Karim Aïnouz (Fortaleza, 17 de janeiro de 1966) é um roteirista, produtor, artista visual e diretor de cinema e televisão brasileiro. Reconhecido como um dos mais influentes e importantes diretores brasileiros do Cinema de Retomada, sua filmografia é marcada pela aclamação nacional e internacional. Suas produções já lhe renderam inúmeros prêmios e indicações em diversas cerimônias de cinema, incluindo dois Grandes Otelo, três Prêmios APCA, dois Prêmios Guarani, além de prêmios no Festival de Cinema de Cannes, Festival de Cinema de Berlim e Festival de Cinema do Rio.

Começou sua carreira no cinema nos anos 90, atuando como diretor de curtas-metragens, entre eles Rifa-me (2000). No início dos anos 2000, atuou como coroteirista em diversos filmes, tendo colaborado nos roteiros dos aclamados Abril Despedaçado (2001), de Walter Salles, Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), de Marcelo Gomes, e Cidade Baixa (2005), de Sérgio Machado. Seu primeiro trabalho na direção de longas-metragens foi com Madame Satã (2002), sobre a vida e arte do artista e transformista Madame Satã. O drama O Céu de Suely (2006) foi seu segundo longa-metragem, retratando a vida de uma jovem que rifa o próprio corpo para ganhar dinheiro, usando o pseudônimo "Suely". Seu terceiro longa, Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo (2009), dessa vez dividindo a direção com Marcelo Gomes, foi um road-movie. Com estreia na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cinema de Cannes, o drama O Abismo Prateado (2011) foi seu quarto filme.

Dirigiu e escreveu o filme Praia do Futuro (2014), uma coprodução entre Brasil e Alemanha, que competiu pelo Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim. No mesmo festival, ganha o Prêmio Anistia Internacional com o documentário Aeroporto Central (2018). Ganha maior projeção internacional ao vencer o prêmio principal da mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes com A Vida Invisível, drama baseado no livro A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, da escritora pernambucana Martha Batalha.

Com a aclamação que conseguiu com seu último longa, dedicou-se a carreira internacional. Foi indicado a Palma de Ouro, prêmio de maior prestígio do Festival de Cannes, com o drama histórico Firebrand (2023), sua primeira produção internacional, e com o suspense erótico Motel Destino (2024). Volta a competição principal do Festival de Berlim com Rosebush Pruning (2026).

Biografia Juventude Filho de uma cearense e um argelino, Karim Aïnouz nasceu em Fortaleza, capital do estado do Ceará, em 17 de janeiro de 1966. Formou-se em arquitetura pela Universidade de Brasília (UnB), tendo ido estudar artes visuais e teoria do cinema em Nova Iorque. Atuou como assistente de casting e montagem nos longas-metragens Poison (1991), de Todd Haynes, e Arizona Dream (1993), de Emir Kusturica. Ao lado dos cineastas Ira Sachs, Jonathan Nossiter e Oren Moverman, fundou a coletiva Dependent Cinema, visando viabilizar filmes independentes.KARIM Aïnouz. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2026. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/13342-karim-ainouz. Acesso em: 26 de maio de 2026. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

1992–2002: Primeiros trabalhos no cinema Como diretor, começou sua carreira dirigindo curtas-metragens, ainda nos anos 90. Entre os curtas que Aïnouz dirigiu por volta desta época, destacam-se O Preso (1992), Seams (1994), Paixão Nacional (1994), Hic Habitat Felicitas (1996) e Rifa-me (2000). No início dos anos 2000, assina o roteiro, ao lado de Sérgio Machado e Walter Salles, da coprodução entre Brasil, Suíça e França Abril Despedaçado (2001), dirigida por Salles. Aclamado pela crítica nacional e internacional, o filme foi indicado a diversas premiações, incluindo indicações ao Globo de Ouro e BAFTA. Pelo seu trabalho no longa, foi indicado ao Prêmio Guarani na categoria Melhor Roteiro Adaptado, em 2003.

