|direita|Pinturas rupestres no Vale do Catimbau, Pernambuco. A História de Pernambuco diz respeito à trajetória histórica do estado brasileiro de Pernambuco. Os primeiros vestígios de ocupação humana no atual território pernambucano possuem cerca de 11 mil anos e se encontram nas regiões de Chã do Caboclo e Furna do Estrago. Os primeiros grupos indígenas a habitar o estado foram os da tradição cultural Itaparica e os Cariris velhos. No período de chegada dos portugueses ao Brasil, o litoral de Pernambuco era habitado pelos caetés e os tabajaras. Muitos estudiosos afirmam que a descoberta do Brasil ocorreu em 26 de janeiro de 1500 quando o navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón desembarcou no Cabo de Santo Agostinho. Mas, ainda que esta tenha sido a viagem mais antiga ao território que atualmente é o Brasil, a Espanha não reivindicou a descoberta por causa do Tratado de Tordesilhas.
O território de Pernambuco foi a região mais rentável para a Coroa Portuguesa no início da colonização, sendo a principal área de exploração do pau-brasil, e do Ciclo do Açúcar que se iniciou com a construção do primeiro engenho de açúcar na América Portuguesa em Itamaracá. Após uma invasão francesa à Pernambuco em 1532, o rei Dom João III dividiu o Brasil em capitanias hereditárias, deixando a Capitania de Pernambuco para Duarte Coelho, que tomou posse desta em 1535. Duarte Coelho, ao instalar grandes engenhos de açúcar por toda a capitania, fez com que ela se tornasse a maior produtora de açúcar do Brasil Colônia e, por consequência, a capitania mais rica e influente. Em meados do século XVII, época em que Pernambuco era a área maior e mais rica área de produção de açúcar no mundo, ocorreram as Invasões Holandesas, período em que a Holanda dominou grande parte do Nordeste brasileiro (principalmente Pernambuco), em uma colônia que foi denominada como Nova Holanda (Nieuw Holland). O principal marco desse período foi a construção de Mauritsstad (atual Recife) pelo Conde Maurício de Nassau. O domínio holandês de 1630 até 1654, quando os holandeses foram expulsos na Insurreição Pernambucana. Durante o período colonial, ocorreram três movimentos revoltosos (ou nativistas) no estado de Pernambuco: a Conjuração de "Nosso Pai", a Guerra dos Mascates e a Conspiração dos Suassunas. Entretanto, a principal revolta da história pernambucana foi a Revolução Pernambucana, movimento separatista que tinha como objetivo tornar Pernambuco um país independente, o que foi conseguido com a ocupação de Recife em 6 de março de 1817. Apesar de ter conseguido apoio dos Estados Unidos e também contar com a participação dos estados da Paraíba e Rio Grande do Norte, a República de Pernambuco durou apenas 74 dias e o estado voltou ao domínio português. Apesar disso, a Revolução Pernambucana deixou um legado forte na história de Pernambuco e foi um movimento precursor da Independência do Brasil.
