Antônio Dias é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce e pertence ao colar metropolitano do Vale do Aço, estando situado a cerca de a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.

Cortada pelo rio Piracicaba, a sede tem uma temperatura média anual de e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica. Com 48% da população vivendo na zona urbana, a cidade contava, em 2009, com quatorze estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,645, classificado como médio em relação ao estado.

A exploração da área do atual município teve início no século XVIII, sendo Antônio Dias de Oliveira o responsável por fundar um núcleo de bandeirantes em 1º de junho de 1706. O desenvolvimento da agricultura atraiu novos habitantes e em 1832, foi criado o distrito subordinado a Itabira, emancipado em 1911. Na década de 1930, teve início o desenvolvimento industrial no então distrito de Melo Viana, que, no entanto, veio a se transformar no município de Coronel Fabriciano em 1948. Este, por sua vez, deu origem às cidades de Ipatinga e Timóteo, que juntamente a Fabriciano correspondem a um dos maiores pólos urbanos do estado, a chamada Região Metropolitana do Vale do Aço (RMVA).

A manutenção da atividade siderúrgica nos municípios da RMVA contribuiu para que o município se tornasse um dos principais fornecedores de mão-de-obra e matéria prima. O artesanato e os grupos teatrais, de manifestação tradicional popular e música configuram-se como principais manifestações culturais, juntamente com os eventos festivos tais como o Carnaval de Antônio Dias (CarnaDias), as comemorações do aniversário da cidade e as celebrações tradicionais religiosas da Festa de São Benedito e das homenagens à Semana Santa.

História thumb|esquerda|Vista da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Nazaré thumb|esquerda|Prédio da Prefeitura Velha A área onde está situado o atual município foi explorada pela primeira vez no começo do século XVIII por bandeirantes. Há registros da presença de Borba Gato na localidade em 1703, no entanto Antônio Dias de Oliveira foi o responsável pela fundação de um núcleo bandeirante no local, em 1º de junho de 1706, cuja data é considerada o dia da fundação da cidade. Havia presença da mineração, estando o lugar localizado em uma região aurífera, no entanto a agricultura ganhou força após algum tempo.

Em 14 de julho de 1832, foi criada a freguesia de Nossa Senhora de Nazaré de Antônio Dias Abaixo, através de resolução do Conselho Provincial, ocasião a qual estimava-se a presença de cerca de habitantes. Assim, o povoamento foi elevado à categoria de distrito de Itabira, sendo desmembrado em 30 de agosto de 1911, pela lei estadual nº 556, sob a condição de vila, instalando-se em 1º de junho de 1912 com o nome de Antônio Dias Abaixo. A lei estadual nº 716, de 16 de setembro de 1918, alterou sua denominação para simplesmente Antônio Dias, a qual permanece, sendo estabelecida a condição de cidade pela lei estadual nº 893, de 10 de setembro de 1925. Pela lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, foram criados os distritos de Hematita e Melo Viana.

Em Melo Viana, foi inaugurada em 9 de junho de 1924 a Estação do Calado — a sede de Antônio Dias também viria a receber estações ferroviárias — e ao seu redor surgiu um povoamento (homônimo à estação), onde instalou-se na década de 1930 um escritório da Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira. Na localidade, a empresa buscava centralizar a exploração de madeira e produção de carvão da região do rio Doce, a fim de alimentar os fornos de suas usinas em João Monlevade. Pelo decreto-lei estadual nº 88, de 30 de março de 1938, Melo Viana passou a denominar-se Coronel Fabriciano, perdendo espaço para a criação do distrito de Timóteo em 17 de dezembro do mesmo ano.

Na década de 1940, instalou-se em Coronel Fabriciano a Acesita (atual Aperam South America), impulsionando o crescimento populacional e econômico do lugar, porém Fabriciano e Timóteo foram desmembradas para constituir o município de Coronel Fabriciano pela lei estadual nº 336, de 27 de dezembro de 1948 — Timóteo veio a emancipar-se em 1964 e de Coronel Fabriciano também se originou a cidade de Ipatinga, neste mesmo ano. A partir da emancipação de Coronel Fabriciano, Antônio Dias deixou de sediar o complexo industrial cujo desenvolvimento viria a dar origem à Região Metropolitana do Vale do Aço, que foi criada na década de 90 e hoje é um dos maiores pólos urbanos do estado de Minas Gerais. Ainda assim, a manutenção da atividade siderúrgica contribuiu para que o município se tornasse um dos principais fornecedores de mão-de-obra e matéria prima.

Geografia thumb|esquerda|Vista parcial da cidade na margem do rio Piracicaba A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constitui a zona urbana. Situa-se a 19º39'10" de latitude sul e 42°52'20" de longitude oeste e está a uma distância de 172 quilômetros a leste da capital mineira, fazendo parte do colar metropolitano do Vale do Aço juntamente com outras 23 cidades (além dos quatro municípios principais). Seus municípios limítrofes são Ferros, a norte; Santa Maria de Itabira, a noroeste; Nova Era, a oeste; São Domingos do Prata, a sul; Jaguaraçu, a sudeste; Timóteo, a leste; e Coronel Fabriciano, a nordeste.

