A Nigéria, oficialmente República Federal da Nigéria (), é uma república constitucional federal que compreende 36 estados e o Território da Capital Federal. O país está localizado na África Ocidental e compartilha fronteiras terrestres com o Benim a oeste; com Chade e Camarões a leste, e com o Níger ao norte. Sua costa encontra-se ao sul, no Golfo da Guiné, no Oceano Atlântico.
A Nigéria tem cerca de 243 milhões de habitantes. O país possui uma grande diversidade cultural: lá falam-se 514 línguas diferentes. Existem 371 grupos étnicos oficialmente reconhecidos. Os três maiores grupos étnicos são os ibo, os iorubá e os hauçá. O inglês é a língua oficial e uma língua franca amplamente utilizada.
Em 1960, a antiga colónia britânica da Nigéria tornou-se independente. Entre 1967 e 1970, travou-se uma guerra civil entre o Biafra, no sudeste, e o resto da Nigéria, tendo-se seguido décadas turbulentas com vários governos militares. Desde 1999 que a Nigéria tem um sistema presidencial inspirado no modelo norte-americano. Realizam-se eleições de quatro em quatro anos. O trabalho da Comissão Eleitoral da Nigéria (INEC) tem sido alvo de críticas, tanto a nível nacional como internacional, devido à falta de transparência.
A população é composta, aproximadamente em partes iguais, por muçulmanos e cristãos, e as comunidades religiosas carismáticas, como as igrejas pentecostais (18 % da população), desempenham um papel importante. – As leis anti-LGBT da Nigéria estão entre as mais draconianas do mundo e criminalizam não só as pessoas queer, mas também os seus «apoiantes», como familiares e conhecidos. Esta situação conta com o apoio de uma ampla maioria da população. Em 2018, numa sondagem, 96 % dos nigerianos rejeitaram as relações homossexuais (embora 75 % não conhecessem nenhuma relação desse tipo no seu círculo pessoal). – Em alguns estados do norte da Nigéria, aplica-se a sharia; isto acontece apenas em poucos outros países africanos, como, por exemplo, na Mauritânia e no Sudão. A sharia é aplicada pela polícia religiosa local, a Hisba. Apesar desta postura potencialmente ortodoxa, desde 2002 que ninguém foi executado na Nigéria por ordem de um tribunal islâmico da sharia.
A Nigéria é, juntamente com a África do Sul e o Egito, uma das maiores economias de África. É considerada pelo Banco Mundial como um mercado emergente. A política económica radical do presidente Tinubu causou dificuldades sociais («hardship»), mas parece estar a dar frutos. Em 2025/26, a Moody’s, a S&P e a FTSE Russell atribuíram à Nigéria classificações elevadas nos seus rankings. Cinco das sete «unicórnios» tecnológicas africanas estão localizadas na Nigéria; no total, quase um terço de todas as startups tecnológicas africanas tem origem na Nigéria. A metrópole de Lagos é, há muito, o principal centro financeiro da África Ocidental e Central. A Nigéria representa 28 % de todas as empresas africanas de fintech e é um importante centro de financiamento de capital de risco (VC), tendo concentrado, entre 2020 e o primeiro semestre de 2024, cerca de 36 % do financiamento destinado às empresas africanas de fintech.
Graças ao sucesso da refinaria Dangote, inaugurada em 2023, a Nigéria está a passar de exportadora de petróleo para exportadora de combustíveis e fertilizantes. Juntamente com o Gana e Angola, a Nigéria figurou, em 2025, entre os países africanos com maior excedente da balança comercial. No início de 2026, a Nigéria registou o maior excedente da balança comercial num trimestre desde a sua fundação, em 1914. O Banco Mundial prevê para a Nigéria, em 2026/2027, o maior crescimento económico dos últimos 10 anos.
