Ewbank da Câmara é um município brasileiro do estado de Minas Gerais. Pertencente à mesorregião da Zona da Mata e microrregião de Juiz de Fora, localiza-se a sudeste da capital do estado, distando desta cerca de 241 km. Sua população foi recenseada no ano de 2022 em 3 875 habitantes, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Ocupa uma área de  km², sendo que o perímetro urbano do município se constitui em uma pequena parte desse total. A área rural, predominante no município, apresenta vegetação de mata atlântica.

A cidade tem a sua origem ligada à Estação Ferroviária de Ewbank da Câmara, da Estrada de Ferro Dom Pedro II, transformada em Estrada de Ferro Central do Brasil, inaugurada em 12 de outubro de 1890, no povoado de Tabuões. Em torno dela desenvolveu-se o pequeno povoado que foi elevado a distrito em 7 de setembro de 1923, sendo instalado em 6 de janeiro de 1926, e a município em 30 de dezembro de 1962, emancipada de Santos Dumont. A denominação foi uma homenagem ao engenheiro José Felipe Neri Ewbank da Câmara, então diretor da estrada de ferro. A primeira administração municipal tomou posse no dia 1 de setembro de 1963 com prefeito o Sr. Jair Antonio da Silva. Em 2010, o Índice de Desenvolvimento Humano municipal (IDHM) foi de 0,676, o qual é considerado como médio em relação ao estado. A cidade faz parte do eixo comercial, industrial e de serviços das cidades próximas interligadas pela BR-040, ao norte, Santos Dumont, e ao sul, Juiz de Fora.

O município evoluiu a partir de uma cultura rural (agro-pecuária), ainda presente no cotidiano da cidade, para uma cultura urbana. Em 2009, o Produto Interno Bruto (PIB) municipal foi de R$19,5 milhões com um PIB per capita de R$5.307,42. Ainda que possua atividades comerciais, industriais, e de serviços locais, serve como cidade dormitório para aqueles que trabalham e estudam principalmente em Juiz de Fora. O turismo é destaque para os visitantes interessados em explorar trechos históricos da Estrada Real e a natureza viva junto à tranquilidade do lago que se formou a partir da Barragem de Chapéu D'Úvas. Seu principal clube de futebol é o Esporte Clube Ewbanquense, fundado em 1947. Um dos principais eventos é a festa de Santo Antonio, Padroeiro da cidade.

História

Em "Memórias de uma vivência: uma introdução a história municipal de Minas Gerais",Da Silva, Jair Antonio (2006), Memórias de uma vivência: uma introdução a história municipal de Minas Gerais. Editora Caminhos das Gerais, Ewbank, MG. o primeiro prefeito de Ewbank da Câmara, Sr. Jair Antonio da Silva, buscou resgatar cronologicamente, e evidentemente manter viva, a história política-administrativa e socioeconômica do município.

O livro inicia-se discorrendo sobre a sua localização geográfica e formação sócio-econômica do então povoado de Tabuões do século XIX que veio mais tarde no século XX a constituir o município de Ewbank da Câmara. Em seguida, apresenta as razões pelas quais o povoado de Tabuões deixa de ser conhecido como tal para dar lugar ao nome de Ewbank da Câmara em resposta à passagem da ferrovia Belo Horizonte - Rio de Janeiro pela localidade. Mais tarde, elucida os fatores que culminaram na transformação do povoado de Ewbank da Câmara em distrito do município de Palmyra (hoje, Santos Dumont) na terceira década do século XX.

Por sua vez, já na segunda metade do século XX, o livro descreve a criação do município de Ewbank da Câmara e as condições em que foram realizadas as primeiras eleições municipais, indicando os respectivos resultados, em decorrência da emancipação municipal alcançada com relação ao município de Santos Dumont. Segue apresentando os desafios e as oportunidades deparados pela primeira administração municipal para o provimento de serviços públicos essenciais à população ewbankense e, após, descrevendo as ações empreendidas pelas administrações subseqüentes do município ao longo das últimas quatro décadas e seus legados para o século XXI.