Após a independência e a fundação do Império do Brasil em 1822, Pernambuco deixou de ser a província mais influente do Brasil devido à decadência do açúcar e do algodão com o ciclo do café, porém a Província de Pernambuco continuou sendo uma das mais importantes do país e Recife a segunda cidade mais importante do país (atrás do Rio de Janeiro). Nesse período ocorreram duas revoltas liberais e separatistas contra o Império: a Confederação do Equador e a Revolução Praieira. Os principais eventos históricos em Pernambuco após a Proclamação da República foram a modernização de Recife na década de 1910, o assassinato de João Pessoa (que foi o estopim para a Revolução de 1930) e o atentado no aeroporto dos Guararapes durante a Ditadura Militar. Foi em Recife que se iniciou o movimento das Diretas Já. A partir da segunda metade do século XX, o estado passou por um processo de estagnação econômica que o fez perder protagonismo regional, mas mesmo assim Pernambuco ainda é um das economias mais importantes do Nordeste e no século XXI está sendo o estado com maior crescimento econômico da região. Pré-história e Antiguidade 230px|thumb|direita|Parque Nacional do Catimbau, localizado entre o sertão e o agreste. Pernambuco abriga sítios arqueológicos datados de pelo menos 11 mil anos. O Nordeste brasileiro concentra alguns dos mais antigos sítios arqueológicos conhecidos do país, com datação superior a 40 mil anos antes do presente. Na região que hoje corresponde ao estado de Pernambuco, foram identificados vestígios seguros de ocupação humana superiores a 11 mil anos, nas regiões de Chã do Caboclo, em Bom Jardim, e Furna do Estrago, em Brejo da Madre de Deus. Nesta última região, foi descoberta uma importante necrópole pré-histórica, com 125 metros quadrados de área coberta, de onde foram resgatados 83 esqueletos humanos em bom estado de conservação.
Dentre os grupos indígenas que habitaram o estado, identificou-se a tradição cultural Itaparica, responsável pela confecção de artefatos líticos lascados há mais de 6 mil anos. No Agreste Pernambucano, conservam-se pinturas rupestres com data aproximada de 2 mil anos antes do presente, atribuídas à subtradição denominada Cariris velhos. Na época da colonização portuguesa, habitavam o litoral pernambucano os caetés e os tabajaras, já desaparecidos. Nos brejos de altitude do estado ainda é possível encontrar grupos indígenas remanescentes das antigas tradições, como os Pankararu (em Tacaratu) e os Atikum (em Floresta).
Descobrimento do Brasil por Vicente Yáñez Pinzón
230px|thumb|direita|O Cabo de Santo Agostinho, no litoral sul de Pernambuco, foi o local da descoberta do Brasil por Vicente Yáñez Pinzón no dia 26 de janeiro de 1500. Muitos estudiosos afirmam que o descobridor do Brasil foi o navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón, que no dia 26 de janeiro de 1500 desembarcou no Cabo de Santo Agostinho, litoral sul de Pernambuco — esta considerada a mais antiga viagem comprovada ao território brasileiro.
A esquadra, composta por quatro caravelas, zarpou de Palos de la Frontera no dia 19 de novembro de 1499. Após cruzar a linha do Equador, Pinzón enfrentou uma forte tempestade, e então, no dia 26 de janeiro de 1500, avistou o cabo e ancorou suas naus num porto abrigado e de fácil acesso a pequenas embarcações, com 16 pés de fundo, segundo as indicações da sonda. O referido porto era a enseada de Suape, localizada na encosta sul do promontório, que a expedição espanhola denominou Cabo de Santa María de la Consolación. A Espanha não reivindicou a descoberta, minuciosamente registrada por Pinzón e documentada por importantes cronistas da época como Pietro Martire d'Anghiera e Bartolomeu de las Casas, devido ao Tratado de Tordesilhas, assinado com Portugal.
O mapa de Juan de la Cosa, carta do século XV, mostra a costa sul-americana enfeitada com bandeiras castelhanas do Cabo da Vela (na atual Colômbia) até o extremo oriental do continente. Ali figura um texto que diz "Este cavo se descubrio en año de mily IIII X C IX por Castilla syendo descubridor vicentians" ("Este cabo foi descoberto em 1499 por Castela sendo o descobridor Vicente Yáñez") e que muito provavelmente se refere à chegada de Pinzón em finais de janeiro de 1500 ao Cabo de Santo Agostinho.
Por ter descoberto o Brasil, Vicente Yáñez Pinzón foi condecorado pelo rei Fernando II de Aragão em 5 de setembro de 1501.
Períodos pré-colonial e colonial Os primeiros anos
thumb|Ruínas do antigo Castelo de Duarte Coelho, em pormenor da obra do pintor Frans Post (c. 1650) . Erguido a partir de 1536 em Olinda, foi a primeira casa-forte do Brasil.
