Alstom SA, pronunciada /alstɔm/ em francês, é uma fabricante multinacional francesa de sistemas de transporte ferroviário. Trabalha com transporte de passageiros, serviços ferroviários, sinalização e locomotivas. Produz trens de alta velocidade, suburbanos, regionais e urbanos, além de bondes.
A empresa e seu nome, escrito inicialmente como Alsthom, nasceram em 1928 da fusão da divisão de engenharia elétrica da Société Alsacienne de Constructions Mécaniques, Als, com a Compagnie Française Thomson-Houston, thom. Entre as aquisições posteriores estiveram a Constructions Électriques de France, em 1932, o estaleiro Chantiers de l'Atlantique, em 1976, vendido em 2006, e partes da ACEC, no fim da década de 1980.
História Alsthom (1928–1989) A Alsthom, ainda com um "h" no nome, foi fundada em 1928 pela fusão da Compagnie française Thomson-Houston, subsidiária francesa de engenharia pesada da Thomson-Houston Electric Company, com a Société Alsacienne de Constructions Mécaniques. Em 1932, entrou no setor de transportes ao comprar a Constructions Électriques de France, de Tarbes, fabricante de locomotivas elétricas e equipamentos elétricos e hidráulicos.
Em 1969, a Compagnie Générale d'Électricité, CGE, tornou-se a acionista majoritária da Alsthom. A Alsthom se fundiu com a Chantiers de l'Atlantique em 1976 e passou a se chamar Alsthom Atlantique, entrando também na construção naval. No ano seguinte, construiu o primeiro grupo gerador de 1.300 MW para a Usina Nuclear de Paluel. A unidade chegou a produzir 1.500 MW, então um recorde mundial.
Em 1978, a Alsthom entregou seu primeiro TGV à SNCF. O TGV bateu recordes mundiais de velocidade ferroviária em 1981, com 380 km/h, e em 1990, com 515,3 km/h. Em 2001, percorreu os 1.067,2 km entre Calais e Marselha em 3 horas e 29 minutos, um recorde de percurso de longa distância em linha de alta velocidade. Em 1986, a unidade Alsthom Belfort recebeu da EDF uma encomenda para a maior turbina a gás do mundo, com 212 MW.
Em 1988 e 1989, a holding CGEE Alsthom comprou a ACEC Énergie, fabricante de turbinas hidráulicas e equipamentos elétricos para a indústria nuclear, e a ACEC Automatisme, voltada à automação. As duas vieram do desmembramento da empresa belga de engenharia elétrica Ateliers de Constructions Electriques de Charleroi. A Alsthom comprou toda a divisão de transportes da ACEC e lhe deu o nome ACEC Transport.Fontes:
GEC Alsthom (1989–1998) No início de 1989, a Alsthom se uniu em partes iguais à divisão de sistemas de energia da britânica General Electric Company, formando a GEC Alsthom. A operação deveria facilitar a venda de produtos da Alsthom fora do mercado francês.International Directory of Company Histories, 1994 Em maio daquele ano, a GEC Alsthom comprou a fabricante britânica de veículos ferroviários Metro-Cammell."GEC swallows Metro-Cammell", Railway Gazette International, julho de 1989, p. 457.
miniaturadaimagem|Um trem British Rail Class 373 na Estação St Pancras, em Londres. A Alstom construiu a classe no início da década de 1990 para o serviço de alta velocidade Eurostar entre a Inglaterra, a França e a Bélgica. miniaturadaimagem|250px|Trem Alstom Metropolis do metrô de Kochi, construído em 2017 No início da década de 1990, a GEC Alsthom foi a principal fabricante do British Rail Class 373, uma variante da família TGV projetada para atravessar o Eurotúnel entre o Reino Unido e a França. Os trens eram operados em conjunto pela Eurostar, mas foram encomendados por três empresas. A SNCF comprou 16 composições, a NMBS/SNCB comprou quatro e a British Rail comprou 18, das quais sete tinham formação reduzida para operar no norte de Londres. A primeira composição da classe 373 ficou pronta na fábrica da GEC Alsthom em Belfort, em 1992.
