A Seleção Alemã de Futebol Feminino () é a equipe que representa a Alemanha no futebol feminino internacional. A equipe é administrada pela Federação Alemã de Futebol (DFB).

A seleção alemã é uma das mais bem-sucedidas do futebol feminino. A equipe é bicampeã mundial, e conquistou oito das quatorze edições do Campeonato Europeu da UEFA, incluindo seis títulos consecutivos entre 1995 e 2013. Juntamente com os Países Baixos, é uma das duas nações a vencerem tanto o torneio europeu feminino quanto o masculino. Além disso, a Alemanha e a Espanha são as únicas duas seleções que conquistaram tanto a Copa do Mundo feminina quanto a masculina. A Alemanha ganhou a medalha de ouro olímpica em 2016, após três medalhas de bronze consecutivas no torneio olímpico de futebol feminino (terminando em terceiro lugar em 2000, 2004 e 2008) e conquistou outra medalha de bronze em 2024. Birgit Prinz detém o recorde de maior número de partidas disputadas e é a maior artilheira da história da equipe. Prinz também estabeleceu recordes internacionais: recebeu o prêmio de Melhor Jogadora do Mundo da FIFA três vezes e divide a posição de segunda maior artilheira da história da Copa do Mundo Feminina.

O futebol feminino enfrentou muito ceticismo na Alemanha durante muito tempo, e partidas oficiais foram proibidas pela DFB até 1970. No entanto, a popularidade da seleção feminina cresceu após a conquista da Copa do Mundo em 2003, ano em que a equipe foi eleita a "Equipe Esportiva do Ano" da Alemanha. Em agosto de 2026, a Alemanha ocupava a terceira posição no Ranking Mundial Feminino da FIFA.

História História inicial Em 1955, a DFB decidiu proibir o futebol feminino em todos os seus clubes na Alemanha Ocidental. Em sua justificativa, a DFB alegou que "esse esporte de combate é fundamentalmente estranho à natureza feminina" e que "corpo e alma sofreriam danos inevitavelmente". Além disso, a "exposição do corpo viola a etiqueta e a decência". Apesar dessa proibição, mais de 150 partidas internacionais não oficiais foram disputadas nas décadas de 1950 e 1960. Em 30 de outubro de 1970, a proibição do futebol feminino foi revogada na convenção anual da DFB.

Enquanto outras associações de futebol já haviam formado seleções nacionais femininas oficiais na década de 1970, a DFB permaneceu por muito tempo alheia ao futebol feminino. Em 1981, o dirigente da DFB Horst R. Schmidt foi convidado a enviar uma equipe para o campeonato mundial de futebol feminino não oficial. Schmidt aceitou o convite, mas omitiu o fato de que a Alemanha Ocidental não possuía uma seleção feminina na época. Para evitar um vexame, a DFB enviou o clube campeão alemão Bergisch Gladbach 09, que acabou vencendo o torneio e repetindo o feito três anos depois, em 1984. Percebendo a necessidade, a DFB criou a seleção nacional feminina em 1982. O presidente da DFB, Hermann Neuberger, nomeou Gero Bisanz, instrutor da Faculdade de Esportes de Colônia, para montar a equipe.

1982–1994: Inícios difíceis e primeiros títulos europeus Em setembro de 1982, Bisanz organizou dois cursos de observação de talentos, a partir dos quais selecionou um elenco de 16 jogadoras. A primeira partida internacional da equipe ocorreu em 10 de novembro de 1982, em Koblenz. Seguindo a tradição da seleção masculina, a Suíça foi escolhida como a primeira adversária da Alemanha Ocidental. Doris Kresimon marcou o primeiro gol internacional aos 25 minutos. No segundo tempo, Silvia Neid, então com 18 anos, contribuiu com dois gols para a vitória por 5 a 1; Neid viria a se tornar auxiliar técnica em 1996 e técnica principal em 2005.