Em 1501, ano seguinte ao da chegada dos europeus ao Brasil, o território de Pernambuco, definido pelo Tratado de Tordesilhas como região pertencente à América portuguesa, é explorado pela expedição de Gonçalo Coelho, que teria criado feitorias ao longo da costa da colônia, inclusive, possivelmente, na atual localidade de Igarassu, cuja defesa seria futuramente confiada a Cristóvão Jacques. Logo Pernambuco se tornaria a principal área de exploração do pau-brasil (ou pau-de-pernambuco) no Novo Mundo. A madeira pernambucana era de uma qualidade tão superior que regulava o preço no comércio europeu, o que explica o fato de a árvore do pau-brasil ter como principal nome "pernambuco" em idiomas como o francês e o italiano. Em 1516, foi construído no litoral pernambucano o primeiro engenho de açúcar de que se tem notícia na América portuguesa, mais precisamente na Feitoria de Itamaracá, confiada ao administrador colonial Pero Capico — o primeiro "Governador das Partes do Brasil". Em 1526 já figuravam direitos sobre o açúcar de Pernambuco na Alfândega de Lisboa.
No ano de 1532, Bertrand d'Ornesan, o barão de Saint Blanchard, tentou estabelecer um posto de comércio em Pernambuco. Com o navio A Peregrina, pertencente ao nobre francês, o capitão Jean Duperet tomou a Feitoria de Igaraçu e a fortificou com vários canhões, deixando-a sob o comando de um certo senhor de La Motte. Meses depois, na costa da Andaluzia na Espanha, os portugueses capturaram a embarcação francesa, que estava atulhada com 15 mil toras de pau-brasil, três mil peles de onça, 600 papagaios e 1,8 tonelada de algodão, além de óleos medicinais, pimenta, sementes de algodão e amostras minerais. E no exato instante em que A Peregrina era apreendida no mar Mediterrâneo, o capitão português Pero Lopes de Sousa combatia os franceses em Pernambuco. Retomada a feitoria, os soldados franceses foram presos e La Motte foi enforcado. Após ser informado da missão que A Peregrina realizara em Pernambuco, o rei Dom João III decidiu começar a colonização do Brasil, dividindo o seu território em capitanias hereditárias. Iniciou-se então o povoamento efetivo do território pernambucano. O atual estado de Pernambuco equivale a parte da Capitania de Pernambuco, doada por Dom João III no dia 10 de março de 1534 a Duarte Coelho, e parte da Capitania de Itamaracá, doada a Pero Lopes de Sousa. O Foral da Capitania de Pernambuco serviu de modelo aos forais das demais capitanias do Brasil. Em 1535, Duarte Coelho tomou posse da capitania que lhe foi concedida, a princípio batizada de "Nova Lusitânia", mas que pouco tempo depois recebeu a denominação que mantém até hoje. Em 1537, os povoados de Igarassu e Olinda, estabelecidos no ano da chegada do donatário, foram elevados a vila. Olinda recebeu o status de capital administrativa, e seu porto, habitado por pescadores, deu origem à atual cidade do Recife.
As vilas de Olinda e Igarassu, entre os primeiros núcleos de povoamento do Brasil, serviram de ponto de partida para expedições desbravadoras do interior da capitania. Uma dessas expedições, chefiada pelo filho do donatário, Jorge de Albuquerque, penetrou o sertão até o rio São Francisco, assegurando o domínio e expansão do interior do território e combatendo os índios hostis. Duarte Coelho, por sua vez, tratou de instalar grandes engenhos de açúcar no território pernambucano, incentivando também o plantio do algodão. Em pouco tempo, a Capitania de Pernambuco se tornou a principal produtora de açúcar da colônia. Consequentemente, era também a mais próspera e influente das capitanias hereditárias.