A indústria cinematográfica do país produz tantos filmes como, a nível mundial, apenas Hollywood e Bollywood; desde 2010, tem-se apostado cada vez mais em produções de elevada qualidade: «My Father's Shadow» (A Sombra do Meu Pai, ou Um Dia com o Meu Pai), de Akinola Davies Jr., foi premiado em Cannes e pelos BAFTA em 2025. A música nigeriana, o afrobeats, é uma presença constante nas tabelas internacionais e é regularmente distinguida em cerimónias de prémios. Em 1986, Wole Soyinka, natural de Abeocutá, no sul da Nigéria, tornou-se o primeiro (e, até 2021, o único) africano de pele escura a ganhar o Prémio Nobel da Literatura.
Através da construção de infraestruturas (rede ferroviária, portos, aeroportos) e do seu financiamento pela CCECC e pela CRRC, a República Popular da China exerce uma influência crescente na Nigéria. Do lado europeu, destaca-se sobretudo a Agence Française de Développement (AFD), que apoia projetos de infraestruturas e ambientais na Nigéria.
A Nigéria é um dos membros fundadores da União Africana e faz parte de inúmeras organizações internacionais, entre as quais as Nações Unidas, a Commonwealth das Nações, o Movimento dos Países Não Alinhados, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, a Organização para a Cooperação Islâmica e a OPEP.
Etimologia O nome "Nigéria" foi criado mediante a fusão das palavras Niger (referente ao Rio Níger) e area (termo inglês para "área"), em contraste com o vizinho Níger, de colonização francesa. Esse nome foi cunhado no final do , por Flora Shaw, que viria a ser a esposa do Barão Lugard, uma administradora colonial britânica.
História Por muito tempo a sede de inúmeros reinos e impérios, o Estado moderno da Nigéria tem suas origens na colonização britânica da região durante final do a início do XX, surgindo a partir da combinação de dois protetorados britânicos vizinhos: o Protetorado Sul e o Protetorado Norte da Nigéria. Os britânicos criaram estruturas administrativas e legais, mantendo as chefias tradicionais.
Pré-colonização thumb|esquerda|upright|Máscara de marfim da realeza do Império do Benim. Os Impérios de Canem e Bornu, próximo ao Lago Chade, dominaram a parte norte da Nigéria por séculos, prosperando como rota de comércio entre os povos norte-africanos e o povo da floresta.
No começo do , Usmã dã Fodio reuniu a maior parte das áreas do norte sob o controle de um império islâmico tendo como centro Socoto. Ambos os reinos de Oió, no sudoeste, e Benim, no sudeste, desenvolveram sistemas elaborados de organização política nos séculos XV, XVI e XVII.
Colonização europeia Até 1471, navios portugueses haviam descido o litoral africano até o delta do Rio Níger. Em 1481 emissários do rei de Portugal visitaram a corte do oba de Benim, com o qual mantiveram por um tempo laços estreitos, usufruindo de monopólio comercial até o fim do .Helen Chapin Metz, ed. Nigeria: A Country Study. Washington: GPO for the Library of Congress, 1991.
Entre os séculos XVII e XIX, comerciantes europeus estabeleceram portos costeiros para o aumento do tráfico de escravos (prisioneiros de guerra das tribos africanas mais fortes e dominadoras regionais) para as Américas, concorrendo fortemente com os árabes neste comércio. O comércio de comódites substituiu o de escravos no .
A Companhia Real do Níger foi criada pelo governo britânico em 1886 e, em 1900, criou os protetorados britânicos do Norte da Nigéria e do Sul da Nigéria. Estes protetorados foram fundidos em 1914, para formar a colônia da Nigéria.
República Em resposta ao crescimento do nacionalismo nigeriano ao final da Segunda Guerra Mundial, o governo britânico iniciou um processo de transição da colônia para um governo próprio com base federal, concedendo independência total em 1960, tornando-se a Nigéria uma federação de três regiões, cada uma contendo uma parcela de autonomia (Norte, Leste e Oeste). thumb|Soldados nigerianos membros da UNAMID em Darfur, no Sudão, preparando-se para embarcar em um C-130 da Força Aérea dos Estados Unidos em outubro de 2004.
