Impacto ambiental é a alteração de condições do meio ambiente e/ou dos elementos presentes neste em consequência de atividades humanas (antrópicas). Estes impactos podem manifestar-se em forma de poluição de recursos naturais (como Poluição do solo, água e ar), destruição de ambientes naturais, redução de indivíduos ou extinção de espécies, aumento da temperatura global, acidificação dos oceanos, comprometimento de serviços ecossistêmicos essenciais à vida, entre outros.
No Brasil, a Resolução do CONAMA nº 1, de 23 de janeiro de 1986, da Política Nacional do Meio Ambiente, define como impacto ambiental qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam:
a saúde, a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; a qualidade dos recursos ambientais.
Ou seja, os impactos ambientais não são apenas os causados na natureza em si, alguns desses impactos produzem consequências também na vida das pessoas e na economia de regiões. No entanto, este verbete está focado principalmente aos danos bióticos causados pelas ações humanas.
Histórico da interação humana com o meio ambiente O ser humano causa impactos ambientais desde o momento em que obteve conhecimento de como alterar as características do ambiente em que se encontrava a seu favor, deixando de depender das condições pré-estabelecidas na natureza e tornando o meio em que vivia cada vez mais favorável à sua ocupação e sobrevivência; no entanto, sem deixar de causar uma série de influências no ambiente.
miniaturadaimagem|355x355px|Migração do Homo sapiens pelo mundo há cerca de cem mil anos.|alt=|esquerda
Há cerca de cem mil anos, o Homo sapiens saiu da África, seu continente de origem, e dispersou-se por todo o mundo, alimentando-se basicamente das espécies nativas (animais e vegetais) de cada um dos continentes em que chegou. A intensa caça aos animais, no entanto, pode ter sido a causa da extinção de várias espécies.
Um estudo demonstra que o Homo sapiens foi responsável pela extinção de 177 espécies de grandes mamíferos (acima de 10 kg) ao redor do mundo entre 132 mil e mil anos atrás, sendo 62 delas da América do Sul, 43 da América do Norte, 38 da Ásia, 26 da Australasia, 19 da Europa e 18 da África.
Com o advento da agricultura, onze mil anos atrás, os seres humanos foram capazes de formar pequenas populações e estabelecer uma vida sedentária. Para a manutenção de plantações, foi necessária a abertura de campos em meio a matas e a manipulação de recursos hídricos para a rega dos vegetais, perdendo a dependência que estes tinham dos ciclos de chuva ao longo do ano. Os humanos foram, inclusive, capazes de iniciarem a chamada seleção artificial com plantas, a fim de produzirem, principalmente, grãos, sementes e frutos que fossem ainda mais fartos e nutritivos. Além da agricultura, as populações humanas, foram aos poucos (entre onze mil e nove mil anos atrás) desenvolvendo a prática da domesticação de animais, como cães, cabras, ovelhas e gado. A pecuária também foi um fator que contribuiu para o desmatamento de áreas naturais e, mais uma vez, humanos interferiam no ciclo de vida de animais, que passaram a serem usados basicamente como alimento.
O aprimoramento cada vez maior de técnicas de sobrevivência e o avanço do conhecimento de diversas áreas permitiram que as civilizações tornam-se cada vez maiores, mais consolidadas e mais poderosas, sempre à base da exploração de recursos naturais usados como matéria prima de tudo produzido pelos indivíduos.
A partir do século XV, tiveram início as grandes navegações e a consequente descoberta de novos continentes. O encontro entre desbravadores curiosos e as novas terras encontradas provocou um grande intercâmbio de várias espécies, novos animais e plantas foram introduzidos nos continentes recém encontrados (por exemplo, a cana-de-açúcar, o trigo, cavalos, vacas, cabras e porcos) e diferentes espécies não conhecidas foram levadas aos países de origem dos colonizadores (como é o caso do milho, batata, mandioca e vários primatas); além disso, houve uma intensa troca de patógenos entre nativos e os pioneiros nas explorações das terras, culminando na morte de milhões de habitantes dos novos continentes.
Outro grande evento da história humana com grande impacto no meio ambiente foi a chamada Revolução Industrial, ocorrida na Europa, em 1760, quando extensas mudanças foram feitas nos modos de produção dos bens de consumo: produtos antes artesanais passaram a serem feitos em larga escala por máquinas, que eram movidas à queima de carvão, petróleo e gás. O uso destes elementos para funcionamento das máquinas provocou o aumento das concentrações globais de CO2 (dióxido de carbono) e CH4 (metano), de acordo com análises do ar do século XVIII preso no gelo polar.
O desenvolvimento das nações, as grandes invenções, e o avanço na medicina possibilitaram que as pessoas se tornassem mais longevas e que a taxa de morte de crianças fosse menor, provocando o aumento acelerado da população mundial. Em 1804, foi registrado o primeiro bilhão de pessoas no mundo, e, em 2011, já se contavam mais de 7 bilhões de indivíduos. O aumento populacional, junto com a invenção de novas tecnologias, exige cada vez mais dos recursos naturais, que são explorados para que se possa manter o estilo de vida da população mundial.
