Na mitologia assíria, Assur é o deus guardião da cidade de Assur, elevado mais tarde a deus nacional da Assíria. Ele tomou o lugar do deus Enlil sendo posteriormente identificado com Ansar. Era o deus do Sol e da condução da guerra. Foi representado com um Disco Alado do Sol (semelhante Horbehutet e ao Faravahar), portando um arco. Havia se casado com Ninlil, após Enlil ser substituído por Marduque para ser o deus principal no sul, e gerou a Ninurta e Zababa.

Origem

Assur teve origem como a divindade tutelar da cidade de Assur, um dos mais antigos centros urbanos da Assíria. Os estudiosos acreditam que inicialmente ele estava ligado à própria cidade e ao seu território, antes de adquirir características de uma divindade universal.

À medida que o poder político assírio cresceu durante o II milênio a.C., a importância religiosa de Assur também aumentou. O deus passou gradualmente a ser venerado como protetor não apenas da cidade homônima, mas de todo o Estado assírio.

Desenvolvimento do culto

Durante o período do Império Assírio Médio e, sobretudo, do Império Neoassírio, Assur tornou-se a principal divindade do panteão assírio.

Os reis assírios consideravam-se representantes terrestres de Assur e governavam em seu nome. Muitas inscrições reais descrevem as campanhas militares assírias como empreendimentos realizados sob a vontade e proteção do deus.

Em diversas ocasiões, os monarcas declaravam que suas conquistas territoriais tinham sido ordenadas por Assur, o que conferia legitimidade religiosa à expansão do império.

Características e atributos

Diferentemente de muitas divindades mesopotâmicas, Assur possuía poucas narrativas mitológicas independentes. Sua identidade religiosa foi construída principalmente por meio da incorporação de atributos anteriormente associados a outras divindades importantes, especialmente Enlil.

Com o passar do tempo, Assur foi visto como:

protetor da Assíria; garantidor da ordem cósmica; patrono da realeza assíria; divindade associada à guerra e à vitória militar; chefe supremo do panteão assírio.

Em alguns textos teológicos tardios, Assur foi identificado com Ansar, divindade primordial da cosmologia mesopotâmica.

Simbologia

O símbolo mais conhecido de Assur era o disco alado, frequentemente representado em relevos, estelas e esculturas do período neoassírio.

Em algumas representações, uma figura masculina aparece dentro do disco alado segurando um arco, simbolizando o papel de Assur como protetor divino e patrono das campanhas militares assírias.

O símbolo tornou-se um dos elementos mais reconhecíveis da arte oficial do Império Neoassírio.

Templo de Assur

O principal centro de culto do deus localizava-se na cidade de Assur, às margens do rio Tigre. Seu templo, conhecido em fontes antigas como Ehursagkurkurra, foi ampliado e restaurado por diversos reis assírios ao longo dos séculos.

A cidade de Assur permaneceu como um importante centro religioso mesmo quando outras cidades, como Nínive e Calá, tornaram-se capitais políticas do império.

Assur e a realeza assíria

A relação entre Assur e os reis da Assíria constituiu um dos elementos centrais da ideologia política assíria. Diferentemente de outras monarquias do antigo Oriente Próximo, os reis assírios não se apresentavam como deuses, mas como representantes e administradores terrenos de Assur.

Nas inscrições reais, os monarcas frequentemente se descreviam como "vice-regentes" ou "governadores" de Assur, governando o império em seu nome. As conquistas militares, a construção de templos e a administração do Estado eram apresentadas como deveres religiosos realizados para glorificar o deus nacional assírio.

Durante o período neoassírio, campanhas militares eram frequentemente justificadas como missões ordenadas por Assur para expandir a ordem divina e subjugar povos considerados hostis ao império.

Assur na literatura religiosa

Embora não possua uma mitologia tão extensa quanto a de divindades como Marduque, Ishtar ou Enki, Assur aparece em diversos textos religiosos assírios.

Durante o período neoassírio, escribas adaptaram textos originalmente babilônicos para colocar Assur em posição de destaque. Em algumas versões assírias do Enuma Elish, por exemplo, o nome de Marduque foi substituído pelo de Assur, reforçando sua posição como divindade suprema do império.

Essas adaptações demonstram a tentativa das elites religiosas assírias de criar uma teologia própria, compatível com o crescente poder político da Assíria.

Assur e o panteão mesopotâmico

Embora fosse a principal divindade da Assíria, Assur não substituiu completamente os demais deuses mesopotâmicos. O culto a divindades como Ishtar, Shamash, Adade e Nabu continuou desempenhando papel importante na religião assíria.

Assur era considerado o chefe do panteão, ocupando uma posição comparável à de Marduque na Babilônia. Em muitos textos religiosos, os demais deuses aparecem atuando como auxiliares ou subordinados à sua autoridade.

Culto e festivais

O culto de Assur incluía cerimônias, procissões e festivais realizados em seu templo principal na cidade de Assur. Sacrifícios de animais, oferendas de alimentos e rituais de purificação eram práticas comuns da religião assíria.

Os reis frequentemente patrocinavam essas celebrações, fornecendo recursos para os templos e financiando reformas em edifícios religiosos dedicados ao deus.

Arqueologia

Escavações realizadas desde o século XIX na antiga cidade de Assur revelaram inscrições, relevos, estelas e restos arquitetônicos relacionados ao culto do deus.

Muitas dessas descobertas encontram-se atualmente em museus europeus e do Oriente Médio, incluindo o Museu Pergamon, em Berlim, e o Museu Britânico, em Londres.

Influência histórica

O culto de Assur exerceu forte influência sobre a identidade nacional assíria durante mais de mil anos. A associação entre religião, poder político e expansão militar tornou-se uma das características mais marcantes da civilização assíria.

Mesmo após a destruição do Império Neoassírio em 609 a.C., a memória de Assur permaneceu preservada em textos históricos, inscrições e tradições religiosas da Mesopotâmia.

Legado

A importância de Assur declinou após a queda do Império Neoassírio no final do século VII a.C. Contudo, seu culto continuou a existir em algumas regiões da Mesopotâmia por vários séculos.

Atualmente, Assur é considerado uma das divindades mais importantes para o estudo da religião mesopotâmica e da ideologia imperial assíria.

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Ver também

Assur (cidade) Assíria Mitologia assíria Enlil Ansar (mitologia) Ninurta Shamash Império Neoassírio Religião mesopotâmica

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