O livro conclui que o processo democrático que se consolida no Brasil abre inúmeras oportunidades para partidos políticos e indivíduos ewbankenses, como aqueles do passado e até mesmo contemporâneos, muito fizeram pela consolidação político-administrativa do município e pelo progresso e desenvolvimento socioeconômico de sua população.

Origens: ciclo do ouro e Estrada Real

Há distintas formas de se investigar o passado para se conhecer as origens históricas de uma cidade. Em alguns casos, a origem pode estar associada às condições geográficas favoráveis ao estabelecimento de níveis de segurança apropriados aos seus moradores (topos e encostas de montanhas). Noutros, a existência de condições de subsistência por meio da caça e pesca (beiras de mares, rios, lagos e florestas). Há também aquelas que foram fundadas como meio de controle político e militar do acesso a recursos naturais (vales, gargantas, istmos).

Em muitos casos, a natureza geográfica e climática reunia condições favoráveis ao estabelecimento de uma cidade para a produção agrícola ou de produtos manufaturados devido à abundância de recursos naturais (ouro, prata ou ferro), etc., ou até mesmo para a realização de trocas comerciais desses produtos (entrepostos de passagem de mercadorias rumo a vários destinos comerciais). Portanto, pode-se afirmar que ao longo da história econômica da humanidade, muitas cidades surgiram a partir da combinação de uma ou mais dessas condições. É exatamente a partir desse pressuposto que adentramos na história do Brasil para conhecermos quais foram as condições que propiciaram o surgimento de uma aglomeração de pessoas que mais tarde se constituiu na cidade que hoje conhecemos como Ewbank da Câmara.

No momento em que o Brasil entra no ciclo do ouro, no século XVIII, que consistiu da exploração desse valorizado metal pelo interior do País a partir de intensas atividades de mineração no interior do Estado de Minas Gerais, os exploradores portugueses utilizaram-se das trilhas sabiamente delineadas pelos índios goytacázes para vencer o acesso ao interior de Minas desde a costa brasileira onde se localizava a cidade de Paraty, no Estado do Rio de Janeiro. O 'Caminho Novo' permitia o escoamento do ouro encontrado em diversas jazidas nas proximidades de cidades tais como: Diamantina, Serro, Sabará, Ouro Preto e Mariana, para a costa do País, sendo posteriormente transportado para Portugal.

Mais tarde, pensou-se que a Serra do Mar já poderia ser vencida por causa do desenvolvimento então atingido pelas novas tecnologias de construção de estradas. Esta iniciativa permitiria o acesso direto do Rio de Janeiro a essas cidades mineiras via "Estrada Real". E assim foi feito ainda no século XVIII, sendo que foram estabelecidos vários entrepostos de apoio logístico, alguns maiores e outros mais modestos, ao longo desta estrada. Alguns deles vieram mais tarde a se transformar em cidades. Por certo que a 'estrada real' foi determinante para o surgimento de uma aglomeração populacional nos morros e no vale que era cortado por um rio que formava um vasto brejo. Ali nascia uma região que foi sendo gradativamente povoada e carinhosamente batizada de 'Tabuões'.

Um povoado mineiro chamado 'Tabuões'

São escassos os registros sobre o momento em que um povoado se constituía aonde mais tarde viria a ser estabelecido o município que hoje se conhece como Ewbank da Câmara. Contudo, estima-se que desde a primeira metade do século XIX já se podia observar a existência de algumas atividades socioeconômicas por entre um conjunto de montanhas que, como na configuração dos pólos em harmonia, localizavam-se nos quadrantes definidos pelas direções das quatro vias que lhe davam acesso: ao sul, o povoado de Chapéu D'uvas e distrito de Paula Lima da cidade de Juiz de Fora e Rio de Janeiro, ao norte, às cidades de Palmyra (hoje, Santos Dumont) e Ouro Preto, ao leste e noroeste a algumas fazendas existentes na região, e, por fim, ao oeste à antiga colônia de São Firmino, assim como às outras fazendas e sítios existentes na região.

