O Benim, oficialmente República do Benim () e anteriormente conhecido como Daomé, é um país da região ocidental da África limitado a norte pelo Burquina Fasso e pelo Níger, a leste pela Nigéria, a sul pela Enseada do Benim e a oeste pelo Togo. A capital constitucional é a cidade de Porto Novo, mas Cotonu é a sede do governo e a maior cidade do país. O país tem km² e uma população de 10 milhões de habitantesinsae-bj.org - pdf (2013).

A língua oficial do Benim é o francês, sendo que o fon, bariba, iorubá e dendi também são falados. O maior grupo religioso no Benim é o catolicismo romano, seguido pelo islamismo, vodum e protestantismo. Benim é integrante de várias organizações internacionais, como as Nações Unidas, a Organização para a Cooperação Islâmica, Organização Internacional da Francofonia e Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul, sendo membro, também, de organizações regionais como a União Africana, Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental, Comunidade dos Estados do Sahel-Saara, Organização Africana de Produtores de Petróleo e a Autoridade da Bacia do Níger.

Pouco se sabe sobre o início da história do Benin. Do século XVII ao século XIX, as principais entidades políticas da zona eram o Reino do Daomé, juntamente com a cidade-estado de Porto-Novo, e uma grande área com muitas nações ao norte. Esta região era referida como Costa dos Escravos já no século XVII devido ao grande número de pessoas que foram sequestradas e traficadas para o Novo Mundo durante o comércio transatlântico de escravos. Com a abolição da escravidão, a França assumiu o controle do país e o renomeou como Daomé Francês. Em 1960, o Daomé conquistou sua independência da França. O estado soberano teve uma história tumultuada desde então, com muitos governos democráticos, golpes militares e governos militares diferentes. Um estado marxista-leninista chamado República Popular do Benim existiu entre 1975 e 1990, até a ascensão da república em 1991.Ibp Usa. Global Logistics Assessments Reports Handbook: Strategic Transportation and Customs Information for Selected Countries, p. 85. Int'l Business Publications, 2008. . Em meados da década de 1970, o país adotou o atual nome de Benim, em razão de o país ser banhado a sul pela Baía do Benim.

Etimologia Daomé é a junção das palavras fons Dã + omei, que significaria terra de Dã, o vodum.

Durante o período colonial e no momento da independência, o país foi conhecido como Daomé. Foi rebatizado em 30 de novembro de 1975 para Benim,Annamarie Rowe. A political chronology of Africa, p33. Taylor & Francis, 2001. ISBN 1-85743-116-2 refletindo o corpo de água em que o país se encontra – o golfo do Benim – que, por sua vez, tinha ganho o nome do Império do Benim. O estado moderno do Benim não tem ligação direta com a Cidade do Benim da Nigéria moderna, nem com os bronzes do Benim.

O novo nome foi instituído em 1975 pelo presidente Mathieu Kérékou. Fortemente influenciado pelos ideais marxistas e anticoloniais, "Benim" foi escolhido por sua neutralidade, uma vez que "Daomé" carregava uma forte associação com o Reino do Daomé e à etnia fon.Decalo, S. (2018). In: Clark, J. F., & Gardinier, D. (2018). Political reform in francophone Africa. Routledge. Assim, o novo governo objetivou a criação de uma nova identidade nacional que não discriminasse contra outros povos constituintes do país, como os iorubás, e também representasse a pluralidade de organizações políticas locais não daomeanas, como Atakora e o reino de Borgu.Bonnie G. Smith. The Oxford encyclopedia of women in world history, Volume 1, p535. Oxford University Press, 2008. ISBN 0-19-514890-8

História

esquerda|miniaturadaimagem|Guezô (1818-1858) foi o 10º rei do Daomé, foi o responsável em transformar o reino em império

O território onde o Benim se situa era ocupado no período pré-colonial por monarquias tribais, das quais a mais poderosa foi a do Reino do Daomé, que foi o primeiro país a reconhecer a independência do Brasil. A partir do , os portugueses estabeleceram o porto comercial da  São João Batista de Ajudá na atual cidade de Uidá, o que permitiu o crescimento da civilização FON através do comércio de pessoas negras escravizadas por armas de pólvora. As pessoas negras capturadas, em sua maioria iorubás de incursão dos Fons ao interior, eram vendidos para o Brasil e para o Caribe. No , a França, em campanha para expandir o seu império ultramarino e sem ter mais interesse nos acordos comerciais de pessoas escravizadas que estabelecera com o Daomé, entra em guerra com o mesmo. Em 1892, o Império do Daomé é subjugado e o país torna-se protetorado francês, com o nome de Daomé Francês.