No ano posterior ao lançamento do filme de Salles, Karim lançou na mostra Un Certain Regard, do Festival de Cinema de Cannes, o longa Madame Satã, seu primeiro trabalho na direção de um longa-metragem. Competindo pelo prêmio da mostra e pela Caméra d'Or, o filme retrata a vida e arte do artista e transformista Madame Satã, interpretado pelo ator Lázaro Ramos na obra, com o elenco também incluindo nomes como Marcélia Cartaxo e Flávio Bauraqui. Enquanto desenvolvia o roteiro do longa, Aïnouz fez uma extensa pesquisa acerca da vida do artista no Arquivo Nacional, em arquivos jurídicos que relatam os crimes cometidos por ele, assim como em entrevista com pessoas que conviveram ao seu lado na prisão e no bairro da Lapa. O diretor também visitou o túmulo da mãe do artista no agreste pernambucano. Em seu lançamento, teve uma grande repercussão e exibição em festivais por vários países do mundo, sendo aclamado pela crítica especializada.MADAME Satã. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2026. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obras/123409-madame-sata. Acesso em: 26 de maio de 2026. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

2005–2011: Aclamação nacional

Em 2005, Aïnouz colabora nos roteiros dos longas Cidade Baixa, de Sérgio Machado, e Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes. Pelo seu trabalho no último, recebe o Grande Otelo de Melhor Roteiro Original, na cerimônia de 2007. Com passagens pelo Festival de Cinema de Cannes e Festival de Cinema de Veneza, O Céu de Suely, de 2006, foi seu segundo longa-metragem. Filmado no município de Iguatu, no estado do Ceará, antes de iniciar o processo de escrita do roteiro, Aïnouz junto com Armando Praça fizeram entrevistas com mais de 20 meninos e meninas, lhes perguntando sobre o que era ser jovem no contexto atual e que desejos e sonhos tinham. O material serviu de base para o desenvolvimento do roteiro. O Céu de Suely foi recebido com críticas positivas, com exibições em diversos festivais, entre eles o Festival de Cinema do Rio, tendo tido uma exibição na mostra Première Brasil, e na mostra Horizontes do Festival de Cinema de Veneza. Na televisão, em 2008, Aïnouz escreveu e dirigiu a série Alice, em parceria com Sérgio Machado, para a HBO América Latina.

Seu próximo filme, dessa vez dividindo a direção com Marcelo Gomes, foi Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo, lançado em 2009. A ideia para a produção surgiu de um antigo projeto de Gomes e Aïnouz, que seria um documentário road-movie visitando espaços e gentes, que acabou por se transformar em um enredo de ficção. A obra destacou-se por seu estilo diferenciado de linguagem, utilizando de narrações em primeira pessoa que acompanha uma jornada física e emocional, a partir de imagens capturadas pelos diretores, com também algumas fotografias de quartos de hotel, lugares e pessoas. Assim como o longa anterior de Karim, o filme também passou pelo Festival de Veneza, sendo bem recebido pela crítica especializada. No 64º Festival de Cinema de Cannes, em 2011, seu filme O Abismo Prateado fez sua estreia na sessão Quinzena dos Realizadores, tendo sido baseado na música Olhos nos Olhos do cantor e compositor Chico Buarque.

2014–2019: Projeção internacional Em 2014, dirigiu e escreveu a coprodução entre Brasil e Alemanha Praia do Futuro. Fez sua estreia no Festival de Berlim, onde competiu pelo Urso de Ouro, prêmio principal da cerimônia, sendo muito bem recebido pela crítica. Ainda no Festival de Berlim, em 2018, recebeu o Prêmio Anistia Internacional pelo documentário Aeroporto Central. O filme retrata a vida de refugiados em busca de asilo político na capital da Alemanha, com sua estreia mundial acontecendo na seção Panorama da cerimônia.

O trabalho que deu maior destaque para a carreira de Aïnouz foi A Vida Invisível. Baseado no livro A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, da escritora pernambucana Martha Batalha, o diretor fez uma série de entrevistas com mulheres na faixa etária de 70 a 90 anos, onde lhes foi perguntado a sobre suas primeiras experiências sexuais, o casamento e a vida privada, sendo essencial para a elaboração do roteiro. Produzido pelo Canal Brasil, Pola Pandora, Filmproduktions, RT Features e Sony Pictures, fez história ao se tornar a primeira produção brasileira a receber o prêmio principal da mostra Un Certain Regard, sendo descrito pelo The Hollywood Reporter como um dos "dez melhores filmes do Festival de Cannes". Com toda a repercussão internacional que a obra recebeu, foi o escolhido pela Academia Brasileira de Cinema para representar o Brasil no Oscar 2020, porém acabou por não figurar na lista dos pré-selecionados para o prêmio.