Nesse pequeno ponto geográfico dentro deste imenso Brasil, no povoado então conhecido como Tabuões,Há relatos, que não foram devidamente comprovados, de que existiu também na região onde se fundou o povoado uma fazenda de nome 'Tabuões'. Não se sabe precisamente onde estava localizada, mas somente que o rio que a cortava tinha o nome de 'Tabuões'. algumas pessoas já naquela época praticavam o comércio que se baseava principalmente na troca de mercadorias de origem agropecuária, produzidas nas fazendas da região, quais sejam cereais, verduras e legumes, carnes, couro, cestos e esteiras confeccionados com taboas, além da extensiva oferta de leite e produtos derivados, por produtos manufaturados advindos das maiores cidades circunvizinhas.

O intercâmbio de mercadorias se dava no próprio povoado, sendo que os produtos que iam e vinham para o comércio local enfrentavam todas as adversidades decorrentes de meios de transportes precários, tais como burros e mulas reunidas em tropas, carros e carroças de boi, cavalos, etc. Não bastasse toda a limitação imposta pelo transporte de cargas dependente de animais, as condições geológicas existentes no povoado faziam com que o espírito de superação dos habitantes se elevasse e fosse criativo.

Advém, portanto, deste espírito empreendedor dos moradores do povoado, que se estruturava ao longo do tempo, o nome de 'Tabuões'. Este nome foi carinhosamente associado e atribuído ao povoado devido à forma pela qual as pessoas do lugar superavam as condições geológicas que se apresentavam naquele solo, situado entremeio a uma topografia assaz montanhosa e num planalto localizado a 777 metros de altitude. Com o intuito de possibilitar o tráfego de pessoas, tropas, animais, etc., eram colocadas enormes tábuas por sobre o terreno úmido, lamacento e frio que permeava por toda parte do povoado - um vasto brejo - e entre inúmeras taboas. Naquelas circunstâncias, não foi difícil, portanto, denominar aquele pequeno povoado com o nome de Tabuões, haja vista que a principal característica do lugar eram as tábuas que, como nossas pontes de hoje, faziam com que as margens deixassem de ser meras extensões para tornarem-se extremidades que se aproximam para se levar e trazer pessoas, qualquer que sejam seus destinos.

Desenvolvimento mineiro e interligação ferroviária Por volta do fim do século XIX, por ocasião da construção da ferrovia que buscava fomentar o desenvolvimento mineiro em função da indústria cafeeira (ciclo do café), interligando a cidade de Belo Horizonte ao Rio de Janeiro, então capital do Brasil, foi construída, no povoado de Tabuões, uma estação ferroviária, para a qual foi dado o nome de "Ewbank da Câmara". Este nome foi escolhido em homenagem ao engenheiro José Felipe Neri Ewbank da Câmara, diretor da Estrada de Ferro Dom Pedro II, transformada em Estrada de Ferro Central do Brasil sob a direção do referido engenheiro no período em que a mesma passou pelo povoado de Tabuões (1884-1889). A estação de Ewbank da Câmara ficou desde então situada entre os quilômetros 309 e 310 da referida ferrovia, sendo que foi inaugurada no dia 12 de outubro de 1890.

Estabeleceu-se então um dilema para os moradores de Tabuões e eventuais visitantes. Se, por um lado, aqueles que já conheciam o local como Tabuões, pela forma em que os antigos habitantes contornaram as adversidades geológicas do lugar, por outro, outros passaram a conhecer pela associação que faziam com a estação ferroviária que ali se estabelecera. Ao longo dos anos e de forma espontânea, os moradores de Tabuões, devido a uma relação da causa e efeito, passaram a utilizar uma metonímia, trocando a designação da parte (a estação) pelo todo (o povoado). Assim, o lugar outrora conhecido como povoado de Tabuões passou popularmente a ser conhecido como povoado de Ewbank da Câmara, senão por já ser oficialmente o nome do local nos registros da Estrada de Ferro Central do Brasil.

Transformação do povoado em distrito