thumb|150px|Bandeira do Grupo de Refugiados de Chagos, não oficial no arquipélago O Arquipélago de Chagos ou Ilhas Chagos (originalmente, Bassas de Chagas; mais tarde, Ilhas Oil) é um grupo de sete atóis, com mais de 60 ilhas tropicais situado no oceano Índico a cerca de 500 quilômetros ao sul do arquipélago das Maldivas. Esta cadeia de ilhas é o arquipélago mais ao sul da Cordilheira Chagos-Laccadive, uma longa cadeia de montanhas submarinas no oceano Índico. Em seu norte estão as Ilhas Salomão, Ilha Nelsons e Peros Banhos; em direção ao sudoeste estão as Três Irmãos, Ilhas Eagle, Ilhas Egmont e Ilha Danger; a sudeste destas está Diego Garcia, de longe a maior ilha. Todos são atóis baixos, exceto por alguns casos extremamente pequenos, situados ao redor de lagoas. Administrativamente, este arquipélago faz parte do Território Britânico do Oceano Índico.
Até o final do século XVIII, o arquipélago era oficialmente desabitado. A partir de 1784, as ilhas de Chagos começam a ser ocupadas em caráter permanente, mediante o estabelecimento de grandes plantações de coco, por franceses oriundos da Ilha de França (atual Maurícia). Com eles foram trazidos africanos escravizados de Madagascar e Moçambique. Após a abolição da escravatura, em 1834, os antigos escravos continuaram a exercer suas atividades de pescadores, sitiantes ou trabalhadores nas plantations. Paralelamente, trabalhadores indianos foram trazidos para o arquipélago, integrando-se à população de origem africana. Assim se constituíram os chagossianos, um povo de língua crioula burbonesa. que habitou essas ilhas até que o Reino Unido os expulsou do arquipélago, a pedido dos Estados Unidos, entre 1967 e 1973, para permitir que os estadunidenes construíssem a Naval Support Facility Diego Garcia, uma base militar em Diego Garcia, em terras arrendadas do exército do Reino Unido no Território Britânico do Oceano Índico. Desde 1971, apenas o atol de Diego Garcia é habitado, e somente por membros do exército dos Estados Unidos, incluindo pessoal civil estadunidene contratado. Desde que foram expulsos, os chagossianos, como todos os demais habitantes, foram impedidos de entrar nas ilhas."That’s When the Nightmare Started". UK and US Forced Displacement of the Chagossians and Ongoing Colonial Crimes. Human Rights Watch, 15 de fevereiro de 2023.
Quando Maurício era uma colônia francesa, as ilhas eram uma dependência da administração francesa em Maurício (Île Maurice). Pelo Tratado de Paris de 1814, a França cedeu Maurício e suas dependências ao Reino Unido. Em 1965, enquanto planejava a independência das Ilhas Maurício, o Reino Unido constituiu Chagos como Território Britânico do Oceano Índico (BIOT). Maurício se tornou independentes do Reino Unido em 1968 e, desde então, reivindicou o Arquipélago de Chagos como território mauriciano.
Em 2019, o Tribunal Internacional de Justiça (CIJ) emitiu uma opinião consultiva não vinculativa, afirmando que o Reino Unido "tem a obrigação de pôr fim à sua administração do Arquipélago de Chagos o mais rapidamente possível e que todos os Estados-Membros devem cooperar com as Nações Unidas para concluir a descolonização das Ilhas Maurício".
Em 22 de maio de 2019, a Assembleia Geral das Nações Unidas debateu e aprovou a resolução 73/295 que afirmava que o arquipélago de Chagos "faz parte integrante do território das Ilhas Maurício".A/RES/73/295 General Assembly A resolução exigia que o Reino Unido "retirasse a sua administração colonial… incondicionalmente, num prazo não superior a seis meses". 116 Estados votaram a favor da resolução, 55 se abstiveram e apenas 5 países apoiaram o Reino Unido. Durante o debate, o primeiro-ministro das Ilhas Maurício, Sir Anerood Jugnauth, descreveu a expulsão dos chagossianos como "análoga a um crime contra a humanidade", enquanto o Reino Unido continuou a afirmar que não tinha dúvidas sobre sua soberania sobre o arquipélago. As Maldivas foram um dos países que apoiaram o Reino Unido na votação da Assembleia Geral, alegando que, se o arquipélago de Chagos fosse habitado, a reivindicação das Maldivas de uma extensão da sua Zona Econômica Exclusiva seria afetada. Mas a resolução acerca da descolonização das Ilhas Chagos teve efeito vinculante para as Nações Unidas e outras organizações internacionais.