Principais atividades humanas e seus impactos bióticos
Qualquer atividade humana é capaz de gerar alterações no meio ambiente, em grande ou pequena escala, sendo positivas ou negativas. Alguns exemplos são:
Construção de rodovias: apesar de reduzir o tempo de deslocamento entre dois locais para a população humana essa ação pode trazer grandes prejuízos para a fauna e flora nativa. Para se construir uma rodovia, é necessário o desmate de áreas verdes, diminuindo o habitat de espécies locais, além de impedir que populações animais que ali vivem sejam capazes de cruzar as estradas para se alimentarem ou reproduzirem e, como consequência, muitos deles são mortos por atropelamentos. Calcula-se, de acordo com o Centro Brasileiro de Estudos em Ecologia de Estradas (CBEE), que morrem, por dia, mais de 1,3 milhões de animais vítimas de atropelamento, somando-se 475 milhões de vítimas por ano no Brasil. As obras podem também criar locais ideais para reprodução de vetores de doenças, além do lixo jogado em volta da rodovia pela população, que cria microambientes ótimos para postura de ovos de insetos vetores, como o Aedes Aegypti. Deve ser levada em consideração a quantidade exorbitante de gases poluentes liberados na atmosfera pelos veículos que ali transitam; e outro impacto a ser considerado é o som produzido por veículos, que além de incomodarem a população, também altera ciclos naturais de espécies animais. Construção de ferrovias: os trilhos dos trens também acabam por se tornarem uma barreira que deve ser superada pelos animais terrestres para concluírem adequadamente seus ciclos, no entanto, os riscos são menores que nas rodovias, já que a quantidade de pessoas ou carga em um trem exigiria um número muito maior de carros ou caminhões para serem conduzidas. O transporte rodoviário possui também o problema de poluição sonora, que afeta pessoas e animais; porém a liberação de CO2 por trens é bem menor se comparada a de veículos que utilizam rodovias. Construção de aeroportos: além de ruídos muito altos gerados pelas aeronaves, as taxas de emissão de gases gerados pela queima de combustíveis fósseis são bastante relevantes. Os produtos usados como combustível ou na manutenção e lavagem de aviões e helicópteros são muito apontados como contaminantes dos lençóis freáticos e cursos d’água próximos a aeroportos. Existe também o risco de colapso entre aeronaves e espécies que voam, em que muitas vezes é necessário um plano de manejo para evitar que tais acidentes aconteçam, comprometendo assim, comportamentos de migração dessas espécies. Usinas hidrelétricas: durante a criação é necessário inundar grandes áreas de terra, destruindo florestas e mudando cursos de rios, isso acaba por prejudicar a fauna local, além de ocasionar o deslocamento de várias comunidades que ali vivem. Muitas espécies aquáticas podem sofrem lesões ao serem levadas pelo curso do rio até as turbinas e a presença da barragem pode impedir a migração de espécies que usam aquele rio para realizar reprodução; além disso, a água dos reservatórios é mais rica em nutrientes ajudando na proliferação de algas e microrganismos que irão afetar o resto do rio, sendo necessário um controle manual ou a introdução de uma outra espécie no meio. Além disso, as hidrelétricas liberam gás carbônico durante a sua instalação e desconstrução, assim como a vegetação a ser decomposta após a inundação. Mineração: com a escavação de sítios de mineração, ocorre a deposição de rejeitos em outras áreas, levando à erosão do solo (devido à perda de cobertura vegetal). Há também, o comprometimento dos lençóis freáticos devido a falta de monitoramento para escavação. Devido ao carregamento de metais pesados e compostos químicos pela água e pelo vento, ocorrem danos ao ambiente aquático (diminuindo a quantidade de oxigênio diluído) e impedimento de água pela população e por animais por causa da deposição de camadas de substâncias tóxicas e não-tóxicas na superfície, podendo até levar a acidificação dos lagos. Isso acaba por diminuir a qualidade de vida dos moradores próximos, tanto pela baixa na qualidade da água consumida quanto pela presença de partículas de minérios e poeira no ar (que podem causar problemas respiratórios); ademais, há o risco de deslizamento desses sítios de mineração podendo provocar danos tanto a cidades quanto ao meio ambiente. Indústrias: para a instalação de uma indústria ocorre, primeiramente, a devastação da área verde que antes ocupava aquele espaço. Posteriormente, as indústrias acabam por serem grandes produtoras de gases poluentes, que muitas vezes são liberados na atmosfera sem medidas que diminuam os danos causados por eles; muitas indústrias são também responsáveis pela poluição de corpos hídricos próximos, provocando perda de qualidade da água e consequente dano à biodiversidade aquática e comprometimento de bioindicadores de qualidade da água, já que descartam (ilegalmente) nos corpos hídricos as sobras de produtos químicos (o que pode provocar mutações ou morte de indivíduos aquáticos) e outros resíduos (que podem ocasionar enchentes, prejudicando tanto as populações humana quanto de espécies aquáticas). Além disso, a fabricação dos bens que serão comercializados muitas vezes produzem ruídos altos, que contribuem para a poluição sonora e alteração nos ciclos biológicos de animais e pessoas. miniaturadaimagem|Chaminés de fábricas liberando gases poluentes na atmosfera.Turismo: quando uma área é utilizada para turismo, provavelmente, o primeiro impacto biótico observado é a quantidade de lixo deixada por visitantes nestes locais. Em áreas com foco no turismo ambiental, é comum encontrar também visitantes que se aproximam de animais para alimentá-los, este hábito faz com que os animais percam o interesse por buscarem seu alimento sozinhos, o que compromete o seu comportamento natural, além de passarem a comer, geralmente, apenas alimentos industrializados e de baixo valor nutricional. A longo prazo, o foco no turismo acaba por gerar um aumento no número de construções ao redor do local visitado, como hotéis, restaurantes, estacionamentos, etc., o que tem como consequência o desmatamento de áreas antes naturais.