Naque é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce e pertence ao colar metropolitano do Vale do Aço, estando situado a cerca de a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que está em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.

A sede tem uma temperatura média anual de e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica. Com 94% da população vivendo na zona urbana, a cidade contava, em 2009, com sete estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,675, classificado como médio em relação ao estado.

A exploração da área da atual cidade teve início em meados do século XIX, sob o comando do francês Guido Marlière, abrindo caminho para a formação de um povoamento no começo do século XX. Em 1937, a localidade se tornou distrito de Governador Valadares, sendo anexada a Açucena em 1943 e emancipada em 21 de dezembro de 1995. O município está situado às margens do rio Santo Antônio, além de ser cortado pela Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) e pela BR-381, que atende ao lugar desde o final da década de 1960.

A agropecuária, o comércio e a prestação de serviços configuram-se como principais fontes empregadoras da população naquense. Eventos festivos tais como a Cavalgada de Naque, as festividades do aniversário da cidade, as festas juninas e as comemorações religiosas do dia de Santo Antônio, padroeiro municipal, são algumas das manifestações culturais proeminentes.

História thumb|esquerda|Canteiro central da Avenida José Martins Morais Júnior Antes de iniciar-se a exploração da região do atual município de Naque, várias expedições eram realizadas ao longo dos cursos dos rios Santo Antônio e Doce e afluentes, visando a explorar as redondezas. A área era originalmente habitada por botocudos, que viviam às margens dos rios. O desbravamento teve início sob comando do francês Guido Marlière, em meados do século XIX, no entanto o primeiro morador que se tenha notícia foi Antônio Barrinha, que afixou-se no local no começo do século XX e deu início ao povoado, que mais tarde foi batizado de Barra do Santo Antônio e, posteriormente, Naque, que significa "barro vermelho" em tupi-guarani.

Por volta de 1911, foi iniciada a locação da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) na localidade. A partir da foz do rio Santo Antônio, próxima à atual cidade, a ferrovia seguiria a margem do rio e alcançaria Peçanha, no entanto o foco foi alterado para Itabira devido ao desenvolvimento da mineração em função da extração de minério de ferro no município. Na mesma ocasião foi inaugurada a primeira estação ferroviária de Naque,Revista Caminhos Gerais, nº 38, pag. 12. que mais tarde seria demolida e substituída pela atual, inaugurada em 13 de fevereiro de 1950. Através do decreto-lei nº 32, de 31 de dezembro de 1937, o povoamento, que pertencia até então a Peçanha, foi elevado à categoria de distrito e anexado ao recém-criado município de Figueira (mais tarde Governador Valadares).

Pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, Naque perdeu território para constituir o distrito de São Félix (atual Felicina, pertencente a Açucena) e pelo decreto-lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943, passou a fazer parte do município de Açucena. Entre 1969 e 1971, foi construído o trecho Ipatinga–Governador Valadares da então MG-4, atual BR-381, e com isso o local passou a ter acesso facilitado à capital mineira. Dado o desenvolvimento econômico e populacional, a emancipação de Naque foi decretada pela lei nº 12.030, de 21 de dezembro de 1995, instalando-se em 1º de janeiro de 1997.

Em 13 de julho de 2019, a cidade gerou repercussão após o então prefeito Hélio Pinto de Carvalho (PSDB) ser assassinado a tiros pelo vereador Marcos Alves de Lima (DC), por uma suposta discussão a respeito da divisa de um loteamento. No entanto, havia desavenças passadas entre os dois. Hélio havia sido eleito nas eleições de 2012 e reeleito em 2016.

Geografia thumb|esquerda|Vista parcial da zona urbana de Naque A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constitui a zona urbana. Situa-se a 19º13'48" de latitude sul e 42°19'40" de longitude oeste e está a uma distância de 254 quilômetros a leste da capital mineira, fazendo parte do colar metropolitano do Vale do Aço juntamente com outras 23 cidades (além dos quatro municípios principais). Seus municípios limítrofes são Periquito, a norte; Açucena, a oeste; Belo Oriente, a sul; e Iapu, a leste.

De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Ipatinga. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Ipatinga, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce.

Relevo, hidrografia e meio ambiente thumb|esquerda|Rio Santo Antônio entre Naque e Belo Oriente Naque está a uma altitude média de 200 metros acima do nível no mar e a cidade é banhada pelo rio Santo Antônio, fazendo parte da bacia do rio Doce. Ocasionalmente, na estação seca, é comum a formação de bancos de areia nos rios devido à falta de chuva e ao posterior volume de água reduzido. Por outro lado, na estação das chuvas, os cursos hidrográficos que cortam o município sofrem com a elevação de seus níveis, provocando enchentes em suas margens, o que exige a existência de um sistema de alerta contra enchentes eficaz. Atualmente existe uma série de estações pluviométricas, fluviométricas e telemétricas instaladas na região, que são administradas pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e Usina Hidrelétrica de Baguari e que visam a alertar a população de uma possível enchente.