Em 1966, dois golpes sucessivos por diferentes grupos militares deixaram o país sob uma ditadura militar. Os líderes do segundo golpe tentaram aumentar o poder do governo federal, e substituíram os governos regionais por doze governos estaduais. Os ibos, grupo dominante etnicamente na região leste, declararam independência como a República de Biafra em 1967, iniciando uma sangrenta guerra civil que terminou com sua derrota.
Em 1975, um golpe pacífico levou Murtala Ramat Mohammed ao poder, que prometeu um retorno ao estado civil. Entretanto, ele foi morto em seguida, tendo como sucessor Olusegun Obasanjo. Uma nova constituição foi promulgada em 1977 e eleições foram realizadas em 1979, sendo ganhas por Shehu Shagari.
A Nigéria retornou ao governo militar em 1983, através de um golpe que estabeleceu o Supremo Conselho Militar como o novo órgão regulamentador do país. Depois das eleições de 1993, que foram canceladas pelo governo militar, o general Sani Abacha subiu ao poder. Quando ele morreu subitamente em 1998, Abdulsalami Abubakar tornou-se o líder do conselho, agora conhecido como o Conselho Provisório de Regulamentação. Ele anulou a suspensão da constituição de 1979 e, em 1999, a Nigéria elegeu Olusegun Obasanjo como presidente nas suas primeiras eleições em dezesseis anos. Obasanjo e seu partido também ganharam as turbulentas eleições de 2003.
Juntas militares (1970–1999)
Durante o boom do petróleo na década de 1970, a Nigéria entrou para a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e a enorme receita gerada tornou a economia mais forte. Apesar de enormes receitas provenientes da produção e venda de petróleo, o governo militar fez pouco para melhorar o padrão de vida da população, ajudar as pequenas e médias empresas ou investir em infraestrutura. Como as receitas do petróleo alimentaram a ascensão de subvenções federais para os estados, o governo federal tornou-se o centro da luta política e do limiar de poder no país. Como a produção de petróleo e receita subiu, o governo nigeriano se tornou cada vez mais dependente das receitas do petróleo, não desenvolvendo outras fontes de recursos para a estabilidade econômica da Nigéria.Watts, Michael (1987) Estado, Petróleo e Agricultura na Nigéria , Instituto de Estudos Internacionais da Universidade de Califórnia, .
Em 1979, o país participou de um breve retorno à democracia, quando Olusegun Obasanjo transferiu o poder ao regime civil de Shehu Shagari. O governo de Shagari passou a ser visto como corrupto e incompetente por virtualmente todos os setores da sociedade nigeriana. O golpe militar de Muhammadu Buhari, logo após fraudulenta reeleição do regime, em 1984, era geralmente visto como um desenvolvimento positivo.A Nigéria Militar enfrenta desafios assustadores", AP Press International, 03 de março de 1984. Retirado em 22 de fevereiro de 2007. Buhari prometeu reformas importantes, mas seu governo se saiu um pouco melhor que o do seu antecessor. Seu regime foi derrubado por um golpe militar em 1985.A Nigéria permanece calma com o líder derrubado. Nenhum golpe de Estado sem derramamento de sangue", o Globe and Mail, 28 de agosto de 1985. Retirado em 22 de fevereiro de 2007.
Geografia thumb|esquerda|Imagem de satélite da Nigéria.
A Nigéria situa-se no Golfo da Guiné. As suas maiores cidades localizam-se nas terras baixas do sul. A parte central do país é composta por colinas e planaltos. A leste, na divisa com Camarões, encontra-se parte do planalto ou maciço de Adamawa (conhecidas como Montanhas Gotel, atingindo m em Chappal Waddi, o ponto mais elevado do país). O norte consiste em terras baixas áridas. Os países limítrofes são o Benim, o Níger, o Chade e Camarões. Em tamanho, o país é um pouco maior que o estado brasileiro do Mato Grosso.
A floresta e os bosques ocorrem principalmente no terço sul do país, que é afetado por chuvas sazonais vindas do oceano Atlântico entre junho e setembro. À medida que se segue para norte, o país vai-se tornando mais seco e a vegetação mais semelhante à da savana. O terço norte do país inclui-se na região semiárida do Sahel, que marca o limite sul do deserto do Saara.