2023–atualmente: Carreira internacional e projetos futuros

Com o grande sucesso de A Vida Invisível, o diretor começou a focar em sua carreira internacional. Seu primeiro longa de ficção fora do Brasil foi o drama histórico Firebrand. Baseado no romance Queen's Gambit, escrito por Elizabeth Fremantle acerca de Catarina Parr, sexta e última esposa de Henrique VIII, foi mais uma de suas produções que fez estreia em Cannes, mas dessa vez pelo prêmio principal, a Palma de Ouro. No próximo ano, volta a competição principal do festival com o suspense erótico Motel Destino, coproduzido internacionalmente pela The Match Factory, da Alemanha, e pela Maneki Films, da França; em associação com a Brouhaha Entertainment e Written Rock Films, do Reino Unido. As filmagens foram realizadas inteiramente em locações no Ceará. Volta ao Festival de Berlim com Rosebush Pruning, em competição pelo Urso de Ouro, mais uma produção internacional que dirigiu.

Entre seus projetos futuros, estão uma trilogia chamada "Trilogia de Motel", iniciada por Motel Destino em 2024. O segundo filme da trilogia será o faroeste Trevo de Quatro Navalhas, com o terceiro e último sendo Lana Jaguaribe. Também estão em seus planos o longa Last Dance, estrelado por Adrien Brody, Rachel Zegler e Ben Platt.

Filmografia Cinema +AnoTítuloCreditado comoTipoDireçãoRoteiro1992O PresoVídeo1993SeamsCurta-metragem1994Paixão NacionalVídeo1996Hic Habits FelicitasCurta-metragem1998Les Ballons des BairrosCurta-metragem (documentário)2000Rifa-meCurta-metragem2001Abril DespedaçadoLonga-metragem2002Madame Satã2005Cidade BaixaCinema, Aspirinas e Urubus2006O Céu de Suely2010DesassossegoViajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo2011SonnenalleeCurta-metragem (documentário)Destricted.brVídeoO Abismo PrateadoLonga-metragemSua Cidade EmpáticaVídeo2014Cathedrals of CulturePraia do FuturoLonga-metragemDomingoCurta-metragem (documentário)Terra PrometidaVídeoShort Plays2015Velázquez ou o Realismo SelvagemLonga-metragem (documentário)2018Zentralflughafen THF2019A Vida InvisívelLonga-metragem2020Nardjes A.Longa-metragem (documentário)Missão PerséfoneCurta-metragem2021Marinheiro das MontanhasLonga-metragem (documentário)2023FirebrandLonga-metragem2024Motel Destino2026Rosebush PruningTBALast DanceTrevo de Quatro NavalhasLana Jaguaribe

Televisão +AnoTítuloCreditado comoTipoDireçãoRoteiro2008AliceSérie de televisão

Prêmios e indicações

Aïnouz e seus filmes foram indicados a diversos prêmios e indicações, incluindo estatuetas no Prêmio Grande Otelo do Cinema Brasileiro, Prêmio APCA, Prêmio Guarani, além de honrarias em importantes festivais de cinema, tais como Festival de Cannes, Festival de Berlim, Festival do Rio, entre outros. Ganhou duas vezes o prêmio Grande Otelo, por Cinema, Aspirinas e Urubus e A Vida Invisível. Foi indicado duas vezes a Palma de Ouro, com Firebrand e Motel Destino.

Reconhecimento Com todo o reconhecimento internacional que estava recebendo, em 2012 Aïnouz foi convidado a integrar o júri da Cinéfondation e da Competição de Curtas-metragens do 65° Festival de Cannes. Ainda foi convidado para compor o júri do Heiner Carow Award, durante o 63° Festival de Berlim, e em 2014 foi presidente do júri do Festival do Rio.