No tratado franco-alemão de 1897 e no anglo-francês de 1898 ficaram fixos os limites definitivos da colónia. Em 1904 integra-se na África Ocidental Francesa. O atual país é o resultado artificial da expansão colonial francesa que uniu os antigos reinos fons (Daomé e Porto Novo) com numerosos povos do interior, formando a colónia de Daomé.

Independência O país conseguiu a independência da França em 1 de agosto de 1960 (tal como muitos outros países africanos nessa década), sob a denominação de Daomé (Dahomey). O seu primeiro presidente foi Hubert Maga, que foi destituído três anos depois. A partir de 1963, o país mergulha na instabilidade política, com seis sucessivos golpes militares.

Período marxista Em 1972, um grupo de oficiais subalternos tomou o poder e instituiu um regime de esquerda, liderado pelo major Mathieu Kérékou, que governaria até 1990. Kérékou nacionalizou companhias estrangeiras, estatizou empresas privadas de grande porte e criou programas populares de saúde e educação. A doutrina oficial do Estado nessa altura foi o marxismo-leninismo, mas a agricultura e o comércio permaneceram em mãos privadas. Em 1975, o país passaria a designar-se República Popular do Benim.

O regime da República Popular do Benim sofreu importantes transformações durante a sua existência: um breve período nacionalista (1972-1974); uma fase socialista (1974-1982); e uma fase de abertura aos países ocidentais e ao liberalismo económico (1982-1990).https://archive.wikiwix.com/cache/index2.php?url=http%3A%2F%2Fafriquepluriel.ruwenzori.net%2Fbenin1.htm

Foram postos em prática extensos programas de desenvolvimento económico e social, mas os resultados foram mistos. Em 1974, sob a influência de jovens revolucionários - os "Ligueurs" - o governo embarcou num programa socialista: nacionalização de sectores estratégicos da economia, reforma do sistema educativo, estabelecimento de cooperativas agrícolas e novas estruturas governamentais locais, e uma campanha para erradicar as "forças feudais", incluindo o tribalismo. O regime proíbe as actividades de oposição.

O regime político entra em crise na década de 1980, e o governo recorre a empréstimos estrangeiros. Uma onda de protestos, em 1989, leva Kérékou a promover uma abertura política e econômica. Com a instituição do pluripartidarismo, surgem mais de cinquenta partidos. Nicéphore Soglo, chefe do governo de transição formado em 1990, é eleito presidente em 1991.

Tempos recentes Em 5 de março de 2006, realizaram-se eleições presidenciais consideradas livres e justas. A corrida foi a um segundo turno, disputado entre Yayi Boni e Adrien Houngbédji. O segundo turno realizou-se em 19 de março, e foi ganha por Boni, que tomou posse em 6 de abril. O êxito do sistema multipartidário no Benim foi louvado internacionalmente. O país é considerado como um modelo de democracia em África, mas a sua instituição é ainda muito recente. thumb|Palácio do Congresso em Cotonu

Geografia

Em seu estreito de norte a sul da África Ocidental fica entre a Linha do Equador e o Trópico de Câncer. O país tem uma área de km² que estende desde o rio Níger a norte com o Oceano Atlântico, no sul, com uma distância de 700 km. Seu ponto mais largo de leste a oeste é de 325 km e sua faixa litorânea é de 121 km. É um dos menores países do continente africano, oito vezes menor que seu vizinho a leste, a Nigéria, mas o dobro do seu vizinho a oeste, o Togo. O monte mais alto do país situa-se sobre a fronteira Benim-Togo, o monte Sokbaro.

