Itajubá é um município brasileiro no sul do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Sua população em julho de 2025, segundo a estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), era de habitantes.

Topônimo esquerda|miniaturadaimagem|236x236px|Cachoeira de Itagybá, em Delfim Moreira, origem do nome de Itajubá. O nome Itajubá é uma corruptela de Itagybá, primeiro nome dado à região, nome oriundo do tupi que significa “cachoeira do rio das pedras”, através da junção dos termos ita (pedra), y (rio) e bae (queda, cachoeira).

Itagybá foi dado em alusão à cachoeira junto às minas de Miguel Garcia Velho, sugerido por seus companheiros de expedição.

Devido a uma confusão com outra palavra semelhante, itajuba (com a tônica no – jú), muitos acreditam que Itajubá significa pedra amarela.

História Primeiros tempos e ciclo do ouro

Os primeiros habitantes de Itajubá foram os indígenas puris, apelidados pelos não-indígenas de “coroados”, encontrados também no Vale do Paraíba.

As primeiras penetrações na região de Itajubá são datadas do final do século XVI, com a expedição de Martim Correia de Sá, partindo do Rio de Janeiro e da qual fazia parte Anthony Knivet, e a bandeira de João Pereira “Botafogo”, que partiu de São Paulo.

No século XVII, sobretudo na sua segunda metade, o sul de Minas Gerais foi percorrido por bandeirantes paulistas, partindo das vilas de São Paulo e Taubaté, que buscavam indígenas para escravizar e ouro, como Borba Gato, padre João de Faria Fialho e outros.

Em 1703, após desviar-se da rota tradicional dos bandeirantes no sul de Minas, que chegava ao vale do Rio Verde e em Baependi, o taubateano Miguel Garcia Velho descobriu ouro em diversos pontos do atual município de Delfim Moreira, mas o que mais lhe chamou a atenção foram as minas do Itagybá, perto da qual surgiu a povoação de Nossa Senhora da Soledade do Itagybá, antigamente conhecida como Itajubá Velho e atualmente sendo a cidade de Delfim Moreira, onde permaneceu por cinco anos.

Em 1746, as minas de Itagybá, até então parte da Capitania de São Paulo, passaram para a Capitania de Minas Gerais, após anos de disputas entre as duas entidades.

O garimpo em Soledade de Itagybá durou pouco. Em meados do século XVIII, as minas locais já haviam se esgotado, causando estagnação econômica, e muitos dos seus habitantes se retiraram dali, com os que permaneceram se dedicaram à agricultura e à pecuária, pelo fato de o ouro ter rareado.

Fundação de Itajubá Em 1817, o vigário da freguesia de Nossa Senhora da Soledade de Itagybá, criada em 1762, Padre Joaquim José Ferreira, faleceu e assumiu em seu lugar, no ano seguinte, o padre português Lourenço da Costa Moreira, que chegou vindo de Guaratinguetá. Não gostou da povoação, por causa do relevo acidentado e clima frio.

Expondo a situação da povoação, o padre Lourenço convidou alguns de seus paroquianos a seguirem com ele na busca de um local para fundar uma nova povoação. A caravana partiu em 17 de março de 1819 e, no dia 19, chegou à colina do Ibitira, no vale do rio Sapucaí, em cujo topo, em um primitivo altar de paus preparados a foice pelos seus acompanhantes, rezou a primeira missa ali, fundando a povoação de Boa Vista do Sapucaí (atual cidade de Itajubá). Posteriormente, foi erguida uma capela de pau-a-pique ali. A nova povoação atraiu muitos habitantes vindos de Soledade de Itagybá.

Por meio de um decreto imperial de 14 de julho de 1832, a povoação de Boa Vista do Sapucaí foi elevada à categoria de freguesia, subordinada à vila de Campanha da Princesa.

Município emancipado Posteriormente, a Lei Provincial nº 355, de 27 de setembro de 1848, sancionada pelo presidente da província de Minas Gerais, Bernardino José de Queiroga Júnior, elevou a freguesia de Boa Vista do Sapucaí à categoria de vila, com o nome de Boa Vista do Itajubá, desmembrada de Campanha, sendo instalada em 27 de junho de 1849, com a posse da primeira Câmara Municipal.