Em 1994, a GEC Alsthom comprou 51% da Linke-Hofmann-Busch, então pertencente à Salzgitter AG."World Update", Railway Age, agosto de 1994, p. 88. Em 1995, comprou as ações restantes da fabricante de turbinas a vapor MAN Energie. No começo de 1998, adquiriu a empresa de engenharia elétrica Cegelec e a rebatizou como Alstom Power Conversion.
Em 1998, a GEC Alsthom comprou a Sasib Railways, divisão de sinalização ferroviária da empresa italiana SASIB. A compra abrangia a antiga General Railway Signal, dos Estados Unidos.
Em junho de 1998, a GEC Alsthom teve suas ações lançadas na Euronext Paris. A GEC e a Alcatel venderam parte das participações de 23,6% que cada uma detinha. A empresa também retirou o "h" do nome e passou a se chamar oficialmente Alstom."GEC Alsthom drops the 'h'", The Railway Magazine, n.º 1167, julho de 1998, p. 55.
Alstom (1999–2014) miniaturadaimagem|Vagões da série 6000 do Metropolitano de Washington, construídos pela Alstom em 2006 Em 1999, a Alstom comprou metade da divisão de sistemas de energia da ABB e criou com ela a ABB Alstom Power, dividida igualmente entre as duas empresas. A subsidiária canadense Télécité fornecia sistemas integrados de informação, segurança e entretenimento para passageiros. A Alstom vendeu à General Electric sua divisão de turbinas a gás de grande porte, baseada em projetos licenciados pela GE. Em 2000, a Alstom comprou a participação da ABB na empresa conjunta.
Em 2000, a Alstom vendeu seus negócios de motores a diesel, Ruston, Paxman e Mirrlees Blackstone, para o MAN Group. Também comprou 51% da fabricante italiana de material ferroviário Fiat Ferroviaria, que dominava a tecnologia de trens pendulares. Em abril de 2003, a Alstom vendeu seu negócio de turbinas industriais para a Siemens AG por € 1,1 bilhão.
Em 2003, a Alstom enfrentava uma crise financeira causada por uma combinação de vendas fracas e mais de US$ 5 bilhões em dívidas. A situação poderia levar à liquidação da empresa. A maior parte da dívida veio de um encargo de US$ 4 bilhões causado por uma falha de projeto numa turbina desenvolvida pela ABB (empresa), comprada pela Alstom em 2000, e da quebra da Renaissance Cruises durante a retração do mercado naval. O preço das ações da Alstom caiu 90% em dois anos. A Comissão Europeia se opôs a um plano de resgate de € 3,2 bilhões que envolvia o Estado francês. As regras de concorrência da União Europeia restringem auxílios estatais sem autorização da Comissão. A aprovação veio com a condição de que a Alstom vendesse subsidiárias, entre elas seus ativos de construção naval e transmissão elétrica.
Em 2004, o Estado francês comprou 21% da Alstom por € 772 milhões. O auxílio aprovado pela União Europeia somou € 2,5 bilhões. A empresa vendeu à Areva seu negócio de transmissão e distribuição de energia, chamado de "rede". A fabricante de locomotivas a diesel MACOSA foi vendida à Vossloh, e a Alstom Power Rentals, à APR LLC. A Alstom recomprou a divisão de transmissão da Areva em 2010.
A antiga fábrica de veículos ferroviários da Metro-Cammell em Washwood Heath fechou em 2005."Alstom withdraws from train assembly in Britain", International Railway Journal, julho de 2003, p. 4. No mesmo ano, a Alstom vendeu a Alstom Transport Australia and New Zealand ao United Group. A empresa passou a integrar a divisão United Group Rail. A Alstom retomou a fabricação na Austrália no começo da década de 2010.
Em 2006, a Alstom vendeu sua divisão naval para o grupo norueguês Aker Yards, com o compromisso de reter 25% das ações até 2010. Também vendeu a Alstom Power Conversion, que se tornou Converteam, em um acordo de compra alavancada financiado pelo Barclays Private Equity France SAS.