Em 2021, o Tribunal Internacional do Direito do Mar confirmou para sua jurisdição que o Reino Unido não tem "nenhuma soberania sobre as Ilhas Chagos" e, portanto, as ilhas devem ser devolvidas para Maurício. Em agosto de 2021, a União Postal Universal proibiu o uso de selos BIOT no BIOT, uma medida que o primeiro-ministro mauriciano Pravind Jugnauth chamou de "grande passo em favor do reconhecimento da soberania de Maurício sobre Chagos". No mesmo ano, Maurício alteraram seu Código Penal para proibir "deturpar a soberania de Maurício sobre qualquer parte de seu território", com a pena de multa ou pena de prisão de até 10 anos. Como o ato é extraterritorial, ele restringe as habilidades dos chagossianos em Maurício e ao redor do mundo de expressar suas opiniões sobre o status legal das ilhas Chagos. Em outubro de 2024, o Reino Unido anunciou que entregaria a soberania das Ilhas Chagos às Ilhas Maurício, sujeito à finalização de um tratado. Neste tratado também ficou especificado as garantias para que a base militar dos Estados Unidos em Diego Garcia permaneça em operação nos próximos 99 anos. Alguns chagossianos criticaram o acordo por não ter incluído a comunidade chagossiana no processo de tomada de decisão. O acordo de transferência foi assinado em 22 de maio de 2025, com a condição de que a ilha de Diego Garcia fosse arrendada de volta ao Reino Unido por pelo menos 99 anos. Esperava-se que o Tratado fosse ratificado no início de 2026. Porém, após a reação negativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em abril de 2026, a ratificação foi suspensa. O Comitê das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação Racial expressou "profunda preocupação" com os termos do acordo.
Etimologia Chagos é uma corruptela do português "chagas", em referência às chagas de Jesus Cristo, já que as ilhas foram descobertas pelos portugueses, que por regra denominavam lugares com nomes santos ou de datas santas. Já Bassas é corruptela equivocadamente repetida por cartógrafos (sobretudo italianos) da palavra “baixos” ou “baixios”, em referência a áreas rasas do oceano onde aparecem escolhos e atóis.
O arquipélago foi primeiramente conhecido pela forma portuguesa “Bassas de Chagas”.
Ilhas Os sete atóis com ilhas emersas permanentemente são: Diego Garcia (Diego Garcia e 3 ilhéus mais a norte) Ilhas Egmont ou Seis Ilhas (7 ilhas) Peros Banhos (27 ilhas) Ilhas Salomão (11 ilhas) Grande Banco de Chagos (7 ilhas) Recife Blenheim (3 ilhas) Banco Speakers (1 ilha)
História Os marinheiros das Maldivas conheciam bem as ilhas de Chagos. De acordo com a tradição oral do sul das Maldivas, comerciantes e pescadores locais estavam ocasionalmente perdidos no mar e acabaram ficando encalhados em uma das ilhas de Chagos. Eventualmente, foram resgatados e levados de volta para casa.Romero-Frias, Xavier, (2012) Folk tales of the Maldives, NIAS Press, , No entanto, essas ilhas foram julgadas muito distantes das Maldivas para serem estabelecidas permanentemente por maldivos. Assim, durante muitos séculos, essas ilhas foram ignorados pelos vizinhos do norte.
Na sabedoria maldiva, todo o grupo é conhecido como Fōlhavahi ou Hollhavai. Não há nomes separados para os diferentes atóis de Chagos na tradição oral das Maldivas.
Os primeiros europeus a visitarem o arquipélago foram os portugueses no início do século XVI.John Purdy, Memoir, descriptive explanatory, accompany new chart Ethiopic or southern Atlantic Ocean, western coasts South-America, Cape Horn Panama, Em 1764 a Companhia Francesa das Índias Orientais levou para as ilhas colonizadores franceses e escravos africanos. Os britânicos disputaram o controlo das ilhas com os franceses entre 1786 e 1814, quando o arquipélago foi tomado pelos britânicos.