Em 1850, a freguesia de Espírito Santo dos Cumquibus se emancipou de Itajubá, com o nome de Cristina, junto com a de São Sebastião da Capituba (atual Pedralva).

Em 4 de outubro de 1862, pela Lei provincial nº 1.149, elevou Boa Vista de Itajubá à categoria de cidade, com o nome de Itajubá.

Entre meados e o final do século XIX, ganhou destaque, em Itajubá, a cultura do café, a qual, junto com a do fumo e a agricultura de subsistência, eram as principais atividades econômicas do município.

Vital Brazil viveu sua primeira infância entre as cidades de Campanha e Itajubá, entre 1865 e 1872.

Em 11 de março de 1888, dois meses antes da Lei Áurea, Itajubá se tornou o primeiro município de Minas Gerais a abolir a escravidão.

Em 1901, Itajubá perdeu território para a criação do município de Vargem Grande (atual Brazópolis).

Itajubá é conhecida no cenário nacional por sua contribuição ao desenvolvimento do país, pois nela se instalou, em 23 de novembro de 1913, a Escola de Engenharia que daria origem a Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI). Grandes nomes saíram de suas tradicionais famílias, ou dos bancos da hoje UNIFEI, para servir o país, como o Presidente da República Wenceslau Braz, o vice-presidente Aureliano Chaves e vários deputados estaduais e federais. Vários são os ex-alunos da atual UNIFEI lembrados e também associados a Itajubá por várias razões, entre elas o sucesso profissional, a contribuição para o país ou envolvimento político.

Em 1938, Itajubá perdeu o distrito de Soledade de Itajubá, que foi emancipado com o nome de Delfim Moreira. Em 1962, foram emancipados os distritos de Wenceslau Braz e Piranguçu.

Enchentes A cidade de Itajubá já enfrentou diversas enchentes, nos anos de 1874, 1881, 1905, 1919, 1929, 1936, 1940, 1945, 1957, 1962, 1979, 1991 e em janeiro de 2000, sendo a última uma das mais severas. Em 12 de janeiro de 2011, houve mais uma enchente na cidade. Para auxiliar a população no monitoramento dos rios, a loja A Mineira disponibiliza em seu site imagens feitas com webcam do Rio Sapucaí, na Ponte P4, e do Ribeirão José Pereira, na Av. BPS, atualizadas periodicamente.miniaturadaimagem|Câmara Municipal de Itajubá miniaturadaimagem|Quartel-sede do Quarto Batalhão de Engenharia e Combate Pequena Central Hidrelétrica Luiz Dias miniaturadaimagem|Prédio da Santa Casa de Misericórdia de Itajubá A Pequena Central Hidrelétrica Luiz Dias localiza-se em Itajubá e foi inaugurada em 1914. Foi a segunda usina desse porte a ser instalada no sul do estado de Minas Gerais. A central pertenceu à Companhia Industrial Sul Mineira, à Companhia Industrial Força e Luz, à Companhia Sul Mineira de Eletricidade e atualmente é propriedade da Companhia Energética de Minas Gerais.

Geografia O município é constituído pelos distritos da sede e de Lourenço Velho. Faz divisa com os municípios de São José do Alegre, Maria da Fé, Wenceslau Braz, Piranguçu, Piranguinho e Delfim Moreira. Seu território pertence à bacia hidrográfica do rio Sapucaí e a sede encontra-se na latitude 22° 26’ Sul e longitude 45°27’ Oeste.

De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município está localizado na Região Geográfica Imediata de Itajubá, pertencente à Região Geográfica Intermediária de Pouso Alegre. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Itajubá, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Sul e Sudoeste de Minas.

Relevo Sua altitude varia de 845 metros, na cota do rio Sapucaí a 1 915 metros, na Pedra de Santa Rita. Apresenta um relevo predominantemente montanhoso, com superfície montanhosa de 78 por cento, ondulada de doze por cento e plana de dez por cento. O solo predominante é o latossolo vermelho-escuro distrófico.

Hidrografia Itajubá pertence à bacia do rio Sapucaí. Possui declividade média 0,05% estendendo-se por 12 quilômetros sua planície fluvial. Além deste, possui outros rios de importância como o rio Lourenço Velho e os ribeirões Anhumas, Zé Pereira, Piranguçu e Água Preta.