A vegetação predominante no município é a Mata Atlântica, sendo que os principais problemas ambientais presentes, segundo a prefeitura em 2010, eram o assoreamento de corpos d'água, a poluição hídrica, a poluição do ar, as queimadas e a contaminação do solo, no entanto a cidade possui um Conselho Municipal de Meio Ambiente, criado no ano de 1997 e de caráter paritário, e Fundo Municipal de Meio Ambiente. Há considerável presença de pastagens e do reflorestamento com eucalipto para abastecer a usina da Cenibra, situada no município vizinho de Belo Oriente.

Clima Maiores acumulados diários de chuva registrados em Naque por meses Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 04/01/1994 Julho 23/07/2001 Fevereiro 17/02/2005 Agosto 30/08/1990 Março 23/03/2014 Setembro 24/09/2002 Abril 28/04/1997 Outubro 24/10/2003 Maio 02/05/1990 Novembro 02/11/1992 Junho 24/06/2013 Dezembro 10/12/2006 Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) O clima naquense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical sub-quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), tendo temperatura média anual de com invernos secos e amenos e verões chuvosos e com temperaturas elevadas. Os meses mais quentes, fevereiro e março, têm temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.

A precipitação média anual é de mm, sendo junho o mês mais seco, quando ocorrem apenas . Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em . Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos , especialmente entre julho e setembro. Em julho de 2013, por exemplo, a precipitação de chuva em Naque não passou dos . Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera.

Segundo dados da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), de 1986 a 2023 o maior acumulado de chuva registrado em 24 horas em Naque foi de no dia 10 de dezembro de 2006. Outros grandes acumulados foram de em 4 de janeiro de 1994, em 2 de novembro de 1992 e em 23 de março de 2014. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o município é o 268º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais, com uma média anual de 5,0885 raios por quilômetro quadrado.

Demografia

Segundo o censo de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do município foi estimada em habitantes. Já segundo o censo de 2010, havia habitantes. Em 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e 380 na zona rural. Da população total, habitantes (25,93%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (66,27%) tinham de 15 a 64 anos e 495 pessoas (7,81%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 74,3 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 2,0. thumb|direita|Rua residencial em Naque

Em 2010, a população naquense era composta por brancos (23,92%), 870 negros (13,82%), 16 amarelos (0,25%) e pardos (62,10%). Considerando-se a região de nascimento, no Sudeste (98,71%), 63 eram nascidos na Região Nordeste (1,00%), três no Sul (0,05%) e três no Centro-Oeste (0,05%). habitantes eram naturais do estado de Minas Gerais (95,46%) e, desse total, eram nascidos em Naque (54,31%). Entre os 288 naturais de outras unidades da federação, São Paulo era o estado com maior presença, com 129 pessoas (2,04%), seguido pelo Espírito Santo, com 64 residentes (1,01%), e pela Bahia, com 35 habitantes residentes no município (0,57%).

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Naque é considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,675 (o 2545º maior do Brasil). A cidade possui a maioria dos indicadores próximos à média nacional segundo o PNUD. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,592, o valor do índice de longevidade é de 0,822 e o de renda é de 0,632. De 2000 a 2010, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo reduziu em 62,7% e em 2010, 81,7% da população vivia acima da linha de pobreza, 13,5% encontrava-se na linha da pobreza e 4,8% estava abaixo e o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,43, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. A participação dos 20% da população mais rica da cidade no rendimento total municipal era de 47,5%, ou seja, dez vezes superior à dos 20% mais pobres, que era de 4,9%.

De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população de Naque está composta por: católicos (49,55%), evangélicos (36,79%), 770 pessoas sem religião (12,15%), 51 testemunhas de Jeová (0,81%) e 0,70% estão divididos entre outras religiões.

Política e administração thumb|esquerda|Prefeitura de Naque A administração municipal se dá pelos Poderes Executivo e Legislativo. O Executivo é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários. Hélio Pinto de Carvalho, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), foi o candidato eleito nas eleições municipais de 2012 e reeleito em 2016 com 39,60% dos votos válidos, ao lado de Fernando da Costa Silva (PROS) como vice-prefeito. Com o falecimento de Hélio, em 13 de julho de 2019, o cargo de prefeito foi assumido pelo vice.

O Poder Legislativo, por sua vez, é constituído pela câmara municipal, composta por nove vereadores. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento participativo (Lei de Diretrizes Orçamentárias).