Guanhães é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce, estando situado a cerca de a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.

No , foi descoberto ouro na região da atual cidade. No começo do , já existia um povoamento, cuja prosperidade atraía forasteiros interessados nas riquezas minerais. O município se emancipou em 1875, desmembrando-se de Serro. A cidade está situada no entroncamento rodoviário da BR-120 e BR-259 e possui o comércio e prestação de serviços como principais atividades econômicas, que atraem consumidores de cidades menores do entorno.

Etimologia O topônimo "Guanhães" vem de "Guanaãns", que era uma tribo indígena que habitava a região. O nome significa "aquele que corre". Os guanaãns faziam parte dos caingangues.

História

O primeiro agrupamento humano a ocupar a área onde hoje está o município de Guanhães foi o dos índios guanaãns, de origem tapuia, que, por viver principalmente às margens de um rio caudaloso, foi a origem da nomeação desse curso d'água com o nome de rio Guanhães.

Em 1752, João de Azevedo Leme, partindo da Vila do Príncipe (hoje cidade do Serro), encontra ouro nos "Descobertos do Graypú", nas imediações da atual cidade de Guanhães. Em 1810, a região de Guanhães era conhecida como "São Miguel e Almas do Aricanga". Aricanga é uma espécie de palmeira nativa da região, muito usada pelos índios para a fabricação de arcos, bodoques e aros de peneiras.

Um dos primeiros povoados construídos na região foi o de São Miguel e Almas de Guanhães, estabelecido em torno de uma capela erguida em 1811 nos terrenos de Faustino Xavier Caldeira, José Coelho da Rocha, Francisco de Souza Ferreira, Antônio de Oliveira Rosa e José de Oliveira Rosa. Posteriormente, foram aos poucos sendo criados e emancipados os povoados que se tornaram as cidades de Ferros, Conceição do Mato Dentro, Paulistas e Peçanha, estando Figueira (atual Governador Valadares) subordinada a este último (atualmente ambos são municípios).

Em 1821, foi criada a primeira capela, instituída canonicamente apenas em 1828. Em 14 de julho de 1832, por meio de Decreto Real, tornou-se a Paróquia de São Miguel dos Correntes (depois São Miguel e Almas dos Correntes), ligada à Vila do Príncipe, tendo seu primeiro padre sido empossado em 1834. A riqueza atraiu muita gente das redondezas e de longe, inclusive ingleses, que exploraram uma mina na Fazenda do Candonga por meio da companhia The Candonga Gold Mining Limited. Candonga é um termo africano e surgiu logo depois da construção de um prostíbulo nas imediações da mineração. Seu significado é "intriga com carinhos fingidos".

Em 23 de março de 1840, passou a pertencer à recém criada Vila de Conceição, voltando ao município de Conceição em 1859, através da lei nº 1.031. Em 25 de outubro de 1875 foi finalmente desmembrada e elevada à categoria de vila pela lei n° 21.132, tornando-se sede do novo município, instalando-se em 9 de dezembro de 1879. Por fim, pela lei provincial nº 2.766 de 13 de setembro de 1881, recebeu o nome atual e foi elevado à cidade. Desde a emancipação, o município passou por diversas modificações territoriais, com sucessivas criações e emancipações de distritos. De Guanhães foram desmembrados, por exemplo, os municípios de Gonzaga (1923), Virginópolis (1923), Senhora do Porto (1938), Açucena (1943), Braúnas (1953) e Dores de Guanhães (1962).

Em novembro de 2015, após o surgimento de suspeitas quanto a fraudes no processo de licitação da festa de aniversário da cidade, foi decretada a prisão de alguns servidores municipais. O Ministério Público prosseguiu com investigações e descobriu uma dezena de fraudes e direcionamentos em licitações em outras áreas, como a do transporte escolar, e instituiu as operações "Cartas Marcadas" e "Caminhos da Prisão".

Parte dos laudos e processos foi encaminhada a Belo Horizonte para investigações a respeito do envolvimento ou não do prefeito municipal nos esquemas. Em maio de 2016, foi rejeitado pela Câmara de Vereadores um pedido de impeachment do prefeito municipal, proposto em razão da suspeita de fraudes em licitações e pedaladas fiscais.

Geografia thumb|esquerda|Vista parcial da cidade O município de Guanhães limita-se com São João Evangelista (a norte), Sabinópolis (noroeste), Senhora do Porto (oeste), Dores de Guanhães (sudoeste e sul), Braúnas, Açucena (sudeste), Virginópolis (leste) e Peçanha (nordeste). A sede dista por rodovia da capital mineira, Belo Horizonte. A cidade está localizada no entroncamento rodoviário entre a BR-120 e a BR-259. A LMG-758, por sua vez, conecta Guanhães ao Vale do Aço.

O bioma original predominante é a Mata Atlântica, porém restrito a poucos remanescentes. De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Governador Valadares e Imediata de Guanhães. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Guanhães, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce.

Relevo e hidrografia O relevo do município é consideravelmente variado, com 55% de sua área ondulada, 30% acidentada e 15% plana. A altitude mínima é de 400 metros nas proximidades da Cachoeira Escura, enquanto que a máxima chega aos metros na Pedra de São Geraldo. Já o ponto central da cidade está a . Outros pontos de elevada altitude são a Pedra da Gafurina, próxima ao distrito de Farias, e a Pedra do Urubu, que chega aos metros, localizada no Parque Estadual Serra da Candonga.