Saneamento Em 2010, o esgoto de 98% dos domicílios urbanos e de 46% dos domicílios rurais era destinado à rede geral de esgoto ou pluvial.

Clima Situado nos limites meridionais do clima temperado, sob influência da elevada altitude da região, o clima de Itajubá é do tipo temperado, com oscilações bruscas de temperatura e predominância de ventos NE. Índice pluviométrico é milímetros (mm) ao ano, chegando ao maior nível nos meses de dezembro e janeiro. A temperatura média anual é de , com máxima média anual de e a mínima de . Há registros que indicam queda de neve na cidade no século XX. São comum geadas nos meses mais frios.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1931 a 1968 a menor temperatura registrada em Itajubá foi de em 22 de junho de 1933 e a maior atingiu em 7 de outubro de 1946. Dados mais recentes da estação meteorológica da Universidade Federal de Itajubá a partir de abril de 2010 indicaram que a menor temperatura foi de em 20 de julho de 2021 e a maior de em quatro ocasiões, duas em outubro de 2014 (nos dias 15 e 19) e as outras duas em janeiro de 2015 (dias 18 e 19); a maior rajada de vento alcançou em 6 de novembro de 2015.

Flora e fauna É formada por vestígios de mata atlântica com espécies como: jatobá, angico, jacaré, peroba, ipê, carqueja, sete–sangrias e taiuiá.

Possui áreas de floresta subcaducifólia latifoliada tropical e de floresta subcaducifólia subtropical de araucária. Encontramos as seguintes espécies nesta vegetação: amoreira, canela, canjerana, cedro, guatambu, jatobá, jequitibá, maçaranduba, copaíba, peroba-rosa, sassafrás.

Há uma grande variedade da fauna silvestre. Algumas espécies de aves encontradas na região são: bem-te-vi, fogo-apagou, juriti, maritaca, pica-pauzinho, risadinha, rolinha, sabiá-amarelo, sanhaço, tiê-preto e o tucano. Há cobras como: a falsa-coral, cascavel, jararacuçu, sucuri e urutu. Também encontram-se mamíferos como: cachorro-do-mato, capivara, cutia, gambá, jaguatirica, lebre, lontra, macaco-prego, morcego-frutífero, ouriço, paca, rato-do-mato, suçuarana, veado-mateiro e o tatu.

Cachoeiras Na cidade, encontram-se diversas cachoeiras, como a da Serra dos Toledos; a Cachoeira da Estância; Cachoeira da Pedra Vermelha; Cachoeira do Ano Bom, Cachoeira Grande, Cachoeira dos Pilões e Cachoeira da Peroba.

Demografia A população recenseada em 2022, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, era de habitantes, dos quais (51,06%) eram mulheres e (48,94%) homens. Em 2010, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do município era de 0,787, sendo o quarto maior do estado de Minas Gerais. Em 2022, a taxa de urbanização do município era de 89,63%. Há uma grande população estudantil, principalmente em cursos de graduação e pós-graduação oferecidos pelas faculdades abrigadas na cidade. A cidade conta com muitas escolas profissionalizantes, possuindo, assim, muita mão de obra especializada.

Evolução populacional

1991 - 75 014 1996 - 79 569 2000 - 84 135 2007 - 86 673 2009 - 90 225 2010 - 90 679 2011 - 91 158 2012 - 91 643 2013 - 94 940 2014 - 95 491 2015 - 96 020 2016 - 96 523 2017 - 97 000

Etnias Em 2022 residiam em Itajubá pessoas, das quais eram brancas, pardas, pretas, 199 amarelas e 34 indígenas.

EtniaPorcentagem da população (2022) Branca 70,47% Parda 23,66% Preta 5,62% Amarela 0,21% Indígena 0,04%

Em 2010 a expectativa de vida era de 78,0 anos.

Rodovias direita|thumb|Entroncamento da rodovia MG-350 com a Rodovia BR-459, em Itajubá. A principal rodovia que corta o município é a BR-459, que liga Lorena a Poços de Caldas. É a ligação da rodovia Fernão Dias BR-381, que liga São Paulo a Belo Horizonte, com a Rodovia Presidente Dutra BR-116, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro.

Além desta rodovia, a MGC-383 liga o município ao Circuito das Águas, passando por Maria da Fé e Cristina.