Com cinco empates e uma derrota, a Alemanha Ocidental não conseguiu se classificar para a edição inaugural do Campeonato Europeu, em 1984, terminando em terceiro lugar no grupo das eliminatórias. Inicialmente, o objetivo principal de Bisanz era diminuir a diferença em relação aos países escandinavos e à Itália — então as equipes mais fortes da Europa. Ele enfatizava o treinamento de habilidades básicas e a necessidade de um programa eficaz para as categorias de base. A partir de 1985, Bisanz passou a convocar cada vez mais jogadoras jovens, mas obteve pouco sucesso inicial com essa estratégia, já que a Alemanha Ocidental novamente não conseguiu se classificar para a fase final do Campeonato Europeu de 1987.

Invicta e sem sofrer gols, a seleção alemã classificou-se para o Campeonato Europeu pela primeira vez em 1989; o torneio foi disputado em solo alemão, na Alemanha Ocidental. A semifinal contra a Itália foi a primeira partida de futebol feminino internacional transmitida ao vivo pela televisão alemã. O jogo foi decidido em uma disputa de pênaltis, na qual a goleira Marion Isbert defendeu três cobranças e ela mesma marcou o pênalti decisivo. Em 2 de julho de 1989, em Osnabrück, a Alemanha Ocidental enfrentou a Noruega na final. Diante de um público de 22.000 pessoas, a equipe derrotou a favorita Noruega por 4 a 1, com gols de Ursula Lohn, Heidi Mohr e Angelika Fehrmann. Essa vitória marcou o primeiro título internacional da equipe.

Após a reunificação alemã, a associação de futebol da Alemanha Oriental juntou-se à DFB. A seleção feminina de futebol da Alemanha Oriental havia disputado apenas uma partida internacional oficial, perdendo por 3 a 0 para a Tchecoslováquia em um amistoso realizado em 9 de maio de 1990. A seleção alemã unificada defendeu com sucesso seu título no Campeonato Europeu de 1991. Após vencer todos os jogos do grupo das eliminatórias, a Alemanha enfrentou novamente a Itália na semifinal, desta vez vencendo por 3 a 0. Em 14 de julho de 1991, a equipe alemã enfrentou a Noruega mais uma vez na final. A partida foi para a prorrogação, durante a qual Heidi Mohr e Silvia Neid marcaram para a Alemanha, garantindo a vitória por 3 a 1.

Em novembro de 1991, a Alemanha participou da primeira Copa do Mundo Feminina, realizada na China. Após vitórias sobre Nigéria, Taiwan e Itália, a seleção alemã chegou às quartas de final sem sofrer nenhum gol. Silvia Neid marcou o primeiro gol da Alemanha em Copas do Mundo no dia 17 de novembro de 1991, contra a Nigéria. A Alemanha venceu a Dinamarca por 2 a 1 na prorrogação das quartas de final, mas perdeu por 2 a 5 na semifinal para os Estados Unidos, equipe que viria a conquistar o torneio. Após uma derrota por 0 a 4 na disputa pelo terceiro lugar contra a Suécia, a Alemanha terminou a competição na quarta colocação.

A seleção alemã não conseguiu defender seu título no Campeonato Europeu de 1993, sendo derrotada pela Itália na semifinal em uma disputa de pênaltis e perdendo, posteriormente, por 1 a 3 para a Dinamarca na disputa pelo terceiro lugar. Apesar do resultado decepcionante, novos talentos como Steffi Jones, Maren Meinert e Silke Rottenberg estrearam no torneio e, mais tarde, tornaram-se peças-chave da equipe alemã.

1995–2002: Decepções nas Olimpíadas e na Copa do Mundo Birgit Prinz marcou um gol em um grande torneio pela primeira vez em 1995. No mesmo ano, a Alemanha conquistou seu terceiro Campeonato Europeu. Após vencer todas as partidas das eliminatórias e marcar 55 gols, a seleção alemã derrotou a Inglaterra por 6 a 2 no placar agregado da semifinal. A Alemanha enfrentou a Suécia na final, realizada no Fritz-Walter-Stadion, em Kaiserslautern, Alemanha, em 26 de março de 1995. A equipe sueca saiu na frente, mas a Alemanha virou o jogo para vencer por 3 a 2, com gols de Maren Meinert, Prinz e Bettina Wiegmann.