De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Ipatinga. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Ipatinga, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce.

Relevo e meio ambiente thumb|esquerda|Mar de morros em Antônio Dias visto da Serra da Bucaina O relevo do município de Antônio Dias é predominantemente montanhoso. Em aproximadamente do território antoniodiense há o predomínio de áreas com mares de morros e terrenos montanhosos, enquanto cerca de é coberto por lugares ondulados e os restantes são áreas planas. A altitude máxima encontra-se na Serra Cocais das Estrelas, que chega aos metros, enquanto que a altitude mínima está no rio Piracicaba, com 653 metros. Já o ponto central da cidade está a .

A vegetação predominante no município é a Mata Atlântica, sendo que os principais problemas ambientais presentes, segundo a prefeitura em 2010, eram o assoreamento de corpos d'água, a poluição hídrica, a poluição do ar, a redução do pescado, as queimadas, o desmatamento, a degradação de áreas protegidas e a contaminação do solo. No entanto, Antônio Dias possui um conselho municipal de meio ambiente, criado em 1994 e de caráter paritário, e fundo municipal de meio ambiente e a prefeitura declara realizar licenciamento ambiental de impacto local. Há considerável presença do reflorestamento com eucalipto, visando a alimentar as indústrias do Vale do Aço, principalmente a Aperam South America e a Cenibra.

Hidrografia thumb|direita|Rio Piracicaba em Antônio Dias O território é banhado por vários cursos de água de pequeno ou médio porte, além do rio Piracicaba, que é de maior volume e banha a sede. Alguns dos principais leitos são os ribeirões Água Limpa, Cocais Grande, da Prainha, Figueiredo, Japão, Santa Cruz e Severo e os córregos Ana Matos, do Machado, do Ramos e Teobaldo, fazendo parte da bacia do rio Doce. Por vezes, na estação das chuvas, o rio Piracicaba sofre com a elevação de seus níveis, provocando enchentes em suas margens, o que exige a existência de um sistema de alerta contra enchentes eficaz. A cidade foi uma das mais afetadas pelas enchentes de 1979, que também atingiram vários municípios do leste mineiro. Atualmente existe uma série de estações pluviométricas e fluviométricas instaladas na região, que são administradas pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e que visam a alertar a população de uma possível enchente.

Em Antônio Dias estão situadas usinas hidrelétricas ao longo do rio Piracicaba. A UHE Sá Carvalho entrou em operação em 1951 e foi construída pela Aperam South America (então Acesita) para suprir à demanda energética de seu complexo industrial, situado em Timóteo, sendo administrada atualmente pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). A Aperam South America, juntamente com a Samarco, também construiu e inaugurou em 17 de outubro de 1999 a UHE Guilman Amorim, que fornece energia elétrica às usinas da ArcelorMittal Aços Longos (em João Monlevade), Samarco (em Mariana) e Aperam (Timóteo). Além dessas existem usinas de pequeno porte, como a PCH Cocais Grande, no ribeirão Cocais Grande, que é uma pequena central hidrelétrica situada na chamada Serra da Bocaina.

Clima Maiores acumulados diários de chuva registrados em Antônio Dias (CPRM) por meses (1941–1962) Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 26/01/1961 Julho 20/07/1941 Fevereiro 20/02/1947 Agosto 29/08/1947 Março 07/03/1946 Setembro 17/09/1952 Abril 04/04/1949 Outubro 28/10/1958 Maio 25/05/1958 Novembro 08/11/1941 Junho 18/06/1958 Dezembro 23/12/1943 O clima antoniodiense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical sub-quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), tendo temperatura média anual de com invernos secos e amenos e verões chuvosos e com temperaturas elevadas. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.

A precipitação média anual é de mm, sendo julho o mês mais seco, quando ocorrem apenas . Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em . Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos , especialmente entre julho e setembro. Em julho de 2013, por exemplo, a precipitação de chuva em parte do Vale do Aço não passou dos . Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar.

Segundo dados da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) entre 1941 e 1962, o maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de milímetros (mm) em 26 de janeiro de 1961. Outros grandes acumulados iguais ou superiores a foram em 4 de abril de 1949 e nos dias 20 de fevereiro de 1947 e 20 de janeiro de 1958. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o município é o 105º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais, com uma média anual de 7,7651 raios por quilômetro quadrado. Tempestades de granizo não são frequentes, mas uma das maiores e mais recentes ocorreu no dia 29 de outubro de 2011, destruindo dezenas de casas na zona urbana e em várias comunidades rurais com pedras de gelo de quase de diâmetro.

Demografia

De acordo com o censo realizado em 2022 sua população era de 9 219 habitantes.