A altitude do Benim é quase a mesma para todo o país, com uma média de 200 m. A maior parte da população vive nas planícies costeiras do sul, onde se localizam também as maiores cidades, incluindo Porto Novo e Cotonu. O norte do país consiste principalmente em savana e terras altas semiáridas.

O clima é quente e úmido, com relativamente pouca chuva anual, se bem que existam duas estações chuvosas (abril a julho e de setembro a novembro).

Demografia

A maioria da população do Benim vive no sul. A população é jovem, com uma expectativa de vida de 59 anos. Cerca de 42 grupos e subgrupos étnicos africanos vivem neste país, esses vários grupos liquidados no Benim em tempos diferentes e também migraram dentro do país. Os grupos étnicos incluem os iorubás no sudeste (migrado da Nigéria no ), o Dendi na região norte-central (eles vieram de Mali no ), o Bariba e fulas (em francês: Peul; Fula: Fulɓe) no nordeste, o Betamaribe e o Somba na Faixa de Atacora, o fons na área em torno de Abomei no Sul Central e da Mina, Xueda, e ajas. (que veio de Togo), na costa."Background Note: Benin". U.S. Department of State (Junho de 2008) Página visitada em 19 de junho de 2012.

Alguns dados sobre a demografia do país:

População: 10 008 749 em 2013; Gentílico: beninense (beninois, em língua francesa); Grupos étnicos: fons 39%, gouns 12%, baribas 12%, adjas 10%, sombas 4%, aizos 3%, minas 2%, dendis 2%, outros 4% em 1996. Idiomas: francês (oficial), bariba, fula, fon, iorubá. Religiões: religiões tradicionais africanas 47%, cristianismo 38% (católicos 24,6%, outros 14,2%), islamismo 20,4%, sem religião e ateísmo 0,3%, outras 0,3% em 2005.

Religião

esquerda|miniaturadaimagem|Templo vodum das Pythons em Uidá, o qual é em honra de Dã, conhecido no Brasil como Dã miniaturadaimagem|Grande Mesquita de Porto Novo em estilo barroco construída por retornados brasileiros, Agudás

Segundo o Censo de 2002, 27,1% da população do Benim é católica romana, 24,4% é muçulmana, 17.3% pratica vodum, 5% é celestial cristã, 3,2% metodista, 7,5% segue outras denominações cristãs, 6% outros grupos religiosos tradicionais locais, 1,9% outros grupos religiosos, e 6,5% reivindicam não ter filiação religiosa.International Religious Freedom Report 2007: Benin. United States Bureau of Democracy, Human Rights and Labor (14 de setembro de 2007). Este artigo incorpora textos a partir desta fonte, o que é de domínio público.

Religiões indígenas locais incluem religiões animistas em Atakora (províncias Atakora e Donga) e Vodum e Orixá venerados entre os iorubás e Tadô no centro e sul do país. A cidade de Uidá na costa central é o centro espiritual do vodum beninense.

As maiores religiões introduzidas são o Islamismo, pelo Império Songai e comerciantes hauçás, e agora seguido por todo Alibori, Borgou, e províncias Donga, bem como entre os iorubás (que também seguem o cristianismo), e Cristianismo, seguido por todo o sul e centro do Benim e em Otammari país no Atakora. Muitos, contudo, continuam mantendo crenças dos Voduns e Orixás e incorporaram no Cristianismo o panteão de vodum e Orixá.

Acredita-se que vodum (ou "vudu", como é vulgarmente conhecido no Brasil) tem origem no Benim e foi introduzido nas ilhas do Caribe e em partes da América do Norte por escravos tomados desta área específica da Costa dos Escravos. A religião indígena é praticada por cerca de 60% da população. Desde 1992 o vodum tem sido reconhecido como uma das religiões oficiais do país e é comemorado em 10 de janeiro, como um feriado nacional, o Dia Nacional do vodum.

Cidades mais populosas

Política

miniaturadaimagem|Patrice Talon, atual Presidente do país.