Na Copa do Mundo Feminina de 1995, realizada na Suécia, a seleção alemã perdeu para as anfitriãs escandinavas, mas ainda assim conseguiu liderar seu grupo ao vencer o Japão e o Brasil. A Alemanha venceu a Inglaterra por 3 a 0 nas quartas de final e derrotou a China por 1 a 0 na semifinal, com um gol de Bettina Wiegmann no final da partida. Em 18 de junho de 1995, em Estocolmo, a seleção alemã disputou sua primeira final de Copa do Mundo Feminina. Enfrentando a Noruega, a equipe perdeu a partida por 0 a 2, mas, ao terminar como vice-campeã, alcançou seu melhor resultado em Copas do Mundo até aquele momento.

O futebol feminino foi disputado pela primeira vez como modalidade olímpica nos Jogos Olímpicos de Verão de 1996. Bettina Wiegmann marcou o primeiro gol olímpico na partida de estreia contra o Japão, vencida pela Alemanha por 3 a 2. A Alemanha foi eliminada, terminando em terceiro lugar no grupo com quatro pontos em três partidas. O técnico Gero Bisanz deixou o cargo após o torneio, e sua assistente desde 1983, Tina Theune, assumiu o comando da seleção. Silvia Neid encerrou sua carreira como jogadora e foi nomeada a nova auxiliar técnica.

O Campeonato Europeu de 1997 foi o primeiro desafio da nova técnica, Theune. Após uma derrota para a Noruega, a Alemanha terminou em segundo lugar no grupo das eliminatórias e só garantiu a classificação ao vencer a Islândia em um confronto de repescagem. Depois de empatar com a Itália e a Noruega, uma vitória sobre a Dinamarca no último jogo da fase de grupos levou a equipe alemã à fase eliminatória. Elas venceram a Suécia por 1 a 0 na semifinal e, em 12 de julho de 1997, conquistaram seu quarto título europeu com uma vitória por 2 a 0 sobre a Itália, com gols de Sandra Minnert e Birgit Prinz.

Na Copa do Mundo Feminina de 1999, realizada nos Estados Unidos, a seleção alemã também não conseguiu a classificação direta, mas obteve sucesso ao vencer a Ucrânia em uma repescagem. A Alemanha iniciou sua campanha na Copa do Mundo empatando com a Itália e vencendo o México por 6 a 0. No último jogo da fase de grupos, a Alemanha empatou em 3 a 3 com o Brasil; ao sofrer o gol de empate no último minuto, a Alemanha não conseguiu terminar em primeiro lugar no grupo e, consequentemente, teve de enfrentar as anfitriãs nas quartas de final. Com um público de 54.642 pessoas — incluindo o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton —, a torcida no Jack Kent Cooke Stadium foi a maior diante da qual a equipe alemã já havia jogado. Apesar de ter estado à frente no placar duas vezes, a equipe perdeu por 2 a 3 para as futuras campeãs mundiais.

A Alemanha competiu nos Jogos Olímpicos de Verão de 2000, vencendo todas as três partidas da fase de grupos contra Austrália, Brasil e Suécia. A equipe alemã dominou a semifinal contra a Noruega, mas perdeu o jogo por 0 a 1 após um gol contra de Tina Wunderlich aos 80 minutos. Elas venceram o Brasil por 2 a 0 na disputa pelo terceiro lugar, com gols de Birgit Prinz e Renate Lingor, conquistando a medalha de bronze. Foi a primeira medalha olímpica para as associações de futebol da Alemanha desde 1988, quando a equipe masculina também conquistou o bronze.

Em 2001, a Alemanha sediou o Campeonato Europeu. Após vitórias sobre Suécia, Rússia e Inglaterra na fase de grupos, a equipe alemã derrotou a Noruega por 1 a 0 na semifinal, graças a um gol de cabeça em mergulho de Sandra Smisek. Em 7 de julho de 2001, em Ulm, a seleção enfrentou a Suécia na final, disputada sob forte chuva. O jogo terminou empatado sem gols após 90 minutos e foi para a prorrogação, na qual Claudia Müller marcou um gol de ouro, garantindo o quinto título europeu para a Alemanha.

2003–2023: Dois títulos consecutivos da Copa do Mundo miniaturadaimagem|277x277px|Alemanha enfrentando a Suécia na final da Copa do Mundo Feminina de 2003.