Em junho de 2006, Bouygues comprou do governo francês uma participação de 21% na Alstom por € 2 bilhões. A Bouygues elevou depois sua participação para 24%.
miniaturadaimagem|Turbinas eólicas Alstom-Ecotècnia na Espanha Em 2007, o TGV POS bateu o recorde mundial de velocidade sobre trilhos, com 574,8 km/h. Em março, a Alstom comprou da Calpine Corporation a fabricante de componentes para turbinas a gás Power Systems Manufacturing LLC, da Flórida, por US$ 242 milhões. Em junho, a empresa comprou a fabricante espanhola de turbinas eólicas Ecotècnia, rebatizada como Alstom Ecotècnia e, em 2010, como Alstom Wind. Também adotou uma nova identidade visual, com "alstom" como nome comercial e "Alstom SA" nos documentos legais.
Em 2009, a Alstom adquiriu uma participação de 25% na fabricante russa de locomotivas Transmashholding."Alstom acquires 25% stake in Transmashholding", International Railway Journal, abril de 2010, p. 17. Seis anos depois, a Alstom decidiu aumentar sua participação acionária na Transmashholding para 33% por cerca de € 54 milhões. Um acordo entre a Transmashholding e a LocoTech-Service reduziu a participação da Alstom na fabricante russa para 20% em agosto de 2018.
Em 2011, a Alstom e o governo iraquiano assinaram um memorando de entendimento para construir uma nova linha ferroviária de alta velocidade entre Bagdá e Baçorá.
Em 2012, a Alstom começou a construir fábricas em Sorel-Tracy, Quebec, Canadá, para veículos ferroviários de passageiros. Depois que um consórcio formado pela Alstom Wind, pela EDF e pela Ørsted recebeu três grandes contratos franceses de parques eólicos marítimos, a empresa iniciou a construção de fábricas em Cherbourg-en-Cotentin para pás e torres de turbinas eólicas, em parceria com a LM Power, e em Saint-Nazaire, para naceles e geradores.Fontes:
No mesmo ano, a empresa formou uma empresa conjunta com RusHydro para fabricar equipamentos hidrelétricos para usinas hidrelétricas de pequeno e médio porte, com até cerca de 100 MW.
No fim de 2012, a Alstom comprou da Rolls-Royce a Tidal Generation Ltd para ampliar seu negócio de energia maremotriz. A unidade foi vendida à GE em 2015 com o restante da divisão de energia.
Em novembro de 2013, a Alstom anunciou que pretendia levantar de € 1 bilhão a € 2 bilhões com a venda de ativos secundários e, possivelmente, de uma participação na Alstom Transport. O plano também cortaria 1.300 postos de trabalho. Em 2014, a Alstom vendeu à Triton Partners por € 730 milhões sua unidade de componentes auxiliares de vapor. Ela produzia pré-aquecedores de ar, aquecedores gás-gás, equipamentos industriais de transferência de calor e moinhos.
Em novembro de 2014, a Alstom recebeu um contrato de US$ 429,4 milhões para modernizar 85 trens do Metropolitano da Cidade do México.
Investigações judiciais A partir de 2009, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, DOJ, passou a examinar as práticas da Alstom sob a suspeita de violação da Lei de Práticas de Corrupção no Exterior, de 1977. A lei norte-americana também se aplica a condutas praticadas fora do país. A Alstom cooperou no começo do processo. Em 2010, o DOJ abriu uma investigação sobre os negócios da empresa, com atenção especial a um contrato de US$ 118 milhões firmado na Indonésia em 2003.
Em 13 de abril de 2013, o executivo sênior da Alstom Frédéric Pierucci foi preso no Aeroporto Internacional John F. Kennedy em Nova Iorque. Ele foi acusado de ignorar deliberadamente indícios de corrupção na empresa e permaneceu 14 meses em uma prisão de segurança máxima. Seus pedidos de liberdade sob fiança foram negados até a semana da aquisição da Alstom pelo conglomerado norte-americano General Electric. No final de 2014, a Alstom foi multada em US$ 772 milhões pelo DOJ, e admitiu culpa com base na Lei de Práticas de Corrupção no Exterior por subornos pagos para obter contratos no exterior.