O relevo local, do domínio mares de morros, com elevadas colinas, faz surgir diversas cachoeiras no leito dos córregos e rios que banham o município. Guanhães integra a bacia do rio Doce e os principais mananciais que banham o município são os rios Guanhães e Corrente Canoa, o ribeirão Graipú e os córregos Vermelho e da Represa. Apesar do nome, o rio Guanhães não adentra o município, apenas define os limites de um trecho entre o município de Guanhães e o de Dores de Guanhães.

Clima O clima guanhanense é caracterizado como tropical de altitude (tipo Cwa segundo Köppen), com temperatura média anual de e pluviosidade média de cerca de , concentrados entre os meses de outubro e abril. As precipitações caem principalmente sob a forma de chuva e, esporadicamente, de granizo, com registro desse fenômeno em 28 de outubro de 2016, provocando o destelhamento de casas e estabelecimentos e falta de energia em quase toda a cidade. As chuvas podem ainda vir acompanhadas de descargas elétricas e fortes rajadas de vento. De acordo com o Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (ELAT/INPE) em 2018, o município apresenta uma densidade de descargas de 2,107 raios por km²/ano, estando na 514ª posição a nível estadual e na ª a nível nacional.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) coletados na estação meteorológica automática da cidade, instalada em 1º de junho de 2007, a menor temperatura registrada foi de em 14 de junho de 2010, e a maior atingiu em 7 de outubro de 2020. O menor índice de umidade relativa do ar foi de 10% no dia 13 de setembro de 2019. O maior acumulado de precipitação em 24 horas, por sua vez, foi de em 20 de janeiro de 2016, registrado pelo INMET e correspondente ao volume registrado das 10 horas da manhã do dia anterior às 10 horas do dia listado. No entanto, da meia-noite às 23h59min de 20 de janeiro de 2016 choveram no município, segundo o instituto.

Demografia

Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o censo de 2022, habitantes eram homens (48,42%) e habitantes mulheres (51,58%). Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana (84,26%) e na zona rural (15,74%). Segundo o IBGE, Guanhães é considerada um centro sub-regional na hierarquia urbana brasileira, ao exercer influência regional com relação à gestão e disponibilidade de serviços e na gestão do território. Em 2022, era um dos dez municípios mais populosos do Vale do Rio Doce.

Da população total em 2022, habitantes (18,71%) tinham menos de 15 anos de idade, (14,73%) tinham de 15 a 24 anos, (22,83%) tinham de 25 a 39 anos, (31,6%) tinham de 40 a 64 anos e (12,13%) possuíam 65 anos ou mais. Em 2022, a população era composta por pardos (60,97%), brancos (27,47%), negros (11,31%), 62 indígenas (0,19%) e 22 amarelos (0,08%). O município também possuía 581 pessoas quilombolas.

Com relação aos credos religiosos, a população municipal com dez anos de idade ou mais está composta por católicos (71,55% do total), evangélicos (20,41%), pessoas sem religião (4,39%), 402 espíritas (1,43%), 28 da umbanda e candomblé (0,1%) e 2,12% estão divididos entre outras religiões. Segundo divisão feita pela Igreja Católica, o município abriga a sé episcopal da Diocese de Guanhães, que é a Catedral de São Miguel.

Política e subdivisões A administração do município é feita a partir dos poderes Executivo, representado pelo prefeito e seus secretários, e Legislativo, constituído pela câmara de vereadores, composta por 13 vereadores, eleitos para mandatos de quatro anos. Guanhães se rege por sua lei orgânica e abriga uma comarca do Poder Judiciário estadual, de segunda entrância, que tem como termos os municípios de Dores de Guanhães e Senhora do Porto. O município possuía, em maio de 2026, eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Guanhães é composta por quatro distritos, além da sede. O distrito-sede era o mais populoso em 2022, com habitantes (84,81% da população municipal), seguido por Correntinho, com moradores (6,09%). Essa divisão é fruto de uma série de alterações feitas na configuração do território guanhanense desde a emancipação política da cidade, que envolveu o desmembramento de vários distritos para a criação de novos municípios. O último desmembramento ocorreu em 30 de dezembro de 1962, quando houve a emancipação de Dores de Guanhães. +Distritos de Guanhães (IBGE/2022) Distrito Código IBGE Habitantes (2022) Domicílios particulares (2022) Correntinho 312800610 719 Farias 312800615 391 Guanhães (sede) 312800605 Sapucaia de Guanhães 312800620 776 326 Taquaral de Guanhães 312800625 415

Economia O Produto Interno Bruto (PIB) de Guanhães tem seu rendimento concentrado no setor terciário da macroeconomia, com o oferecimento de comércio e serviços que atraem consumidores de cidades menores do entorno. Segundo dados do IBGE, relativos a 2023, o PIB do município era de R$ , ao mesmo tempo que o PIB per capita era de R$ . Em 2025, de acordo com o SEBRAE, havia empresas ativas, a maior parte das quais representada pelo comércio varejista (19,4%), seguido por serviços especializados para construção (8,62%) e pelo comércio e reparação de veículos (7,98%). No mesmo ano, pessoas estavam empregadas, sendo que os setores que mais empregavam eram o comércio varejista (19,8%), a administração pública (13,9%) e a produção florestal (9,5%).

A pecuária e a agricultura acrescentavam reais na economia em 2021. Dentro da agricultura, o feijão representou a maior área ocupada pela lavoura temporária municipal em hectares (ha) em 2024, com um total de cultivados, seguido pela cana-de-açúcar () e pelo milho (). Enquanto isso, os cultivos permanentes mais representativos foram a banana (), abacate () e goiaba (). Com relação à pecuária, o município possuía um rebanho de bovinos, galináceos, bubalinos, suínos e equinos. Guanhães produziu litros de leite de vacas, dúzias de ovos de galinha de galinhas, quilos de mel de abelha e quilos de tilápia.