A população nativa foi deportada pelo governo britânico no final dos anos 60, início dos anos 70, para cumprir os termos de um contrato de arrendamento para despovoar as ilhas, inicialmente para um centro de comunicação, que mais tarde se tornaria uma base militar dos Estados Unidos da América na ilha principal de Diego Garcia durante a Guerra Fria.“The Chagos Islands: A sordid tale” notícia de 3 de Novembro de 2000 da BBC
Hoje, o arquipélago de Chagos é uma zona militar que serviu para o lançamento de B52's durante a operação Raposa do Deserto na Guerra do Iraque, em 1998, e para os vários bombardeamentos ao Afeganistão e ao Iraque, subsequentemente.
Os ilhéus sobreviventes ainda lutam pelo regresso ao seu país nos tribunais britânicos. O corrente contrato de arrendamento expirou em 2016 mas com a opção de renovação por mais 50 anos.site da “República Virtual de Chagos
Pelo menos 2000 pessoas viviam na Ilha de Diego Garcia, onde havia: uma escola, um hospital, uma igreja, uma prisão, uma ferrovia, docas e plantações. Os primeiros assentamentos na ilha datam do século XVIII. Contudo, o governo Britânico criou uma ficção de que os ilhéus eram apenas "trabalhadores de contrato temporário", podendo, assim, ser enviados para as Ilhas Maurícias.
Inicialmente, os ilhéus foram enganados e intimidados para deixarem a ilha. Com a chegada dos americanos para a construção da base, o governador das Ilhas Seychelles ordenou que todos os cães de estimação da ilha de Diego Garcia fossem mortos, como forma de intimidação dos residentes. Quase 1.000 cães foram exterminados. Além disso, quem deixasse a ilha era impedido de retornar.
A população remanescente foi embarcada em navios - permitida apenas uma mala por pessoa - rumo às Ilhas Seychelles, onde foram inicialmente instalados em celas, numa prisão.
A dor do exílio provocou suicídios e a luta pela sobrevivência em situação de completa miséria levou à morte muitas crianças e adultos.
Em 2000, os ilhéus obtiveram uma vitória histórica nos tribunais britânicos, que entenderam que a sua deportação foi ilegal. Contudo, o Ministério das Relações Exteriores anunciou que não seria possível o regresso à ilha de Diego Garcia por causa de um tratado com Washington.
Em junho de 2004, foi promulgado um decreto impedindo os ilhéus de nunca mais voltarem para casa.
Em 2004, o jornalista britânico John Pilger escreveu e dirigiu um documentário chamado "Stealing a Nation", produzido e dirigido por Christopher Martin. O documentário trata da expulsão dos ilhéus de Chagos, que foram expulsos à força, pelo governo Britânico, entre 1967 e 1973, para as ilhas Maurícias, para que a ilha de Diego Garcia pudesse ser usada como base militar americana.
Em 1º de abril de 2010, o Governo Britânico estabeleceu a Área Marinha Protegida de Chagos como a maior reserva marinha do mundo. Com 640.000 km2, é maior que a França ou o estado da Califórnia nos Estados Unidos. Duplica a área total de zonas de proibição de captura ambiental em todo o mundo. Em 18 de março de 2015, a Corte Permanente de Arbitragem realizou por unanimidade a Área Marinha Protegida (AMP), que declarou que o arquipélago de Chagos do Reino Unido em abril de 2010 violou o direito internacional. Anerood Jugnauth, primeiro-ministro das Ilhas Maurícias, disse que é a primeira vez que o Reino Unido faz negócios com o arquipélago de Chagos.
, as ilhas mantêm uma população transitória de cerca de 3.000 pessoas (300 funcionários do governo britânico e 2.700 funcionários do Exército, da Marinha e da Força Aérea dos Estados Unidos).
Disputa de soberania Em 20 de dezembro de 2010, as Ilhas Maurício iniciaram um processo contra o Reino Unido nos termos da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS) para contestar a legalidade da área marinha protegida (MPA) do Arquipélago de Chagos.